terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O JUÍZO FINAL .

O que mais me prende à vida
Não é amor de ninguém
É que a morte de esquecida
Deixa o mal e leva o bem

Dizia-me o meu Pai, que era uma pessoa sábia :

"Então o Cristo andou cá a prégar na Terra há mais de dois mil
  anos, e não conseguiu resolver os problemas da Humanidade, e
  queres tu agora resolvê-los, sem mais, nem menos ."

E, eu, cheio de boas ideias, queria transformar o mundo, com duas
penadas .

E ia a todas, na família, na escola, no mundo do trabalho, na uni-
versidade, e por aí adiante .
Julgava ter escolhido o caminho certo, mas ia sempre com o passo
trocado . Tropeçava sempre nos detalhes .

Mais tarde, quando tive que escolher um partido, foi o cabo dos tra-
balhos . Passei maus bocados por ser sempre uma voz dissonante -
- desafinava sempre . Nunca fui como o galo, que sabia sempre a 
música de cor .

Foi o meu Filho que acabou por escolher o 
meu partido .

Tinha apoiado o Otelo, tinha votado CDE, depois votei FRS e MES .
De há muito que me tinha afastado cada vez mais do PCP,
Socialista desde que nasci, acabei por vir a militar de uma maneira
quase epidérmica no Partido Socialista, onde, apesar de tudo, me ha-
bituei a sentir confortável .

Nunca fui comunista, nem anti comunista.
Sempre anti capitalista, por convecção, e pela maneira de ser, estar e
sentir .



Vejo agora o meu mundo a desabar fragoro-
samente .

E tenho muitas dúvidas e algum temor, não por mim, mas pelas ge-
rações vindouras, que, pela ordem natural das coisas, nos irão substi-
tuir .

Meio século depois vejo com muita preocupação, o nove fascismo a 
irromper violentamente, sem capacidade de reagir, qual nova caval-
gada das Valquírias, levando tudo pela frente .

Uma nova era se prespectiva .

Os novos hunos, escondidos pelas balelas da democracia e da liber-
dade, tocam as trombetas da mentira, da desgraça .
Ingenuamente, quero pensar, ingenuamente, mais uma vez, que elas 
não passarão .
Já cá não estarei para assistir a mais uma volta da história, a mais
um espectáculo degradante que nos querem impor .
Vejo tudo muito turvo e desfocado, mas nada posso fazer .

Sinto que o país que prenunciava a felicidade para todos, não passa 
de uma tremenda falácia, mergulhado nas profundas trevas do infer-
no .
Milhões de seres humanos lançam-se ao combate  para evitar a che-
gada do Juízo Final .

Acordaram tarde demais .

Será que ainda vão a tempo de esmagar o monstro de sete cabeças,
aliás escolhido por milhões de humanóides, também eles aguardando

O JUÍZO FINAL ...
.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A AMÉRICAS JÁ ESTÁ A ARDER .

Assisto atónito aos graves acontecimentos ocorridos nos USA,
designadamente no que se refere às leis da emigração, e  vejo
com preocupação ao desenvolvimento da reacção a Trump, a 
todos os níveis, e em todo o planeta .

O mundo está a virar do avesso, com uma rapidez estonteante .
É imensa a expectativa, mas também o medo, que se espalha-
ram por toda a parte, como se de uma explosão se tratasse .

É ainda cedo para se poder verificar a loucura e a insensatez
que, em poucos dias, se propagaram à sociedade global, e como 
é que o mundo vai ficar, após este terramoto político, ideológico
religioso e social .

Ao contrário de muita gente bem pensante, os USA são um 
país extremamente violento, por detrás de uma camuflagem de
democracia virtual, que de liberal pouco tem, um país onde im-
pera  uma escravatura racial e económica, onde a grande liber-
dade, é o acesso à miséria, à doença e à discriminação em todos
os aspectos .

Claro que o está sempre presente os sofismas de que todos têm
ás mesmas oportunidades, se fizerem por isso, e todos alcançarão
o reino dos céus, se se portarem bem .

domingo, 29 de janeiro de 2017

REAL POLITIK .

Porque razão os americanos não escolherem Berlim
para lançarem a primeira bomba atómica, em vez de
terem escolherem Hiroshima e Nagasaki, para experi- 
mentar os efeitos devastadores da nova arma,

e terem apressado o fim da guerra na Europa, já tão 
massacrada e reduzida e escombros ?.

Matava-se logo o bicho pela cabeça ...

Porque não desembarcaram os camones mais cedo na
Normandia,
e estiveram à espera que os exércitos de Zukov se lan-
çassem com toda a força para destruírem o que resta-
va dos garbosos exércitos de Hítler .

Sempre se ficava com uma guerra em duas frentes .

Em ambos os casos tinha-se poupado em dinheiro e vi-
das humanas,
e a Europa seria certamente muito diferente do que pas-
sou a ser . 

Desencontros da História .

Táctica política .

Oportunismo 

ou Real politik .

Nunca saberemos ...
.



sábado, 28 de janeiro de 2017

Portugal e os americanos .

A História
é a sucessão sucessiva dos sucessos
que se sucedem sucessivamente sem cessar .

É praticamente impossível separar os factos mais relevantes da po-
lítica americana, dos acontecimentos ocorridos em Portugal, nos últi-
mos 75 anos, sobretudo para quem se interessa minimamente pela
História contemporânea .

Uma parte importante do que se passou no nosso País, decorreu da evo-
lução da política americana, e quer queiramos ou não, o mesmo irá acon-
tecer no futuro próximo .

Daí  perigo de um Presidente impreparado e imprevisível, com uma gran-
de pancada de loucura, mas que vem fazendo as delícias de grande parte 
dos americanos analfabetos e com uma cultura carregada de irracionalis-
mo, como se estivessem a assistir a um filme de cowboys .

Mesmo sendo um anti americano convicto, nunca pensei ver o espectácu-
lo grotesco e degradante com que estamos confrontados .

Putin parece um santo de sacristia, quando 
com Trump .

Mundo Perigoso que estamos a viver  .

A desgraçada Europa vai balindo levemente, como quem esgrime um
arremedo de democracia, tolhida pelo espanto e pelo medo .

A Dona May assumiu já o papel de governanta, pronta a recolher as 
côdeas e submeter-se aos caprichos do patrão .

A Dona Merkel recolheu a penantes, fazendo agora uma conversa de-
licada que quase leva às lágrimas . A voz grossa era só para os países 
europeus mais frágeis,

Monsieur Holande, coitado do senhor Holande .

Contemplemos a paisagem, meus amigos .
.

OS PRESIDENTES dos USA .

TRUMAN - 1945/53

EISENOWER - 1953/61

KENNEDY - 1961/63

JOHNSON - 1963/69

CARTER - 1969// 77

FORD - 1977/81

REAGAN - 1981/89

G. BUSH - 1989/93

CLINTON - 1993/01

G.W.BUSH -2001/2008

OBAMA - 2008/2017

TRUMP - 2017
.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O SONHO AMERICANO (de TRUMP) .

Como irá o novo presidente americano prescindir da imensa
massa de desempregados ou em emprego precário, se muitos
deles forem empurrados para fora das suas fronteiras, se os
americanos mesmo forem obrigados a exercer ofícios e pro-
fissões, o trabalho sujo da América, limpar a m.e o lixo dos
trabalhadores limpos e bem alimentados.

Quem irá tomar os lugares de homens e mulheres  (e crianças),
gente que será obrigada afazer os trabalhos mais duros e sujos,
e a que preço, que são pagos com suor e lágrimas, a troco de 
uns míseros dólares .

Quem vai limpar a imensa porcaria que resulta do funciona-
mento da máquina capitalista que alimenta o sistema das ci-
dades desumanizadas pelo sistema actualmente em vigor .

Qual será a reacção de milhões de trabalhadores nessas tarefas,
quando se virem desalojados de uma vida razoável, em detri-
mento dos milhões expulsos pelo racismo e fascimo anuncia-
dos pelo profeta Trump .

Veremos ...
.


OS TESTES DE STRESS .

Nos últimos anos, quantos e quantos testes de stress foram
feitos aos bancos e quadrilhas correlacionadas, dando sem-
pre excelentes resultados .

Quanto à geringonça ou traquitana, foi o primeiro teste de
stress a que foi submetida, e todos foram experimentar a
sensação de esticar a corda, num exemplar exercício de
pulsão sado masoquista, brincando o País às sensações
fortes, mas perigosas .

O Presidente foi posto à prova pel
primeira vez .

A coelhada começou finalmente a brincar à política, fazen-
do uma birrinha à Sá Carneiro .

O Costa arriscou bastante, mas depois emendou a mão .

Os da esquerda levantaram cabelo, orgulhosos dos peque-
nos truques, meros duques e ternos sem trunfo que puse-
ram na mesa .

Para a próxima, talvez se lixem, e nos 
lixem a todos nós .
.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O URSO AMESTRADO .

Toma lá, que é democrático .

Parece que voltámos novamente à Idade Média,
revivendo os espectáculos ambulantes das prin-
cipais feiras, onde era tradicional o uso de pal-
haços, bobos, pessoas com deformidades e ani-
mais treinados, ursos, cães, macacos e répteis .

Um dos animais mais usados era o velho urso,
meio doente e maltratado, que fazia uma série 
de palhaçadas, meio desengonçado, tratado à 
paulada, provocando pena e dó do pobre ani-
mal .
Como paga recebia um pedaço de carne podre .

Mas o público, uma misturada de maltrapilhos,
crianças, arruaceiros e patifes encartados, sem-
pre foitos a apoderar-se do açheio, aplaudiam e 
riam à gargalhada, até às lágrimas .

É o regresso ao burlesco, na fase 
mais decadente e degradante, 
apesar dos grandes efeitos especi-
ais e do uso desproporcionado das 
redes sociais .

O Urso, ou o palhaço, é agora um velho ruivo e 
decrépito, vomitando veneno por todos os poros, 
para gáudio de ricos capitalistas raivosos, que es-
tá a incendiar o mundo, um ser desbragado, meio 
louco, e peçonhento, que é levado a sério pelo po-
vo do país mais rico do planeta .

Ao que chegámos ...
.



O PAQUIDERME - 3 .

Já nem os gatos nascem 
com os olhos fechados .

Como os crentes, quando são tocados pela Fé, dizem 
espantados que lobrigavam a Luz,
o mesmo me aconteceu quando vim para Lisboa, para
ser engenheiro .
Aterrei de focinho na terra do Mal, e logo numa casa 
de devassidão, no Lar dos Estudantes do IST, e por lá
fiquei durante dez anos .

Foi a minha segunda Universidade .

Foi então que comecei a descobrir o Mundo à minha 
volta . 
É que o mundo tinha duas faces, tal como a Lua,
a do conhecimento e da aventura, das coisas maravilho-
sas que se passavam à minha volta, e a parte negra e es-
condida, que nos ia mostrando todas as patifarias e mal-
dades da nossa cidade, do nosso planeta, da nossa vida .

Se eu já era um revoltado, cada vez mais fui descobrin-
do o cardápio das misérias humanas .
E compreendi que não era só o Salazar que era um 
monstro . 
A Terra estava pejada de monstros bem mais perigosos
e horrendos .

Descobri que o bem e o mal não era uma questão de des-
tino, ou de trágico maniqueísmo, era o espelho da reali-
dade da vida, que tinha bons e maus, ricos e pobres, co-
bardes e valentes, tal como existiam nas minhas brinca-
deiras de polícias contra ladrões, cowboys contra índios .

E que por um atavismo qualquer, eu calhava sempre do 
lado dos fracos e dos oprimidos, dos pobres e dos índios .

Tinha-se quebrado a magia,

eu que tinha vivido, bem por dentro, a gesta dos vence-
dores da 2ª Guerra Mundial, com os americanos à cabe-
ça, comecei a aprender que o Mundo andava ao contrá-
rio e a história não era assim tão simples como parecia, 
vista com um só
vista só com um olho .

Amanhã, se Deus quiser, 
iremos até ao Trump .
.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Será que a História se enganou ?.

Que me perdoe o Sr. Mário Soares,
mas será que foi o Socialismo Democrático
que ganhou a batalha política e ideológica, tão
duramente travada, durante a segunda metade 
do Séc. XX ?.

O socialismo democrático, com  todas  as suas 
variantes e sofismas, com diferentes côres e ma-
tizes, com mais ou menos sonoridades de direita, 
mostrou-se incapaz de fazer frente ao neolibera-
lismo, sempre saudoso do passado autoritário e 
reaccionário, génese de todas as barbaridades 
dos Impérios .  

Melo Antunes tinha razão, e com isso imolou a 
sua carreira política, que face à insistência de 
certas facções mais revanchistas, quando veio 
afirmar alto e bom som que os comunistas eram 
indispensáveis à tal democracia burguesa !...

Cada vez me convenço mais que tal asserção 
me parecia correcta, e só as forças vesgas que 
varreram  a Europa, e, com maioria de razão, 
a sociedade norte-americana, não conseguem
ver claro, o caminho rumo a um mundo mais 
justo e libertador .

 E os resultados estão bem à vista .
.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

UMA OUTRA NARRATIVA .

Dos contos de fadas
da minha infância, este da Divina
Criança era um dos mais maravilhosos . Não
faltaram os exóticos magos guiados
pela mística estrela, a noite gelada, os
mansos animais, o desvalido ermo, a pobreza
transportada em glória . O bem
sucedido parto de uma virgem, tantos séculos 
antes das pesquisas genéticas . O pior
foi quando quiseram contar o Tempo
a partir desta história . Podiam ter escolhido
outra, com um fim menos cruel . Antes
 o da Cinderela ou a do Príncipe Sapo, onde 
todos viveram felizes para sempre . Sempre?
E o que é

Sempre?

Inês Lourenço,
"Puer Natus Est Nobis",
in "A Disfunção Lírica"
& etc, 2007.

Publicado no Jornal Expresso .
.

domingo, 22 de janeiro de 2017

O PAQUIDERME RUIVO - 2 .

Vivi intensamente a minha adolescência conturbada,
primeiro no Liceu Camões, em Lisboa, depois no 
Liceu Nacional da Covilhã e ainda no Liceu Nacio-
nal de Castelo Branco, entre o futebol e a malandra-
gem, não tendo ainda, felizmente, tomado parte na 
aventura  da política . 
Foi,apesar de tudo, uma época complicada, mas feliz .

Aos 14 anos, mergulhei de cabeça, de sopetão, na vida 
real, na escola da noite, para acumular o curso do liceu,
com o inferno do contacto com a vida real dos operários
e dos seus problemas .

Tornei-me homenzinho. do dia para a noite, com um 
outro que eu já conhecia ao de leve, mas no qual pene-
trei profundamente .

Passei a ser um deles, um dos operários, com os horá-
rios marcados pelas sirénes das fábricas, a dureza mar
cada nos rostos de que labuta sem grande futuro .

Fui um camarada sem partido (tão novo ) .
Era a mascote do curso e da escola .
Cresci imenso, tornei-me gente, com os mais velhos, 
aprendi a ser homem, um homem muito revoltado .

E viajei, em espírito e no sonho, na candidatura do Ge-
neral Humberto Delgado, um dos meus heróis que eu
viria a conhecer e a amar posteriormente .
.


A DÚVIDA SISTEMÁTICA .

Será que

Uma mulher bissexual, divorciada, de origem afro-indiana,
militante do partido A, funcionária pública, praticante da
religião B, com dupla nacionalidade, retornada das ex- Co-
lónias, deputada reformada, militar na reserva, com activi-
dade numa organização de solidariedade social,

pertence à dita Sociedade Civil ?.

Conversa fiada, 
de bêbados, mesmo .
.

sábado, 21 de janeiro de 2017

O PAQUIDERME .

Um elefante ruivo 
numa loja de porcelana chinesa .

Digamos que fui seguindo a política norte americana, 
practicamente desde que nasci .

Acabou a 2ª grande Guerra na Europa, uma semana 
depois de eu ter feito 3 anos,
e lembro-me,  como se fosse hoje . E não pensem que 
estou a exagerar .

Foram tempos cruéis para a Europa e para o mundo .
E para mim também .

A minha meninice foi uma paródia pegada, uma aven-
tura sem limites, apesar das dificuldades que tínhamos .
Todas as coisas mais sérias eram levadas para a brinca-
deira, a rigidez e a ausência da família, a austeridade das
bichas e das senhas de racionamento, os pobres que en-
xameavam as ruas e os caminhos, salvava-se a escola,
simultâneamente prisão e escola sempre renovada .

O Professor Ramos, uma espécie de Cândido de Oliveira,
jogava à bola com a malta todos os dias .
 Como era o melhor aluno da classe, tinha o privilégio de aju-
dar os outros, substituindo o professor, nos seus afazeres .

E que ajuda ...

Deixei de ir à missa e à cateqeues, muito cedo,mas nunca fal-
tava às sessões de cinema, dadas pelo padre, o senhor reitor,
um cónego com estudos, tinha estudado em Roma .
Foi então que tomei conhecimento dos fi9lmes do Bucha e do
Estica, do Pamplinas e do Charlot, e um ou outro filme de cow-
boys .

Foi a minha fase pró-americana,

que se estendeu também às primeiras leituras de livros polici-
ais, que faziam as delícias do meu pai, e lidos um pouco clan-
destinamente, mas com a sua cumplicidade .

Também me entusiasmava com as aventuras do Cavaleiro
Andante, que esperávamos ansiosamente cada fim de semana .
Era fan do Tintim e do Beau Geste, já então na minha fase fran-
cófona, que iria tomar grande parte nas minhas preocupações .
.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Tombe la neige .

Tombe la neige
Tu ne viendrais pas ce soir
Tombe la neige
Et mon coeur s/habile de noir
Ce soyeux cortege
Tout en larmes blanches
L/oiseau sur la branche
Pleure le sortilege

Tu ne viendrais pas ce soir
Me crie mon desespoir
Mais tombe la neige
Impassible la neige

Tombe la neige
Tu ne viendrais ce soir
Tombe la neige
Tout est blanc de desespoir
Triste certitude
Le froid et l/absence
Blanche solitude

Tu ne viendrais pas ce soir
Me crie mon desespoir
Mais tombe la neige
Impassible manege

Adamo


A TOMADA DE POSSE .

O Mundo está suspenso do discurso de Trump,
como se houvesse boas notícias a espalhar .
The show must go on .  

Assisti ao resultado da eleição de de Keneddy, nos anos 60,
estava a almoçar da cantina da Associação de Estudantes
do IST . Lembro-me, lembramo-nos quase todos os presen-
tes, da grande emoção sentida nesse momento e nos dias que
se seguiram .

Depressa se esfumaram as nossas esperanças, pois tínhamos
acabado de marrar a sério, com a Guerra do Vietname .
Em breve o nóvel Presidente foi assassinado em Dallas, um
crime que nunca viria a ser deslindado .

Quando veio Obama, um negro na Presidência dos Estados Uni-
dos, não parecia um extraordinário acontecimento, mas um au-
têntico terramoto político . 

Afinal, o elefante paríu um rato .
.


TRISTEZA NÃO TEM FIM .

A Felicidade também é um estado de espírito,
realidade fugidia e intermitente . 

Como diz a canção :

Tristeza não tem fim,
Felicidade sim .

Por vezes, tentamos esconder o sol com a peneira,
mas a verdade nem sempre vem ao de cima, como 
acontece com o azeite .

"Desejo-te as maiores felicidades".

Dizem em surdina, disfarçadamente .
Sabem que se trata de uma mentira piedosa, um en-
godo para enganar os néscios .

Às vezes até nos sentimos felizes, embriagados pelas 
palavras bondosas de alguns .

"Faço votos para que sejas muito feliz "
"Tudo de bom para ti " .

São boas palavras de encorajamento, sinceras, sentidas,
que caem sempre bem .

E às vezes, basta apenas um gesto singelo, uma palavra 
amiga, uma carícia, um aperto de mão, um olhar, um 
sorriso, um carinho, um piscar de olho .

Um conselho, um aviso, uma crítica, uma atenção .

Como é difícil viver ...
.




quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

CAI NEVE NO MEU CORAÇÃO .

Fui ver, a neve caía,
do azul cinzento do céu .
Branca e leve, branca e fria,
há quanto tempo a não via,
e que saudades, Deus meu .
...............................................
E uma infinita tristeza,
uma profunda turbação,
entra em mim, fica em mim presa.
Cai a neve na natureza,
e cai no meu coração .

Augusto Gil .

Hoje, desatou a chover no Algarve .
É um acontecimento invulgar . 

Até já presenciei um grande nevão em Lisboa, em 1953, se
não estou em erro, andava eu no Liceu Camões .
Lembro-me de o Largo de D. Estefânia ficar completamente 
gelado, e gelada ficou a água que jorrava da estátua do Nep-
tuno .

Para quem, como eu, viveu tantos anos na Serra da Estrela,
nevar, embora fosse um fenómeno raro, não deixava de ser 
algo trivial .

No ano que fomos na excursão de finalistas até ao Algarve, 
pelo Carnaval, saímos da Covilhã, com o autocarro enterra-
do na neve, e ainda fomos tomar banho em Albufeira .

Mas a neve, cobrindo as montanhas e os
telhados das casas, os pequenos farrapos 
voando do céu, pairando e caindo deva-
garinho aos nossos pés, tecendo alvos ren-
dilhados nos ramos das árvores, 
será, porventura, o maior e mais emocio-
nante da espectáculo da Mãe Natureza .
.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A PALHAÇADA DA TSU .

TSU - Tara da Sacanagem Única .

Pode ser que tudo não passe apenas de uma enorme 
encenação,
para lançar o isco ao PPD/PSD, ou mesmo um bluff 
bem armado pela esquerda,

pode ser tudo,
pode ser um jogo do perde-ganha,
um jogo do sério,
um esticar da corda,
um braço de ferro,
um jogo de faz de conta, 

ou apenas um exercício de jogos florais,
um jogo de sombras .

Tudo pode ser .

Vamos ver quem desata o nó,
quem trava a carroça da parvoíce,
quem tira o pé do acelerador
deste jogo insensato,
neste jogo perigoso .

O ano de 2017, começa bem .
.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

QUEM TEM MEDO DE TRUMP ?.

Anda agora tudo muito assustado com a deriva eventual
do presidente eleito dos USA, como se não fossem conhe-
cidos os pressupostos que têm norteado a política externa 
dos norte americanos, nas últimas décadas .

Obama conseguiu tranquilizar os americanos e os europeus
mais incautos, pois tinha um mamar de cobra, uma figura 
simpática e dizia as vírgulas correctamente .

Mas Guantanamo permaneceu na mesma, as sanções a Cuba 
à Rússia continuam, o cerco de Israel aos Palestinianos aper-
tou-se, a guerra na Síria manteve-se, à conta do fornecimento
de armamento e bombardeamentos americanos e aos seus
cães de fila . 

O DAESH é quase inteiramente da sua 
responsabilidade .

Os Estados Unidos não mexem uma palha para ajudar a tra-
var o genocídio  às portas da Grécia, Itália e Turquia, cul-
pando agora a Alemanha de ser a maior responsável nessa 
tragédia .

A NATO, instrumento de guerra e chantagem, em todos os 
continentes, permanece uma enorme ameaça à paz mundial .

Afinal, 
para quê tanto medo de Trump ?!?...
.