Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar
O soldadinho não volta
do outro lado do mar
Vamos senhor pensativo
Olhe o cachimbo a apagar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
Senhora de olhos cansados
Porque a fadiga o tear
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
Anda bem triste um amigo
Uma carta o faz chorar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
A lua que é viajante
É que nos pode informar
O soldadinho já volta
Está mesmo quase a chegar
Vem numa caixa de pinho
Do outro lado do mar
Desta vez o soldadinho
Nunca mais se faz ao mar
Zeca Afonso
Adriano Correia de Oliveira
.
sexta-feira, 31 de março de 2017
quarta-feira, 29 de março de 2017
OS ANOS DE CHUMBO .
Quando fui à inspecção militar, o meu quartel era o RAL 1 (mais
tarde rebaptizado RALIS), toda a gente ficava toda a gente apurada
para todo o serviço, só se safavam os cegos, os estropiados, ou ou
que não acusavam nada na balança .
Era tudo aproveitado como carne para canhão .
Havia quem se mutilasse para fugir à tropa . Um bom truque era de-
cepar o indicador direito, pois isso impedia disparar a espingarda .
Mais expedito e eficaz, para os ricos, claro, era arranjar uma cunha po-
derosa, que colocasse os mancebos em lugares de excepção, ou os se-
leccionasse para serem mais úteis à Pátria, trabalhando em actividades
reconhecidamente imporrtantes, de preferência colocados no estrangeiro
em missão oficial .
Mas o grosso dos não combatentes, ou fugia a salto de lapin, ou sim-
plesmente desertavam, muitos escolhendo o caminho da clandestinidade .
Eram aos montes, os que não se sujeitavam a alimentar uma guerra estú-
pida e injusta .
Claro que muitos aproveitavam a boleia e atravessavam sem qualquer di-
ficuldade a fronteira de Espanha e fugiam para longe .
Foi um dilema importante que se o final do curso se me deparou :
Fugir, abandonando a Família,
ou arriscar a tropa, numa especialidade útil .
Ainda havia algumas probabilidades de o conseguir .
Tive muita sorte .
Fui colocado entre o pessoal de engenharia,
e os desgraçados dos sapadores .
Fiz a recruta a especialidade de atirador de infantaria,
e depois fui seleccionado para artista,
como
Oficial Foto Cine .
tarde rebaptizado RALIS), toda a gente ficava toda a gente apurada
para todo o serviço, só se safavam os cegos, os estropiados, ou ou
que não acusavam nada na balança .
Era tudo aproveitado como carne para canhão .
Havia quem se mutilasse para fugir à tropa . Um bom truque era de-
cepar o indicador direito, pois isso impedia disparar a espingarda .
Mais expedito e eficaz, para os ricos, claro, era arranjar uma cunha po-
derosa, que colocasse os mancebos em lugares de excepção, ou os se-
leccionasse para serem mais úteis à Pátria, trabalhando em actividades
reconhecidamente imporrtantes, de preferência colocados no estrangeiro
em missão oficial .
Mas o grosso dos não combatentes, ou fugia a salto de lapin, ou sim-
plesmente desertavam, muitos escolhendo o caminho da clandestinidade .
Eram aos montes, os que não se sujeitavam a alimentar uma guerra estú-
pida e injusta .
Claro que muitos aproveitavam a boleia e atravessavam sem qualquer di-
ficuldade a fronteira de Espanha e fugiam para longe .
Foi um dilema importante que se o final do curso se me deparou :
Fugir, abandonando a Família,
ou arriscar a tropa, numa especialidade útil .
Ainda havia algumas probabilidades de o conseguir .
Tive muita sorte .
Fui colocado entre o pessoal de engenharia,
e os desgraçados dos sapadores .
Fiz a recruta a especialidade de atirador de infantaria,
e depois fui seleccionado para artista,
como
Oficial Foto Cine .
segunda-feira, 27 de março de 2017
A GERAÇÃO PERDIDA .
Anos sessenta,
os anos de chumbo .
A década de 60 foi a década forte da Guerra Colonial,
que iria prolongar-se por quase 15 anos, feita em três
frentes, Angola, Moçambique e Guiné .
Iria marcar definitivamente e para sempre, uma gera-
ção perdida .
Aguardava-se em desespero, um ano e às vezes mais, até
receber o bilhete premiado para ir cumprir o Serviço Mi-
litar obrigatório .
Uma época de terror organizado, sofrida por mais de um
milhão de portugueses (cuidado que as valentes mulheres
estavam imunes desse selvático tratamento), gente inocen-
te arrancada ao arado, para ir matar ou morrer, longe, mui-
to longe, da terra que a tinha visto crescer .
A década começara com os massacres de colonos, no Nor.
te de Angola .
Nanbuangngo era o lugar de referência e símbolo de dôr e
morte .
Amigos meus foram os primeiros a ir levantar e sepultar os
corpos mutilados, de homens, mulheres, velhos e crianças .
"Tu não viste nada,
em Nanbuangongo,
Tu não estiveste lá, em Nanbuangongo "
Cantaria o Poeta .
Seguir-se- iam fornadas e fornadas de homens inebriados de
lágrimas, arrebanhados como carne para canhão .
os anos de chumbo .
A década de 60 foi a década forte da Guerra Colonial,
que iria prolongar-se por quase 15 anos, feita em três
frentes, Angola, Moçambique e Guiné .
Iria marcar definitivamente e para sempre, uma gera-
ção perdida .
Aguardava-se em desespero, um ano e às vezes mais, até
receber o bilhete premiado para ir cumprir o Serviço Mi-
litar obrigatório .
Uma época de terror organizado, sofrida por mais de um
milhão de portugueses (cuidado que as valentes mulheres
estavam imunes desse selvático tratamento), gente inocen-
te arrancada ao arado, para ir matar ou morrer, longe, mui-
to longe, da terra que a tinha visto crescer .
A década começara com os massacres de colonos, no Nor.
te de Angola .
Nanbuangngo era o lugar de referência e símbolo de dôr e
morte .
Amigos meus foram os primeiros a ir levantar e sepultar os
corpos mutilados, de homens, mulheres, velhos e crianças .
"Tu não viste nada,
em Nanbuangongo,
Tu não estiveste lá, em Nanbuangongo "
Cantaria o Poeta .
Seguir-se- iam fornadas e fornadas de homens inebriados de
lágrimas, arrebanhados como carne para canhão .
sábado, 25 de março de 2017
OS ECONOMISTAS MAL PARADOS .
Tantos mestres, tantos economistas reputados, licenciados,
anafados, jubilados,encantados, mal formados, transforma-~
dos, magistrados, desequilibrados, abençoados,
e outros, que fingiram que trabalharam que nem uns dana.
dos,
procurando, prevendo, estimando, acordando, discordaando,
painelando, explicando. teorizando, practicando, errando, ba-
ralhando,
tanto trabalho desperdiçado, e jamais atinando com o valor
encontrado, do defice tão arduamente procurado e finalmente
determinado,
deixando os totós do Euro Grupo, de bico calado e com a boca
ao lado .
Estiveram a procurar no sítio errado,
ou então já sabiam de antemão que não queriam que ele fosse
afixado, para que tudo continuasse lixado .
Cavaco, Coelho, Gaspar, Maria Luís e mais outra tralha do pas-
sado, nada fizeram de abonado, todos contribuíram para deixar o
povo tramado e atrapalhado .
Esse bando de malandros, deveria todo ser enforcados, com um
nó bem apertado .
Apoiado .
.
anafados, jubilados,encantados, mal formados, transforma-~
dos, magistrados, desequilibrados, abençoados,
e outros, que fingiram que trabalharam que nem uns dana.
dos,
procurando, prevendo, estimando, acordando, discordaando,
painelando, explicando. teorizando, practicando, errando, ba-
ralhando,
tanto trabalho desperdiçado, e jamais atinando com o valor
encontrado, do defice tão arduamente procurado e finalmente
determinado,
deixando os totós do Euro Grupo, de bico calado e com a boca
ao lado .
Estiveram a procurar no sítio errado,
ou então já sabiam de antemão que não queriam que ele fosse
afixado, para que tudo continuasse lixado .
Cavaco, Coelho, Gaspar, Maria Luís e mais outra tralha do pas-
sado, nada fizeram de abonado, todos contribuíram para deixar o
povo tramado e atrapalhado .
Esse bando de malandros, deveria todo ser enforcados, com um
nó bem apertado .
Apoiado .
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sexta-feira, 24 de março de 2017
A TAMPA DO VESPEIRO TURCO .
O IMPÉRIO OTOMANO .
A guerra global está muito mais perto do que as pessoas
desprevenidas pensam . É já ali, junto à rolha de Istambul .
A Europa, continente de paz podre paz, é a gente a falar, ou
já todos se esqueceram do Muro de Berlim, das guerras san-
grentas da então Jugoslávia, a disputa entre a Grécia e a Tur-
quia, a Crise de Chipre e do Arcebispo Makários, a Conquis-
ta do Canal de Suez, as várias Guerras entre Israel e os Ára-
bes, aliados na Palestina, a Guerra Civil na Irlanda do Norte,
a luta do País Basco, contra o domínio de Castela, o terro-
rismo das Brigadas Vermelhas, em Itália, e o terror espalha-
do na então na Alemanha Federal, pelos grupos Bader Mei-
nhof, a guerrilha desencadeada pela OAS, contra a França
Gaulista e , last but not least, o cagaço apanhado pelos burgue-
ses, em França, e um pouco por toda a Europa .
Paz, vou ali e já venho .
Tratava-se em todos os casos, de conflitos limitados, de efeitos
localizados, mortíferos, mas que não puseram em causa, os inte-
resses dos grandes senhores da Europa .
Era para treinar,
para medir o pulso .
Depois, os europeus começaram a saltar a cancela, e já saltavam
para ir à rapina, aqui e ali, em África, no Médio Oriente, caso de
Gibraltar e das Malvinas, caso dos ingleses, um pouco calcando
terrenos africanos, caso da França .
A Alemanha, dividida à força, e depois reunida à força também,
voltou a dar alento aos impulsos agressivos que estão na génese da
desgraça da Europa, e que de há séculos se degladia para conseguir
a hegemonia .
Desgraçadamente, ou talvez não, a Europa é demasiado grande e
soberba, para querer engolir o Mundo, mas demasiado pequena,
para enfrentar as grandes potências globais .
A Europa é um grande cachorro, com mais
olhos, do que barriga .
Ladra, mas já não morde .
.
A guerra global está muito mais perto do que as pessoas
desprevenidas pensam . É já ali, junto à rolha de Istambul .
A Europa, continente de paz podre paz, é a gente a falar, ou
já todos se esqueceram do Muro de Berlim, das guerras san-
grentas da então Jugoslávia, a disputa entre a Grécia e a Tur-
quia, a Crise de Chipre e do Arcebispo Makários, a Conquis-
ta do Canal de Suez, as várias Guerras entre Israel e os Ára-
bes, aliados na Palestina, a Guerra Civil na Irlanda do Norte,
a luta do País Basco, contra o domínio de Castela, o terro-
rismo das Brigadas Vermelhas, em Itália, e o terror espalha-
do na então na Alemanha Federal, pelos grupos Bader Mei-
nhof, a guerrilha desencadeada pela OAS, contra a França
Gaulista e , last but not least, o cagaço apanhado pelos burgue-
ses, em França, e um pouco por toda a Europa .
Paz, vou ali e já venho .
Tratava-se em todos os casos, de conflitos limitados, de efeitos
localizados, mortíferos, mas que não puseram em causa, os inte-
resses dos grandes senhores da Europa .
Era para treinar,
para medir o pulso .
Depois, os europeus começaram a saltar a cancela, e já saltavam
para ir à rapina, aqui e ali, em África, no Médio Oriente, caso de
Gibraltar e das Malvinas, caso dos ingleses, um pouco calcando
terrenos africanos, caso da França .
A Alemanha, dividida à força, e depois reunida à força também,
voltou a dar alento aos impulsos agressivos que estão na génese da
desgraça da Europa, e que de há séculos se degladia para conseguir
a hegemonia .
Desgraçadamente, ou talvez não, a Europa é demasiado grande e
soberba, para querer engolir o Mundo, mas demasiado pequena,
para enfrentar as grandes potências globais .
A Europa é um grande cachorro, com mais
olhos, do que barriga .
Ladra, mas já não morde .
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quinta-feira, 23 de março de 2017
O PORCO HOLANDÊS .
Sem qualquer objectivo visível, o porco labrego holandês,
Ministro das Finanças da Holanda, Chefe do Euro Grupo da
da União Europeia, de sua graça DIJSSELBLOEM largou es-
ta bacorada, de finíssimo recorte :
...Os países "do Sul da Europa, passam o
tempo a gastar o dinheiro em copos e
mulheres e depois vêm pedir o nosso din-
heiro emprestado...".
Um mimo, uma pérola .
Estes tipos do Norte, descendentes dos piratas e filibusteiros,
que enriqueceram do corso e da rapina pelo Mundo inteiro,
deviam ter um pouco de vergonha na tromba .
Ou será, que o senhor Dijsselbloem é maricas ...
.
Ministro das Finanças da Holanda, Chefe do Euro Grupo da
da União Europeia, de sua graça DIJSSELBLOEM largou es-
ta bacorada, de finíssimo recorte :
...Os países "do Sul da Europa, passam o
tempo a gastar o dinheiro em copos e
mulheres e depois vêm pedir o nosso din-
heiro emprestado...".
Um mimo, uma pérola .
Estes tipos do Norte, descendentes dos piratas e filibusteiros,
que enriqueceram do corso e da rapina pelo Mundo inteiro,
deviam ter um pouco de vergonha na tromba .
Ou será, que o senhor Dijsselbloem é maricas ...
.
POR A CONVERSA EM DIA .
- Olá, como vais.
- Vou bem, e tu como estás .
- Que tens feito.
- O costume .
- Essa saúde vai boa .
-A minha está bem .
- É sempre o mesmo .
- Não te tenho visto .
- Ora, o tempo vai passando .
- Tem ido às aulas .
- E os teus trabalhos .
-Vão andando .
- Já me falta a paciência .
-Nunca mais vem o bom tempo .
- Pois, está tudo mudado .
- Já não se distinguem as estações .
- O clima está a piorar .
- Isto vai melhorar .
- É quase Primavera .
- Só se for pelo calendário .
- Ainda ontem nevou .
-Tens visto a malta .
- Anda cada um para seu lado .
- É a vida .
- Pois, é a vida .
- Gostei de falar contigo contigo .
- Foi um prazer .
- Para a próxima, falamos mais .
- Fica combinado .
- Tchau .
- Bye bye .
.
- Vou bem, e tu como estás .
- Que tens feito.
- O costume .
- Essa saúde vai boa .
-A minha está bem .
- É sempre o mesmo .
- Não te tenho visto .
- Ora, o tempo vai passando .
- Tem ido às aulas .
- E os teus trabalhos .
-Vão andando .
- Já me falta a paciência .
-Nunca mais vem o bom tempo .
- Pois, está tudo mudado .
- Já não se distinguem as estações .
- O clima está a piorar .
- Isto vai melhorar .
- É quase Primavera .
- Só se for pelo calendário .
- Ainda ontem nevou .
-Tens visto a malta .
- Anda cada um para seu lado .
- É a vida .
- Pois, é a vida .
- Gostei de falar contigo contigo .
- Foi um prazer .
- Para a próxima, falamos mais .
- Fica combinado .
- Tchau .
- Bye bye .
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quarta-feira, 22 de março de 2017
A HISTÓRIA DO TEJO .
Tejo é nome de Rio,
Mas também nome de Cão .
Morávamos em Lisboa, na minha 3ª. encarnação,
o meu pai tinha comprado um par de cães de caça bebés,
com pedegree , que custaram uma pequena fortuna, mas
que vieram a demonstrar a justeza da compra, pois valiam
o seu peso em ouro .
Quando nos mudámos para a Covilhã, passados uns tempos,
os cães tinham crescido, mas tinham que estar fechados no
nosso quintal, só saíam para ir à caça e para ir passear à rua,
para fazer as suas necessidades e algum exercício, para man-
ter a linha .
Eram o Fiel e a e a Diana,
nomes vulgares para canídeos .
Estavam fechados muito tempo, ladravam muito, e a vizinhan-
ça, sobretudo a criançada, tratava-os mal e corria-os à pedrada
e à paulada .
Os animais foram ficando cada vez mais revoltados e bravos .
O Tejo ficou mesmo muito mau . Atirava-se às pessoas, espe-
cialmente a pedintes e a fardas, razão por que algumas vezes aca-
bavamos os dois na esquadra .
Com o passar do tempo, o cão teve que ser retirado do seu habi-
tat, enviado para a serra, mas matava as ovelhas, foi para outra
terra, mas fugia sempre, com grandes estragos .
Acabou por ter que ser abatido .
Mas não acabou aqui a sua aventura .
Com suspeitas de o cão ter apanhado raiva, andei eu com uma
caixa contendo as vísceras para a análise, a fazer no Laboratório
de Medicina Veterinária .
Felizmente o resultado deu negativo, e acaba aqui a minha história .
.
Mas também nome de Cão .
Morávamos em Lisboa, na minha 3ª. encarnação,
o meu pai tinha comprado um par de cães de caça bebés,
com pedegree , que custaram uma pequena fortuna, mas
que vieram a demonstrar a justeza da compra, pois valiam
o seu peso em ouro .
Quando nos mudámos para a Covilhã, passados uns tempos,
os cães tinham crescido, mas tinham que estar fechados no
nosso quintal, só saíam para ir à caça e para ir passear à rua,
para fazer as suas necessidades e algum exercício, para man-
ter a linha .
Eram o Fiel e a e a Diana,
nomes vulgares para canídeos .
Estavam fechados muito tempo, ladravam muito, e a vizinhan-
ça, sobretudo a criançada, tratava-os mal e corria-os à pedrada
e à paulada .
Os animais foram ficando cada vez mais revoltados e bravos .
O Tejo ficou mesmo muito mau . Atirava-se às pessoas, espe-
cialmente a pedintes e a fardas, razão por que algumas vezes aca-
bavamos os dois na esquadra .
Com o passar do tempo, o cão teve que ser retirado do seu habi-
tat, enviado para a serra, mas matava as ovelhas, foi para outra
terra, mas fugia sempre, com grandes estragos .
Acabou por ter que ser abatido .
Mas não acabou aqui a sua aventura .
Com suspeitas de o cão ter apanhado raiva, andei eu com uma
caixa contendo as vísceras para a análise, a fazer no Laboratório
de Medicina Veterinária .
Felizmente o resultado deu negativo, e acaba aqui a minha história .
.
VENDEDORES AMBULANTES .
Ó vil cobiça,
ó vã glória de mandar
a que chamamos fama ...
Ao que chegaram os grandes deste mundo :
Gorbachev e Bair, a vender de porta em porta, malas de luxo,
a senhoras endinheiradas .
Uma maneira honrada de ganhar a vida, como outra qualquer .
Cavaco vende agora papel usado, com ideias grosseiras e mal
alinhavadas, trocando insultos ordinários, com outros compar-
sas da política, sem qualquer vergonha ou decoro .
Vai-se a ver, para ajudar a pagar a pensão de alimentos, Cavaco
ainda vai arranjar um entreposto de venda de alfarrobas, em Lou-
lé, ou xarrocos, em Quarteira .
Ou será que vai regressar à bomba de gasolina, no Poço de Boli-
queime ...
Ainda vou ter saudades deste chavalo ...
.
ó vã glória de mandar
a que chamamos fama ...
Ao que chegaram os grandes deste mundo :
Gorbachev e Bair, a vender de porta em porta, malas de luxo,
a senhoras endinheiradas .
Uma maneira honrada de ganhar a vida, como outra qualquer .
Cavaco vende agora papel usado, com ideias grosseiras e mal
alinhavadas, trocando insultos ordinários, com outros compar-
sas da política, sem qualquer vergonha ou decoro .
Vai-se a ver, para ajudar a pagar a pensão de alimentos, Cavaco
ainda vai arranjar um entreposto de venda de alfarrobas, em Lou-
lé, ou xarrocos, em Quarteira .
Ou será que vai regressar à bomba de gasolina, no Poço de Boli-
queime ...
Ainda vou ter saudades deste chavalo ...
.
terça-feira, 21 de março de 2017
Ao passar do tempo .
É engraçado como vou seguindo a curva da vida, sempre a baixar,
até um dia bater no fundo .
É com a crise do nosso país, há anos que as coisas vão sempre cor-
rendo cada vez pior, e digo para comigo, desta vez é que caímos no
precipício .
Agora parece que tudo irá melhorar. É o meu Eu optimista, de tão
pouca valia, a esboçar um tímido esbracejar, como as aves deixando
o ninho pela primeira vez, para tentar os primeiros voos .
Mas o caminho que temos percorrido, desde há 3 ou 4 anos, é como
se viajássemos numa gigantesca montanha russa, subindo e descendo
a uma velocidade estonteante, subindo a passo e logo mergulhando no
abismo profundo, deixando os portugueses inebriados e zonzos .
É como eu me sinto, ou parece que me sinto .
Começo a passar ao lado das coisas boas da vida .
Começo a deixar cair os anéis, ficando apenas com os dedos nús .
Vou prescindindo de tantas e tantas vantagens que a vida me foi len-
tamente oferecendo, sem o tónus necessário para levar a vida adiante .
Estou entrando definitivamente na curva da estrada, cada vez mais
apertada, arriscando-me a derrapar a qualquer momento .
Como nas viagens de Metro, o combóio trava sempre antes das curvas,
para melhor avistarr o caminho, e acelera um pouco, quando percorre
um pedaço de linha recta .
Quando falo de instante e eternidade, só posso usar uma linguagem poé-
tica, onde o tempo deixa de interessar, e só conseguem emergir os senti-
mentos de fruição ou de ausência .
O tempo, essa realidade tão subjectiva, pouco interessa, como nos ensi-
nou Einstein .
Quando estamos a dormir, não há tempo .
Quando estamos em sofrimento, o tempo é infinito .
Não se podem fazer contas, nem médias, nem somas, nem adições .
Todo o tempo é relativo .
.
segunda-feira, 20 de março de 2017
MEXIAGATE .
Quero ir para comunista ...
Já experimentei ser governado por diversos partidos e/ou
por alguns sistemas políticos, até cheguei a colaborar por
vezes, ainda que indirectamente, nalguns deles .
Tenho seguido com grande surpresa e indignação, a questão
da desigualdade dos salários em portugal, que, diz-se é a que
apresenta maior discrepância na Europa .
Preocupa-me que os políticos, em especial os de topo, aque-
les que assumem as maiores responsabilidades da governa-
ção, encanta-me a singeleza de um ex-Presidente, que se quei-
xava que a pensão não lhe chegava para os gastos da Maria
dele, é-me muito difícil situar-me na posição de discutir aca-
rodamente os poucos euros que (agora) estão a umentar as pen-
sões mais baixas, ou a curva do rendimento mínimo para o ano
seguinte, e outos carentes problemas da economia caseira .
Aceito tal retórica, mas não estou em condições de discutir tais
matérias, vitais para o dia a dia ma maioria das famílias por
tuguesas .
Mas reparei por acaso, e tenho andado a matutar, no enorme
clamor levantado em volta do ordenado do Sr. Mexia, CEO da
EDP, ao que vem nos jornais, e jamais desmentido,
5500 Euros por dia .
Não posso acreditar .
Mas, a ser verdade, até se me dá um nó nas tripas .
Essa quantia equivale a centenas de salários mínimos .
É um nojo
Uma aberração .
Parabéns Sr. Mexia .
Mas, é desta, que eu vou para
comunista ...
.
Já experimentei ser governado por diversos partidos e/ou
por alguns sistemas políticos, até cheguei a colaborar por
vezes, ainda que indirectamente, nalguns deles .
Tenho seguido com grande surpresa e indignação, a questão
da desigualdade dos salários em portugal, que, diz-se é a que
apresenta maior discrepância na Europa .
Preocupa-me que os políticos, em especial os de topo, aque-
les que assumem as maiores responsabilidades da governa-
ção, encanta-me a singeleza de um ex-Presidente, que se quei-
xava que a pensão não lhe chegava para os gastos da Maria
dele, é-me muito difícil situar-me na posição de discutir aca-
rodamente os poucos euros que (agora) estão a umentar as pen-
sões mais baixas, ou a curva do rendimento mínimo para o ano
seguinte, e outos carentes problemas da economia caseira .
Aceito tal retórica, mas não estou em condições de discutir tais
matérias, vitais para o dia a dia ma maioria das famílias por
tuguesas .
Mas reparei por acaso, e tenho andado a matutar, no enorme
clamor levantado em volta do ordenado do Sr. Mexia, CEO da
EDP, ao que vem nos jornais, e jamais desmentido,
5500 Euros por dia .
Não posso acreditar .
Mas, a ser verdade, até se me dá um nó nas tripas .
Essa quantia equivale a centenas de salários mínimos .
É um nojo
Uma aberração .
Parabéns Sr. Mexia .
Mas, é desta, que eu vou para
comunista ...
.
sábado, 18 de março de 2017
PORTUGAL DOS BRANDOS COSTUMES .
Por baixo deste aforismo, existe uma sociedade muito
agressiva, cruel e nada tolerante, sempre cpm a bênção
da igreja católica, apostólica e romana .
Quantos crimes têm sido cometidos em nome da fé cris-
tã, num continente que esteve tantos séculos em guerras
sucessivas, com pequenos intervalos para se fazerem os
filhos legítimos .
Árabes, judeus, índios, negros, indianos, gentios, indianos,
asiáticos, peles vermelhas, foi tudo corrido à porrada, com
o intuito de defender as crenças e os bons costumes, a troco
de bens, de terras, das especiarias, do ouro e da prata, dos
diamantes, e do trabalho alheio, em especial do trabalho es-
cravo .
Não admira, pois, que os nossos códices tenham sido gran-
demente inspirados pelas leis criadas pelo império romano .
A paródia dos direitos humanos, inventada há muito poucas
décadas, é só para alguns, e serve para enganar os incautos .
Trump que o diga ...
.
agressiva, cruel e nada tolerante, sempre cpm a bênção
da igreja católica, apostólica e romana .
Quantos crimes têm sido cometidos em nome da fé cris-
tã, num continente que esteve tantos séculos em guerras
sucessivas, com pequenos intervalos para se fazerem os
filhos legítimos .
Árabes, judeus, índios, negros, indianos, gentios, indianos,
asiáticos, peles vermelhas, foi tudo corrido à porrada, com
o intuito de defender as crenças e os bons costumes, a troco
de bens, de terras, das especiarias, do ouro e da prata, dos
diamantes, e do trabalho alheio, em especial do trabalho es-
cravo .
Não admira, pois, que os nossos códices tenham sido gran-
demente inspirados pelas leis criadas pelo império romano .
A paródia dos direitos humanos, inventada há muito poucas
décadas, é só para alguns, e serve para enganar os incautos .
Trump que o diga ...
.
OS MANSOS .
Os bois mansos,
os boizinhos,
leões com corações
de passarinhos .
Abençoados os mansos,
pois deles será o reino dos céus .
Detesto as almas santas, os bem comportadinhos, os que vão à
missa com seus fatos domingueiros, os caixa de óculos, os pi-
descos, os que batem três vezes com a mão no peito, os jesuí-
tas, os padrecos que ajudam a padralhada, ao som das campa-
inhas celestiais, os sabujos, os que ladram e fogem, os que fo-
gem sem ladrar e os que mordem pela calada, os mariconsos,
os embusteiros, os traidores, os que fazem queixinhas, os que
choram os baixos proventos, mas vão enchendo paulativamen-
te os cofres privados e oficiais, e não cumprem com as suas obri-
gações fiscais e outras, os que lançam pedras à socapa, tentando
fingir que estão sob a alçada da lei, os que têm amigos sérios e
honrados, mas que não desdenham de um favorzito aqui, outro
favorzito ali, pequenos favores burgueses, uma mão lava a outra .
Os que vivem toda a vida do rabisco, do engano, da pequena al-
drabice de paróquia, da trafulhice de bairro e de aldeia, sorriso
aqui, sacanagem acoli, rezam o padre nosso e a salveraínha, ba-
tem a mão no peito, vezes sem conta, cumprem as ordens e os de-
veres dos seus superiores, sem pestanejar, a mando de outros
mansos deste país, jardim à beira mar plantado, gente proba e
feliz, mas que irão defrontar-se um dia com as chamas do infe-
rno .
Juízes em causa própria, esbirros por devoção, simples, hipócri-
tas, justiceiros à moda do oeste, heróis de novela, de terceira cate-
goria, essa gente mesquinha e asquerosa, indivíduos ressaibiados,
que se comportam como se fossem cavaleiros andantes, como nas
histórias da Távola Tedonda, pelo desígnio emanado pela sua da-
ma galante, falsos D. Quixotes de pacotilha, idiotas, salafrários,
ignorantes, biscateiros e outra gente de mau porte .
Trazem no bico pecados antigos, mas pensam que vão salvar o mun-
do de todos os pecados, os originais e os adquiridos .
Sabe-se como tudo irá acabar,
porque a inveja, tarde ou cedo, vai tomar lugar no banquete dessa
gente repugnável, que se julga estar a cumpria a lei, mas que estará
sempre acima da lei .
.
os boizinhos,
leões com corações
de passarinhos .
Abençoados os mansos,
pois deles será o reino dos céus .
Detesto as almas santas, os bem comportadinhos, os que vão à
missa com seus fatos domingueiros, os caixa de óculos, os pi-
descos, os que batem três vezes com a mão no peito, os jesuí-
tas, os padrecos que ajudam a padralhada, ao som das campa-
inhas celestiais, os sabujos, os que ladram e fogem, os que fo-
gem sem ladrar e os que mordem pela calada, os mariconsos,
os embusteiros, os traidores, os que fazem queixinhas, os que
choram os baixos proventos, mas vão enchendo paulativamen-
te os cofres privados e oficiais, e não cumprem com as suas obri-
gações fiscais e outras, os que lançam pedras à socapa, tentando
fingir que estão sob a alçada da lei, os que têm amigos sérios e
honrados, mas que não desdenham de um favorzito aqui, outro
favorzito ali, pequenos favores burgueses, uma mão lava a outra .
Os que vivem toda a vida do rabisco, do engano, da pequena al-
drabice de paróquia, da trafulhice de bairro e de aldeia, sorriso
aqui, sacanagem acoli, rezam o padre nosso e a salveraínha, ba-
tem a mão no peito, vezes sem conta, cumprem as ordens e os de-
veres dos seus superiores, sem pestanejar, a mando de outros
mansos deste país, jardim à beira mar plantado, gente proba e
feliz, mas que irão defrontar-se um dia com as chamas do infe-
rno .
Juízes em causa própria, esbirros por devoção, simples, hipócri-
tas, justiceiros à moda do oeste, heróis de novela, de terceira cate-
goria, essa gente mesquinha e asquerosa, indivíduos ressaibiados,
que se comportam como se fossem cavaleiros andantes, como nas
histórias da Távola Tedonda, pelo desígnio emanado pela sua da-
ma galante, falsos D. Quixotes de pacotilha, idiotas, salafrários,
ignorantes, biscateiros e outra gente de mau porte .
Trazem no bico pecados antigos, mas pensam que vão salvar o mun-
do de todos os pecados, os originais e os adquiridos .
Sabe-se como tudo irá acabar,
porque a inveja, tarde ou cedo, vai tomar lugar no banquete dessa
gente repugnável, que se julga estar a cumpria a lei, mas que estará
sempre acima da lei .
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sexta-feira, 17 de março de 2017
Estados de Alma .
Quando se fecha uma porta,
costuma abrir-se, de seguida, uma porta .
Pode acontecer até que se acabem por fechar-se
as portas todas .
Com a idade e os desgostos da vida, vai-se afunilando
inexoravelmente o caminho, custando sempre encon-
trar a saída(ou a entrada ) .
É como se nos movimentássemos às cegas, chocando
com as paredes e com os móveis, derrubando os obstá-
culos espalhados à nossa volta .
Tarefa ingrata,
caímos vezes sem conta, umas vezes atrás das outras,
e começamo-nos a levantarmo cada vez com maior
dificuldade .
Por vezes, já nem nos apetece erguer .
Vamos tentando, mas como diz o provérbio popular :
"Tantas vezes vai o cântaro à fonte,
que um dia lá deixa a asa ..."
.
costuma abrir-se, de seguida, uma porta .
Pode acontecer até que se acabem por fechar-se
as portas todas .
Com a idade e os desgostos da vida, vai-se afunilando
inexoravelmente o caminho, custando sempre encon-
trar a saída(ou a entrada ) .
É como se nos movimentássemos às cegas, chocando
com as paredes e com os móveis, derrubando os obstá-
culos espalhados à nossa volta .
Tarefa ingrata,
caímos vezes sem conta, umas vezes atrás das outras,
e começamo-nos a levantarmo cada vez com maior
dificuldade .
Por vezes, já nem nos apetece erguer .
Vamos tentando, mas como diz o provérbio popular :
"Tantas vezes vai o cântaro à fonte,
que um dia lá deixa a asa ..."
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quinta-feira, 16 de março de 2017
RETOMANDO A POLÍTICA .
Pedro :
Tenho andado para conversar contigo sobre a politica, mas
até tenho vergonha de abordar o assunto .
Já há muito tempo que se dizia que o País (o Mundo ) tinha
batido no fundo, mas era só uma ilusão dramática, pois nunca
mais se vê o fundo ao tacho, acordamos sempre com a sensa-
ção que é amanhã que as coisas se começam a compôr, que na-
da, surgem sempre acontecimentos imprevistos, alguns dema-
siado escabrosos, outros de uma gravidade inimaginável, e va-
mos assistindo impávidos e serenos, ao desmoronar de uma era
que parecia ser o princípio dum novo tempo, mas o tempo conti-
nua sempre velho, e sem esperança .
O Puzzle mundial pacientemente construído durante décadas, es-
pecialmente no Continente Europeu, está à beira do colapso, e já
lá vão mais de 30 anos que o Muro de Berlim rebentou, e o comu-
nismo chegou ao ocaso, e quando os mais inocentes julgavam que
a História tinha acabado, eis que novos perigos e novos dramas,
agora desencadeados pelo capitalismo selvagem, vêm de rompan-
te espalhar o medo e a angústia num mundo sem lei, deixando mi-
lhões de pessoas na miséria, na fome e no caos .
Eu já não leio jornais, nem revistas, e a informação veiculada pe-
los media enoja-me, tal é a porcaria servida diariamente, repetida
até ao vómito .
E aqueles que mais falavam de democracia e de liberdade de infor-
mação, órgãos ditos de referência, são os que mais emporcalham a
boca, os olhos e os espíritos .
Podes pensar que estou a exagerar, mas só te estou a contar o con-
texto, poupando-te aos pormenores sórdidos e quase pornográficos .
E o mais triste e trágico é que as pessoas mais velhas já passaram
por experiências desta natureza, há muito tempo, mas a memória
das gentes e dos povos ´frouxa, e não se dão conta da tragédia que
está a chegar .
Afinal, a metáfora do ovo da ser-
pente, aí está de novo .
Um Beijinho, dos Pais .
.
Tenho andado para conversar contigo sobre a politica, mas
até tenho vergonha de abordar o assunto .
Já há muito tempo que se dizia que o País (o Mundo ) tinha
batido no fundo, mas era só uma ilusão dramática, pois nunca
mais se vê o fundo ao tacho, acordamos sempre com a sensa-
ção que é amanhã que as coisas se começam a compôr, que na-
da, surgem sempre acontecimentos imprevistos, alguns dema-
siado escabrosos, outros de uma gravidade inimaginável, e va-
mos assistindo impávidos e serenos, ao desmoronar de uma era
que parecia ser o princípio dum novo tempo, mas o tempo conti-
nua sempre velho, e sem esperança .
O Puzzle mundial pacientemente construído durante décadas, es-
pecialmente no Continente Europeu, está à beira do colapso, e já
lá vão mais de 30 anos que o Muro de Berlim rebentou, e o comu-
nismo chegou ao ocaso, e quando os mais inocentes julgavam que
a História tinha acabado, eis que novos perigos e novos dramas,
agora desencadeados pelo capitalismo selvagem, vêm de rompan-
te espalhar o medo e a angústia num mundo sem lei, deixando mi-
lhões de pessoas na miséria, na fome e no caos .
Eu já não leio jornais, nem revistas, e a informação veiculada pe-
los media enoja-me, tal é a porcaria servida diariamente, repetida
até ao vómito .
E aqueles que mais falavam de democracia e de liberdade de infor-
mação, órgãos ditos de referência, são os que mais emporcalham a
boca, os olhos e os espíritos .
Podes pensar que estou a exagerar, mas só te estou a contar o con-
texto, poupando-te aos pormenores sórdidos e quase pornográficos .
E o mais triste e trágico é que as pessoas mais velhas já passaram
por experiências desta natureza, há muito tempo, mas a memória
das gentes e dos povos ´frouxa, e não se dão conta da tragédia que
está a chegar .
Afinal, a metáfora do ovo da ser-
pente, aí está de novo .
Um Beijinho, dos Pais .
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quarta-feira, 15 de março de 2017
Portugal, Campeão da Europa .
A "Vingança " serve-se fria ".
Nunca um torneio me pareceu correr tão depressa, como
o Campeonato da Europa de Futebol, de 2016 .
Só o seleccionador português Fernando Santos parecia le-
var a sério a fanfarronice de o nosso País ganhar e levar a
Taça, para Portugal .
Sempre afirmou tal coisa, até ao último dia
Estivemos sempre suspensos, jogo após jogo, empate a em-
pate, à espera que de regressar de vez .
E Portugal passou aos quartos de final, com 3 empates,
a 1, com a Islãndia, a 0, com a Áustria, e a 3, com a Húngria .
Foi a primeira vez que uma equipa chegou à fase final, só com
empates .
Então, não é que o engenheiro tinha
razão .
Seguiu-se a Croácia, que perdeu 1 a 0, com Portugal .
Depois a Polónia, que empatou a 1, e Portugal ganhou nos pe-
nalties, por 5 a 3 .
Até que veio a final, com a equipa da casa, a França, habitua-
da a ganhar, eram favas contadas .
Havia empate nos 90 minutos, e o jogo continuou até aos 108
minutos, quando, eis senão, apareceu um português
quase desconhecido, mesmo em Portugal, e amanda um chuto,
do meio da rua, e enfia a bola nas redes adversárias,
Éder de sua graça .
Foi a loucura total .
Querem ver que o Engenheiro estava feito com
Geová ...
Pedro,
Até parece que o pai estava a contar uma daquelas histórias mi-
rabolantes, a que tu torcias o nariz, por eu estar sempre a exage-
rar
Mas foi mesmo verdade, Portugal foi, pela primeira vez, campeão
da Europa . ...
Os franceses, sempre com mau perder, tinham tudo preparado pa-
ra acender a Torre Eiffel com a bandeira tricolor, mas lixaram-se,
e por vingança, não quiseram pôr a Bandeira Nacional no tecto de
Paris .
.
Nunca um torneio me pareceu correr tão depressa, como
o Campeonato da Europa de Futebol, de 2016 .
Só o seleccionador português Fernando Santos parecia le-
var a sério a fanfarronice de o nosso País ganhar e levar a
Taça, para Portugal .
Sempre afirmou tal coisa, até ao último dia
Estivemos sempre suspensos, jogo após jogo, empate a em-
pate, à espera que de regressar de vez .
E Portugal passou aos quartos de final, com 3 empates,
a 1, com a Islãndia, a 0, com a Áustria, e a 3, com a Húngria .
Foi a primeira vez que uma equipa chegou à fase final, só com
empates .
Então, não é que o engenheiro tinha
razão .
Seguiu-se a Croácia, que perdeu 1 a 0, com Portugal .
Depois a Polónia, que empatou a 1, e Portugal ganhou nos pe-
nalties, por 5 a 3 .
Até que veio a final, com a equipa da casa, a França, habitua-
da a ganhar, eram favas contadas .
Havia empate nos 90 minutos, e o jogo continuou até aos 108
minutos, quando, eis senão, apareceu um português
quase desconhecido, mesmo em Portugal, e amanda um chuto,
do meio da rua, e enfia a bola nas redes adversárias,
Éder de sua graça .
Foi a loucura total .
Querem ver que o Engenheiro estava feito com
Geová ...
Pedro,
Até parece que o pai estava a contar uma daquelas histórias mi-
rabolantes, a que tu torcias o nariz, por eu estar sempre a exage-
rar
Mas foi mesmo verdade, Portugal foi, pela primeira vez, campeão
da Europa . ...
Os franceses, sempre com mau perder, tinham tudo preparado pa-
ra acender a Torre Eiffel com a bandeira tricolor, mas lixaram-se,
e por vingança, não quiseram pôr a Bandeira Nacional no tecto de
Paris .
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segunda-feira, 13 de março de 2017
O EUROPEU DE 2016 .
Quem sabe se,
lá no etéreo assento onde subiste,
não estiveste escondido a assistir ao campeonato da Europa,
e te regozijaste com o resultado espantoso de Portugal ...
Quem sabe ...
.
O MILAGRE de SANTOS .
O Paulo Bento,
face aos maus resultados da Selecção, e dada a mudança de di-
rigentes da Federação, foi à vida,
Com toda a naturalidade,
e a equipa de Portugal ficou em maus lençóis e num grande
impasse .
Fernando Santos, o engenheiro do penta do FCP, era a escol-
ha óbvia para treinador nacional .
Acontece que o engenheiro (tão educadinho) tinha apanhado 7
jogos de castigo, por disparates cometidos ao serviço da Selec-
ção grega,
com toda a naturalidade .
Como iria comportar-se o seccionado português, ainda por ci-
ma a braços com uma qualificação complicada por levar a ca-
bo ?...
É então que começa a desenhar-se
O NOVO MILAGRE DE
FÁTIMA .
Conhecia-se a religiosidade do Fernando, a sua inabalável fé nos
destinos da nossa selecção, numa altura em que Portugal era uma
das equipas do Campeonato Europeu menos cotada, quer a nível
nacional, quer a nível internacional .
Conseguiu-se a qualificação europeia, e os nossos rapazes parti-
ram para França, cheios de entusiasmo .
Para que conste e para memória futura, diga-se que o Engenheiro
repetiu vezes sem conta que só regressaria a Portugal, a 10 de
Junho e com a Taça nos braços, o que constituíu motivo de grande
riso e chacota por parte da maioria dos portugueses .
.
lá no etéreo assento onde subiste,
não estiveste escondido a assistir ao campeonato da Europa,
e te regozijaste com o resultado espantoso de Portugal ...
Quem sabe ...
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O MILAGRE de SANTOS .
O Paulo Bento,
face aos maus resultados da Selecção, e dada a mudança de di-
rigentes da Federação, foi à vida,
Com toda a naturalidade,
e a equipa de Portugal ficou em maus lençóis e num grande
impasse .
Fernando Santos, o engenheiro do penta do FCP, era a escol-
ha óbvia para treinador nacional .
Acontece que o engenheiro (tão educadinho) tinha apanhado 7
jogos de castigo, por disparates cometidos ao serviço da Selec-
ção grega,
com toda a naturalidade .
Como iria comportar-se o seccionado português, ainda por ci-
ma a braços com uma qualificação complicada por levar a ca-
bo ?...
É então que começa a desenhar-se
O NOVO MILAGRE DE
FÁTIMA .
Conhecia-se a religiosidade do Fernando, a sua inabalável fé nos
destinos da nossa selecção, numa altura em que Portugal era uma
das equipas do Campeonato Europeu menos cotada, quer a nível
nacional, quer a nível internacional .
Conseguiu-se a qualificação europeia, e os nossos rapazes parti-
ram para França, cheios de entusiasmo .
Para que conste e para memória futura, diga-se que o Engenheiro
repetiu vezes sem conta que só regressaria a Portugal, a 10 de
Junho e com a Taça nos braços, o que constituíu motivo de grande
riso e chacota por parte da maioria dos portugueses .
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FÉRIAS EM BENAFIM .
Só com a morte da bisavó, é que se começou a tratar da herança
das coisas de Benafim .
Processo atribulado e moroso, que terminou com a posse da casa,
por parte da avó Rosa .
Foi quando tomámos conta da casa, e nela
começámos a habitar,
sobretudo nas férias que lá passavas com os teus grandes am-
igos amigos .
Noitadas até tarde e regresso a altas horas noites, e depois uma
soneca até de manhã .
Foram os melhores tempos da tua vida .
Lautas almoçaradas, conversas intermináveis, discussões pro-
longadas, jogatanas de King, em que tu sempre querias ganhar,
mesmo quando era a feijões .
Lanches bem servidos no Havana, até que o Sol caísse a pique,
arumar as toalhas e regresso a casa .
Pequenos rituais, boa camaradagem, amizades de longa data,
que se estenderam por alguns anos .
Era o Céu em Benafim .
A horta, na altura, um pedaço de deserto, que se foi transforman-
do lenta, mas sustentadamente num pequeno Éden, contámos qua-
se cem espécies plantadas num só ano, e logo algumas delas come-
çaram a dar fruto .
A primeira jóia da coroa, foram as figueiras, de todo o tipo e ta-
manho, qualidades simples ou misturadas .
Todo o tipo de legumes e ervas de cheiro .
O Tio Tonico ia construindo um verdadeiro jardim, a partir do
nada .
Tu e a Avó, ainda tiveram ocasião para desfrutar tal benesse .
Sem ti presente, deixou de ter sentido a vivência algarvia, tão di-
versa da minha costela serrana, resta a imensa saudade de ti, de
tudo o que tu eras, e que emanavas .
Com tudo isso gravado no meu íntimo, como se ainda estivesses
por cá, a viver tudo aquilo a que tinhas direito .
.
das coisas de Benafim .
Processo atribulado e moroso, que terminou com a posse da casa,
por parte da avó Rosa .
Foi quando tomámos conta da casa, e nela
começámos a habitar,
sobretudo nas férias que lá passavas com os teus grandes am-
igos amigos .
Noitadas até tarde e regresso a altas horas noites, e depois uma
soneca até de manhã .
Foram os melhores tempos da tua vida .
Lautas almoçaradas, conversas intermináveis, discussões pro-
longadas, jogatanas de King, em que tu sempre querias ganhar,
mesmo quando era a feijões .
Lanches bem servidos no Havana, até que o Sol caísse a pique,
arumar as toalhas e regresso a casa .
Pequenos rituais, boa camaradagem, amizades de longa data,
que se estenderam por alguns anos .
Era o Céu em Benafim .
A horta, na altura, um pedaço de deserto, que se foi transforman-
do lenta, mas sustentadamente num pequeno Éden, contámos qua-
se cem espécies plantadas num só ano, e logo algumas delas come-
çaram a dar fruto .
A primeira jóia da coroa, foram as figueiras, de todo o tipo e ta-
manho, qualidades simples ou misturadas .
Todo o tipo de legumes e ervas de cheiro .
O Tio Tonico ia construindo um verdadeiro jardim, a partir do
nada .
Tu e a Avó, ainda tiveram ocasião para desfrutar tal benesse .
Sem ti presente, deixou de ter sentido a vivência algarvia, tão di-
versa da minha costela serrana, resta a imensa saudade de ti, de
tudo o que tu eras, e que emanavas .
Com tudo isso gravado no meu íntimo, como se ainda estivesses
por cá, a viver tudo aquilo a que tinhas direito .
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domingo, 12 de março de 2017
Benafim, terra do fruto seco .
BENAFIM, terra algarvia, na meia serra, entre Messines
e Loulé, próxima de Alte e Salir .
O Avô Anselmo era um dos maiores
/vendedores de frutos secos da região .
Benafim ficava bem localizada na estrada que atravessava
o barrocal algarvio, desde Silves, Barranco do Velho, Mar-
tinlongo . Era um grande entreposto de recolha e distribui-
ção de amêndoas, figos, alfarrobas .
A Bolsa do Figo era em Faro,
no café Aliança .
E funcionava a sério .
Lembro-me de ir visitar o Avô Anselmo, já no fim da sua vi-
da, no Verão de 1967, já muito próximo da sua morte .
Mas ouvia contar as novas de negócios e aventuras, que tin-
ham celebrizado a Terra e a Pessoa .
O Algarve era um país de lendas e histórias, uma verdadeiras,
outras captadas pelo imaginário popular,
E também de crendices e mèzinhas, onde imperava a esperteza
saloia, de serranhos e montanheiros, gente que se dizia que co-
mia na gaveta, alusão a uma certa avareza ,
Contava-se que, quando algum homem vinha à cidade, concre-
tamente a Loulé, se trazia o fato rico, era porque ia ao doutor -
médico, se vestia o fato pobre, era porque a visita era ao doutor
advogado .
Só tomei contacto com a vida dos algarvios, nos fins da década
de 60, ainda o meu filho não tinha nascido .
.
e Loulé, próxima de Alte e Salir .
O Avô Anselmo era um dos maiores
/vendedores de frutos secos da região .
Benafim ficava bem localizada na estrada que atravessava
o barrocal algarvio, desde Silves, Barranco do Velho, Mar-
tinlongo . Era um grande entreposto de recolha e distribui-
ção de amêndoas, figos, alfarrobas .
A Bolsa do Figo era em Faro,
no café Aliança .
E funcionava a sério .
Lembro-me de ir visitar o Avô Anselmo, já no fim da sua vi-
da, no Verão de 1967, já muito próximo da sua morte .
Mas ouvia contar as novas de negócios e aventuras, que tin-
ham celebrizado a Terra e a Pessoa .
O Algarve era um país de lendas e histórias, uma verdadeiras,
outras captadas pelo imaginário popular,
E também de crendices e mèzinhas, onde imperava a esperteza
saloia, de serranhos e montanheiros, gente que se dizia que co-
mia na gaveta, alusão a uma certa avareza ,
Contava-se que, quando algum homem vinha à cidade, concre-
tamente a Loulé, se trazia o fato rico, era porque ia ao doutor -
médico, se vestia o fato pobre, era porque a visita era ao doutor
advogado .
Só tomei contacto com a vida dos algarvios, nos fins da década
de 60, ainda o meu filho não tinha nascido .
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sexta-feira, 10 de março de 2017
A RIA DE FARO .
Filho de peixe sabe nadar .
Começou muito cedo a tua paixão pelo Mar .
Com dez meses de idade ficaste com a Avó em Faro, e logo
começaste a tua aventura na Ilha .
Começaste a fazer a viagem-passeio no barco, uma viagem
deslumbrante através do canal principal da Ria Formosa,
meia hora de travessia maravilhosa, percorrendo mansa-
mente os infinitos canais , curvas e contracurvas, num de-
senho multifacetado, que mudava de sítio e de cor, ao sabor
das horas e das marés .
Depois era a hora de descansar e comer a papa,
e já tu estavas à espera de ir para o Mar, primeiro para mo-
lhar os pés, mas depois iniciando um pequeno banho de água
fria, com que tu te deliciavas .
Qual frio, qual medo .
À medida que ias crescendo, mais tu gostavas da água .
Quando regressámos do estrangeiro, cheios de saudade, voá-
mos para Faro, e no dia seguinte lá estávamos a assistir ao ri-
tual da banhoca .
Como tinhas crescido, filho, em apenas dois meses , compor-
tando-te como já como uma criança tão ajuizada .
Quando ouvias passar um avião, o aeropor-
to era ao pé da nossa casa, apontavas o teu
dedito para o ar, e dizias vião, vião .
Quando te deixámos, a Avó tinha-te ensinado esse gesto, quando
tentavas perguntar pela Mãe .
Ao regressar, houve alguma dificuldade em retomares a tua vi-
da com os Pais, pois tinhas estranhado a nossa ausência .
O teu amor pelo mar, tornou-se quase uma paixão obsessiva, uma
ideia fixa para toda a vida .
A partir desse ano, começaste a passar 2 a 3 meses de praia, durante
a tua meninice e a tua adolescência .
.
Começou muito cedo a tua paixão pelo Mar .
Com dez meses de idade ficaste com a Avó em Faro, e logo
começaste a tua aventura na Ilha .
Começaste a fazer a viagem-passeio no barco, uma viagem
deslumbrante através do canal principal da Ria Formosa,
meia hora de travessia maravilhosa, percorrendo mansa-
mente os infinitos canais , curvas e contracurvas, num de-
senho multifacetado, que mudava de sítio e de cor, ao sabor
das horas e das marés .
Depois era a hora de descansar e comer a papa,
e já tu estavas à espera de ir para o Mar, primeiro para mo-
lhar os pés, mas depois iniciando um pequeno banho de água
fria, com que tu te deliciavas .
Qual frio, qual medo .
À medida que ias crescendo, mais tu gostavas da água .
Quando regressámos do estrangeiro, cheios de saudade, voá-
mos para Faro, e no dia seguinte lá estávamos a assistir ao ri-
tual da banhoca .
Como tinhas crescido, filho, em apenas dois meses , compor-
tando-te como já como uma criança tão ajuizada .
Quando ouvias passar um avião, o aeropor-
to era ao pé da nossa casa, apontavas o teu
dedito para o ar, e dizias vião, vião .
Quando te deixámos, a Avó tinha-te ensinado esse gesto, quando
tentavas perguntar pela Mãe .
Ao regressar, houve alguma dificuldade em retomares a tua vi-
da com os Pais, pois tinhas estranhado a nossa ausência .
O teu amor pelo mar, tornou-se quase uma paixão obsessiva, uma
ideia fixa para toda a vida .
A partir desse ano, começaste a passar 2 a 3 meses de praia, durante
a tua meninice e a tua adolescência .
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