Saímos sempre os três, calçada a baixo,
logo pela manhã, de mão dada .
Começávamos pela Manif do PCP, gente trabalhadora e que
madrugava, chegávamos ao Marquês de Pombal, pessoas de
lancheira, atarefada ainda a dar os últimos retoques para
a Festa, bandeiras vermelhas, ao som do Avante, e da Inter-
naional .
Encontrávamos sempre gente conhecida e perorávamos um
pouco sobre o futuro, dizendo mal do passado .
Depois de o almoço, assistíamos um bocado ao pique nique,
em regra montado na Alameda Afonso Henriques ,
Havia música portuguesa variada, comida à discrição, muitas
crianças em barafunda, e depois os discursos dos camaradas,
Ficávamos algum tempo na galhofa, mandando bocas uns aos
outros, com malta amiga e conhecida de muitos anos .
A Manif Festa prolongava-se pela tarde adiante .
De noite, já cansados, subíamos ao Largo do Carmo, ou aportá-
vamos à Rua António Maria Cardoso, uma Rua de má fama,
éramos poucos, mas tesos, com a raiva estampada nos rostos, sem-
pre em busca da revolução que nunca mais chegava, tantas ve-
zes maltratada, traída a cada passo .
As palavras eram duras e desafiadoras, às vezes com a polícia por
perto a vigiar .
Três pessoas da mesma família, cada uma selas incarnando dife-
rentes ideais, três visões diferentes sobre a vida,
uma oriunda da esquerda fixista, outra da esquerda reformista
e ainda outra que navegava na esquerda revolucionária .
Todos diferentes, todos iguais .
Todos na ânsia de alcançar o País e o Mundo, que todos pensáva-
mos e com que todos sonhávamos.
Todos com o mesmo objectivo, mas que poderia a ser alcançado
por vias distintas .
.
domingo, 30 de abril de 2017
sexta-feira, 28 de abril de 2017
O ANJO DA GUARDA .
Já não és o meu anjo da guarda
a minha estrela da manhã
o meu raio de sol
o meu amor de perdição
passarinho da ribeira
a minha princesa encantada
barca dos sete lemes
minha aurora boreal
Já não és o meu cavalo alado
a minha fada madrinha
a minha estrela do mar
meu navio sem âncora
minha gota de orvalho
o meu peixinho dourado
a minha candeia acesa
a minha estrela polar
Não, não és mais a minha bússola
a minha gata borralheira
farol na noite mais escura
minha musa encantada
meu patinho feio
andorinha rasgando o céu
na linha do horizonte
a minha estrela cadente
Já não és o meu relâmpago
o meu arco íris pintando o astro
o meu farol no nevoeiro
meu pássaro de asas feridas
meu navio encantado
o meu cálice tinto de sangue
minha espera dolorida
minha ilusão perdida
.
a minha estrela da manhã
o meu raio de sol
o meu amor de perdição
passarinho da ribeira
a minha princesa encantada
barca dos sete lemes
minha aurora boreal
Já não és o meu cavalo alado
a minha fada madrinha
a minha estrela do mar
meu navio sem âncora
minha gota de orvalho
o meu peixinho dourado
a minha candeia acesa
a minha estrela polar
Não, não és mais a minha bússola
a minha gata borralheira
farol na noite mais escura
minha musa encantada
meu patinho feio
andorinha rasgando o céu
na linha do horizonte
a minha estrela cadente
Já não és o meu relâmpago
o meu arco íris pintando o astro
o meu farol no nevoeiro
meu pássaro de asas feridas
meu navio encantado
o meu cálice tinto de sangue
minha espera dolorida
minha ilusão perdida
.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
O TERRÍVEL DILEMA .
Foi uma época difícil da minha vida .
A Guerra Colonial acompanhou-me durante o meu curso
inteiro .
Começada em 1961, estender-se-ia por toda uma eternidade .
A continuação dos estudos dava-me uma certa margem de se-
gurança, podia ser que a guerra não demorasse muito .
Mas, à medida que o tempo encurtava, e tinha que fazer sem-
pre as cadeiras todas, ia aumentando a minha angústia, e via os
amigos mais velhos partir para a guerra, e outros, embora em
menor número, a desaparecer do mapa, e a fugir para longe, es-
capando ao Serviço Militar .
Era evidentemente uma opção de classe e também uma escolha
de classe, mas era sobretudo uma decisão interior profunda, ir
combater numa guerra injusta, para não dizer imoral, ou ficar e
arcar com todas as consequências de tal gesto .
Passávamos horas intermináveis a discutir os prós e os contras,
milhares de vezes, o que poderia ser o nosso futuro, e qualquer
das hipóteses de escolha, era muito difícil de sustentar .
Havia quem arranjasse maneiras de ir alongando o tempo de estu-
do, tentando uma carreira académica, uma especialização no estran-
geiro, uma selecção para um lugar numa empresa ou num serviço,
considerados de grande utilidade para os desígnios da Pátria, hou-
ve muita malta graúda, que aguardava uma incorporação numa data
e numa posição mais favoráveis, e houve tanta outra gente que, sim-
plesmente se pirasse para bem longe .
Então, que fazer ?...
Acabei por ficar .
Acabei por tentar jogar na roleta russa, e ganhei .
A sorte iria contemplar os a minha audácia ..
Cumpri um longuíssimo tempo de tropa,
mas como Oficial Miliciano, na especialidade de FOTO CINE,
onde militariam quase todos os artistas da guerra .
.
A Guerra Colonial acompanhou-me durante o meu curso
inteiro .
Começada em 1961, estender-se-ia por toda uma eternidade .
A continuação dos estudos dava-me uma certa margem de se-
gurança, podia ser que a guerra não demorasse muito .
Mas, à medida que o tempo encurtava, e tinha que fazer sem-
pre as cadeiras todas, ia aumentando a minha angústia, e via os
amigos mais velhos partir para a guerra, e outros, embora em
menor número, a desaparecer do mapa, e a fugir para longe, es-
capando ao Serviço Militar .
Era evidentemente uma opção de classe e também uma escolha
de classe, mas era sobretudo uma decisão interior profunda, ir
combater numa guerra injusta, para não dizer imoral, ou ficar e
arcar com todas as consequências de tal gesto .
Passávamos horas intermináveis a discutir os prós e os contras,
milhares de vezes, o que poderia ser o nosso futuro, e qualquer
das hipóteses de escolha, era muito difícil de sustentar .
Havia quem arranjasse maneiras de ir alongando o tempo de estu-
do, tentando uma carreira académica, uma especialização no estran-
geiro, uma selecção para um lugar numa empresa ou num serviço,
considerados de grande utilidade para os desígnios da Pátria, hou-
ve muita malta graúda, que aguardava uma incorporação numa data
e numa posição mais favoráveis, e houve tanta outra gente que, sim-
plesmente se pirasse para bem longe .
Então, que fazer ?...
Acabei por ficar .
Acabei por tentar jogar na roleta russa, e ganhei .
A sorte iria contemplar os a minha audácia ..
Cumpri um longuíssimo tempo de tropa,
mas como Oficial Miliciano, na especialidade de FOTO CINE,
onde militariam quase todos os artistas da guerra .
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quarta-feira, 26 de abril de 2017
A SORTE PROTEGE OS AUDAZES .
Ou mato ou morro .
Num grupo de militares, gabava-se um deles :
Quando estou atrapalhado, numa situação mais
difícil, resolvo-a sem pestanejar.
Ou morro ou mato .
Responde-lhe outro :
É pá, isso é que é valentia .
E diz o primeiro :
Nada disso, ou fujo pelo mato, ou fujo pelo
morro .
.
Num grupo de militares, gabava-se um deles :
Quando estou atrapalhado, numa situação mais
difícil, resolvo-a sem pestanejar.
Ou morro ou mato .
Responde-lhe outro :
É pá, isso é que é valentia .
E diz o primeiro :
Nada disso, ou fujo pelo mato, ou fujo pelo
morro .
.
A GUERRA DAS PALAVRAS .
A contra informação .
Rádio Moscovo não fala verdade (não fala verdade) .
Quase todos os dias eram-mos metralhados com a propa-
ganda emanada por um senhor, de sua graça Ferreira da
Costa, um tipo de extrema direita, na rádio e na televisão,
cantando loas acerca da guerra colonial, e das suas benes-
ses .
Não era fácil saber-se a verdade acerca dessa guerra, pois
a censura feroz nada deixava transpirar, e os soldado tin-
ham medo e eram instrumentados a manter segredo de
tudo o que acontecia em África .
A solução era tentar ouvir outras rádios internacionais, de
preferência a BBC .
Ouvia-se, às escondidas, a rádio Argel, onde pontificava o
camarada Manuel Alegre, e ainda a rádio Moscovo .
Era outra guerra, a guerra do silêncio e do boato, quase tão
mortífera como a guerra real .
A certa altura foi criado na RTP, um programa sobre a guer-
ra colonial, que era assegurada por Júlio Isidro, alferes do Ser-
viço Cartográfico do Exército, da Divisão de Fotografia e Cine-
ma, chefiada pelo então Major Babtista Rosa, que era também
alto funcionário da RTP .
Uma das tarefas da minha tropa, era visionar cópias de filmes,
cedidos pela Embaixada Americana, seleccionar aqueles que pu-
dessem ser vistos pelos nossos soldados, na Metrópole e nas ini-
dades instaladas em África, filmes que não perturbassem o mo-
ral e ajudassem a distrair a malta .
Mas, à medida que a guerra subia de tom, foram utilizados ou-
tros métodos de obtenção do informação mais sofisticados, mas
isso era já de outro domínio .
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Rádio Moscovo não fala verdade (não fala verdade) .
Quase todos os dias eram-mos metralhados com a propa-
ganda emanada por um senhor, de sua graça Ferreira da
Costa, um tipo de extrema direita, na rádio e na televisão,
cantando loas acerca da guerra colonial, e das suas benes-
ses .
Não era fácil saber-se a verdade acerca dessa guerra, pois
a censura feroz nada deixava transpirar, e os soldado tin-
ham medo e eram instrumentados a manter segredo de
tudo o que acontecia em África .
A solução era tentar ouvir outras rádios internacionais, de
preferência a BBC .
Ouvia-se, às escondidas, a rádio Argel, onde pontificava o
camarada Manuel Alegre, e ainda a rádio Moscovo .
Era outra guerra, a guerra do silêncio e do boato, quase tão
mortífera como a guerra real .
A certa altura foi criado na RTP, um programa sobre a guer-
ra colonial, que era assegurada por Júlio Isidro, alferes do Ser-
viço Cartográfico do Exército, da Divisão de Fotografia e Cine-
ma, chefiada pelo então Major Babtista Rosa, que era também
alto funcionário da RTP .
Uma das tarefas da minha tropa, era visionar cópias de filmes,
cedidos pela Embaixada Americana, seleccionar aqueles que pu-
dessem ser vistos pelos nossos soldados, na Metrópole e nas ini-
dades instaladas em África, filmes que não perturbassem o mo-
ral e ajudassem a distrair a malta .
Mas, à medida que a guerra subia de tom, foram utilizados ou-
tros métodos de obtenção do informação mais sofisticados, mas
isso era já de outro domínio .
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terça-feira, 25 de abril de 2017
25 de ABRIL, O Orgasmo da História .
Aos Heróis Desconhecidos .
Quem ficou na História, foi o Capitão
Salgueiro Maia, herói claro e límpido,
porque morto, símbolo do Heroísmo e
da Coragem, e porque obedeceu rigoro-
samente às ordens ciosamente recebidas .
Otelo, Melo Antunes, Vasco Lourenço,
e tantos e tantos outros, soldados e mari-
nheiros anónimos e desconhecidos, parti-
lharam também essa maravilhosa aventu-
ra da conquista da
DEMOCRACIA .
Nada me move contra o valente Capitão,
o Herói do Terreiro do Paço e do Largo do
Carmo, foi ele quem deu o corpo ao mani-
festo e ofereceu o peito às balas.
Mas quantos emprestaram, às vezes em
condições e dificuldades extremas, o seu
labor e a sua inteligência,
para que fosses nossa
ó LIBERDADE
e que jamais virão nos manuais de Histó-
ria .
Para eles, a minha humilde Homenagem .
.
Quem ficou na História, foi o Capitão
Salgueiro Maia, herói claro e límpido,
porque morto, símbolo do Heroísmo e
da Coragem, e porque obedeceu rigoro-
samente às ordens ciosamente recebidas .
Otelo, Melo Antunes, Vasco Lourenço,
e tantos e tantos outros, soldados e mari-
nheiros anónimos e desconhecidos, parti-
lharam também essa maravilhosa aventu-
ra da conquista da
DEMOCRACIA .
Nada me move contra o valente Capitão,
o Herói do Terreiro do Paço e do Largo do
Carmo, foi ele quem deu o corpo ao mani-
festo e ofereceu o peito às balas.
Mas quantos emprestaram, às vezes em
condições e dificuldades extremas, o seu
labor e a sua inteligência,
para que fosses nossa
ó LIBERDADE
e que jamais virão nos manuais de Histó-
ria .
Para eles, a minha humilde Homenagem .
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segunda-feira, 24 de abril de 2017
A SANGRIA DE UM POVO .
Nunca ninguém os soube contar .
Cem mil fugidos ao Serviço Militar .
8 Mil desertores .
Quase um milhão de soldados feitos à pressa,
feridos e estropiados às dezenas de milhares .
Mortos, em todos os lares de Portugal .
Apanhados na vertigem do stress pós traumático .
Lares desestruturados sem conta .
Pais que ficaram sem filhos .
Filhos que não chegaram a conhecer os pais .
Um País dilacerado, migado aos pedaços, desconjuntado,
sem passado e sem futuro .
Portugal empobrecido pela falta de muitos dos maia aptos,
dos mais capazes, País sempre ferido, sempre adiado, exau-
rido, roído até ao osso .
E a raiva dos que passaram pela guerra, a dor dos que fica-
ram, a saudade dos que partiram, e a ira e a incompreensão
dos que foram obrigados a retornar .
E tudo foi cicatrizando lenta e dolorosamente, suportando
o enorme choque social, psicológico, económico e político, de
que ainda não recuperamos totalmente .
É muito para um povo enorme, fechado num País tão peque-
no e tão desgraçado .
A minha geração viveu tudo isso e muito mais, sem um pio,
mas com uma revolta do tamanho do Mundo .
.
Cem mil fugidos ao Serviço Militar .
8 Mil desertores .
Quase um milhão de soldados feitos à pressa,
feridos e estropiados às dezenas de milhares .
Mortos, em todos os lares de Portugal .
Apanhados na vertigem do stress pós traumático .
Lares desestruturados sem conta .
Pais que ficaram sem filhos .
Filhos que não chegaram a conhecer os pais .
Um País dilacerado, migado aos pedaços, desconjuntado,
sem passado e sem futuro .
Portugal empobrecido pela falta de muitos dos maia aptos,
dos mais capazes, País sempre ferido, sempre adiado, exau-
rido, roído até ao osso .
E a raiva dos que passaram pela guerra, a dor dos que fica-
ram, a saudade dos que partiram, e a ira e a incompreensão
dos que foram obrigados a retornar .
E tudo foi cicatrizando lenta e dolorosamente, suportando
o enorme choque social, psicológico, económico e político, de
que ainda não recuperamos totalmente .
É muito para um povo enorme, fechado num País tão peque-
no e tão desgraçado .
A minha geração viveu tudo isso e muito mais, sem um pio,
mas com uma revolta do tamanho do Mundo .
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domingo, 23 de abril de 2017
CARTA A UMA JOVEM PORTUGUESA .
UMA BOMBA AO RETARDADOR .
Carta a uma jovem portuguesa .
Vou escrever para ti, jovem portuguesa e particularmente
para ti, jovem estudante da nossa cidade(...) .
Sou um jovem que vive dentro de uma realidade juvenil, a
que quer compreender e a que que afirmar-se .
Por essa afirmação quero combater . A minha realidade é
igual à tua. Somos jovens . A minha liberdade não é igual à
tua . Separa-nos um muro, alto e espesso, que nem tu nem
eu construímos .
A nós rapazes, de viver do lado de cá, onde temos uma or-
dem social que em relação a nós nos favorece .
Para vós raparigas, o lado de lá desse muro ; o mundo in-
quietante da sombra e da repressão mental.
Do estatismo e da imanência(...)
Beijas-me e sofres . Dizes, não o devia ter feito, porque jul-
gas que o deverias ter feito .
Marinha de Campos Via Latina,
Semanário da Associação Académica de Coimbra,
1961 .
Carta aberta a todas as jovens, carta anónima, uma carta inofensiva que
hoje em dia nos faz sorrir com grande ternura .
Todavia, à época, numa sociedade dividida entre os jovens que frequenta-
vam as Repúblicas de Coimbra, e as raparigas arrebanhadas nos lares de
pobres meninas, chegadas da Província, tementes a Deus e às freiras, mui-
tas delas com temor e vergonha do seu próprio corpo e da própria realida-
de social em que estavam inseridas, a carta foi uma bomba que explodiu
com enorme estrondo, na caduca e obsoleta Academia Coimbrã, lançado
estilhaços em todas as direcções .
Numa altura em que os ânimos já estavam sobejamente exaltados com as
novidades acerca da guerra que todos nós teríamos de suportar, sabe-se lá
quando e em que condições, a carta funcionou como um sinal de alerta ge-
ral do perigo mortal a que iríamos ficar sujeitos, a qualquer hora e a qual-
quer pretexto .
Fàcilmente o incêndio se propagou às outras Academias, tocando a rebate
e inventando as modalidades de luta contra os senhores da Guerra .
.
Carta a uma jovem portuguesa .
Vou escrever para ti, jovem portuguesa e particularmente
para ti, jovem estudante da nossa cidade(...) .
Sou um jovem que vive dentro de uma realidade juvenil, a
que quer compreender e a que que afirmar-se .
Por essa afirmação quero combater . A minha realidade é
igual à tua. Somos jovens . A minha liberdade não é igual à
tua . Separa-nos um muro, alto e espesso, que nem tu nem
eu construímos .
A nós rapazes, de viver do lado de cá, onde temos uma or-
dem social que em relação a nós nos favorece .
Para vós raparigas, o lado de lá desse muro ; o mundo in-
quietante da sombra e da repressão mental.
Do estatismo e da imanência(...)
Beijas-me e sofres . Dizes, não o devia ter feito, porque jul-
gas que o deverias ter feito .
Marinha de Campos Via Latina,
Semanário da Associação Académica de Coimbra,
1961 .
Carta aberta a todas as jovens, carta anónima, uma carta inofensiva que
hoje em dia nos faz sorrir com grande ternura .
Todavia, à época, numa sociedade dividida entre os jovens que frequenta-
vam as Repúblicas de Coimbra, e as raparigas arrebanhadas nos lares de
pobres meninas, chegadas da Província, tementes a Deus e às freiras, mui-
tas delas com temor e vergonha do seu próprio corpo e da própria realida-
de social em que estavam inseridas, a carta foi uma bomba que explodiu
com enorme estrondo, na caduca e obsoleta Academia Coimbrã, lançado
estilhaços em todas as direcções .
Numa altura em que os ânimos já estavam sobejamente exaltados com as
novidades acerca da guerra que todos nós teríamos de suportar, sabe-se lá
quando e em que condições, a carta funcionou como um sinal de alerta ge-
ral do perigo mortal a que iríamos ficar sujeitos, a qualquer hora e a qual-
quer pretexto .
Fàcilmente o incêndio se propagou às outras Academias, tocando a rebate
e inventando as modalidades de luta contra os senhores da Guerra .
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sábado, 22 de abril de 2017
O DIA DO ESTUDANTE - 1961 .
A Cereja no topo do Bolo .
Faltava qualquer coisa naquele desgraçado ano de 1961 :
A bronca do dia do estudante .
O acontecimento já era comemorado em anos anteriores,
mas com o eclodir da Guerra Colonial, Portugal e, em es-
pecial, a população estudantil, estava em polvorosa, após
a incorporação, ou a ameaça de incorporação forçada, de
oficiais milicianos, que seriam mandados combater numa
guerra com a qual nada tinham a ver .
O pânico e a desorientação total dos dirigentes fascistas
foi enorme, sem poderem prever as reais consequências de
tal acto .
Foi o detonador de uma convulsão que iria culminar no sen-
timento generalizado de indignação e revolta de milhares de
jovens universitários, por todo o País, e viria a ser a semente
da grande explosão da ser a Revolução do
25 de Abril .
Ao ano de 1961, viriam a seguir-se réplicas, cada vez mais ,
violentas, com que ondas de choque imprevisíveis, que amea-
çaram e acabaram por derrubar o regime vigente desde 1926 .
.
Faltava qualquer coisa naquele desgraçado ano de 1961 :
A bronca do dia do estudante .
O acontecimento já era comemorado em anos anteriores,
mas com o eclodir da Guerra Colonial, Portugal e, em es-
pecial, a população estudantil, estava em polvorosa, após
a incorporação, ou a ameaça de incorporação forçada, de
oficiais milicianos, que seriam mandados combater numa
guerra com a qual nada tinham a ver .
O pânico e a desorientação total dos dirigentes fascistas
foi enorme, sem poderem prever as reais consequências de
tal acto .
Foi o detonador de uma convulsão que iria culminar no sen-
timento generalizado de indignação e revolta de milhares de
jovens universitários, por todo o País, e viria a ser a semente
da grande explosão da ser a Revolução do
25 de Abril .
Ao ano de 1961, viriam a seguir-se réplicas, cada vez mais ,
violentas, com que ondas de choque imprevisíveis, que amea-
çaram e acabaram por derrubar o regime vigente desde 1926 .
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sexta-feira, 21 de abril de 2017
1961 - A QUEDA DE GOA, DAMÃO E DIU .
Vassalo e Silva,
vacila e salva-se .
" o Crime de um falso pacifista",
foi a manchete do Diário de Notícias,
referindo-se a Nehru, A invasão de Goa ocupou quase toda a
primeira página desse dia, dando ainda destaque ao que jornais
britânicos escreveram sobre o assunto .
DN, 18 de Dezembro de 1961
Bastaram-se apenas 36 horas para terminar com o domínio por-
tuguês em Goa, Damão e Diu .
Salazar enviou de imediato um navio de guerra para a Índia, na-
vio que avariou (ou foi sabotado) quando atravessava o Canal do
Suez .
(Ainda hoje lá deve estar a carcassa),
e deu horas para que os soldados portugueses combatessem até ao
último homem .
O Comandante da Guarnição, General Vassalo e Silva desobedeceu
às ordens do Jesuíta, acabando por a nossa tropa ter ficado refém
durante meses, em solo indiano .
Como poderiam 3300 soldados portugueses oferecer resistência a
45000 soldados indianos ?
Coisas de loucos ...
Conta-se que houve um general que aconselhava o Velho Ditador
a declarar guerra aos americanos .
Estes tomariam conta do País, instaurariam um Plano Marchall,
e assim desenvolveriam Portugal .
Respondeu o Ditador, todo ufano :
Pois, isso é muito bonito,
e se nós ganhamos a guerra à América ?...
Quando os britânicos deram a independência à União Indiana,
Portugal recusou entregar os territórios que ainda estavam sob
domínio indiano .
Só em 1974, a independência desses territórios viria a ser recon-
hecida pelo nosso País .
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vacila e salva-se .
" o Crime de um falso pacifista",
foi a manchete do Diário de Notícias,
referindo-se a Nehru, A invasão de Goa ocupou quase toda a
primeira página desse dia, dando ainda destaque ao que jornais
britânicos escreveram sobre o assunto .
DN, 18 de Dezembro de 1961
Bastaram-se apenas 36 horas para terminar com o domínio por-
tuguês em Goa, Damão e Diu .
Salazar enviou de imediato um navio de guerra para a Índia, na-
vio que avariou (ou foi sabotado) quando atravessava o Canal do
Suez .
(Ainda hoje lá deve estar a carcassa),
e deu horas para que os soldados portugueses combatessem até ao
último homem .
O Comandante da Guarnição, General Vassalo e Silva desobedeceu
às ordens do Jesuíta, acabando por a nossa tropa ter ficado refém
durante meses, em solo indiano .
Como poderiam 3300 soldados portugueses oferecer resistência a
45000 soldados indianos ?
Coisas de loucos ...
Conta-se que houve um general que aconselhava o Velho Ditador
a declarar guerra aos americanos .
Estes tomariam conta do País, instaurariam um Plano Marchall,
e assim desenvolveriam Portugal .
Respondeu o Ditador, todo ufano :
Pois, isso é muito bonito,
e se nós ganhamos a guerra à América ?...
Quando os britânicos deram a independência à União Indiana,
Portugal recusou entregar os territórios que ainda estavam sob
domínio indiano .
Só em 1974, a independência desses territórios viria a ser recon-
hecida pelo nosso País .
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quinta-feira, 20 de abril de 2017
PORTUGAL AMORDAÇADO .
Seguiu-se o período do Estado Novo, o tempo em que a História de
Portugal parou, esquecido nas brumas da Memória .
A Iª. República constituiu a vivência da agitação, da alternância de
poderes, de Magistérios, de golpes e contra golpes, o poder de bloco
central, dividido pelas duas principais facções do novel Partido Repu-
blicano .
Foi pois, com algum alívio, que as tropas comandadas por Gomes da
Costa e Mendes Cabeçadas, se lançaram, a partir de Braga, numa enor-
me passeata, rumo à capital, num Rally Paper a cavalo, por entre vivas
e olés, para gáudio da populaça .
Foi o Célebre 28 de Maio, de 1926 ,
Que rapidamente daria lugar a um regime de partido único, com supres-
são de todas as liberdades, com censura, com polícia política e tribunais
especiais .
Pobre povo, que tudo aguenta .
Tinha acabado o tempo das rameiras e do vinho
verde .
Vivia-se agora,
O ESTADO NOVO VELHO
DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA .
SALAZAR E CEREJEIRA .
A Guerra Civil de Espanha .
A 2ª. GUERRA MUNDIAL
e o HOLOCAUSTO .
A Neutralidade alinhada .
O tempo das Fascismos .
O Orgulhosamente SÓS .
A GUERRA COLONIAL .
E TUDO O VENTO LEVOU .
A LIBERDADE RECONQUISTADA .
O Retomar do Orgulho de Português .
.
Portugal parou, esquecido nas brumas da Memória .
A Iª. República constituiu a vivência da agitação, da alternância de
poderes, de Magistérios, de golpes e contra golpes, o poder de bloco
central, dividido pelas duas principais facções do novel Partido Repu-
blicano .
Foi pois, com algum alívio, que as tropas comandadas por Gomes da
Costa e Mendes Cabeçadas, se lançaram, a partir de Braga, numa enor-
me passeata, rumo à capital, num Rally Paper a cavalo, por entre vivas
e olés, para gáudio da populaça .
Foi o Célebre 28 de Maio, de 1926 ,
Que rapidamente daria lugar a um regime de partido único, com supres-
são de todas as liberdades, com censura, com polícia política e tribunais
especiais .
Pobre povo, que tudo aguenta .
Tinha acabado o tempo das rameiras e do vinho
verde .
Vivia-se agora,
O ESTADO NOVO VELHO
DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA .
SALAZAR E CEREJEIRA .
A Guerra Civil de Espanha .
A 2ª. GUERRA MUNDIAL
e o HOLOCAUSTO .
A Neutralidade alinhada .
O tempo das Fascismos .
O Orgulhosamente SÓS .
A GUERRA COLONIAL .
E TUDO O VENTO LEVOU .
A LIBERDADE RECONQUISTADA .
O Retomar do Orgulho de Português .
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quarta-feira, 19 de abril de 2017
Mudam-se os tempos, permanecem as vontades .
A chegada da República foi um aconteci-
mento de extraordinária importância .
A sociedade portuguesa estava farta de aturar as caturrices de uma
Monarquia gasta e velha, habituada a todo o tipo de desmandos, so-
frendo na pele, a prepotência e os caprichos das classes dominantes,
de cariz folclórico e arcaico .
Por seu lado, os ideais republicanos tinham-se instalado gradualmen.
te, sobretudo nos meios urbanos, tendo do seu lado organizações de
carácter revolucionário, como a Maçonaria e a Carbonária .
Talvez por isso a Monarquia tenha sido facil-
mente derrubada coum simples sopro .
A ditadura de João Franco tinha-se tentado firmar contra a vontade
popular, cada vez mais explorada .
Estavam pois criadas para o derrube do Antigo Regime .
O assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe Herdeiro, deram a macha-
dada final no regime monárquico .
.
mento de extraordinária importância .
A sociedade portuguesa estava farta de aturar as caturrices de uma
Monarquia gasta e velha, habituada a todo o tipo de desmandos, so-
frendo na pele, a prepotência e os caprichos das classes dominantes,
de cariz folclórico e arcaico .
Por seu lado, os ideais republicanos tinham-se instalado gradualmen.
te, sobretudo nos meios urbanos, tendo do seu lado organizações de
carácter revolucionário, como a Maçonaria e a Carbonária .
Talvez por isso a Monarquia tenha sido facil-
mente derrubada coum simples sopro .
A ditadura de João Franco tinha-se tentado firmar contra a vontade
popular, cada vez mais explorada .
Estavam pois criadas para o derrube do Antigo Regime .
O assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe Herdeiro, deram a macha-
dada final no regime monárquico .
.
Etiquetas:
ambiente
terça-feira, 18 de abril de 2017
1961-O "Annus Horribilis" de Salazar .
O principio do fim do Estado Novo ocorreu no ano em que
deflagrou a Guerra de Angola, caíram a Índia e Ajudá, fal-
hou um golpe de Estado e um navio e um avião foram des-
viados por oposicionistas .
Revista Visão
13 de Dezembro de 1961
O velho Ditador buliu,
tremeu mas não caíu .
Foi muita fruta, para um ano só - 1961 .
Iniciou-se a Guerra Colonial, com o levantamento dos traba-
lhadores das plantações de algodão e café, com a chacina de
muitos negros, na Baixa do Cassange .
A revolta foi, ferozmente reprimida por tropas especiais e pe
lala aviação portuguesas .
O Capitão Henrique Galvão, saído das fileiras do Exército
Português e que aderiu ao campo da Oposição Democrática,
tomou de assalto o Paquete Santa Maria, ao comando de um
grupo de revoltosos, e passeou-se com ele pelos mares das Ca-
raíbas, na chamada Operação Dulcineia .
No princípio de Fevereiro, desse mesmo ano, teve lugar o assal-
to às prisões civis e militares de Luanda, levada a cabo pelas tro-
pas do MPLA, Movimento pró-Soviético , dirigido por Agostinho
Neto .
Logo a seguir, a UNITA, grupo armado por Holden Roberto, a
soldo dos americanos, levou a cabo a matança de muitos colo-
nos brancos (conta-se que 800 brancos e mais de 1200 africanos).
Tinha começado a sério, a Guerra Cononial, que iria levar quase
um milhão de soldados a passar pelas terras africanas, com con-
sequências profundas, que iriam mudar completamente o destino
de Portugal .
Logo de seguida, a Guerra estendeu-se, como um rastilho, à Guiné
e a Moçambique .
Começou mal o início do fim do Sacro Impé-
rio Colonial Português .
Em Agosto de 1961, a Republica do Daomé, apoderou-se de um
pequeno, mas simbólico território, a Fortaleza de São João Baptista,
de Ajudá, devido a ter sido no passado, um importante entreposto no
comércio de escravos .
Em Novenbro, um antigo resistente anti fascista, Hermínio da Pal-
ma Inácio, raptou um avião Super Constellation, da Tap, espalhando
panfletos anti- fascistas, pelos campos do Alentejo e por terras de Ma-
rrocos, fugindo para a Argélia .
Já no fim do ano, teve lugar o golpe de Beja, levado a cabo por um gru-
po de militares afectos ao General Humberto Delgado, golpe que viria
a ser abortado e desmantelado .
Por último, mas não por fim, iria desenrolar-se o drama da tomada dos
territórios indianos, no final de 1961, deixando Salazar à beira do de-
sespero .
Mas isso, é um fado para ser cantado amanhã ...
.
deflagrou a Guerra de Angola, caíram a Índia e Ajudá, fal-
hou um golpe de Estado e um navio e um avião foram des-
viados por oposicionistas .
Revista Visão
13 de Dezembro de 1961
O velho Ditador buliu,
tremeu mas não caíu .
Foi muita fruta, para um ano só - 1961 .
Iniciou-se a Guerra Colonial, com o levantamento dos traba-
lhadores das plantações de algodão e café, com a chacina de
muitos negros, na Baixa do Cassange .
A revolta foi, ferozmente reprimida por tropas especiais e pe
lala aviação portuguesas .
O Capitão Henrique Galvão, saído das fileiras do Exército
Português e que aderiu ao campo da Oposição Democrática,
tomou de assalto o Paquete Santa Maria, ao comando de um
grupo de revoltosos, e passeou-se com ele pelos mares das Ca-
raíbas, na chamada Operação Dulcineia .
No princípio de Fevereiro, desse mesmo ano, teve lugar o assal-
to às prisões civis e militares de Luanda, levada a cabo pelas tro-
pas do MPLA, Movimento pró-Soviético , dirigido por Agostinho
Neto .
Logo a seguir, a UNITA, grupo armado por Holden Roberto, a
soldo dos americanos, levou a cabo a matança de muitos colo-
nos brancos (conta-se que 800 brancos e mais de 1200 africanos).
Tinha começado a sério, a Guerra Cononial, que iria levar quase
um milhão de soldados a passar pelas terras africanas, com con-
sequências profundas, que iriam mudar completamente o destino
de Portugal .
Logo de seguida, a Guerra estendeu-se, como um rastilho, à Guiné
e a Moçambique .
Começou mal o início do fim do Sacro Impé-
rio Colonial Português .
Em Agosto de 1961, a Republica do Daomé, apoderou-se de um
pequeno, mas simbólico território, a Fortaleza de São João Baptista,
de Ajudá, devido a ter sido no passado, um importante entreposto no
comércio de escravos .
Em Novenbro, um antigo resistente anti fascista, Hermínio da Pal-
ma Inácio, raptou um avião Super Constellation, da Tap, espalhando
panfletos anti- fascistas, pelos campos do Alentejo e por terras de Ma-
rrocos, fugindo para a Argélia .
Já no fim do ano, teve lugar o golpe de Beja, levado a cabo por um gru-
po de militares afectos ao General Humberto Delgado, golpe que viria
a ser abortado e desmantelado .
Por último, mas não por fim, iria desenrolar-se o drama da tomada dos
territórios indianos, no final de 1961, deixando Salazar à beira do de-
sespero .
Mas isso, é um fado para ser cantado amanhã ...
.
segunda-feira, 17 de abril de 2017
o Reviralho .
Nome genérico e irónico dado pelos do regime fascista aos pretensos
revolucionários, devido ao elevado número de intentonas e fracassos
de golpes e pronunciamentos, a seguir à implantação da ditadura .
Os do reviralho, seriam os que pretendiam reverter o sistema vigente
após o 28 de Maio, de 1926 .
O nome pegou, e assim ficariam conhecidos os oposicionistas ao dita-
dor Salazar .
O termo permaneceu na história trágico- política, até à criação do
MUD- Momento Unitário Democrático, que pretendeu reunir as dife-
rentes correntes de opinião adversas ao fascismo .
Contam-se mais de dez , as tentativas de derrubar o regime, quase to-
das mal preparadas, sem qualquer base de apoio, em regra comanda-
das por antigos oficiais na reserva ou políticos que foram afastados no
quadro republicano .
A cada golpe falhado, seguiam-se prisões e deportações de muitos pa-
triotas.
Outros acolhiam-se no exílio e no degredo .
A cada movimento revolucionário, Salazar viria a fortalecer cada vez
mais o sistema policial repressivo, designadamente com a criação de
uma polícia especializada e de um tribunal próprio para julgar os di-
tos crimes políticos .
.
revolucionários, devido ao elevado número de intentonas e fracassos
de golpes e pronunciamentos, a seguir à implantação da ditadura .
Os do reviralho, seriam os que pretendiam reverter o sistema vigente
após o 28 de Maio, de 1926 .
O nome pegou, e assim ficariam conhecidos os oposicionistas ao dita-
dor Salazar .
O termo permaneceu na história trágico- política, até à criação do
MUD- Momento Unitário Democrático, que pretendeu reunir as dife-
rentes correntes de opinião adversas ao fascismo .
Contam-se mais de dez , as tentativas de derrubar o regime, quase to-
das mal preparadas, sem qualquer base de apoio, em regra comanda-
das por antigos oficiais na reserva ou políticos que foram afastados no
quadro republicano .
A cada golpe falhado, seguiam-se prisões e deportações de muitos pa-
triotas.
Outros acolhiam-se no exílio e no degredo .
A cada movimento revolucionário, Salazar viria a fortalecer cada vez
mais o sistema policial repressivo, designadamente com a criação de
uma polícia especializada e de um tribunal próprio para julgar os di-
tos crimes políticos .
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domingo, 16 de abril de 2017
A GUERRA EM VÁRIAS FRENTES .
O alastrar da guerra .
A Guerra Colonial desencadeou-se no Norte de Angola,
nas terras do café, nas grandes plantações a perder de vista,
e com o assalto à cadeia de Luanda .
A UPA- União dos povos de Angola, foi o inimigo mais co-
necido mas, a pouco, viriam a emergir diferentes Movimen-
tos de Libertação, o MPLA, de tendência marxista, apoiado
pela Rússia e pela maioria dos países africanos, a FNLA, apoi-
ada pelos chineses e a UNITA, apoiada pela África do Sul .
O teatro de operações foi alastrando a diferentes zonas de An-
gola, a leste e a sul do país .
Pouco tempo depois, novas frentes de batalha se estabeleceram,
espalhando o já tão parco Exército Português, pelos pântanos
da Guiné e pelas florestas de Moçambique .
Era a guerra total, apadrinhada por todos, apoiada pelas potên-
cias tradicionalmente vendedoras de armamento, que jogavam
em todos os tabuleiros .
Era também uma guerra envergonhada, jogada às escondidas
nos matagais africanos .
Salazar e os seus aliados, gente velha e decrépita, com grandes
interesses coloniais, ávido das riquezas e do sangue dos desgra-
çados, sem vergonha e sem futuro, apoiados nos grandes mono-
pólios com raízes da chamada Metrópole, foi uma enorme opor-
tunidade para a rapina desenfreada, sob o manto diáfano do pa-
triotismo bacoco e ultramontano .
Avançou sem medos e sem decoro, rumo ao desastre anunciado,
até que os capitães de Abril puseram cobro a essa tragédia .
Foi muito feio e muito mau, o papel que Portugal desempenhou
nestes tempos de chumbo .
.
A Guerra Colonial desencadeou-se no Norte de Angola,
nas terras do café, nas grandes plantações a perder de vista,
e com o assalto à cadeia de Luanda .
A UPA- União dos povos de Angola, foi o inimigo mais co-
necido mas, a pouco, viriam a emergir diferentes Movimen-
tos de Libertação, o MPLA, de tendência marxista, apoiado
pela Rússia e pela maioria dos países africanos, a FNLA, apoi-
ada pelos chineses e a UNITA, apoiada pela África do Sul .
O teatro de operações foi alastrando a diferentes zonas de An-
gola, a leste e a sul do país .
Pouco tempo depois, novas frentes de batalha se estabeleceram,
espalhando o já tão parco Exército Português, pelos pântanos
da Guiné e pelas florestas de Moçambique .
Era a guerra total, apadrinhada por todos, apoiada pelas potên-
cias tradicionalmente vendedoras de armamento, que jogavam
em todos os tabuleiros .
Era também uma guerra envergonhada, jogada às escondidas
nos matagais africanos .
Salazar e os seus aliados, gente velha e decrépita, com grandes
interesses coloniais, ávido das riquezas e do sangue dos desgra-
çados, sem vergonha e sem futuro, apoiados nos grandes mono-
pólios com raízes da chamada Metrópole, foi uma enorme opor-
tunidade para a rapina desenfreada, sob o manto diáfano do pa-
triotismo bacoco e ultramontano .
Avançou sem medos e sem decoro, rumo ao desastre anunciado,
até que os capitães de Abril puseram cobro a essa tragédia .
Foi muito feio e muito mau, o papel que Portugal desempenhou
nestes tempos de chumbo .
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sábado, 15 de abril de 2017
O SERVIÇO MILITAR :
Ó 31, esta é a tua mão esquerda,
esta é a tua mão direita .
Então, diz lá tu agora :
Qual é a tua mão direita ?
Não sei, o meu sargento baralhou-as ...
.
Todo o sargento deve saber ler e escrever,
pode o oficial não saber .
No primeiro quartel do Sec.XX, Portugal era ainda um País muito
atrasado, que chocava os visitantes que por cá veraneavam, ou que
vinham a negócios .
Atente-se com um pouco de critério, nas aparições de Fátima, e na-
quele folclore todo relacionado com tão espantoso acontecimento .
Ainda hoje, um século depois, estamos à espera de um explicação
de tal embuste .
Mas isso, é um problema de Fé .
Mas nesse tempo, a escolaridade quase não existia, a taxa de morta-
lidade era enorme, e as pessoas iam à bruxa, em vez do médico, que
rareava, mesmo nas terras mais evoluídas .
Faziam-se filhos de empreitada, às dezenas, mas o aborto era um te-
ma tabú . Faziam-se desmanchos, em condições sanitárias deprimen-
tes, e no silêncio do pecado .
E como era o nosso Exército ?
Mancebos arrebanhados à pressa e à força .
Não sei quando foi criado o Serviço Militar Obrigatório, com carác-
ter universal .
Foi seguramente uma coisa positiva pois constituía um dos primeiros
sinais de contacto com a civilização, com o primeiro banho, com os
primeiros contactos com a normas sanitárias, com a vacinação genera-
lizada, com a aprendizagem da leitura e da escrita , transformando se-
res primitivos, em gente .
Mas mais importante, ajudou a formar indivíduos egoístas e isolados,
numa força disciplinada, solidária e aberta ao diálogo e à diferença .
Claro que o objectivo principal era treinas as pessoas para obedecerem
dispostas para os sacrifícios, que mais tarde teriam que ser postos à pro-
va .
Não há almoços grátis .
E era ainda, uma pequena retribuição pelos encargos que o País fazia
pelos cidadãos em geral, para remir, de algum modo, serviços prestados
à Comunidade .
Como é diferente a gratidão em Portugal .
.
esta é a tua mão direita .
Então, diz lá tu agora :
Qual é a tua mão direita ?
Não sei, o meu sargento baralhou-as ...
.
Todo o sargento deve saber ler e escrever,
pode o oficial não saber .
No primeiro quartel do Sec.XX, Portugal era ainda um País muito
atrasado, que chocava os visitantes que por cá veraneavam, ou que
vinham a negócios .
Atente-se com um pouco de critério, nas aparições de Fátima, e na-
quele folclore todo relacionado com tão espantoso acontecimento .
Ainda hoje, um século depois, estamos à espera de um explicação
de tal embuste .
Mas isso, é um problema de Fé .
Mas nesse tempo, a escolaridade quase não existia, a taxa de morta-
lidade era enorme, e as pessoas iam à bruxa, em vez do médico, que
rareava, mesmo nas terras mais evoluídas .
Faziam-se filhos de empreitada, às dezenas, mas o aborto era um te-
ma tabú . Faziam-se desmanchos, em condições sanitárias deprimen-
tes, e no silêncio do pecado .
E como era o nosso Exército ?
Mancebos arrebanhados à pressa e à força .
Não sei quando foi criado o Serviço Militar Obrigatório, com carác-
ter universal .
Foi seguramente uma coisa positiva pois constituía um dos primeiros
sinais de contacto com a civilização, com o primeiro banho, com os
primeiros contactos com a normas sanitárias, com a vacinação genera-
lizada, com a aprendizagem da leitura e da escrita , transformando se-
res primitivos, em gente .
Mas mais importante, ajudou a formar indivíduos egoístas e isolados,
numa força disciplinada, solidária e aberta ao diálogo e à diferença .
Claro que o objectivo principal era treinas as pessoas para obedecerem
dispostas para os sacrifícios, que mais tarde teriam que ser postos à pro-
va .
Não há almoços grátis .
E era ainda, uma pequena retribuição pelos encargos que o País fazia
pelos cidadãos em geral, para remir, de algum modo, serviços prestados
à Comunidade .
Como é diferente a gratidão em Portugal .
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sexta-feira, 14 de abril de 2017
RECEITA PARA FAZER UM HERÓI .
Tome-se um homem,
feito de nada, como nós,
e em tamanho natural.
Embeba-lhe a carne,
lentamente,
duma certeza aguda, irracional,
intensa como o ódio ou como a fome.
Depois , perto do fim,
agite-se um pendão
e toque-se um clarim .
Serve-se morto .
Reinaldo Ferreira
.
feito de nada, como nós,
e em tamanho natural.
Embeba-lhe a carne,
lentamente,
duma certeza aguda, irracional,
intensa como o ódio ou como a fome.
Depois , perto do fim,
agite-se um pendão
e toque-se um clarim .
Serve-se morto .
Reinaldo Ferreira
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quarta-feira, 12 de abril de 2017
A CRISE DOS SATIAGRAIS - 1954 .
Andava eu na brincadeira, junto à Estação de caminho de ferro,
bairro da Covilhã, para onde recentemente me havia mudado,
quando começei a ouvir um tropel mais ou menos organizado,
quando me disseram que eram os nossos soldados que partiam
para a guerra, para ir defender os nossos territórios indianos,
de Goa, Damão e Diu, mais uns pequenos enclaves portugueses,
mas encarcerados em terra indiana - Dradá e Nagar-Aveli.
Já ouvira falar dessa coisa na escola, mas julgava tratar-se de
uma daquelas brincadeiras de índios e cowboys, a que eu joga-
va em
puto .
Mas era verdade, até vinha a comandar o Capitão Lino, meu vi-
zinho no bairro .
Via o senhor partir todos os dias para o trabalho, mas nunca me
tinha passado pela cabeça que o senhor era da tropa .
Apanharam o combóio, e seguiram para um destes ajuntamentos
de mais soldados, para depois apanharem o vapor, ruma a Goa, um
dos últimos entrepostos que Nehru ainda tinha deixado a Portugal .
As nossas relações, boas e amigáveis, durante séculos, tinha come-
çado a azedar com a independência da União Indiana, dado o orgu-
lho ferido de Nehru, um dos chefes mais conceituados do Movimen-
to dos Países não alinhados .
Conta-se até um episódio trágico-cómico, passado com o actor Iger-
jas Caeiro, que fazia na rádio, um célebre programa de variedades
chamado "O Passeio das Seis e Meia " .
Participavam os actores Igrejas Caeiro, Elvira Velez-, o Zèquinha e
a Lelé, e Elvira Velez, que fazia de sogra, aquela santa .
Incluía um concurso de perguntas, e sem se saber como e porquê,
ao concorrente foi perguntado qual o maior estadista mundial .
O entrevistado respondeu :
Salazar .
A pergunta era Nehru .
Grande bronca no programa, que acabou logo ali .
Foi retirado imediatamente da grelha da então Emissora Nacional,
e os três artistas, figuras cimeiras do Teatro Nacional, foram banidas
para sempre, impedidas de actuar em Portugal .
Ainda hoje me pergunto, qual a razão mais profunda, de uma atitude
tão quixotesca e despropositada, ainda por cima num momento tão di-
fícil que viria a chocar grande parte dos portugueses .
.
bairro da Covilhã, para onde recentemente me havia mudado,
quando começei a ouvir um tropel mais ou menos organizado,
quando me disseram que eram os nossos soldados que partiam
para a guerra, para ir defender os nossos territórios indianos,
de Goa, Damão e Diu, mais uns pequenos enclaves portugueses,
mas encarcerados em terra indiana - Dradá e Nagar-Aveli.
Já ouvira falar dessa coisa na escola, mas julgava tratar-se de
uma daquelas brincadeiras de índios e cowboys, a que eu joga-
va em
puto .
Mas era verdade, até vinha a comandar o Capitão Lino, meu vi-
zinho no bairro .
Via o senhor partir todos os dias para o trabalho, mas nunca me
tinha passado pela cabeça que o senhor era da tropa .
Apanharam o combóio, e seguiram para um destes ajuntamentos
de mais soldados, para depois apanharem o vapor, ruma a Goa, um
dos últimos entrepostos que Nehru ainda tinha deixado a Portugal .
As nossas relações, boas e amigáveis, durante séculos, tinha come-
çado a azedar com a independência da União Indiana, dado o orgu-
lho ferido de Nehru, um dos chefes mais conceituados do Movimen-
to dos Países não alinhados .
Conta-se até um episódio trágico-cómico, passado com o actor Iger-
jas Caeiro, que fazia na rádio, um célebre programa de variedades
chamado "O Passeio das Seis e Meia " .
Participavam os actores Igrejas Caeiro, Elvira Velez-, o Zèquinha e
a Lelé, e Elvira Velez, que fazia de sogra, aquela santa .
Incluía um concurso de perguntas, e sem se saber como e porquê,
ao concorrente foi perguntado qual o maior estadista mundial .
O entrevistado respondeu :
Salazar .
A pergunta era Nehru .
Grande bronca no programa, que acabou logo ali .
Foi retirado imediatamente da grelha da então Emissora Nacional,
e os três artistas, figuras cimeiras do Teatro Nacional, foram banidas
para sempre, impedidas de actuar em Portugal .
Ainda hoje me pergunto, qual a razão mais profunda, de uma atitude
tão quixotesca e despropositada, ainda por cima num momento tão di-
fícil que viria a chocar grande parte dos portugueses .
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terça-feira, 11 de abril de 2017
A NOSSA GUERRA DELES .
Partiam de madrugada, ainda noite cerrada, a caminho não se sabe
de quê e para quê, orientados apenas pelo instinto .
Alguns, talvez não regressassem .
No início, não havia qualquer serviço de informações, por mais ru-
dimentar que fosse, não existiam mapas de cobertura do território,
nem fotomapas, nem apoio aéreo, nem pelotão de reconhecimento
Os PelRec, cujos os soldados seriam sempre os primeiros a abater .
O os colonos, onde andavam .
Muitas vezes, andavam aos círculos, perdendo-se nas falsas referên-
cias, nas pistas falsas, outra vezes eram travados por uma ratoeira
aberta na picada, por uma árvore derrubada, por uma morteirada
atirada ao acaso para cima da patrulha .
Tudo servia para imobilizar o dispositivo, para confundir e baralhar
os incautos soldados, apanhados num turbilhão mortífero .
E onde estavam os africanistas .
A gente leal a Salazar .
Era muito difícil fazer uma guerra nestas condições .
A tropa não estava preparada nem física, nem psíquica, nem estraté-
gicamente para combate tão desigual .
Se havia feridos ou mortos, havia o apoio de um enfermeiro ou um ma-
queiro, e tudo parava à espera de apoio vindo de Luanda ou de uma ba-
se logística que dispusesse de helis, para transportar as vítimas para o
hospital ou para o cemitério .
E tudo recomeçava do ponto zero .
E os futuros retornados, estavam a comer chá
e torradas, a caminho das aulas ou dos escritó-
rios .
A guerra não era deles, nem para eles .
Os turras, como eram chamados os guerrilheiros que lutavam pela inde-
pendência da sua terra, estavam mais bem armados e equipados que os
nossos zonzos militares, militares à força .
Os nossos era um exército de sombras, de fantasmas, gente que não fazia
a mínima ideia do que se estava a passar .
Os angolanos de raça,
Como não tinham os seus parentes e amigos envolvidos nesta matança,
nem sequer se dignavam socorrer os feridos, nem enterrar os mortos de
uma guerra, a que de facto pareciam completamente alheios .
.
de quê e para quê, orientados apenas pelo instinto .
Alguns, talvez não regressassem .
No início, não havia qualquer serviço de informações, por mais ru-
dimentar que fosse, não existiam mapas de cobertura do território,
nem fotomapas, nem apoio aéreo, nem pelotão de reconhecimento
Os PelRec, cujos os soldados seriam sempre os primeiros a abater .
O os colonos, onde andavam .
Muitas vezes, andavam aos círculos, perdendo-se nas falsas referên-
cias, nas pistas falsas, outra vezes eram travados por uma ratoeira
aberta na picada, por uma árvore derrubada, por uma morteirada
atirada ao acaso para cima da patrulha .
Tudo servia para imobilizar o dispositivo, para confundir e baralhar
os incautos soldados, apanhados num turbilhão mortífero .
E onde estavam os africanistas .
A gente leal a Salazar .
Era muito difícil fazer uma guerra nestas condições .
A tropa não estava preparada nem física, nem psíquica, nem estraté-
gicamente para combate tão desigual .
Se havia feridos ou mortos, havia o apoio de um enfermeiro ou um ma-
queiro, e tudo parava à espera de apoio vindo de Luanda ou de uma ba-
se logística que dispusesse de helis, para transportar as vítimas para o
hospital ou para o cemitério .
E tudo recomeçava do ponto zero .
E os futuros retornados, estavam a comer chá
e torradas, a caminho das aulas ou dos escritó-
rios .
A guerra não era deles, nem para eles .
Os turras, como eram chamados os guerrilheiros que lutavam pela inde-
pendência da sua terra, estavam mais bem armados e equipados que os
nossos zonzos militares, militares à força .
Os nossos era um exército de sombras, de fantasmas, gente que não fazia
a mínima ideia do que se estava a passar .
Os angolanos de raça,
Como não tinham os seus parentes e amigos envolvidos nesta matança,
nem sequer se dignavam socorrer os feridos, nem enterrar os mortos de
uma guerra, a que de facto pareciam completamente alheios .
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segunda-feira, 10 de abril de 2017
A natureza da guerra .
Os primeiros soldados a ir para a guerra colonial ainda iam
de capacete metálico, bota cardada e agarrados às obsoletas
mausers, resquícios da Iª. Guerra Mundial, onde tínhamos
combatido há mais de meio século .
Era uma guerra feita com a tropa enterrada no chão, pesada,
molhada, escondida nos buracos e nas trincheiras, com a chu-
va a cobrir aqueles milhões de desgraçados, à fome e ao frio e
ao alcance de um qualquer tiro perdido, estropiados, gaseados,
em mais uma guerra sem sentido .
Os nossos generais levaram décadas a entender que esse tipo de
guerra já não se usava, tinham saudades da guerra de posições,
uma guerra de defensiva, gerida por tiros de artilharia pesada,
feita por pequenos avanços e recuos no terreno, uma guerra fixa,
feita para fazer rarear a carne para canhão .
Nada entenderam da guerra blitz, que os nazis levaram a cabo
em todo o Continente europeu e pelo mundo inteiro, usando a
rapidez de deslocação, num movimento rápido entontecedor, não
deixando oferecer qualquer defesa ou capacidade de resposta, tal
como viria a acontecera com a França, nas guerras da Indochina .
Os nossos soldados, nada aprenderam com os ousados generais
de opereta, nem ao menos um pouco de história e de geografia .
Chegado a África, moviam-se como baratas tontas, espezinhados
como formigas, sem qualquer objectivo, e sem qualquer rumo .
Foram trágicos, os primeiros tempos dessa guerra maluca .
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de capacete metálico, bota cardada e agarrados às obsoletas
mausers, resquícios da Iª. Guerra Mundial, onde tínhamos
combatido há mais de meio século .
Era uma guerra feita com a tropa enterrada no chão, pesada,
molhada, escondida nos buracos e nas trincheiras, com a chu-
va a cobrir aqueles milhões de desgraçados, à fome e ao frio e
ao alcance de um qualquer tiro perdido, estropiados, gaseados,
em mais uma guerra sem sentido .
Os nossos generais levaram décadas a entender que esse tipo de
guerra já não se usava, tinham saudades da guerra de posições,
uma guerra de defensiva, gerida por tiros de artilharia pesada,
feita por pequenos avanços e recuos no terreno, uma guerra fixa,
feita para fazer rarear a carne para canhão .
Nada entenderam da guerra blitz, que os nazis levaram a cabo
em todo o Continente europeu e pelo mundo inteiro, usando a
rapidez de deslocação, num movimento rápido entontecedor, não
deixando oferecer qualquer defesa ou capacidade de resposta, tal
como viria a acontecera com a França, nas guerras da Indochina .
Os nossos soldados, nada aprenderam com os ousados generais
de opereta, nem ao menos um pouco de história e de geografia .
Chegado a África, moviam-se como baratas tontas, espezinhados
como formigas, sem qualquer objectivo, e sem qualquer rumo .
Foram trágicos, os primeiros tempos dessa guerra maluca .
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