domingo, 14 de maio de 2017

A VIDA REAL .

FÁTIMA,

FADOS

E BOLA,

são as ilusões de um povo
que pede esmola .
.

O BENFICA É TETRA-CAMPEÃO .

Portugal está em maré de milagres .

Salvador ganhou o Festival da Eurovisão
(por uma enorme vantagem) .

E o Benfica é tetra campeão de futebol, 
pela 1ª. vez na história .

Ultimamente, nem tenho visto os jogos do Campeonato Nacio-
nal, por falta de um interesse profundo que tinha noutros tem-
pos e também porque evitava emoções fortes .

Até desisti de assinar os canais de desporto .

Ia ver os logos mais importantes, aos bocados, nos cafés das Docas
Secas, sempre cheios e bem regados, quando jogava o Benfica e o 
Sporting .

Mas hoje, acordei com uma grande fèzada ( pois que de é de fé que 
se trata, quando se quer que o nosso clube ganhe mesmo e jogue 
bem) .

Quando cheguei ao café, a ver o jogo em pé, ainda vi o primeiro golo,
e logo a seguir o segundo .
Fui escolher outro café, e logo me ofereceram um bom lugar para 
ver o espectáculo .

Sempre fui muito severo para com o Benfica, o meu clube de toda a 
vida .
Fiquei extasiado, nunca tinha visto jogar desta maneira, foram 5, como
poderiam ter sido 10 ou 15 .

Assim, só o Barcelona, nos seus melhores tempos .

Pedro, se puderes, vê se consegues assistir  este 
jogo do Benfica, numa televisão perto de ti .

Beijinhos .
.

sábado, 13 de maio de 2017

O CARREIRO DE DEUS .

A formiga no carreiro
Vinha em sentido contrário
Caiu à rua caiu à rua
Em cima de um septuagenário

Lerpou trepou às tábuas
Que flutuavam nas águas
Virou-se para o formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro 

... e ao sétimo dia 
Deus criou o Homem
(e num gesto magnânimo,
acrescentou-lhe também a mulher ) . 

Será que as formigas também são criaturas de Deus ?.
Ou não .

Qual é o mistério, a punção biológica, que leva aqueles
insectos, a cumprir simplesmente o seu destino, sem pe-
cado, sem bulhas, perfeitamente organizados e discipli-
nados, sem greves, numa sociedade extraordinariamen-
te quase perfeita, em que todos os indivíduos se ajudam
e completam uns aos outros .

Será que há dedo de Deus neste negócio .

Claro que existe uma diferença abissal  :

Os homens, ao contrário das formigas, são livres de fazer
o bem ou o mal, isso é lá com eles, só que depois sofrem as
consequências dos seus impulsos .

Têm, por isso, uma enorme vantagem ...
.




sexta-feira, 12 de maio de 2017

O MILAGRE .

Como eu gostava de acreditar 
em milagres ...

Talvez o meu filho se tivesse safado do cancro assassino 
que o derrubou .

Talvez que se houvesse Deus, talvez Ele se tivesse apieda-
do do sofrimento inaudito  por que passou, e O tivesse pou-
pado dos horrores vividos durante o inferno da doença te-
naz, dando-Lhe algumas tréguas, por momentos .

Não seria preciso um grande milagre, talvez uma pequena
ajuda que O tivesse livrado, por mais algum tempo e Lhe
concedesse algum alívio a prazo, que Lhe minorasse o cor-
po e o espírito .

Ai, se houvesse milagres .

O Mário Pedro era uma daquelas pessoas que merecia um
pequeno adiantamento, de modo a poder acabar algumas 
das importantes tarefas que tinha entre mãos, uma pequena 
bolsa de tempo, não era preciso pedir muito, bastavam-lhe 
alguns créditos, para acabar a sua obra .

Como seria bom beneficiar de um Milagrezito, que pudesse 
alongar algum tempo de felicidade e de bem estar, cá na ter-
ra, mesmo que tivesse que pagar, e com juros elevados, para
saldar a sua dívida  no Além .

Ai, se houvesse milagres ...
.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O PAPA FRANCISCO .

Nada me move, nem nunca moveu , contra a religião, antes pelo 
contrário, mantenho um certo distancionamento respeitoso acerca
das questões religiosas, ao invés de outros temas ideológicos ou
programáticos, em que me posiciono com alguma rigidez militan-
te, como no caso da política, por exemplo .

Nunca tive directamente ou assisti, durante a minha vida a qual-
quer problema referente ao credo, que nunca professei .
Sempre achei tratar-se de um não tema que não pertence às minhas
preocupações ou áreas da minha intervenção ..

Sou pois um agnóstico puro e duro, que tenta 
viver de acordo com toda a gente, e respeitar 
as ideias de cada um .

Acho, isso sim, que por vezes me são impostas por terceiros, alguns 
constrangimentos, de uma maneira abrupta e atentatórios da minha 
liberdade de expressão . 

Mas até isso eu relevo .

Não costumo intervir em disputas que envolvam os usos e costumes 
tradicionais, credos ou ideia que acabam por ser da inteira respon-
sabilidade meramente individual .

A visita do Papa Francisco não me aquece, 
nem arrefece .

Contudo, não deixa de parecer um tanto abusiva, a histeria colectiva
manifestada em todo este importante acontecimento, como se não hou-
vesse mais nenhum tema de relevo, a realçar nos nossos media comple-
tamente dominados pelo pensamento único .
.

O RALLY PAPER .

Quantidade versus Qualidade .

Será que os putos estão, hoje em dia, mais bem preparados
para a vida, do que há umas décadas atrás .

Boa pergunta .

O salto tecnológico e e educacional foi tão fantástico, que 
vivemos hoje num outro paradigma completamente diferente .
Nem sei mesmo se devo formular tal preposição .

Mas, por vezes, questiono-me .

Não é da vida material que estou a falar .

Falo  daquilo que vai na cabeça das crianças, e, em especial, da
organização mental da rapaziada adolescente, habituada a ter 
tudo, a usar tudo, mas que não consegue realizar de onde vêm 
os ovos, muito menos, como estrelá-los .


Hoje em dia, já não chega tirar um curso superior, nem mesmo 
um bacharelato, quiçá um doutoramento, para acabarem agarra-
dos a uma caixa registadora de um qualquer supermercado, ou a
distribuir pizzas ao domicilio .

Convenhamos que é um desperdício imenso, mas a questão é sa-
ber se os nossos jovens vivem felizes com tal situação, e porque se
não revoltam .

Muitos emigram, é uma solução . 

A mais fácil e mais óbvia .

Algo está errado no nosso reino, á beira mar 
plantado .


Ontem, de manhã, fiquei a observar a movimentação das crianças 
e respectivos progenitores, à chegada para a escola, levando-as até
á boca do lobo, carregando as malas dos livros de estudo, e os em-
brulhos das refeições .

De tarde, tudo se repete, mas em sentido contrário .
Depois têm ainda resmas de trabalhos de casa, em regra participa-
dos pela família inteira .

Quando e onde é que os putos jogam à bola ?.

Se é que ainda sabem o que isso é ?.
.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

SOLITUDE .

Quando vieram prender os ciganos, nem liguei, 
eu não era cigano .

Quando prenderam os homossexuais, nem dei por isso,
não era gay .

Quando apanharam os comunistas, 
ouvi dizer, mas não fiquei assustado .

Levaram os católicos, 
nem sequer tive conhecimento .

Quando agarraram os sociais 
democratas, achei estranho,
mas como não era nada comigo, 
deixei andar .

Levaram à força os liberais, 
estranhei e fiquei preocupado .

Quando me vieram buscar, 
já não havia ninguém 
para pedir ajuda ...
.






A GRANDEZA DA FRANÇA .

Viver à grande e à francesa .

O Complexo de Napoleão .

Entalada entre a Inglaterra, a Alemanha, a Espanha, a Itália,
a Holanda, a Dinamarca e Portugal, 
a França viveu sempre o sonho de uma potência marítima, sem
nunca se poder afirmar como tal .

Permanece para mim um mistério , como foi possível que 
Luis XVI, monarca absoluto durante décadas, conseguir amea-
lhar tanta riqueza e poder, e fazer da França o reino das luzes,
tornando o país, o centro de gravidade do mundo moderno .

O mundo do conhecimento e das artes .


Não foi a trabalhar, certamente ...

Mas foi através do poderio dos exércitos, com grandes chefes à-
cabeça, que Napoleão se transformou  no expoente máximo da 
civilização, e atingiu o auge do seu poderio militar, económico, 
social e financeiro, tendo dominado quase toda a Europa (toda 
não, porque um pequeno país, junto ao Mar Atlântico, correu 
com os franceses à pedrada) .

Os franceses bem tentaram impor o seu Império, mas sem o con-
seguirem . Ficavam com os restos e as migalhas dos outros gran-
des, que jogavam na 1ª. Liga da roubalheira, do esbulho e do cri-
me organizado .

Mesmo assim, abocanhariam  Marrocos,  a Argélia, Marrocos, 
o Líbano, a Tunísia, Madagáscar, e imensos pedacinhos de terra, 
espalhados um pouco por todo o mundo, e estrategicamente plan-
tados nos 4 Continentes.

Mas, a França, sempre foi sol de pouca dura .
.





terça-feira, 9 de maio de 2017

O GALINHEIRO .

Nunca se devem pôr todos os ovos
no mesmo cesto do galinheiro .

Pode acontecer até que o cuco se tenha antecipado
e posto todos os seus ovos nesse mesmo cesto .

Que isto de ovos, percebo eu .
.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Dei-te quase tudo .

Foste entrando sem pedires
E marcaste os teus sinais
Tatuaste a minha vida
Ferro e fogo e muito mais
Vasculhaste os meus sinais
E eu deixei
Sem reservas nem pudor

Invadiste os meus sinais
O que não fiz por amor
E deixaste a minha vida
Meio perdida
Neste beco sem saída

Dei-te quase tudo
E quase tudo foi demais
Dei-te quase tudo
Leva agora os meus sinais

Obrigaste a quebrar
Todas as regras
E deixaste-me ao sabor
Na loucura
Dei-te os dedos e os anéis
E o que tinha de melhor

Dei-te quase tudo
E quase tudo foi demais
Dei-te quase tudo
Leva agora os teus sinais

Paulo Gonzo 

.

A ÚLTIMA VEZ QUE VI PARIS .

Paris tornou-se uma referência vital na minha vida .
O mundo, naquele tempo , era muito menos anglo--saxónico . 
Usava  a chamada língua técnica, por oposição da língua das 
humanidades, da Arte e da Cultura, até mesmo da Ciência e da
Literatura .
Foi nesse caldo que a vida me abriu novos horizontes .
Lia livros proibidos na Livraria Barata, perseguida pela Pide, e
algumas obras passaram a ser-me vendidas em segredo, por baixo
do balcão, privilégio só dado a pessoas amigas e conhecidas .

Depois, quando comecei a viajar, um pouco por toda a Europa, 
era em Paris que descansava o meu espírito .

Lembro-me da 1ª. vez que visitei o Museu 
do Louvre .

Lá estava quase inteiro, o meu mundo, A Mona Lisa e todos os
Impressionistas, Chagall, Os Nenúfares, de Monet, o Jogador,
de Cezanne, Manet, Pissarro, Rodin, Picasso, as Montanhas, 
as Loucuras e os Girassóis de Van Gogh, com a orelha cortada,
numa noite de bebedeira, 
Poussin, Rousseau, Gauguin, e tantos, e tantos outros, que a mem-
ória já vai deixando para trás .

 Tinha chegado ao Paraíso ...

Tinha visto vezes sem conta, a exposição sobre os cem anos
da Pintura Moderna, na Sociedade Nacional de Belas Artes,
que foi então o meu portal de entrada para a Pintura, revisi-
tado sempre que ia à Cidade das Luzes .

Depois chegou o Centro George Pompidou,
e mais tarde ainda, o Museu d/Orsay , que com o Louvre, 
formavam uma tríade maravilhosa, que alimentou o meu Ego 
para todo o sempre .

Foi esse o grande legado entregue nas mãos 
da Humanidade . 

Espero, sinceramente, que tal legado permaneça inamovível, para
todo o sempre .
.


domingo, 7 de maio de 2017

VIVE LA FRANCE .

Como eu amava a França .

No meu colégio, andava no meu 4º. ano do liceu, eu, que era
um falso aluno bem comportado, mas um grande malandro, 
atento e cumpridosrdos meus deveres escolares, mas danado 
para a brincadeira,um adas minhas professoras, a D. Edite, 
chamava-me

Placide, le père tranquile, 

alusão a uma das belas páginas do livro de da disciplina de
Francês .

Sempre gostei da História e da língua de Molière e dos seus
heróis .

A primeira vez que vi Paris, foi um deslumbramento, a concre-
tização de um sonho antigo .

Habituado à Cidade das Sete Colinas,

fiquei completamente embasbacado quando vi  o Arco do Tri-
unfo, com doze boulevards irradiando por toda a cidade, dividi-
da por uma gigantesca avenida, que ia da Bastilha, até ao Gran-
de Arco da Défense . 

E depois, ver a Torre Eiffel, deixou-me uma imagem imortal .
Ir a Paris, e não ver a Grande Torre, era como ir a Roma e não
ver o Papa .

Quando me estava a preparar para o estágio profissional a que
estava obrigado, o meu chefe, o mausão Engº Diógenes Palha, 
bem que me avisou :

" Ó Garcia, tenha muito cuidado com esses tipos .
   Olhe que, para eles, todas as pessoas importantes, qualquer que
   seja a sua origem, são todas francesas .
   Cristo era Francês,
   Marx era Francês, 
   Freud era francêsm
   e assim por diante ".

"Não se deixe impressionar, mas concorde sempre com essa corja" .

Como dominava bem a língua, esse estágio foi um belo passeio para
mim, e aprendi muito, do ponto de vista técnico, social e fundamen-
talmente do ponto de vista intelectual e artístico .

Pois não era Paris ainda 

A CIDADE DAS LUZES .

Era a primeira urbe que eu conhecera, mas nenhuma outra superou
tantas espectativas e tantas esperanças, pois era como se eu já tivesse
vivido em Paris, desde sempre .

Cada monumento, cada rua, cada estátua, faziam ressoar em mim, to-
da a glória que eu já havia vivido nos livros .

Era um autêntico filme contínuo, e a côres, que estava no meu espírito,
desde há muitos tempo .
.


sábado, 6 de maio de 2017

A DERRADEIRA VIAGEM .

Vinham de noite, no barco da África, os caixotes com os
mortos caídos naquela guerra infernal .
Vinham devidamente escondidos, para não criar alarme 
social, para não dar nas vistas .
Às vezes nem as famílias sabiam dessa última viagem .

Não se sabe para onde os levavam, quem os acompanhava,
o enterro era segredo de Estado, as notícias não vinham nos
jornais .

Era a vergonha da Morte .

Os mais informados sabiam coisas que ouviam , mas  que não 
era possível contar .

Era norma na tropa, nunca filmar partidas de soldados para 
o Ultramar, proibidas as festas e os jantares no seio do Exér-
cito, podia comemorar--se a alegria do regresso das nossas
tropas .

Mas soldados mortos, nunca .

E que dizer dos feridos, dos estropiados, dos decepados.
Deslocavam-se nas suas cadeiras de rodas, em silêncio, à volta
dos hospitais militares, vários espalhados pela cidade de Lisboa,
e muitos outros nos hospitais da Província .
Povoavam a zona do Largo da Estrela, e nas imediações da Rua
Artilharia 1, 

Onde iam, o que faziam, como eram tratados, qual o seu destino,
era negócio das famílias atingidas .

E havia os mortos-vivos, em regra encaminhados para o Hospital
da Boa Hora, para os lados da Ajuda .

Guerra escondida, com cadáver à mostra .

Muitos militares iam para a Alemanha, tratar de  se adaptar às
próteses, que viessem devolver alguma dignidade aos nossos he-
róis .

Outros ficavam por cá, ao Deus dará .

Outros ainda viviam escondidos, até da própria família e dos ami-
gos .

Uma legião de soldados, na altura tratados como maluquinhos (só
mais tarde havia sido criado o paradigma do trauma de stress de
pós guerra), que colheu de surpresa muitos milhares de pessoas, 
saudáveis por fora, mas gravemente feridos por dentro, muitos sem 
nunca terem sabido qual a doença de que padeciam . 

Como classificar e contabilizar os horrores de uma guerra selva-
gem, idiota e sem qualquer sentido .

Já é tempo de falar verdade  aos portugueses, e honrar devidamen-
te todos os que, directa ou indirectamente, voluntários ou arrebanha-
dos à força, foram sacrificados nesta carnificina, em ple-
no Sec. XX .

A hipocrisia humana, não conhece limites .
.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A GERAÇÃO TRAÍDA .

Ninguém sabe ao certo, o número de baixas resultantes de
quatorze anos de guerra em África, entre mortos, feridos, 
estropiados e muitos mais que ficaram definitivamente mar-
cados pelo stress traumático de guerra .

Mais as centenas de milhares de pessoas arrancadas ao re-
manso do lar e das famílias, gente afastada para longe, lares
desfeitos ou desajustados, um povo errante devido à guerra, 
a que se juntavam muitos mais, que partiam em busca de me-
lhores condições de vida, que nunca almejariam neste pobre
país .

Uma geração completamente destruída e traída, em que o te-
cido foi completamente estraçalhado para sempre .

E, no entretanto ...

Afinal, quem foram na realidade, 
os verdadeiros espoliados,
nesta tragédia nacional ?...

Com algumas dificuldades, que os de cá conseguiram colmatar
em parte, acabaram todos por voltar, conseguindo absorver cer-
ca de dez por cento da população portuguesa .

Sim, esse foi um verdadeiro milagre de Fátima .
.


OS BATANETES .

O Batanete é bom .
O Batanete é bom .

O Pato Donald é bom .
O Trump é bom .
A esposa e as filhas do Trump são muito boas .
O Clinton é bom .
O Maduro está podre, não é bom .
A Hilary é assim, assim .
O Cameron é bom .
O Assad não é nada bom .
O Fillon é bom.
O  Melanchon é bom .
O Macron é bom .

A Marine é do pior .

O Batanete é bom .
O Batanete é bom .

O Kim é péssimo .
A Tereza May deve ser boa .

O Holandês que tem um nome do tamanho de um combóio,
e as letras todas do alfabeto,
é muito bom .

O Castro não é bom .

Boa é aquela cena em que a realeza americana desliza suave-
mente, atravessando o pano de boca do circo da Casa Branca,
como se fosse um presépio .

O Rajoy é bom .
O Homem Aranha é bom .

A Rainha de Inglaterra é o máximo .

O Pego é todo bom.
A Pega é toda boa .

O Batanete é bom .
O Batanete é bom .

O Putin é o maior .
O Capitão América é óptimo .
Os Buches sáo uma delícia .
O Peru estava muito bom .
O churrasco também .

Marx morreu,
Freud também,
e até já eu, não me sinto nada bem ...
.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

OS DESPOJOS DE GUERRA .

As almas sensíveis
não gostam de matar galinhas,
mas adoram comê-las .

Longe da vista, longe do coração .

Durante os 14 anos de Guerra Colonial, guerra quente e bem quente,
vivemos o dia a dia de uma catástrofe engendrada pelos nossos falsos
patriotas de pacotilha . Gente sem escrúpulos, onde imperava a igno-
rância casada com o amor ao dinheiro e com a ganância desmedida, de
uns quantos, à custa de tantos outros .

Para esses parasitas, a guerra era o café e o cacau, o ouro e os diaman-
tes, os minérios e as outra matérias primas, a troco de panos e bugigan-
gas e vinho estragado .

Era o negócio, o açambarcamento das riquezas de um quase continente,
teritório rico em tudo, menos na massa cinzenta dos nossos governantes .

Não é possível contabilizar os despojos desta guerra madrasta, sem ter
em linha de conta, os quinhentos anos de cobiça e de rapina, de tráfico
desbragado de escravos, espalhados pelos 5 continentes, como força de
trabalho, boa e barata, ao dispor de um bando de colonos assassinos, 
ávidos de sangue e de benesses .

Sei que é feio falar dessas coisas, que parecem retiradas do contexto da 
História, mas gravadas no sangue e no sofrimento de milhões de homens,
mulheres e crianças, cujo único pecado, foi terem uma cor diferente dos
belos caucasianos, loiros e morenos, bem educados e bem prendados, que
tinham adquirido o privilégio de matar vilanagem, para espalhar a fé
cristã .

Foi esse o principal despojo que os portugueses 
trouxeram de África .

Outros se seguiram .

Já que estamos numa de Fátima,
quando é que o Papa Francisco arranja alguns 
minutos, para rogar por nós, perdão pelas malfei-
torias cometidas em nome desta gente tão temente 
a Deus, durante os séculos de colonização e evangi-
lização da África Portuguesa .
.




quarta-feira, 3 de maio de 2017

Ainda a Descolonização .

Texto da autoria de 
Mário Pedro Garcia .


Decidimos publicar um texto escrito pelo Mário Garcia no blog Martinho da Arcada, em 1 de Julho, de 2007.
Esse texto aborda o problema da integração dos chamados retornados das antigas colónias portuguesas.
A coragem, a clarividência e o amor à verdade que são evidenciados pelo tema, justificam tal publicação, dado persistirem ainda, na nossa sociedade, certas ideias feitas, mitos e preconceitos, difíceis de apagar.

Retornar a História
Numa altura em que o Estado Alemão está a concluir o pagamento de indemnizações aos ex-presos políticos do regime comunista da antiga RDA, o Herald Tribune de 15 de Junho relata a história de um grupo de mulheres alemãs excluídas deste processo apenas por terem estado no sítio errado e na hora errada.
Aquando da ofensiva final do exército vermelho em direcção a Berlim, na Primavera de 1945, estas cerca 20.000 jovens adolescentes viviam no Reich Alemão a leste do rio Oder, que no pós-guerra passou a ser território polaco.
Ao terem sido feitas prisioneiras de guerra, iniciaram a sua epopeia de sofrimento sendo levadas para campos de trabalho na Sibéria. Cerca de 4 anos depois as sobreviventes, menos de um terço, foram realocadas na RDA, proibidas de comentar o seu passado, aliás negado oficialmente.
Depois da reunificação, e com a ascenção ao poder de Angela Merkel, ela própria oriunda da Alemanha de Leste, criaram-se as condições para a sociedade alemã curar estas ‘pequenas feridas’. Mas hoje, seis décadas depois, continua a não existir qualquer registo oficial destas prisioneiras de guerra."We are Germany's forgotten wartime prisoners". "The issue is not the money as such, (…) it is about respect and recognition. We suffered in the labor camps. We were prisoners. Yet the German government has never recognized that fact.
"Paralelamente, leio no Courrier Internacional (8 de Junho) um artigo publicado no El Periódico de Catalunha intitulado «Um Milhão de Espolidos Esquecidos - Os portugueses que deixaram África ‘com uma mão à frente e outra atrás’ ainda não foram indemnizados pela descolonização».
Os denominados ‘Retornados’ «há 32 anos que reclamam do Governo Português uma indemnização por tudo o que perderam após a independência das províncias do ultramar».
Reconhecem que ‘os culpados’ foram os interesses internacionais. «Em plena guerra fria, os Estados Unidos, a Rússia, Cuba e a China estavam interessados no petróleo de Angola e no controlo da África Austral.» Mas acusam o Governo português de nada ter feito na defesa dos seus interesses.
A descolonização ainda hoje não é um tema pacífico em Portugal, pois muitos dos directamente envolvidos em todo o processo continuam vivos.E julgo que não vale a pena esgrimir argumentos sobre o momento histórico em que, em consequência da queda do Estado Novo, Portugal promoveu o acolhimento e integração na ‘metrópole’ de cerca de 1 milhão de retornados (10% da população). É um assunto que continuará a incendeiar velhas memórias, paixões e ódios antigos.
Contudo, parece que existem mais de dois mil processos de indemnização contra o Estado Português.
Estas indemnizações, no momento presente, significa que os cidadãos não envolvidos nestes processos deverão indemnizar os seus concidadões .
Ora eu questiono: De quê e porquê?
O Estado Português, que se saiba, não é acusado de ter ficado com o património dos lesados (ao contrário das nacionalizações). Não deveriam processar os respectivos PALOPs?
E não defendeu o Estado Português os interesses dos colonos portugueses?
O que foram os 13 anos de Guerra Colonial?
Nunca terá ocorrido aos colonos portugueses que a guerra poderia ‘dar para o torto’?
E não criou o Estado Novo condições de excepção para os portugueses no Ultramar?
Não beneficiaram de actividades económicas protegidas?Não era até necessário uma ‘carta de chamada’ para iniciar uma aventura africana?

À semelhança do caso das cidadãs alemãs, sou obrigado a lembrar-me também aqui dos ‘esquecidos’ desta nossa história.
A começar por todos aqueles que foram obrigados a sair de Portugal, durante décadas, ‘com uma mão à frente e outra atrás’, por não terem o que comer. Na altura em que se dizia não haver racismo entre nós pois vivia tão mal o preto em Àfrica como o branco em Portugal.
Quantos não sairam do País, até clandestinamente, porque esse mesmo Estado Português não ter sido capaz de criar as condições básicas de sobrevivência por cá?
E os caso dos presos políticos do Antigo Regime, torturados, exilados, discriminados, assassinados?
E os soldados que foram parar à Guerra?
Deverão também, todos eles, processar o Estado Português?
Segundo se depreende do referido artigo, aparentemente não podem.
Isto porque, os processos em causa envolvem a avaliação de ‘bens que tiveram de deixar para trás’, ‘propriedades’, ‘peritagens’.

Como cidadão português, já em pleno século XXI, considero não ter nenhuma dívida monetária com os ‘retornados’, palavra do passado, pois todos aqueles que eu conheço que regressaram do Ultramar, na minha família, entre os meus amigos, ou na vida pública em geral, são tão portugueses como eu. Longe vão os tempos dos portugueses de 1ª e de 2ª.
Ou talvez não...

posted by Mario Garcia @ 02:25 0 comments link

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A DESCOLONIZAÇÃO .

40 Anos, o período de nojo .

Costuma ser este tempo, aquele que é guardado para manter
a História fixada na memória, guardando reserva de factos e 
acontecimentos susceptíveis de gerar controvérsia, em especi-
al quando eles ainda estão relacionados com os protagonistas 
históricos, muitos deles ainda vivos .

O tema é, ainda hoje, considerado tabu, mas é tempo de aquele
períoda da nossa história, começar a ser abordado de maneira 
desapaixonada, e seja estudado de uma maneira sistematica-
mente e sem alibis, por quem de direito .

Guardo pessoalmente memória dos relatos feitos nessa altura, 
relatos vividos e contados a quente, envolvendo familiares e ami--
gos, sobre um tema completamente transversal, que apanhou ge-
rações inteiras, e que varreu a sociedade portuguesa, numa ver-
dadeira tempestade tropical, de intensidade importante, mas lon-
ge dos dramas e problemas sofridos no decurso de outras desco-
lonizações, ocorridas por exemplo, em países como a França , a 
Bélgica, a Inglaterra ou a Espanha .

Mas não poderei calar as razões evocadas por ambos os lados de 
um assunto, envolvendo ainda zonas de ódio, entre os que partir-
am para longe, os que ficaram eos que foram obrigados a regres-
sar .

Uns e outros, e todos, têm as suas razões cravadas fundo, mas pen-
so que todos, a seu jeito, têm razões de sobra, para se sentirem or-
gulhosos da Epopeia da Descolonização Portuguesa, vivida com 
sofrimento, mas sem qualquer derramamento de sangue .

Muitas feridas foram abertas, mas a grande maioria delas já se
encontra sarada .
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terça-feira, 2 de maio de 2017

CONTRADIÇÕES .

E se todo o mundo é composto de mudança,
troquemos-lhe as voltas, que ainda a vida é 
uma criança .

A vida é um permanente equilíbrio entre aquilo que desejamos
e aquilo que deveras somos . 

É o denominador comum entre o que sentimos pelos outros, e o 
que os outros sentem por nós .

Um compromisso quase sempre irrealizável .

Vivemos no fio da navalha, na fronteira entre o sonho e a fanta-
sia com o mundo real .

Por detrás do manto diáfono da fantasia, esconde-se a rude cru-
eza da realidade .

Como é difícil e perigoso viver .
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segunda-feira, 1 de maio de 2017

MENINO DE OIRO .

O meu menino é de oiro
É de oiro fino
Não façam caso que é pequenino
O meu menino é de oiro
De oiro fagueiro
Hei-de levá-lo no meu veleiro 

Venham as aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do menino do meu menino
Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó

Quantos sonhos ligeiros
Pra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
quero ir contigo
Menino de oiro sou teu amigo

Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino nasceu pra amar
Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó

O meu menino é de oiro
É de oiro fino
É de oiro o meu menino
O meu menino o meu menino

José Afonso

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