Salazar :
Se eu ganhar as eleições,
demito-o imediatamente .
O meu pai tinha-me avisado paranão ir para os lados do
Pelourinho, pois a Pide tinha instalado metralhadoras
na Câmara Municipal e no Montalto .
A malta tinha feito greve, até muitos professores que
eram do Revilhalho, acudiram ao centro da Cidade pa-
ra ver o Comício .
Humberto Delgado havia pertencido à situação, dele di-
vergindo fortemente, pois Salazar era como um eucali-
pto, secava tudo à sua volta .
Ficamos no pátio da Escola a ver os carros a passar,
vindos do Fundão. A bicha dos caros via-se do Souto Alto,
a meio caminho para a Covilhã .
E nunca mais parava .
Foi aí que acabou a farsa da eleições .
O ditador acabou com elas, pura e simplesmente .
A seguir às eleições de 58, seguiu-se uma onda de violência
a todos os níveis, com prisões e torturas, e com o sanea-
mento de centenas ou milhares de pessoas, presumíveis
adversários do salazarismo .
Não me falem da Venezuela, por favor ...
Tivemos por cá,
e não foi há muito tempo, muitas palhaçadas destas .
Em vez de andarem para aí a brincar ás democracias, melhor
faziam que recordassem os nossos problemas nacionais, e de-
les soubessem tirar as lições do passado .
Que diabo, custava tão pouco .
.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
domingo, 30 de julho de 2017
Uma questão de Vocação .
A mesma água nunca passa duas vezes
por baixo da mesma ponte .
Talvez que até pudesse ter sido um reputado artista musical,
sabe-se lá ...
... Mas a minha vida não me deixou .
Oriundo de famílias com forte formação musical, quer do la-
do do meu Pai, quer do lado da minha Mãe, tudo parecia en-
caminha-se para vir a atacar um instrumento .
Jeito e aptidões não me faltavam .
O meu Pai, com 10 anos, era já o primeiro clarinete na banda
de Seia.
Das cinco raparigas, num rancho de sete filhos, que o meu avô
Miranda teve do seu terceiro casamento, todas elas cantavam
Côro da Igreja Matriz, onde a minha Mãe era a solista principal .
Mas a música, para lá do talento pessoal, requer outras atribui-
ções, como treino, disciplina, técnica , dedicação e muitas outras,
se se pretende atingir um grau de performance superior .
Ora eu possuía tudo isso, mas em sentido contrário .
Nunca poderia pois, vir a ser músico .
O meu destino poderia muito bem ser o desenho ou a pintura, mas
afinal também não viria a ser concretizado .
A minha natureza rebelde, individualista, quase anarquista eram
mais a jeito das artes plásticas, mas também isso se esboroou nas
núvens da fantasia .
.
por baixo da mesma ponte .
Talvez que até pudesse ter sido um reputado artista musical,
sabe-se lá ...
... Mas a minha vida não me deixou .
Oriundo de famílias com forte formação musical, quer do la-
do do meu Pai, quer do lado da minha Mãe, tudo parecia en-
caminha-se para vir a atacar um instrumento .
Jeito e aptidões não me faltavam .
O meu Pai, com 10 anos, era já o primeiro clarinete na banda
de Seia.
Das cinco raparigas, num rancho de sete filhos, que o meu avô
Miranda teve do seu terceiro casamento, todas elas cantavam
Côro da Igreja Matriz, onde a minha Mãe era a solista principal .
Mas a música, para lá do talento pessoal, requer outras atribui-
ções, como treino, disciplina, técnica , dedicação e muitas outras,
se se pretende atingir um grau de performance superior .
Ora eu possuía tudo isso, mas em sentido contrário .
Nunca poderia pois, vir a ser músico .
O meu destino poderia muito bem ser o desenho ou a pintura, mas
afinal também não viria a ser concretizado .
A minha natureza rebelde, individualista, quase anarquista eram
mais a jeito das artes plásticas, mas também isso se esboroou nas
núvens da fantasia .
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sábado, 29 de julho de 2017
A ARTE E AS CRIANÇAS .
Num museu onde estavam expostos alguns trabalhos
de Picasso, um deles representava um tela em branco .
Questionado o pintor, uma das crianças presentes per
guntou-lhe o significado do quadro :
- É uma vaca a comer erva
- Mas eu não vejo, nem a vaca, nem a erva ?
- É simples, disse o artista,
a vaca comeu a erva toda, e depois de a comer, foi-se
embora ...
.
Uma história parecida é atribuída a Salvador Dali,
mostra-se uma tela gigante, apenas com um traço e
um ponto .
Perguntavam as pessoas o que é que isso queira dizer .
E diz o Vate :
Muito simples,
O Ponto é o Tótó,
o traço é a Sofia Loren .
.
Parecem conversas parvas, mas não tanto como se pode pensar .
A grande maioria das obras de arte não têm nada para contar, à
excepção das telas de cariz nitidamente figurativo, e mesmo essas
quase sempre carregadas de complexo simbolismo .
Muitos artistas preferem dar um título parvo aos seus trabalhos,
ou pura e simplesmente numerá-las por uma ordem lógica ou com-
pletamente arbitrária .
São uns brincalhões,
estes artistas .
.
de Picasso, um deles representava um tela em branco .
Questionado o pintor, uma das crianças presentes per
guntou-lhe o significado do quadro :
- É uma vaca a comer erva
- Mas eu não vejo, nem a vaca, nem a erva ?
- É simples, disse o artista,
a vaca comeu a erva toda, e depois de a comer, foi-se
embora ...
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Uma história parecida é atribuída a Salvador Dali,
mostra-se uma tela gigante, apenas com um traço e
um ponto .
Perguntavam as pessoas o que é que isso queira dizer .
E diz o Vate :
Muito simples,
O Ponto é o Tótó,
o traço é a Sofia Loren .
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Parecem conversas parvas, mas não tanto como se pode pensar .
A grande maioria das obras de arte não têm nada para contar, à
excepção das telas de cariz nitidamente figurativo, e mesmo essas
quase sempre carregadas de complexo simbolismo .
Muitos artistas preferem dar um título parvo aos seus trabalhos,
ou pura e simplesmente numerá-las por uma ordem lógica ou com-
pletamente arbitrária .
São uns brincalhões,
estes artistas .
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A CENTRAL A BIOMASSA A CÉU ABERTO .
Os governantes são burros, não aprendem as lições e não
fazem os trabalhos de casa .
Não sei, ninguém sabe, se a central a biomassa, em Mortá-
gua, se a memória me não falha, mas era preciso semear
uma dúzia dessas centrais, pelo pinhal interior adentro .
É que o barato, às vezes sai tragicamente caro de mais .
Só existem ecologistas para se ocupar de problemas de
lana caprina .
Para ajudar a lutar contra as graves questões ambientais
que assolam o nosso País, assobiam para o lado, e fazem como
o Costa, tiram umas fèriazitas a preceito .
Portugal que se lixe ...
.
fazem os trabalhos de casa .
Não sei, ninguém sabe, se a central a biomassa, em Mortá-
gua, se a memória me não falha, mas era preciso semear
uma dúzia dessas centrais, pelo pinhal interior adentro .
É que o barato, às vezes sai tragicamente caro de mais .
Só existem ecologistas para se ocupar de problemas de
lana caprina .
Para ajudar a lutar contra as graves questões ambientais
que assolam o nosso País, assobiam para o lado, e fazem como
o Costa, tiram umas fèriazitas a preceito .
Portugal que se lixe ...
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sexta-feira, 28 de julho de 2017
O ANNUS HORRIBILIS DO COSTA .
Que mais me irá acontecer,
O que vai ser de mim .
Estava o Costa naquele remanso, pronto para limpar as
autárquicas, e quiçá já a sonhar com uma maioria absoluta,
eis quando o caldo se entornou .
Acontece até que o Costa já havia sido Ministro da Adminis-
tração Interna, e portanto, deveria saber da poda .
Foi aí que cometeu o primeiro pecado
mortal,
ao ter esquecido que em Portugal, existe uma coisa que não
é levada muito a sério, mas de uma importância vital para o
nosso País, que é a chatice dos fogos florestais .
Mas que grande chatice ...
E logo ele, que até tinha já marcado as férias para aquela al-
tura .
E pior, nem chegou a aperceber-se da gravidade da situação,
como se não estivesse mesmo a ver, a tormenta que se apro-
ximava .
Foi a banhos e deixou a amiga Constança de serviço .
Só que os fogos não são brincadeiras de meninas, mas partidas
puras e duras para homens de barba rija .
Para quê deixar uma senhora, por mais respeitável que seja,
e mesmo que seja da mais alta competência, brincar às casinhas,
sem nunca ter treinado convenientemente um jogo tão arriscado .
E foi esse o segundo pecado mortal
do Costa .
.
O que vai ser de mim .
Estava o Costa naquele remanso, pronto para limpar as
autárquicas, e quiçá já a sonhar com uma maioria absoluta,
eis quando o caldo se entornou .
Acontece até que o Costa já havia sido Ministro da Adminis-
tração Interna, e portanto, deveria saber da poda .
Foi aí que cometeu o primeiro pecado
mortal,
ao ter esquecido que em Portugal, existe uma coisa que não
é levada muito a sério, mas de uma importância vital para o
nosso País, que é a chatice dos fogos florestais .
Mas que grande chatice ...
E logo ele, que até tinha já marcado as férias para aquela al-
tura .
E pior, nem chegou a aperceber-se da gravidade da situação,
como se não estivesse mesmo a ver, a tormenta que se apro-
ximava .
Foi a banhos e deixou a amiga Constança de serviço .
Só que os fogos não são brincadeiras de meninas, mas partidas
puras e duras para homens de barba rija .
Para quê deixar uma senhora, por mais respeitável que seja,
e mesmo que seja da mais alta competência, brincar às casinhas,
sem nunca ter treinado convenientemente um jogo tão arriscado .
E foi esse o segundo pecado mortal
do Costa .
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quinta-feira, 27 de julho de 2017
A GRANDE CALAMIDADE .
O País está virado de pernas para o ar .
Em vez de se ter começado pelos alicerces, tem-se
aprimorado nos acabamentos de luxo .
Um exemplo gritante diz respeito ao Sistema SIRESP, que
deve ria assentar numa rede sólida, exequível, robusta, utilizan-
do cabos fixos, enterrados no solo, ao abrigo das condições
atmosféricas, a salvo do calor do vento e do imprevisto alea-
tório e, não andar a passear-se ao acaso, como se se tratasse de
um verdadeiro catavento .
É evidente, que quando usado em condições adversas reais, me-
teorológicas, geológicas e florestais, entre outras, o sistema cola-
psou .
É o que se chama correr arás do prejuízo .
Quem desenhou o sistema, quem o aferiu, quem o testou, quem
o reviu, quem lhe acrescentou melhorias, quem lhe forneceu al-
ternativas ?!...
Acresce que parece que o equipamento não suporta condições ex-
tremas, como as que se verificaram este Verão .
O que acontece é que os fogos florestais e a sua previsão e comba-
te, não são feitos por gente formada à pressa, acreditando no acaso
e na sorte, mas sim gente fortemente experimentada e com a cabeça
fria .
A calamidade a que estamos a observar em directo, não surgiu por
geração, expontânea, mas é o somatório de décadas de erros e e teo-
rias e prácticas desgraçadamente multiplicados ad infinitum .
O resultado está à vista,
e a culpa continua a ficar solteira .
.
Em vez de se ter começado pelos alicerces, tem-se
aprimorado nos acabamentos de luxo .
Um exemplo gritante diz respeito ao Sistema SIRESP, que
deve ria assentar numa rede sólida, exequível, robusta, utilizan-
do cabos fixos, enterrados no solo, ao abrigo das condições
atmosféricas, a salvo do calor do vento e do imprevisto alea-
tório e, não andar a passear-se ao acaso, como se se tratasse de
um verdadeiro catavento .
É evidente, que quando usado em condições adversas reais, me-
teorológicas, geológicas e florestais, entre outras, o sistema cola-
psou .
É o que se chama correr arás do prejuízo .
Quem desenhou o sistema, quem o aferiu, quem o testou, quem
o reviu, quem lhe acrescentou melhorias, quem lhe forneceu al-
ternativas ?!...
Acresce que parece que o equipamento não suporta condições ex-
tremas, como as que se verificaram este Verão .
O que acontece é que os fogos florestais e a sua previsão e comba-
te, não são feitos por gente formada à pressa, acreditando no acaso
e na sorte, mas sim gente fortemente experimentada e com a cabeça
fria .
A calamidade a que estamos a observar em directo, não surgiu por
geração, expontânea, mas é o somatório de décadas de erros e e teo-
rias e prácticas desgraçadamente multiplicados ad infinitum .
O resultado está à vista,
e a culpa continua a ficar solteira .
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quarta-feira, 26 de julho de 2017
O FOGO JÁ CHEGOU À CIDADE .
O País está a arder .
Todo a arder. Sem descanso .
Quanto do PIB já foi comido durante
esta época balnear .
Ou será isso não não interessa aos tecnocratas e burocratas
deste país desgraçado ?.
Drama terrível, todos os anos renovado .
Gente em cinzas, cinzas que se confundem com as da floresta
martirizada, floresta transformada em pó negro .
Vem-me à ideia o pensamento do sociólogo brasileiro, que tra-
tou o Ciclo da Fome, JOSÉ de CASTRO, em que os homens de-
voravam os caranguejos, e estes acabavam por comer a vida
dos homens .
Tu és pó, e em pó te irás transformar .
É criminosa a contabilidade criminosa usada na exploração da
morte, da desgraça e da miséria, com que os cristãos do CDS,
vêm utilizando desrespeitosamente as pobres vítimas de uma ca-
lamidade que vem assolando a nossa terra .
Como é criminosa a ligeireza com que foi abordado o Projecto de
Le, acerca o Banco de Terras . É a favor da sacrossanta proprie-
dade privada . O que pode esta pureza ideológica, face à ganân-
cia do voto dito popular ...
Hipócritas .
.
Todo a arder. Sem descanso .
Quanto do PIB já foi comido durante
esta época balnear .
Ou será isso não não interessa aos tecnocratas e burocratas
deste país desgraçado ?.
Drama terrível, todos os anos renovado .
Gente em cinzas, cinzas que se confundem com as da floresta
martirizada, floresta transformada em pó negro .
Vem-me à ideia o pensamento do sociólogo brasileiro, que tra-
tou o Ciclo da Fome, JOSÉ de CASTRO, em que os homens de-
voravam os caranguejos, e estes acabavam por comer a vida
dos homens .
Tu és pó, e em pó te irás transformar .
É criminosa a contabilidade criminosa usada na exploração da
morte, da desgraça e da miséria, com que os cristãos do CDS,
vêm utilizando desrespeitosamente as pobres vítimas de uma ca-
lamidade que vem assolando a nossa terra .
Como é criminosa a ligeireza com que foi abordado o Projecto de
Le, acerca o Banco de Terras . É a favor da sacrossanta proprie-
dade privada . O que pode esta pureza ideológica, face à ganân-
cia do voto dito popular ...
Hipócritas .
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terça-feira, 25 de julho de 2017
VIDA DUPLA .
Esquizofrenizado
entre dois mundos antagónicos .
Aprisionado entre dois estudos,
mal tinha tempo de me coçar .
Percorria a cidade de cima a baixo, sempre a correr, para conseguir
algum tempo para os meus afazeres, para os meus alfinetes .
Havia sempre ocasiões para inventar um ou outro divertimento .
Praticava todos os desportos, em especial o Futebol, jogava bilhar,
e à noite, por vezes, após a Escola, jogava hóquei em patins,
mas era no fim de semana que me sobrava tempo para ir sobrevi-
vendo .
E havia as férias, pachorrentas, imensas, chatas como tudo, e então
passeava, lia muito, e arrastava o rabo por aí, a caminho da Estação
dos Caminhos de Ferro, dávamos um salto ao Rio Corja, a fingir que
tomávamos banho, que o rio ia seco, durante quase todo o ano.
Ou vínhamos pela linha do combóio, atravessando a cidade, vencendo
as pontes perigosas, que ligavam os vales profundos .
Ou então, vagabundeávamos a esmo, e discutíamos tudo e mais algu-
ma coisa, com opiniões muito diversas e quase sempre antagónicas .
Vivia muito distante dos meus irmãos, com interesses muito diferentes,
e todos com uma vida mais certinha do que a minha.
o mais velho tinha ido estudar para a Guarda .
Os mais novos, crianças ainda, estudavam música e tocavam-na quase
diariamente .
Sempre tive apetência para a actividade musical, mas a vida de transu-
mãncia lectiva, e depois a Escola Nocturna, depressa me fizeram passar
sem ela .
Tocava acordeão às escondidas, pois tinha um ouvido privilegiado, mas
nunca soube a parte teórica da coisa .
Depois, estava era desejoso de voltar à Escola .
.
entre dois mundos antagónicos .
Aprisionado entre dois estudos,
mal tinha tempo de me coçar .
Percorria a cidade de cima a baixo, sempre a correr, para conseguir
algum tempo para os meus afazeres, para os meus alfinetes .
Havia sempre ocasiões para inventar um ou outro divertimento .
Praticava todos os desportos, em especial o Futebol, jogava bilhar,
e à noite, por vezes, após a Escola, jogava hóquei em patins,
mas era no fim de semana que me sobrava tempo para ir sobrevi-
vendo .
E havia as férias, pachorrentas, imensas, chatas como tudo, e então
passeava, lia muito, e arrastava o rabo por aí, a caminho da Estação
dos Caminhos de Ferro, dávamos um salto ao Rio Corja, a fingir que
tomávamos banho, que o rio ia seco, durante quase todo o ano.
Ou vínhamos pela linha do combóio, atravessando a cidade, vencendo
as pontes perigosas, que ligavam os vales profundos .
Ou então, vagabundeávamos a esmo, e discutíamos tudo e mais algu-
ma coisa, com opiniões muito diversas e quase sempre antagónicas .
Vivia muito distante dos meus irmãos, com interesses muito diferentes,
e todos com uma vida mais certinha do que a minha.
o mais velho tinha ido estudar para a Guarda .
Os mais novos, crianças ainda, estudavam música e tocavam-na quase
diariamente .
Sempre tive apetência para a actividade musical, mas a vida de transu-
mãncia lectiva, e depois a Escola Nocturna, depressa me fizeram passar
sem ela .
Tocava acordeão às escondidas, pois tinha um ouvido privilegiado, mas
nunca soube a parte teórica da coisa .
Depois, estava era desejoso de voltar à Escola .
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segunda-feira, 24 de julho de 2017
A LUTA DE CLASSES .
Quem é que disse
que não havia luta de classes .
Dos sítios por onde andei, nunca senti a violência calada da
luta de classes, como no Tortosendo e na Covilhã, meios fa-
bris dos lanifícios .
Confesso que também nunca foi tão rude o ódio e o asco às
classes possidentes, cujas famílias exibiam vários automó-
veis por família, e um desprezo total pelos trabalhadores .
Houve uma época, muito curta, por sinal, a era dos Cursilhos
da Cristandade, em que todos eram irmãos em Cristo, e se tra-
tavam todos por tu, operários e patrões, as cenas ridículas a
que eu assisti, nessa altura .
Tudo acabou, em menos de um fósforo .
O café mais importante da Covilhã era o Café Montalto, ponto
de encontro das classes sociais mais consideradas, onde não en
travam o eram operários e estudantes .
A segregação era de tal monta, que as mesas estavam marcadas,
de acordo com as profissões - havia a mesa dos industriais, dos dou-
tores, dos professores, dos bancários, e por aí adiante .
De vez em quando, saíamos em bando do Colégio, e vínhamos pou-
sar, um ou dois por cada mesa, antes da hora do almoço .
Pedíamos uma bica e ninguém para aviar, e assim ficávamos a fazer
fincapé, até nos serviam a contragosto, pois que se aproximava a
hora de suas excelências .
Havia outras malandrices que praticávamos, tínhamos ritos e cos-
tumes que levávamos à séria .
Por exemplo, era obrigatório fintar os polícias, e atravessar as ruas
fora das passadeiras .
Vem este paleio a propósito da Escola da Noite, em que no primeiro
se criaram dois grupos distintos,
de um lado, os filhos dos industriais, o Saraiva, o Carrilho, o Lobo,
o Gíria e o Proença .
Do outro, os verdadeiros trabalhadores-estudantes, oriundos das clas-
ses com menos posses - o Paixão, o Cunha, o Raúl Peixeiro e eu, que
era estudante-estudante .
E assim coabitamos durante todo o curso de Debuxador .
.
que não havia luta de classes .
Dos sítios por onde andei, nunca senti a violência calada da
luta de classes, como no Tortosendo e na Covilhã, meios fa-
bris dos lanifícios .
Confesso que também nunca foi tão rude o ódio e o asco às
classes possidentes, cujas famílias exibiam vários automó-
veis por família, e um desprezo total pelos trabalhadores .
Houve uma época, muito curta, por sinal, a era dos Cursilhos
da Cristandade, em que todos eram irmãos em Cristo, e se tra-
tavam todos por tu, operários e patrões, as cenas ridículas a
que eu assisti, nessa altura .
Tudo acabou, em menos de um fósforo .
O café mais importante da Covilhã era o Café Montalto, ponto
de encontro das classes sociais mais consideradas, onde não en
travam o eram operários e estudantes .
A segregação era de tal monta, que as mesas estavam marcadas,
de acordo com as profissões - havia a mesa dos industriais, dos dou-
tores, dos professores, dos bancários, e por aí adiante .
De vez em quando, saíamos em bando do Colégio, e vínhamos pou-
sar, um ou dois por cada mesa, antes da hora do almoço .
Pedíamos uma bica e ninguém para aviar, e assim ficávamos a fazer
fincapé, até nos serviam a contragosto, pois que se aproximava a
hora de suas excelências .
Havia outras malandrices que praticávamos, tínhamos ritos e cos-
tumes que levávamos à séria .
Por exemplo, era obrigatório fintar os polícias, e atravessar as ruas
fora das passadeiras .
Vem este paleio a propósito da Escola da Noite, em que no primeiro
se criaram dois grupos distintos,
de um lado, os filhos dos industriais, o Saraiva, o Carrilho, o Lobo,
o Gíria e o Proença .
Do outro, os verdadeiros trabalhadores-estudantes, oriundos das clas-
ses com menos posses - o Paixão, o Cunha, o Raúl Peixeiro e eu, que
era estudante-estudante .
E assim coabitamos durante todo o curso de Debuxador .
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domingo, 23 de julho de 2017
ESQUIZOFRENIA .
Vivi vários anos numa terra vermelha, o Tortosendo, em que
até alguns industriais pertenciam ao Partido Comunista .
Quase toda a gente era simpatizante ou militante, (tudo na
clandestinidade ) .
Ia para o Liceu da Covilhã, de boleia com os filhos dos in-
dustriais, num carro guiado pelo motorista de um desses
ricalhaços .
Saía mais barato pagar a sala de estudos, do que a camioneta
da carreira .
Aí fiz o meu 2º. Ano .
De seguida, fui para
Castelo Branco, onde fiz o 3º. ano .
Posteriormente, a minha família rumou à Covilhã .
Foi então que fui repartido em duas metades,
de manhã pela fresquinha fre-
quentava o Colégio Moderno ;
Á noitinha , ia para a escola da
noite tirar o Curso Industrial .
Como vêem, era simples ...
Comia o bife da alcatra,
ao almoço,
jantava na sopa dos pobres .
Num ápice, mergulhei no mundo do trabalho .
Foi um triplo salto mortal, com duas piruetas à rectaguarda .
Apesar de tudo, o que me servia de cola, era a minha família,
embora já meio desmembrada nessa altura,
e finalmente um casa, junto ao Tribunal da Covilhã e ao pé da
estação do combóio .
Aí se iniciou a minha nova vida .
Saía de casa, por volta das sete da manhã, e regressava por vol-
ta da meia noite .
A minha Mãe preparava-me o jantar às sete, e por vezes deixava-
-me uma chávena de chá, quando voltava para casa .
Não tinha muito trabalho nas aulas, quer de dia, quer de noite .
Talvez nunca tenham experimentado o ensino nocturno .
Ali não há faltas de qualquer natureza . Só as de mau compor-
tamento . A selecção faz-se pelo interesse e sacrifícios que os
alunos demonstram .
Foi uma época fantástica, em certos aspectos, mas muito doloro-
sa noutros .
Percebi o real significado de duas palavras muito importantes :
A SOLIDÃO
A SOLIDARIEDADE .
.
até alguns industriais pertenciam ao Partido Comunista .
Quase toda a gente era simpatizante ou militante, (tudo na
clandestinidade ) .
Ia para o Liceu da Covilhã, de boleia com os filhos dos in-
dustriais, num carro guiado pelo motorista de um desses
ricalhaços .
Saía mais barato pagar a sala de estudos, do que a camioneta
da carreira .
Aí fiz o meu 2º. Ano .
De seguida, fui para
Castelo Branco, onde fiz o 3º. ano .
Posteriormente, a minha família rumou à Covilhã .
Foi então que fui repartido em duas metades,
de manhã pela fresquinha fre-
quentava o Colégio Moderno ;
Á noitinha , ia para a escola da
noite tirar o Curso Industrial .
Como vêem, era simples ...
Comia o bife da alcatra,
ao almoço,
jantava na sopa dos pobres .
Num ápice, mergulhei no mundo do trabalho .
Foi um triplo salto mortal, com duas piruetas à rectaguarda .
Apesar de tudo, o que me servia de cola, era a minha família,
embora já meio desmembrada nessa altura,
e finalmente um casa, junto ao Tribunal da Covilhã e ao pé da
estação do combóio .
Aí se iniciou a minha nova vida .
Saía de casa, por volta das sete da manhã, e regressava por vol-
ta da meia noite .
A minha Mãe preparava-me o jantar às sete, e por vezes deixava-
-me uma chávena de chá, quando voltava para casa .
Não tinha muito trabalho nas aulas, quer de dia, quer de noite .
Talvez nunca tenham experimentado o ensino nocturno .
Ali não há faltas de qualquer natureza . Só as de mau compor-
tamento . A selecção faz-se pelo interesse e sacrifícios que os
alunos demonstram .
Foi uma época fantástica, em certos aspectos, mas muito doloro-
sa noutros .
Percebi o real significado de duas palavras muito importantes :
A SOLIDÃO
A SOLIDARIEDADE .
.
A ESCOLA CAMPOS MELO, COVILHÃ .
Em busca do tempo perdido .
É uma doce ilusão .
Nunca mais de volta a viver o tempo que nunca se viveu .
É curioso que uma destas noites, da uma para as duas, es-
tive a ouvir uma grande conversa com alguém que abor-
dava precisamente este tema .
Olha quem, o professor Júlio Machado
Vaz .
Foi ele que me abriu uma fresta no crânio e me ajudou a
compreender uma parte dos meus problemas .
Falta-me a memória da minha inocência
perdida .
Pode-se tentar compreender essa falha, esse buraco negro,
tentar preenchê-lo com novas incidências, agarrar-se às aná-
lises psicanalíticas .
Esse buraco, ficou buraco
para sempre .
Esse facto ajuda a explicar muito, ou uma parte importante
da minha existência .
Tenho corrido desesperadamente atrás desse intervalo de vida,
para além de que ando sempre a fazer confusões na minha cabe,
ça, teço as mais mirabolantes fantasias, vivo de facto uma vida di-
ferente dos outros, sem esquecer uns grãos de loucura que às vez-
es vou trincando .
A explicação é simples :
Não vivi a adolescência como a outra malta .
Tenho andado, secretamente, à sua procura .
.
É uma doce ilusão .
Nunca mais de volta a viver o tempo que nunca se viveu .
É curioso que uma destas noites, da uma para as duas, es-
tive a ouvir uma grande conversa com alguém que abor-
dava precisamente este tema .
Olha quem, o professor Júlio Machado
Vaz .
Foi ele que me abriu uma fresta no crânio e me ajudou a
compreender uma parte dos meus problemas .
Falta-me a memória da minha inocência
perdida .
Pode-se tentar compreender essa falha, esse buraco negro,
tentar preenchê-lo com novas incidências, agarrar-se às aná-
lises psicanalíticas .
Esse buraco, ficou buraco
para sempre .
Esse facto ajuda a explicar muito, ou uma parte importante
da minha existência .
Tenho corrido desesperadamente atrás desse intervalo de vida,
para além de que ando sempre a fazer confusões na minha cabe,
ça, teço as mais mirabolantes fantasias, vivo de facto uma vida di-
ferente dos outros, sem esquecer uns grãos de loucura que às vez-
es vou trincando .
A explicação é simples :
Não vivi a adolescência como a outra malta .
Tenho andado, secretamente, à sua procura .
.
sábado, 22 de julho de 2017
ESCOLA DA NOITE .
Para os homens
que nunca foram meninos .
Alves Redol .
Tinha algum jeito para o desenho . Era pelo menos o que os
meus familiares diziam . Como é que podia ser artista, se eu
nem sequer dispunha de material adequado para mostrar as
minhas habilidades .
Diziam os meus avós, que deveria sair ao meu Tio Lucas, um
santeiro que tinha feito o Menino Jesus, que havia na Igreja
paroquial de Seia .
Tinha feito alguns desenhos baseados nas gravuras dos princi-
pais escritores que vinha no livro da 4ª. classe, e um esboço de
retrato do meu Pai, numa época que ele era mais forte .
Nesse tempo, jogava à bola, era back central no Seia Futebol
Clube .
Mas nessa altura, a arte ainda não entrava
nas minhas cogitações .
A bola e as correrias eram as minhas grandes preocupações .
E andar à aventura com outra malta, na gandaia, sem destino,
tipo
Os Capitães da Areia,
inventando brincadeiras, algumas roçando o perigo .
uma espécie de
Crónica dos Bons Malandros,
à nossa medida .
E havia a Escola, bem entendido, mas isso era matéria para os
tempos obrigatórios .
Era apenas um passatempo necessário .
Mais adiante, foi que o meu Pai me avisou que no dia seguinte ia
para a escola nocturna, pois o futuro era via a ser
Debuxador,
que era o curso que estava a ter grande saída .
Nessa noite, lá de apagaram mais uns quantos sonhos e bizarrias .
,
que nunca foram meninos .
Alves Redol .
Tinha algum jeito para o desenho . Era pelo menos o que os
meus familiares diziam . Como é que podia ser artista, se eu
nem sequer dispunha de material adequado para mostrar as
minhas habilidades .
Diziam os meus avós, que deveria sair ao meu Tio Lucas, um
santeiro que tinha feito o Menino Jesus, que havia na Igreja
paroquial de Seia .
Tinha feito alguns desenhos baseados nas gravuras dos princi-
pais escritores que vinha no livro da 4ª. classe, e um esboço de
retrato do meu Pai, numa época que ele era mais forte .
Nesse tempo, jogava à bola, era back central no Seia Futebol
Clube .
Mas nessa altura, a arte ainda não entrava
nas minhas cogitações .
A bola e as correrias eram as minhas grandes preocupações .
E andar à aventura com outra malta, na gandaia, sem destino,
tipo
Os Capitães da Areia,
inventando brincadeiras, algumas roçando o perigo .
uma espécie de
Crónica dos Bons Malandros,
à nossa medida .
E havia a Escola, bem entendido, mas isso era matéria para os
tempos obrigatórios .
Era apenas um passatempo necessário .
Mais adiante, foi que o meu Pai me avisou que no dia seguinte ia
para a escola nocturna, pois o futuro era via a ser
Debuxador,
que era o curso que estava a ter grande saída .
Nessa noite, lá de apagaram mais uns quantos sonhos e bizarrias .
,
sexta-feira, 21 de julho de 2017
A LONGA ESPERA DA VIDA .
O cúmulo da paciência
é meter um calhau numa gaiola
e esperar que ele cante .
Vou deixar o telefone esquecido em casa ou desligo-o proposita-
damente e assim já não fico à espera, feito parvo, para ver se al-
guém me telefona .
O telefone tornou-se um objecto obsoleto e perturbador, fonte de
ansiedade e impaciência .
Como é difícil a espera .
Quando era miúdo, ficava à tardinha, a fazer companhia à minha
mãe, até que o meu pai chegasse a casa .
Lisboa era, nessa altura, considerada uma cidade perigosa, sobre-
tudo para quem vinha das terras do interior, perto do campo, onde
as pessoas eram conhecidas e a vida mais calma .
O que mais me assustava na cidade grande, era o som assustador
das ambulâncias, a caminho do hospital de Santa Marta, que era o
Banco de socorro, e que ficava mesmo junto à minha casa, na Rua
Bernardim Ribeiro .
Imaginava sempre que alguém amigo ou da família pudesse ser um
passageiro que ali vinha .
Custou-me muito habituar-me a essa aflição até mudar de residência
e a vida me levar para outras experiências .
Mas, ainda hoje, sinto o silvo que atravessa a cidade, ou apenas o ima-
gine, tal a sua carga de desgraça com que ele marcou .
Na minha curta juventude gastava o tempo na ânsia de crescer e tor-
nar-me alguém na vida, ter dinheiro para o cinema, para os cromos,
para o bilhar, para andar de bicicleta .
Achava que ser criança, ir à escola, era uma grande chatice, era só o
longo caminho para se chegar a ser homem .
Pura ilusão de puto atrevido .
Gostava de ter sido aviador, vá lá a gente entender porquê .
Fabricava os meus aviões de balsa, que destruía muito rapidamente,
pois era uma actividade de risco .
Passava muito mais tempo a construir e a reconstruir os modelos, do
que a gozá-los em lançamentos .
Talvez me ficasse na memória um resto de ligação à engenharia .
Mas a minha paixão sempre foi o desenho e os bonecos .
Foi então que se iniciou a 2ª. fase da minha vida, agora já a sério, mas
com muita brincadeira à mistura .
.
Entrei inopinadamente na vida adulta .
A escola industrial da Covilhã, e o Curso de Debuxador .
Aos 14 anos fiz-me um homem , e continuei à espera da vida .
Tinha acabado a fase da pequena malandragem e iniciado o período da
vadiagem .
Com a posse da minha primeira chave de casa, comecei a rodar em roda
livre, sem que ter que dar justificações a ninguém .
Era um novo velho mundo que se me deparava, tomando consciência de
outras realidades, abandonando a minha personalidade de criança, e en-
trando de cabeça na vida dos adultos .
De um dia para o outro .
Um mundo complicado, com outras responsabilidades, com outras preo-
cupações, outras tarefas, outras amizades, que baralharam completamen-
te a vida de uma criança feita homem .
O meu desejo de crescer depressa esvaiu-se, de repente .
Tinha crescido tão rápido, que fiquei para sempre criança .
A criança que ainda hoje teimo em ser .
Passei a coabitar uma adolescência perdida, com
uma maioridade fingida .
Não acompanhava os mais novos, mas não entendia os adultos .
Foi uma época muito difícil para mim .
Às vezes tirava partido da minha singular situação .
Como estudava de dia e de noite, acontecia por vezes baldar-me e andar na
galderice, ausentando-me do Colégio e da Escola Industrial .
No último ano do curso de Debuxador, ainda tirava umas horas semanais
para fazer o Estágio Curricular, na fábrica dos Irmãos Rosetas, na Covilhã .
.
é meter um calhau numa gaiola
e esperar que ele cante .
Vou deixar o telefone esquecido em casa ou desligo-o proposita-
damente e assim já não fico à espera, feito parvo, para ver se al-
guém me telefona .
O telefone tornou-se um objecto obsoleto e perturbador, fonte de
ansiedade e impaciência .
Como é difícil a espera .
Quando era miúdo, ficava à tardinha, a fazer companhia à minha
mãe, até que o meu pai chegasse a casa .
Lisboa era, nessa altura, considerada uma cidade perigosa, sobre-
tudo para quem vinha das terras do interior, perto do campo, onde
as pessoas eram conhecidas e a vida mais calma .
O que mais me assustava na cidade grande, era o som assustador
das ambulâncias, a caminho do hospital de Santa Marta, que era o
Banco de socorro, e que ficava mesmo junto à minha casa, na Rua
Bernardim Ribeiro .
Imaginava sempre que alguém amigo ou da família pudesse ser um
passageiro que ali vinha .
Custou-me muito habituar-me a essa aflição até mudar de residência
e a vida me levar para outras experiências .
Mas, ainda hoje, sinto o silvo que atravessa a cidade, ou apenas o ima-
gine, tal a sua carga de desgraça com que ele marcou .
Na minha curta juventude gastava o tempo na ânsia de crescer e tor-
nar-me alguém na vida, ter dinheiro para o cinema, para os cromos,
para o bilhar, para andar de bicicleta .
Achava que ser criança, ir à escola, era uma grande chatice, era só o
longo caminho para se chegar a ser homem .
Pura ilusão de puto atrevido .
Gostava de ter sido aviador, vá lá a gente entender porquê .
Fabricava os meus aviões de balsa, que destruía muito rapidamente,
pois era uma actividade de risco .
Passava muito mais tempo a construir e a reconstruir os modelos, do
que a gozá-los em lançamentos .
Talvez me ficasse na memória um resto de ligação à engenharia .
Mas a minha paixão sempre foi o desenho e os bonecos .
Foi então que se iniciou a 2ª. fase da minha vida, agora já a sério, mas
com muita brincadeira à mistura .
.
Entrei inopinadamente na vida adulta .
A escola industrial da Covilhã, e o Curso de Debuxador .
Aos 14 anos fiz-me um homem , e continuei à espera da vida .
Tinha acabado a fase da pequena malandragem e iniciado o período da
vadiagem .
Com a posse da minha primeira chave de casa, comecei a rodar em roda
livre, sem que ter que dar justificações a ninguém .
Era um novo velho mundo que se me deparava, tomando consciência de
outras realidades, abandonando a minha personalidade de criança, e en-
trando de cabeça na vida dos adultos .
De um dia para o outro .
Um mundo complicado, com outras responsabilidades, com outras preo-
cupações, outras tarefas, outras amizades, que baralharam completamen-
te a vida de uma criança feita homem .
O meu desejo de crescer depressa esvaiu-se, de repente .
Tinha crescido tão rápido, que fiquei para sempre criança .
A criança que ainda hoje teimo em ser .
Passei a coabitar uma adolescência perdida, com
uma maioridade fingida .
Não acompanhava os mais novos, mas não entendia os adultos .
Foi uma época muito difícil para mim .
Às vezes tirava partido da minha singular situação .
Como estudava de dia e de noite, acontecia por vezes baldar-me e andar na
galderice, ausentando-me do Colégio e da Escola Industrial .
No último ano do curso de Debuxador, ainda tirava umas horas semanais
para fazer o Estágio Curricular, na fábrica dos Irmãos Rosetas, na Covilhã .
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quinta-feira, 20 de julho de 2017
O MISTÉRIO DA BASE DE TANCOS .
O Rei vai nú,
com as cuecas na mão .
É a risota geral, a chacota com uma Corporação respeitada
e respeitável, mas que começa a abrir grandes brechas na mu-
ralha .
Uma instituição que devia ser mais preservada e olhada com
mais cuidado .
Os tristes episódios da pretensa entrega das espadas, a inspe-
ção atabalhoada dos paióis e paiolins, a exoneração e a retoma
dos comandantes, a blindagem das informações militares, as ex-
plicações carecas, de todos os intervenientes, a confusão genera-
lizada, mais a demissão firme de dois oficiais generais,
vieram cobrir de ridículo a Intituição Militar .
E isso vai deixar marcas profundas .
.
com as cuecas na mão .
É a risota geral, a chacota com uma Corporação respeitada
e respeitável, mas que começa a abrir grandes brechas na mu-
ralha .
Uma instituição que devia ser mais preservada e olhada com
mais cuidado .
Os tristes episódios da pretensa entrega das espadas, a inspe-
ção atabalhoada dos paióis e paiolins, a exoneração e a retoma
dos comandantes, a blindagem das informações militares, as ex-
plicações carecas, de todos os intervenientes, a confusão genera-
lizada, mais a demissão firme de dois oficiais generais,
vieram cobrir de ridículo a Intituição Militar .
E isso vai deixar marcas profundas .
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quarta-feira, 19 de julho de 2017
OS PIRÓMANOS .
Até parece que são os órgãos de informação que andam
a atear os fogos na floresta, só para ganhar audiências .
É autêntico voyeirismo, piromania desenfreada, e desres-
peito pelos mortos e feridos da calamidade que estamos
a sofrer .
Todas as televisões em uníssono, horas e horas, umas a se-
guir às outras, repetindo imagens vezes sem conta, sem
que a partir de certa altura, já não interessa a notícia, mas
sim o espectáculo vergonhoso e vexatório, em que a des-
graça e o sofrimento alheio se transformam em matéria pri-
ma de um negócio asqueroso, em nome da liberdade de in-
formação e expressão .
Toda a gente, muitos bem intencionados certamente, fa-
zendo chegar chegar a palavra e a imagem, impossíveis de
acontecer noutras situações,
mas muitos outros, para mostrar e interferir com a dôr e a
intimidade das pobres gentes , violentadas e exploradas sem
dó, nem piedade .
É a comunicação de referência
a que temos direito .
.
a atear os fogos na floresta, só para ganhar audiências .
É autêntico voyeirismo, piromania desenfreada, e desres-
peito pelos mortos e feridos da calamidade que estamos
a sofrer .
Todas as televisões em uníssono, horas e horas, umas a se-
guir às outras, repetindo imagens vezes sem conta, sem
que a partir de certa altura, já não interessa a notícia, mas
sim o espectáculo vergonhoso e vexatório, em que a des-
graça e o sofrimento alheio se transformam em matéria pri-
ma de um negócio asqueroso, em nome da liberdade de in-
formação e expressão .
Toda a gente, muitos bem intencionados certamente, fa-
zendo chegar chegar a palavra e a imagem, impossíveis de
acontecer noutras situações,
mas muitos outros, para mostrar e interferir com a dôr e a
intimidade das pobres gentes , violentadas e exploradas sem
dó, nem piedade .
É a comunicação de referência
a que temos direito .
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terça-feira, 18 de julho de 2017
O VEXAME .
A INVENTONA DE TANCOS .
Andam a caçoar com o Presidente,
mas ele merece, para não andar a meter o nariz onde
não é chamado .
E vai a tropa toda, mais o Ministro da Defesa, acompanhar
Marcelo, com pompa e circunstância, numa visita ao buraco
do paiol de Tancos, com Hino e Continências, para ver in lo-
co, esta imensa palhaçada .
Estava em perigo a segurança e a defesa do País, face aos nos-
sos inimigos terroristas ou ligados ao crime organizado.
O Presidente,
Comandante em Chefe das Forças Armadas Portuguesas,
teve que actuar em prontidão máxima .
Afinal, o elefante pariu um rato .
Há muita coisa para explicar .
Mas, para já, é
Marcelo que fica mal na
caricatura .
.
Andam a caçoar com o Presidente,
mas ele merece, para não andar a meter o nariz onde
não é chamado .
E vai a tropa toda, mais o Ministro da Defesa, acompanhar
Marcelo, com pompa e circunstância, numa visita ao buraco
do paiol de Tancos, com Hino e Continências, para ver in lo-
co, esta imensa palhaçada .
Estava em perigo a segurança e a defesa do País, face aos nos-
sos inimigos terroristas ou ligados ao crime organizado.
O Presidente,
Comandante em Chefe das Forças Armadas Portuguesas,
teve que actuar em prontidão máxima .
Afinal, o elefante pariu um rato .
Há muita coisa para explicar .
Mas, para já, é
Marcelo que fica mal na
caricatura .
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segunda-feira, 17 de julho de 2017
BRANCA CLARA DAS NEVES .
Se todos os políticos, jornalistas, críticos, paineleiros,
engenheiros e cientistas, e outra piolhagem avulsa, agar-
rasem numa pá e numa enxada e acorressem à floresta
selvagem, que é de todos, e não é de ninguém, e se pu-
sessem ao trabalho para apagar os fogos que medram por
essas serras adentro, e se deixassem de cuspir parvoíces
e despautérios, talvez que conseguissem debelar e a so-
lucionar o insolúvel drama dos incêndios florestais .
É agarrar nas alfaias, e mãos à obra .
Esta escumalha toda ladra, ladra, mas sabe muito bem que
qualquer governo que queira fazer a reforma agrária que
se requer para resolver o doloroso drama da floresta portu-
guesa cai, no dia em que o respectivo Decreto fôr assinado .
E mais governos, uns atrás dos outros, cairão,
inexoravelmente .
É, e será sempre assim .
Até que alguém, um dia, seja pendurado , de cabeça para
baixo, atado a o pinheiro a arder .
.
engenheiros e cientistas, e outra piolhagem avulsa, agar-
rasem numa pá e numa enxada e acorressem à floresta
selvagem, que é de todos, e não é de ninguém, e se pu-
sessem ao trabalho para apagar os fogos que medram por
essas serras adentro, e se deixassem de cuspir parvoíces
e despautérios, talvez que conseguissem debelar e a so-
lucionar o insolúvel drama dos incêndios florestais .
É agarrar nas alfaias, e mãos à obra .
Esta escumalha toda ladra, ladra, mas sabe muito bem que
qualquer governo que queira fazer a reforma agrária que
se requer para resolver o doloroso drama da floresta portu-
guesa cai, no dia em que o respectivo Decreto fôr assinado .
E mais governos, uns atrás dos outros, cairão,
inexoravelmente .
É, e será sempre assim .
Até que alguém, um dia, seja pendurado , de cabeça para
baixo, atado a o pinheiro a arder .
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O CAMARADA DAVID SANTOS .
Autárquicas de 2017 .
Cadaval, a Terra e a Serra .
O David é um grandes amigos do meu filho Mário Pedro .
Travaram juntos imensas batalhas, passaram em claro muitas
noitadas, a discutir a política, os princípios, as campanhas, as
tácticas, as listas, a vida de um partido que tanto amam e ama-
ram .
Companheiros e fundadores da Tertúlia do Martinho da Arca-
da. café que servia de centro de gravidade da discussão de no-
vas ideias e ideais para engrandecimento do Partido Socialista,
então na oposição, mas que um grupo decidiu resgatar, disposto
a mudar radicalmente o estado de coisas, grupo as liderado por
António José Seguro, Álvaro Beleza e muitos outros .
Foi pois, com um enorme orgulho que fomos convidados para
a cerimónia de lançamento da Campanha do David, e da sua
vasta equipa, para a tomada do poder para a Câmara do Cada-
val , para que esta Terra, perdida na Serra, possa almejar a ter
o direito de existir no mapa do País, e a prosseguir na rota do
progresso e do desenvolvimento .
Sei que não será tarefa fácil, cheia de obstáculos e contrarieda-
des, mas quanto não vale o desafio de ir mais além, e fazer esta
gente mais feliz, mais rica, mais próspera , fixando muitas
pessoas nesta terra e fazendo regressar muitas outras,ao conví-
vio e à partilha da Terra e da Serra, há muito abandonadas.
Aqui vai o nosso apoio e o nosso abraço .
Os pais do Mário Pedro .
.
Cadaval, a Terra e a Serra .
O David é um grandes amigos do meu filho Mário Pedro .
Travaram juntos imensas batalhas, passaram em claro muitas
noitadas, a discutir a política, os princípios, as campanhas, as
tácticas, as listas, a vida de um partido que tanto amam e ama-
ram .
Companheiros e fundadores da Tertúlia do Martinho da Arca-
da. café que servia de centro de gravidade da discussão de no-
vas ideias e ideais para engrandecimento do Partido Socialista,
então na oposição, mas que um grupo decidiu resgatar, disposto
a mudar radicalmente o estado de coisas, grupo as liderado por
António José Seguro, Álvaro Beleza e muitos outros .
Foi pois, com um enorme orgulho que fomos convidados para
a cerimónia de lançamento da Campanha do David, e da sua
vasta equipa, para a tomada do poder para a Câmara do Cada-
val , para que esta Terra, perdida na Serra, possa almejar a ter
o direito de existir no mapa do País, e a prosseguir na rota do
progresso e do desenvolvimento .
Sei que não será tarefa fácil, cheia de obstáculos e contrarieda-
des, mas quanto não vale o desafio de ir mais além, e fazer esta
gente mais feliz, mais rica, mais próspera , fixando muitas
pessoas nesta terra e fazendo regressar muitas outras,ao conví-
vio e à partilha da Terra e da Serra, há muito abandonadas.
Aqui vai o nosso apoio e o nosso abraço .
Os pais do Mário Pedro .
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sexta-feira, 14 de julho de 2017
Pelo sonho é que fomos .
O SONHO COMANDA A VIDA .
Alguém me perguntou um dia
Como aparecem os sonhos
E eu respondi não sei
Talvez com a criação do Mundo
De uma gota de orvalho
Ou de um floco de neve
De um pedaço de bruma
Ao raiar o Sol
Do sorriso de criança
Do leve afago na mão
Do prazer de um amante
Ou de uma dor de parto
De um olhar sentido
Dum momento de inspiração
Duma lágrima comovida
Do encontro de alguém
Mas cuidado
Do mesmo modo que surgem
Podem transformar-se e pesadelos
Uma pequena fronteira os separa
Basta uma palavra rude
Um gesto desastrado
Um olhar enviesado
Um sentimento magoado
A desconfiança instalada
A raiva mal contida
Um pensamento cruzado
Um salto mal calculado
A vida corre adiante
Nunca volta para trás
De que vale um sonho
Se não for partilhado
É preciso que haja vento
para voar .
.
Alguém me perguntou um dia
Como aparecem os sonhos
E eu respondi não sei
Talvez com a criação do Mundo
De uma gota de orvalho
Ou de um floco de neve
De um pedaço de bruma
Ao raiar o Sol
Do sorriso de criança
Do leve afago na mão
Do prazer de um amante
Ou de uma dor de parto
De um olhar sentido
Dum momento de inspiração
Duma lágrima comovida
Do encontro de alguém
Mas cuidado
Do mesmo modo que surgem
Podem transformar-se e pesadelos
Uma pequena fronteira os separa
Basta uma palavra rude
Um gesto desastrado
Um olhar enviesado
Um sentimento magoado
A desconfiança instalada
A raiva mal contida
Um pensamento cruzado
Um salto mal calculado
A vida corre adiante
Nunca volta para trás
De que vale um sonho
Se não for partilhado
É preciso que haja vento
para voar .
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quarta-feira, 12 de julho de 2017
O SONHO AMERICANO .
O meu sobrinho neto Gonçalo acabou ontem o curso de
Economia, no ISEG, e vai dentro de dias continuar os es-
tudos numa Universidade Americana, na Virgínia Ocidental,
acumulando com o curso de futebol, integrado na equipa da
Universidade .
As voltas que o mundo dá .
A geração anterior à minha, foi ganhar a vida para o estran-
geiro, para África e América, Angola, Congos, USA, Canadá,
Áustrália, Brasil, Argentina, Venezuela .
Mais tarde, rumou à Europa, França, Alemanha, e depois à
União Europeia .
A minha geração ficou parada no tempo e no espaço, sem visto,
nem passaporte, a não ser para ir para o mato, gramar a estú-
pida Guerra Colonial .
Pode ser que a geração actual,
venha em breve regressar à Pátria, e fazer desta terra madrasta
um País mais próspero e mais justo .
.
Economia, no ISEG, e vai dentro de dias continuar os es-
tudos numa Universidade Americana, na Virgínia Ocidental,
acumulando com o curso de futebol, integrado na equipa da
Universidade .
As voltas que o mundo dá .
A geração anterior à minha, foi ganhar a vida para o estran-
geiro, para África e América, Angola, Congos, USA, Canadá,
Áustrália, Brasil, Argentina, Venezuela .
Mais tarde, rumou à Europa, França, Alemanha, e depois à
União Europeia .
A minha geração ficou parada no tempo e no espaço, sem visto,
nem passaporte, a não ser para ir para o mato, gramar a estú-
pida Guerra Colonial .
Pode ser que a geração actual,
venha em breve regressar à Pátria, e fazer desta terra madrasta
um País mais próspero e mais justo .
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