NOTAEscrevi recentemente algumas considerações sobre o nascimento,crescimento, apogeu e declínio dos príncipes.Estava, claro, a referir-me aos que nos têm calhado na rifa mais re-centemente em Portugal.É sobre um desses principes, António Guterres, de sua graça, quetrata a crónica do Mário Pedro, escrita no Blog Descrédito, de Abrilde 2004.Curioso como os príncipes socialistas, à excepção do PríncipePerfeito, Mário Soares, todos se piraram daqui para fora, rapidamen-te e em força, em busca de melhores ares e proventos.É a vida...
Embora já tenham passado alguns dias (anos) sobre a mediatização do assunto,
não poderia deixar de tecer o meu comentário, em relação às declarações do nos-
so putativo candidato a candidato presidencial, António Guterres, que, num jan-
tar promovido pela Casa João Soares, questionado por um simpatizante socialis-
ta, resolveu voltar a explicar, dois anos mais tarde, porque razão se havia demiti-
do de Primeiro Ministro.
O que ouvi na comunicação social televisiva, apareceu descrito no jornal Público,
desta forma:
"
O ex-primeiro Ministro começou por afimar-se "
de consciência perfeita-mente tranquila"."Houve um momento em que cheguei à conlusão não existirem condi-ções para executar o projecto em que acreditava", explicou.O socialista precisou que a sua decisão foi tomada quando percebeu que "o projecto proposto ao país estava completamente comprometido nasua execução", no Parlamento."Ou já se esqueceram o que se dizia quando um Orçamento aprova-do por um deputado de uma região", perguntou, lembrando o episódio como deputado do CDS, Daniel Campelo" .
Não constituindo esta resposta qualquer surpresa, uma vez que se limita a resumir
a sua declaração de demissão, continuam a haver questões fundamentais que Antó-
nio Guterres ainda não respondeu, nomeadamente aos militantes e simpatizantes so-
cialistas que nele depositaram a sua confiança (e o seu voto).
Por que razão não se apresentou de novo a candidato a Primeiro-Ministro, solicitando
aos portugueses uma maioria que lhe permitisse finalmente implementar"
o projectoproposto ao país"(Aliás tinha o precedente de Cavaco Silva, em 1987)
Por que razão, cerca de seis meses antes, assegurou no Congresso do PS, estar disponí-
vel, não só para cumprir a Leislatura até ao fim, como também ser candidato nas eleições
seguintes, para mais quatro anos, como 1º Ministro de Portugal?
Ainda não tinha percebido nessa altura que "
o projecto proposto ao país estava completamente comprometido na sua execução" no Parlamento ?
Se este sentimento "
pantanoso" era já tão clarividente para António Guterres, por
que razão não procedeu, enquanto Secretário Geral do PS, a uma transição atempada,
suficientemente clara e legitimada, que permitisse ao PS apresentar-se aos portugueses
com uma nova liderança e um renovado Projecto para Portugal?
É que, para além de toda a inabilidade e amadorismo da então Direcção do PS, cuja falta
de estratégia política, até lhe permitia liderar sondagens, ou não tivesse atingido esse
Governo níveis de incompetência inimagináveis, o PS continuaria a ser acusado de
esbanjamento e deserção.
E continua refém daquela decisão que deixou o País perplexo, de um António Guterres
que se diz "
de consciência perfeitamente tranquila".
Valha-nos isso
É A VIDA.