40 Anos, o período de nojo .
Costuma ser este tempo, aquele que é guardado para manter
a História fixada na memória, guardando reserva de factos e
acontecimentos susceptíveis de gerar controvérsia, em especi-
al quando eles ainda estão relacionados com os protagonistas
históricos, muitos deles ainda vivos .
O tema é, ainda hoje, considerado tabu, mas é tempo de aquele
períoda da nossa história, começar a ser abordado de maneira
desapaixonada, e seja estudado de uma maneira sistematica-
mente e sem alibis, por quem de direito .
Guardo pessoalmente memória dos relatos feitos nessa altura,
relatos vividos e contados a quente, envolvendo familiares e ami--
gos, sobre um tema completamente transversal, que apanhou ge-
rações inteiras, e que varreu a sociedade portuguesa, numa ver-
dadeira tempestade tropical, de intensidade importante, mas lon-
ge dos dramas e problemas sofridos no decurso de outras desco-
lonizações, ocorridas por exemplo, em países como a França , a
Bélgica, a Inglaterra ou a Espanha .
Mas não poderei calar as razões evocadas por ambos os lados de
um assunto, envolvendo ainda zonas de ódio, entre os que partir-
am para longe, os que ficaram eos que foram obrigados a regres-
sar .
Uns e outros, e todos, têm as suas razões cravadas fundo, mas pen-
so que todos, a seu jeito, têm razões de sobra, para se sentirem or-
gulhosos da Epopeia da Descolonização Portuguesa, vivida com
sofrimento, mas sem qualquer derramamento de sangue .
Muitas feridas foram abertas, mas a grande maioria delas já se
encontra sarada .
.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
terça-feira, 2 de maio de 2017
CONTRADIÇÕES .
E se todo o mundo é composto de mudança,
troquemos-lhe as voltas, que ainda a vida é
uma criança .
A vida é um permanente equilíbrio entre aquilo que desejamos
e aquilo que deveras somos .
É o denominador comum entre o que sentimos pelos outros, e o
que os outros sentem por nós .
Um compromisso quase sempre irrealizável .
Vivemos no fio da navalha, na fronteira entre o sonho e a fanta-
sia com o mundo real .
Por detrás do manto diáfono da fantasia, esconde-se a rude cru-
eza da realidade .
Como é difícil e perigoso viver .
.
troquemos-lhe as voltas, que ainda a vida é
uma criança .
A vida é um permanente equilíbrio entre aquilo que desejamos
e aquilo que deveras somos .
É o denominador comum entre o que sentimos pelos outros, e o
que os outros sentem por nós .
Um compromisso quase sempre irrealizável .
Vivemos no fio da navalha, na fronteira entre o sonho e a fanta-
sia com o mundo real .
Por detrás do manto diáfono da fantasia, esconde-se a rude cru-
eza da realidade .
Como é difícil e perigoso viver .
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segunda-feira, 1 de maio de 2017
MENINO DE OIRO .
O meu menino é de oiro
É de oiro fino
Não façam caso que é pequenino
O meu menino é de oiro
De oiro fagueiro
Hei-de levá-lo no meu veleiro
Venham as aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do menino do meu menino
Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó
Quantos sonhos ligeiros
Pra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
quero ir contigo
Menino de oiro sou teu amigo
Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino nasceu pra amar
Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó
O meu menino é de oiro
É de oiro fino
É de oiro o meu menino
O meu menino o meu menino
José Afonso
.
É de oiro fino
Não façam caso que é pequenino
O meu menino é de oiro
De oiro fagueiro
Hei-de levá-lo no meu veleiro
Venham as aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do menino do meu menino
Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó
Quantos sonhos ligeiros
Pra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
quero ir contigo
Menino de oiro sou teu amigo
Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino nasceu pra amar
Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó
O meu menino é de oiro
É de oiro fino
É de oiro o meu menino
O meu menino o meu menino
José Afonso
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domingo, 30 de abril de 2017
O SONHO INACABADO .
Saímos sempre os três, calçada a baixo,
logo pela manhã, de mão dada .
Começávamos pela Manif do PCP, gente trabalhadora e que
madrugava, chegávamos ao Marquês de Pombal, pessoas de
lancheira, atarefada ainda a dar os últimos retoques para
a Festa, bandeiras vermelhas, ao som do Avante, e da Inter-
naional .
Encontrávamos sempre gente conhecida e perorávamos um
pouco sobre o futuro, dizendo mal do passado .
Depois de o almoço, assistíamos um bocado ao pique nique,
em regra montado na Alameda Afonso Henriques ,
Havia música portuguesa variada, comida à discrição, muitas
crianças em barafunda, e depois os discursos dos camaradas,
Ficávamos algum tempo na galhofa, mandando bocas uns aos
outros, com malta amiga e conhecida de muitos anos .
A Manif Festa prolongava-se pela tarde adiante .
De noite, já cansados, subíamos ao Largo do Carmo, ou aportá-
vamos à Rua António Maria Cardoso, uma Rua de má fama,
éramos poucos, mas tesos, com a raiva estampada nos rostos, sem-
pre em busca da revolução que nunca mais chegava, tantas ve-
zes maltratada, traída a cada passo .
As palavras eram duras e desafiadoras, às vezes com a polícia por
perto a vigiar .
Três pessoas da mesma família, cada uma selas incarnando dife-
rentes ideais, três visões diferentes sobre a vida,
uma oriunda da esquerda fixista, outra da esquerda reformista
e ainda outra que navegava na esquerda revolucionária .
Todos diferentes, todos iguais .
Todos na ânsia de alcançar o País e o Mundo, que todos pensáva-
mos e com que todos sonhávamos.
Todos com o mesmo objectivo, mas que poderia a ser alcançado
por vias distintas .
.
logo pela manhã, de mão dada .
Começávamos pela Manif do PCP, gente trabalhadora e que
madrugava, chegávamos ao Marquês de Pombal, pessoas de
lancheira, atarefada ainda a dar os últimos retoques para
a Festa, bandeiras vermelhas, ao som do Avante, e da Inter-
naional .
Encontrávamos sempre gente conhecida e perorávamos um
pouco sobre o futuro, dizendo mal do passado .
Depois de o almoço, assistíamos um bocado ao pique nique,
em regra montado na Alameda Afonso Henriques ,
Havia música portuguesa variada, comida à discrição, muitas
crianças em barafunda, e depois os discursos dos camaradas,
Ficávamos algum tempo na galhofa, mandando bocas uns aos
outros, com malta amiga e conhecida de muitos anos .
A Manif Festa prolongava-se pela tarde adiante .
De noite, já cansados, subíamos ao Largo do Carmo, ou aportá-
vamos à Rua António Maria Cardoso, uma Rua de má fama,
éramos poucos, mas tesos, com a raiva estampada nos rostos, sem-
pre em busca da revolução que nunca mais chegava, tantas ve-
zes maltratada, traída a cada passo .
As palavras eram duras e desafiadoras, às vezes com a polícia por
perto a vigiar .
Três pessoas da mesma família, cada uma selas incarnando dife-
rentes ideais, três visões diferentes sobre a vida,
uma oriunda da esquerda fixista, outra da esquerda reformista
e ainda outra que navegava na esquerda revolucionária .
Todos diferentes, todos iguais .
Todos na ânsia de alcançar o País e o Mundo, que todos pensáva-
mos e com que todos sonhávamos.
Todos com o mesmo objectivo, mas que poderia a ser alcançado
por vias distintas .
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sexta-feira, 28 de abril de 2017
O ANJO DA GUARDA .
Já não és o meu anjo da guarda
a minha estrela da manhã
o meu raio de sol
o meu amor de perdição
passarinho da ribeira
a minha princesa encantada
barca dos sete lemes
minha aurora boreal
Já não és o meu cavalo alado
a minha fada madrinha
a minha estrela do mar
meu navio sem âncora
minha gota de orvalho
o meu peixinho dourado
a minha candeia acesa
a minha estrela polar
Não, não és mais a minha bússola
a minha gata borralheira
farol na noite mais escura
minha musa encantada
meu patinho feio
andorinha rasgando o céu
na linha do horizonte
a minha estrela cadente
Já não és o meu relâmpago
o meu arco íris pintando o astro
o meu farol no nevoeiro
meu pássaro de asas feridas
meu navio encantado
o meu cálice tinto de sangue
minha espera dolorida
minha ilusão perdida
.
a minha estrela da manhã
o meu raio de sol
o meu amor de perdição
passarinho da ribeira
a minha princesa encantada
barca dos sete lemes
minha aurora boreal
Já não és o meu cavalo alado
a minha fada madrinha
a minha estrela do mar
meu navio sem âncora
minha gota de orvalho
o meu peixinho dourado
a minha candeia acesa
a minha estrela polar
Não, não és mais a minha bússola
a minha gata borralheira
farol na noite mais escura
minha musa encantada
meu patinho feio
andorinha rasgando o céu
na linha do horizonte
a minha estrela cadente
Já não és o meu relâmpago
o meu arco íris pintando o astro
o meu farol no nevoeiro
meu pássaro de asas feridas
meu navio encantado
o meu cálice tinto de sangue
minha espera dolorida
minha ilusão perdida
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quinta-feira, 27 de abril de 2017
O TERRÍVEL DILEMA .
Foi uma época difícil da minha vida .
A Guerra Colonial acompanhou-me durante o meu curso
inteiro .
Começada em 1961, estender-se-ia por toda uma eternidade .
A continuação dos estudos dava-me uma certa margem de se-
gurança, podia ser que a guerra não demorasse muito .
Mas, à medida que o tempo encurtava, e tinha que fazer sem-
pre as cadeiras todas, ia aumentando a minha angústia, e via os
amigos mais velhos partir para a guerra, e outros, embora em
menor número, a desaparecer do mapa, e a fugir para longe, es-
capando ao Serviço Militar .
Era evidentemente uma opção de classe e também uma escolha
de classe, mas era sobretudo uma decisão interior profunda, ir
combater numa guerra injusta, para não dizer imoral, ou ficar e
arcar com todas as consequências de tal gesto .
Passávamos horas intermináveis a discutir os prós e os contras,
milhares de vezes, o que poderia ser o nosso futuro, e qualquer
das hipóteses de escolha, era muito difícil de sustentar .
Havia quem arranjasse maneiras de ir alongando o tempo de estu-
do, tentando uma carreira académica, uma especialização no estran-
geiro, uma selecção para um lugar numa empresa ou num serviço,
considerados de grande utilidade para os desígnios da Pátria, hou-
ve muita malta graúda, que aguardava uma incorporação numa data
e numa posição mais favoráveis, e houve tanta outra gente que, sim-
plesmente se pirasse para bem longe .
Então, que fazer ?...
Acabei por ficar .
Acabei por tentar jogar na roleta russa, e ganhei .
A sorte iria contemplar os a minha audácia ..
Cumpri um longuíssimo tempo de tropa,
mas como Oficial Miliciano, na especialidade de FOTO CINE,
onde militariam quase todos os artistas da guerra .
.
A Guerra Colonial acompanhou-me durante o meu curso
inteiro .
Começada em 1961, estender-se-ia por toda uma eternidade .
A continuação dos estudos dava-me uma certa margem de se-
gurança, podia ser que a guerra não demorasse muito .
Mas, à medida que o tempo encurtava, e tinha que fazer sem-
pre as cadeiras todas, ia aumentando a minha angústia, e via os
amigos mais velhos partir para a guerra, e outros, embora em
menor número, a desaparecer do mapa, e a fugir para longe, es-
capando ao Serviço Militar .
Era evidentemente uma opção de classe e também uma escolha
de classe, mas era sobretudo uma decisão interior profunda, ir
combater numa guerra injusta, para não dizer imoral, ou ficar e
arcar com todas as consequências de tal gesto .
Passávamos horas intermináveis a discutir os prós e os contras,
milhares de vezes, o que poderia ser o nosso futuro, e qualquer
das hipóteses de escolha, era muito difícil de sustentar .
Havia quem arranjasse maneiras de ir alongando o tempo de estu-
do, tentando uma carreira académica, uma especialização no estran-
geiro, uma selecção para um lugar numa empresa ou num serviço,
considerados de grande utilidade para os desígnios da Pátria, hou-
ve muita malta graúda, que aguardava uma incorporação numa data
e numa posição mais favoráveis, e houve tanta outra gente que, sim-
plesmente se pirasse para bem longe .
Então, que fazer ?...
Acabei por ficar .
Acabei por tentar jogar na roleta russa, e ganhei .
A sorte iria contemplar os a minha audácia ..
Cumpri um longuíssimo tempo de tropa,
mas como Oficial Miliciano, na especialidade de FOTO CINE,
onde militariam quase todos os artistas da guerra .
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quarta-feira, 26 de abril de 2017
A SORTE PROTEGE OS AUDAZES .
Ou mato ou morro .
Num grupo de militares, gabava-se um deles :
Quando estou atrapalhado, numa situação mais
difícil, resolvo-a sem pestanejar.
Ou morro ou mato .
Responde-lhe outro :
É pá, isso é que é valentia .
E diz o primeiro :
Nada disso, ou fujo pelo mato, ou fujo pelo
morro .
.
Num grupo de militares, gabava-se um deles :
Quando estou atrapalhado, numa situação mais
difícil, resolvo-a sem pestanejar.
Ou morro ou mato .
Responde-lhe outro :
É pá, isso é que é valentia .
E diz o primeiro :
Nada disso, ou fujo pelo mato, ou fujo pelo
morro .
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A GUERRA DAS PALAVRAS .
A contra informação .
Rádio Moscovo não fala verdade (não fala verdade) .
Quase todos os dias eram-mos metralhados com a propa-
ganda emanada por um senhor, de sua graça Ferreira da
Costa, um tipo de extrema direita, na rádio e na televisão,
cantando loas acerca da guerra colonial, e das suas benes-
ses .
Não era fácil saber-se a verdade acerca dessa guerra, pois
a censura feroz nada deixava transpirar, e os soldado tin-
ham medo e eram instrumentados a manter segredo de
tudo o que acontecia em África .
A solução era tentar ouvir outras rádios internacionais, de
preferência a BBC .
Ouvia-se, às escondidas, a rádio Argel, onde pontificava o
camarada Manuel Alegre, e ainda a rádio Moscovo .
Era outra guerra, a guerra do silêncio e do boato, quase tão
mortífera como a guerra real .
A certa altura foi criado na RTP, um programa sobre a guer-
ra colonial, que era assegurada por Júlio Isidro, alferes do Ser-
viço Cartográfico do Exército, da Divisão de Fotografia e Cine-
ma, chefiada pelo então Major Babtista Rosa, que era também
alto funcionário da RTP .
Uma das tarefas da minha tropa, era visionar cópias de filmes,
cedidos pela Embaixada Americana, seleccionar aqueles que pu-
dessem ser vistos pelos nossos soldados, na Metrópole e nas ini-
dades instaladas em África, filmes que não perturbassem o mo-
ral e ajudassem a distrair a malta .
Mas, à medida que a guerra subia de tom, foram utilizados ou-
tros métodos de obtenção do informação mais sofisticados, mas
isso era já de outro domínio .
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Rádio Moscovo não fala verdade (não fala verdade) .
Quase todos os dias eram-mos metralhados com a propa-
ganda emanada por um senhor, de sua graça Ferreira da
Costa, um tipo de extrema direita, na rádio e na televisão,
cantando loas acerca da guerra colonial, e das suas benes-
ses .
Não era fácil saber-se a verdade acerca dessa guerra, pois
a censura feroz nada deixava transpirar, e os soldado tin-
ham medo e eram instrumentados a manter segredo de
tudo o que acontecia em África .
A solução era tentar ouvir outras rádios internacionais, de
preferência a BBC .
Ouvia-se, às escondidas, a rádio Argel, onde pontificava o
camarada Manuel Alegre, e ainda a rádio Moscovo .
Era outra guerra, a guerra do silêncio e do boato, quase tão
mortífera como a guerra real .
A certa altura foi criado na RTP, um programa sobre a guer-
ra colonial, que era assegurada por Júlio Isidro, alferes do Ser-
viço Cartográfico do Exército, da Divisão de Fotografia e Cine-
ma, chefiada pelo então Major Babtista Rosa, que era também
alto funcionário da RTP .
Uma das tarefas da minha tropa, era visionar cópias de filmes,
cedidos pela Embaixada Americana, seleccionar aqueles que pu-
dessem ser vistos pelos nossos soldados, na Metrópole e nas ini-
dades instaladas em África, filmes que não perturbassem o mo-
ral e ajudassem a distrair a malta .
Mas, à medida que a guerra subia de tom, foram utilizados ou-
tros métodos de obtenção do informação mais sofisticados, mas
isso era já de outro domínio .
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terça-feira, 25 de abril de 2017
25 de ABRIL, O Orgasmo da História .
Aos Heróis Desconhecidos .
Quem ficou na História, foi o Capitão
Salgueiro Maia, herói claro e límpido,
porque morto, símbolo do Heroísmo e
da Coragem, e porque obedeceu rigoro-
samente às ordens ciosamente recebidas .
Otelo, Melo Antunes, Vasco Lourenço,
e tantos e tantos outros, soldados e mari-
nheiros anónimos e desconhecidos, parti-
lharam também essa maravilhosa aventu-
ra da conquista da
DEMOCRACIA .
Nada me move contra o valente Capitão,
o Herói do Terreiro do Paço e do Largo do
Carmo, foi ele quem deu o corpo ao mani-
festo e ofereceu o peito às balas.
Mas quantos emprestaram, às vezes em
condições e dificuldades extremas, o seu
labor e a sua inteligência,
para que fosses nossa
ó LIBERDADE
e que jamais virão nos manuais de Histó-
ria .
Para eles, a minha humilde Homenagem .
.
Quem ficou na História, foi o Capitão
Salgueiro Maia, herói claro e límpido,
porque morto, símbolo do Heroísmo e
da Coragem, e porque obedeceu rigoro-
samente às ordens ciosamente recebidas .
Otelo, Melo Antunes, Vasco Lourenço,
e tantos e tantos outros, soldados e mari-
nheiros anónimos e desconhecidos, parti-
lharam também essa maravilhosa aventu-
ra da conquista da
DEMOCRACIA .
Nada me move contra o valente Capitão,
o Herói do Terreiro do Paço e do Largo do
Carmo, foi ele quem deu o corpo ao mani-
festo e ofereceu o peito às balas.
Mas quantos emprestaram, às vezes em
condições e dificuldades extremas, o seu
labor e a sua inteligência,
para que fosses nossa
ó LIBERDADE
e que jamais virão nos manuais de Histó-
ria .
Para eles, a minha humilde Homenagem .
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segunda-feira, 24 de abril de 2017
A SANGRIA DE UM POVO .
Nunca ninguém os soube contar .
Cem mil fugidos ao Serviço Militar .
8 Mil desertores .
Quase um milhão de soldados feitos à pressa,
feridos e estropiados às dezenas de milhares .
Mortos, em todos os lares de Portugal .
Apanhados na vertigem do stress pós traumático .
Lares desestruturados sem conta .
Pais que ficaram sem filhos .
Filhos que não chegaram a conhecer os pais .
Um País dilacerado, migado aos pedaços, desconjuntado,
sem passado e sem futuro .
Portugal empobrecido pela falta de muitos dos maia aptos,
dos mais capazes, País sempre ferido, sempre adiado, exau-
rido, roído até ao osso .
E a raiva dos que passaram pela guerra, a dor dos que fica-
ram, a saudade dos que partiram, e a ira e a incompreensão
dos que foram obrigados a retornar .
E tudo foi cicatrizando lenta e dolorosamente, suportando
o enorme choque social, psicológico, económico e político, de
que ainda não recuperamos totalmente .
É muito para um povo enorme, fechado num País tão peque-
no e tão desgraçado .
A minha geração viveu tudo isso e muito mais, sem um pio,
mas com uma revolta do tamanho do Mundo .
.
Cem mil fugidos ao Serviço Militar .
8 Mil desertores .
Quase um milhão de soldados feitos à pressa,
feridos e estropiados às dezenas de milhares .
Mortos, em todos os lares de Portugal .
Apanhados na vertigem do stress pós traumático .
Lares desestruturados sem conta .
Pais que ficaram sem filhos .
Filhos que não chegaram a conhecer os pais .
Um País dilacerado, migado aos pedaços, desconjuntado,
sem passado e sem futuro .
Portugal empobrecido pela falta de muitos dos maia aptos,
dos mais capazes, País sempre ferido, sempre adiado, exau-
rido, roído até ao osso .
E a raiva dos que passaram pela guerra, a dor dos que fica-
ram, a saudade dos que partiram, e a ira e a incompreensão
dos que foram obrigados a retornar .
E tudo foi cicatrizando lenta e dolorosamente, suportando
o enorme choque social, psicológico, económico e político, de
que ainda não recuperamos totalmente .
É muito para um povo enorme, fechado num País tão peque-
no e tão desgraçado .
A minha geração viveu tudo isso e muito mais, sem um pio,
mas com uma revolta do tamanho do Mundo .
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domingo, 23 de abril de 2017
CARTA A UMA JOVEM PORTUGUESA .
UMA BOMBA AO RETARDADOR .
Carta a uma jovem portuguesa .
Vou escrever para ti, jovem portuguesa e particularmente
para ti, jovem estudante da nossa cidade(...) .
Sou um jovem que vive dentro de uma realidade juvenil, a
que quer compreender e a que que afirmar-se .
Por essa afirmação quero combater . A minha realidade é
igual à tua. Somos jovens . A minha liberdade não é igual à
tua . Separa-nos um muro, alto e espesso, que nem tu nem
eu construímos .
A nós rapazes, de viver do lado de cá, onde temos uma or-
dem social que em relação a nós nos favorece .
Para vós raparigas, o lado de lá desse muro ; o mundo in-
quietante da sombra e da repressão mental.
Do estatismo e da imanência(...)
Beijas-me e sofres . Dizes, não o devia ter feito, porque jul-
gas que o deverias ter feito .
Marinha de Campos Via Latina,
Semanário da Associação Académica de Coimbra,
1961 .
Carta aberta a todas as jovens, carta anónima, uma carta inofensiva que
hoje em dia nos faz sorrir com grande ternura .
Todavia, à época, numa sociedade dividida entre os jovens que frequenta-
vam as Repúblicas de Coimbra, e as raparigas arrebanhadas nos lares de
pobres meninas, chegadas da Província, tementes a Deus e às freiras, mui-
tas delas com temor e vergonha do seu próprio corpo e da própria realida-
de social em que estavam inseridas, a carta foi uma bomba que explodiu
com enorme estrondo, na caduca e obsoleta Academia Coimbrã, lançado
estilhaços em todas as direcções .
Numa altura em que os ânimos já estavam sobejamente exaltados com as
novidades acerca da guerra que todos nós teríamos de suportar, sabe-se lá
quando e em que condições, a carta funcionou como um sinal de alerta ge-
ral do perigo mortal a que iríamos ficar sujeitos, a qualquer hora e a qual-
quer pretexto .
Fàcilmente o incêndio se propagou às outras Academias, tocando a rebate
e inventando as modalidades de luta contra os senhores da Guerra .
.
Carta a uma jovem portuguesa .
Vou escrever para ti, jovem portuguesa e particularmente
para ti, jovem estudante da nossa cidade(...) .
Sou um jovem que vive dentro de uma realidade juvenil, a
que quer compreender e a que que afirmar-se .
Por essa afirmação quero combater . A minha realidade é
igual à tua. Somos jovens . A minha liberdade não é igual à
tua . Separa-nos um muro, alto e espesso, que nem tu nem
eu construímos .
A nós rapazes, de viver do lado de cá, onde temos uma or-
dem social que em relação a nós nos favorece .
Para vós raparigas, o lado de lá desse muro ; o mundo in-
quietante da sombra e da repressão mental.
Do estatismo e da imanência(...)
Beijas-me e sofres . Dizes, não o devia ter feito, porque jul-
gas que o deverias ter feito .
Marinha de Campos Via Latina,
Semanário da Associação Académica de Coimbra,
1961 .
Carta aberta a todas as jovens, carta anónima, uma carta inofensiva que
hoje em dia nos faz sorrir com grande ternura .
Todavia, à época, numa sociedade dividida entre os jovens que frequenta-
vam as Repúblicas de Coimbra, e as raparigas arrebanhadas nos lares de
pobres meninas, chegadas da Província, tementes a Deus e às freiras, mui-
tas delas com temor e vergonha do seu próprio corpo e da própria realida-
de social em que estavam inseridas, a carta foi uma bomba que explodiu
com enorme estrondo, na caduca e obsoleta Academia Coimbrã, lançado
estilhaços em todas as direcções .
Numa altura em que os ânimos já estavam sobejamente exaltados com as
novidades acerca da guerra que todos nós teríamos de suportar, sabe-se lá
quando e em que condições, a carta funcionou como um sinal de alerta ge-
ral do perigo mortal a que iríamos ficar sujeitos, a qualquer hora e a qual-
quer pretexto .
Fàcilmente o incêndio se propagou às outras Academias, tocando a rebate
e inventando as modalidades de luta contra os senhores da Guerra .
.
sábado, 22 de abril de 2017
O DIA DO ESTUDANTE - 1961 .
A Cereja no topo do Bolo .
Faltava qualquer coisa naquele desgraçado ano de 1961 :
A bronca do dia do estudante .
O acontecimento já era comemorado em anos anteriores,
mas com o eclodir da Guerra Colonial, Portugal e, em es-
pecial, a população estudantil, estava em polvorosa, após
a incorporação, ou a ameaça de incorporação forçada, de
oficiais milicianos, que seriam mandados combater numa
guerra com a qual nada tinham a ver .
O pânico e a desorientação total dos dirigentes fascistas
foi enorme, sem poderem prever as reais consequências de
tal acto .
Foi o detonador de uma convulsão que iria culminar no sen-
timento generalizado de indignação e revolta de milhares de
jovens universitários, por todo o País, e viria a ser a semente
da grande explosão da ser a Revolução do
25 de Abril .
Ao ano de 1961, viriam a seguir-se réplicas, cada vez mais ,
violentas, com que ondas de choque imprevisíveis, que amea-
çaram e acabaram por derrubar o regime vigente desde 1926 .
.
Faltava qualquer coisa naquele desgraçado ano de 1961 :
A bronca do dia do estudante .
O acontecimento já era comemorado em anos anteriores,
mas com o eclodir da Guerra Colonial, Portugal e, em es-
pecial, a população estudantil, estava em polvorosa, após
a incorporação, ou a ameaça de incorporação forçada, de
oficiais milicianos, que seriam mandados combater numa
guerra com a qual nada tinham a ver .
O pânico e a desorientação total dos dirigentes fascistas
foi enorme, sem poderem prever as reais consequências de
tal acto .
Foi o detonador de uma convulsão que iria culminar no sen-
timento generalizado de indignação e revolta de milhares de
jovens universitários, por todo o País, e viria a ser a semente
da grande explosão da ser a Revolução do
25 de Abril .
Ao ano de 1961, viriam a seguir-se réplicas, cada vez mais ,
violentas, com que ondas de choque imprevisíveis, que amea-
çaram e acabaram por derrubar o regime vigente desde 1926 .
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sexta-feira, 21 de abril de 2017
1961 - A QUEDA DE GOA, DAMÃO E DIU .
Vassalo e Silva,
vacila e salva-se .
" o Crime de um falso pacifista",
foi a manchete do Diário de Notícias,
referindo-se a Nehru, A invasão de Goa ocupou quase toda a
primeira página desse dia, dando ainda destaque ao que jornais
britânicos escreveram sobre o assunto .
DN, 18 de Dezembro de 1961
Bastaram-se apenas 36 horas para terminar com o domínio por-
tuguês em Goa, Damão e Diu .
Salazar enviou de imediato um navio de guerra para a Índia, na-
vio que avariou (ou foi sabotado) quando atravessava o Canal do
Suez .
(Ainda hoje lá deve estar a carcassa),
e deu horas para que os soldados portugueses combatessem até ao
último homem .
O Comandante da Guarnição, General Vassalo e Silva desobedeceu
às ordens do Jesuíta, acabando por a nossa tropa ter ficado refém
durante meses, em solo indiano .
Como poderiam 3300 soldados portugueses oferecer resistência a
45000 soldados indianos ?
Coisas de loucos ...
Conta-se que houve um general que aconselhava o Velho Ditador
a declarar guerra aos americanos .
Estes tomariam conta do País, instaurariam um Plano Marchall,
e assim desenvolveriam Portugal .
Respondeu o Ditador, todo ufano :
Pois, isso é muito bonito,
e se nós ganhamos a guerra à América ?...
Quando os britânicos deram a independência à União Indiana,
Portugal recusou entregar os territórios que ainda estavam sob
domínio indiano .
Só em 1974, a independência desses territórios viria a ser recon-
hecida pelo nosso País .
.
.
vacila e salva-se .
" o Crime de um falso pacifista",
foi a manchete do Diário de Notícias,
referindo-se a Nehru, A invasão de Goa ocupou quase toda a
primeira página desse dia, dando ainda destaque ao que jornais
britânicos escreveram sobre o assunto .
DN, 18 de Dezembro de 1961
Bastaram-se apenas 36 horas para terminar com o domínio por-
tuguês em Goa, Damão e Diu .
Salazar enviou de imediato um navio de guerra para a Índia, na-
vio que avariou (ou foi sabotado) quando atravessava o Canal do
Suez .
(Ainda hoje lá deve estar a carcassa),
e deu horas para que os soldados portugueses combatessem até ao
último homem .
O Comandante da Guarnição, General Vassalo e Silva desobedeceu
às ordens do Jesuíta, acabando por a nossa tropa ter ficado refém
durante meses, em solo indiano .
Como poderiam 3300 soldados portugueses oferecer resistência a
45000 soldados indianos ?
Coisas de loucos ...
Conta-se que houve um general que aconselhava o Velho Ditador
a declarar guerra aos americanos .
Estes tomariam conta do País, instaurariam um Plano Marchall,
e assim desenvolveriam Portugal .
Respondeu o Ditador, todo ufano :
Pois, isso é muito bonito,
e se nós ganhamos a guerra à América ?...
Quando os britânicos deram a independência à União Indiana,
Portugal recusou entregar os territórios que ainda estavam sob
domínio indiano .
Só em 1974, a independência desses territórios viria a ser recon-
hecida pelo nosso País .
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quinta-feira, 20 de abril de 2017
PORTUGAL AMORDAÇADO .
Seguiu-se o período do Estado Novo, o tempo em que a História de
Portugal parou, esquecido nas brumas da Memória .
A Iª. República constituiu a vivência da agitação, da alternância de
poderes, de Magistérios, de golpes e contra golpes, o poder de bloco
central, dividido pelas duas principais facções do novel Partido Repu-
blicano .
Foi pois, com algum alívio, que as tropas comandadas por Gomes da
Costa e Mendes Cabeçadas, se lançaram, a partir de Braga, numa enor-
me passeata, rumo à capital, num Rally Paper a cavalo, por entre vivas
e olés, para gáudio da populaça .
Foi o Célebre 28 de Maio, de 1926 ,
Que rapidamente daria lugar a um regime de partido único, com supres-
são de todas as liberdades, com censura, com polícia política e tribunais
especiais .
Pobre povo, que tudo aguenta .
Tinha acabado o tempo das rameiras e do vinho
verde .
Vivia-se agora,
O ESTADO NOVO VELHO
DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA .
SALAZAR E CEREJEIRA .
A Guerra Civil de Espanha .
A 2ª. GUERRA MUNDIAL
e o HOLOCAUSTO .
A Neutralidade alinhada .
O tempo das Fascismos .
O Orgulhosamente SÓS .
A GUERRA COLONIAL .
E TUDO O VENTO LEVOU .
A LIBERDADE RECONQUISTADA .
O Retomar do Orgulho de Português .
.
Portugal parou, esquecido nas brumas da Memória .
A Iª. República constituiu a vivência da agitação, da alternância de
poderes, de Magistérios, de golpes e contra golpes, o poder de bloco
central, dividido pelas duas principais facções do novel Partido Repu-
blicano .
Foi pois, com algum alívio, que as tropas comandadas por Gomes da
Costa e Mendes Cabeçadas, se lançaram, a partir de Braga, numa enor-
me passeata, rumo à capital, num Rally Paper a cavalo, por entre vivas
e olés, para gáudio da populaça .
Foi o Célebre 28 de Maio, de 1926 ,
Que rapidamente daria lugar a um regime de partido único, com supres-
são de todas as liberdades, com censura, com polícia política e tribunais
especiais .
Pobre povo, que tudo aguenta .
Tinha acabado o tempo das rameiras e do vinho
verde .
Vivia-se agora,
O ESTADO NOVO VELHO
DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA .
SALAZAR E CEREJEIRA .
A Guerra Civil de Espanha .
A 2ª. GUERRA MUNDIAL
e o HOLOCAUSTO .
A Neutralidade alinhada .
O tempo das Fascismos .
O Orgulhosamente SÓS .
A GUERRA COLONIAL .
E TUDO O VENTO LEVOU .
A LIBERDADE RECONQUISTADA .
O Retomar do Orgulho de Português .
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quarta-feira, 19 de abril de 2017
Mudam-se os tempos, permanecem as vontades .
A chegada da República foi um aconteci-
mento de extraordinária importância .
A sociedade portuguesa estava farta de aturar as caturrices de uma
Monarquia gasta e velha, habituada a todo o tipo de desmandos, so-
frendo na pele, a prepotência e os caprichos das classes dominantes,
de cariz folclórico e arcaico .
Por seu lado, os ideais republicanos tinham-se instalado gradualmen.
te, sobretudo nos meios urbanos, tendo do seu lado organizações de
carácter revolucionário, como a Maçonaria e a Carbonária .
Talvez por isso a Monarquia tenha sido facil-
mente derrubada coum simples sopro .
A ditadura de João Franco tinha-se tentado firmar contra a vontade
popular, cada vez mais explorada .
Estavam pois criadas para o derrube do Antigo Regime .
O assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe Herdeiro, deram a macha-
dada final no regime monárquico .
.
mento de extraordinária importância .
A sociedade portuguesa estava farta de aturar as caturrices de uma
Monarquia gasta e velha, habituada a todo o tipo de desmandos, so-
frendo na pele, a prepotência e os caprichos das classes dominantes,
de cariz folclórico e arcaico .
Por seu lado, os ideais republicanos tinham-se instalado gradualmen.
te, sobretudo nos meios urbanos, tendo do seu lado organizações de
carácter revolucionário, como a Maçonaria e a Carbonária .
Talvez por isso a Monarquia tenha sido facil-
mente derrubada coum simples sopro .
A ditadura de João Franco tinha-se tentado firmar contra a vontade
popular, cada vez mais explorada .
Estavam pois criadas para o derrube do Antigo Regime .
O assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe Herdeiro, deram a macha-
dada final no regime monárquico .
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terça-feira, 18 de abril de 2017
1961-O "Annus Horribilis" de Salazar .
O principio do fim do Estado Novo ocorreu no ano em que
deflagrou a Guerra de Angola, caíram a Índia e Ajudá, fal-
hou um golpe de Estado e um navio e um avião foram des-
viados por oposicionistas .
Revista Visão
13 de Dezembro de 1961
O velho Ditador buliu,
tremeu mas não caíu .
Foi muita fruta, para um ano só - 1961 .
Iniciou-se a Guerra Colonial, com o levantamento dos traba-
lhadores das plantações de algodão e café, com a chacina de
muitos negros, na Baixa do Cassange .
A revolta foi, ferozmente reprimida por tropas especiais e pe
lala aviação portuguesas .
O Capitão Henrique Galvão, saído das fileiras do Exército
Português e que aderiu ao campo da Oposição Democrática,
tomou de assalto o Paquete Santa Maria, ao comando de um
grupo de revoltosos, e passeou-se com ele pelos mares das Ca-
raíbas, na chamada Operação Dulcineia .
No princípio de Fevereiro, desse mesmo ano, teve lugar o assal-
to às prisões civis e militares de Luanda, levada a cabo pelas tro-
pas do MPLA, Movimento pró-Soviético , dirigido por Agostinho
Neto .
Logo a seguir, a UNITA, grupo armado por Holden Roberto, a
soldo dos americanos, levou a cabo a matança de muitos colo-
nos brancos (conta-se que 800 brancos e mais de 1200 africanos).
Tinha começado a sério, a Guerra Cononial, que iria levar quase
um milhão de soldados a passar pelas terras africanas, com con-
sequências profundas, que iriam mudar completamente o destino
de Portugal .
Logo de seguida, a Guerra estendeu-se, como um rastilho, à Guiné
e a Moçambique .
Começou mal o início do fim do Sacro Impé-
rio Colonial Português .
Em Agosto de 1961, a Republica do Daomé, apoderou-se de um
pequeno, mas simbólico território, a Fortaleza de São João Baptista,
de Ajudá, devido a ter sido no passado, um importante entreposto no
comércio de escravos .
Em Novenbro, um antigo resistente anti fascista, Hermínio da Pal-
ma Inácio, raptou um avião Super Constellation, da Tap, espalhando
panfletos anti- fascistas, pelos campos do Alentejo e por terras de Ma-
rrocos, fugindo para a Argélia .
Já no fim do ano, teve lugar o golpe de Beja, levado a cabo por um gru-
po de militares afectos ao General Humberto Delgado, golpe que viria
a ser abortado e desmantelado .
Por último, mas não por fim, iria desenrolar-se o drama da tomada dos
territórios indianos, no final de 1961, deixando Salazar à beira do de-
sespero .
Mas isso, é um fado para ser cantado amanhã ...
.
deflagrou a Guerra de Angola, caíram a Índia e Ajudá, fal-
hou um golpe de Estado e um navio e um avião foram des-
viados por oposicionistas .
Revista Visão
13 de Dezembro de 1961
O velho Ditador buliu,
tremeu mas não caíu .
Foi muita fruta, para um ano só - 1961 .
Iniciou-se a Guerra Colonial, com o levantamento dos traba-
lhadores das plantações de algodão e café, com a chacina de
muitos negros, na Baixa do Cassange .
A revolta foi, ferozmente reprimida por tropas especiais e pe
lala aviação portuguesas .
O Capitão Henrique Galvão, saído das fileiras do Exército
Português e que aderiu ao campo da Oposição Democrática,
tomou de assalto o Paquete Santa Maria, ao comando de um
grupo de revoltosos, e passeou-se com ele pelos mares das Ca-
raíbas, na chamada Operação Dulcineia .
No princípio de Fevereiro, desse mesmo ano, teve lugar o assal-
to às prisões civis e militares de Luanda, levada a cabo pelas tro-
pas do MPLA, Movimento pró-Soviético , dirigido por Agostinho
Neto .
Logo a seguir, a UNITA, grupo armado por Holden Roberto, a
soldo dos americanos, levou a cabo a matança de muitos colo-
nos brancos (conta-se que 800 brancos e mais de 1200 africanos).
Tinha começado a sério, a Guerra Cononial, que iria levar quase
um milhão de soldados a passar pelas terras africanas, com con-
sequências profundas, que iriam mudar completamente o destino
de Portugal .
Logo de seguida, a Guerra estendeu-se, como um rastilho, à Guiné
e a Moçambique .
Começou mal o início do fim do Sacro Impé-
rio Colonial Português .
Em Agosto de 1961, a Republica do Daomé, apoderou-se de um
pequeno, mas simbólico território, a Fortaleza de São João Baptista,
de Ajudá, devido a ter sido no passado, um importante entreposto no
comércio de escravos .
Em Novenbro, um antigo resistente anti fascista, Hermínio da Pal-
ma Inácio, raptou um avião Super Constellation, da Tap, espalhando
panfletos anti- fascistas, pelos campos do Alentejo e por terras de Ma-
rrocos, fugindo para a Argélia .
Já no fim do ano, teve lugar o golpe de Beja, levado a cabo por um gru-
po de militares afectos ao General Humberto Delgado, golpe que viria
a ser abortado e desmantelado .
Por último, mas não por fim, iria desenrolar-se o drama da tomada dos
territórios indianos, no final de 1961, deixando Salazar à beira do de-
sespero .
Mas isso, é um fado para ser cantado amanhã ...
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segunda-feira, 17 de abril de 2017
o Reviralho .
Nome genérico e irónico dado pelos do regime fascista aos pretensos
revolucionários, devido ao elevado número de intentonas e fracassos
de golpes e pronunciamentos, a seguir à implantação da ditadura .
Os do reviralho, seriam os que pretendiam reverter o sistema vigente
após o 28 de Maio, de 1926 .
O nome pegou, e assim ficariam conhecidos os oposicionistas ao dita-
dor Salazar .
O termo permaneceu na história trágico- política, até à criação do
MUD- Momento Unitário Democrático, que pretendeu reunir as dife-
rentes correntes de opinião adversas ao fascismo .
Contam-se mais de dez , as tentativas de derrubar o regime, quase to-
das mal preparadas, sem qualquer base de apoio, em regra comanda-
das por antigos oficiais na reserva ou políticos que foram afastados no
quadro republicano .
A cada golpe falhado, seguiam-se prisões e deportações de muitos pa-
triotas.
Outros acolhiam-se no exílio e no degredo .
A cada movimento revolucionário, Salazar viria a fortalecer cada vez
mais o sistema policial repressivo, designadamente com a criação de
uma polícia especializada e de um tribunal próprio para julgar os di-
tos crimes políticos .
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revolucionários, devido ao elevado número de intentonas e fracassos
de golpes e pronunciamentos, a seguir à implantação da ditadura .
Os do reviralho, seriam os que pretendiam reverter o sistema vigente
após o 28 de Maio, de 1926 .
O nome pegou, e assim ficariam conhecidos os oposicionistas ao dita-
dor Salazar .
O termo permaneceu na história trágico- política, até à criação do
MUD- Momento Unitário Democrático, que pretendeu reunir as dife-
rentes correntes de opinião adversas ao fascismo .
Contam-se mais de dez , as tentativas de derrubar o regime, quase to-
das mal preparadas, sem qualquer base de apoio, em regra comanda-
das por antigos oficiais na reserva ou políticos que foram afastados no
quadro republicano .
A cada golpe falhado, seguiam-se prisões e deportações de muitos pa-
triotas.
Outros acolhiam-se no exílio e no degredo .
A cada movimento revolucionário, Salazar viria a fortalecer cada vez
mais o sistema policial repressivo, designadamente com a criação de
uma polícia especializada e de um tribunal próprio para julgar os di-
tos crimes políticos .
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domingo, 16 de abril de 2017
A GUERRA EM VÁRIAS FRENTES .
O alastrar da guerra .
A Guerra Colonial desencadeou-se no Norte de Angola,
nas terras do café, nas grandes plantações a perder de vista,
e com o assalto à cadeia de Luanda .
A UPA- União dos povos de Angola, foi o inimigo mais co-
necido mas, a pouco, viriam a emergir diferentes Movimen-
tos de Libertação, o MPLA, de tendência marxista, apoiado
pela Rússia e pela maioria dos países africanos, a FNLA, apoi-
ada pelos chineses e a UNITA, apoiada pela África do Sul .
O teatro de operações foi alastrando a diferentes zonas de An-
gola, a leste e a sul do país .
Pouco tempo depois, novas frentes de batalha se estabeleceram,
espalhando o já tão parco Exército Português, pelos pântanos
da Guiné e pelas florestas de Moçambique .
Era a guerra total, apadrinhada por todos, apoiada pelas potên-
cias tradicionalmente vendedoras de armamento, que jogavam
em todos os tabuleiros .
Era também uma guerra envergonhada, jogada às escondidas
nos matagais africanos .
Salazar e os seus aliados, gente velha e decrépita, com grandes
interesses coloniais, ávido das riquezas e do sangue dos desgra-
çados, sem vergonha e sem futuro, apoiados nos grandes mono-
pólios com raízes da chamada Metrópole, foi uma enorme opor-
tunidade para a rapina desenfreada, sob o manto diáfano do pa-
triotismo bacoco e ultramontano .
Avançou sem medos e sem decoro, rumo ao desastre anunciado,
até que os capitães de Abril puseram cobro a essa tragédia .
Foi muito feio e muito mau, o papel que Portugal desempenhou
nestes tempos de chumbo .
.
A Guerra Colonial desencadeou-se no Norte de Angola,
nas terras do café, nas grandes plantações a perder de vista,
e com o assalto à cadeia de Luanda .
A UPA- União dos povos de Angola, foi o inimigo mais co-
necido mas, a pouco, viriam a emergir diferentes Movimen-
tos de Libertação, o MPLA, de tendência marxista, apoiado
pela Rússia e pela maioria dos países africanos, a FNLA, apoi-
ada pelos chineses e a UNITA, apoiada pela África do Sul .
O teatro de operações foi alastrando a diferentes zonas de An-
gola, a leste e a sul do país .
Pouco tempo depois, novas frentes de batalha se estabeleceram,
espalhando o já tão parco Exército Português, pelos pântanos
da Guiné e pelas florestas de Moçambique .
Era a guerra total, apadrinhada por todos, apoiada pelas potên-
cias tradicionalmente vendedoras de armamento, que jogavam
em todos os tabuleiros .
Era também uma guerra envergonhada, jogada às escondidas
nos matagais africanos .
Salazar e os seus aliados, gente velha e decrépita, com grandes
interesses coloniais, ávido das riquezas e do sangue dos desgra-
çados, sem vergonha e sem futuro, apoiados nos grandes mono-
pólios com raízes da chamada Metrópole, foi uma enorme opor-
tunidade para a rapina desenfreada, sob o manto diáfano do pa-
triotismo bacoco e ultramontano .
Avançou sem medos e sem decoro, rumo ao desastre anunciado,
até que os capitães de Abril puseram cobro a essa tragédia .
Foi muito feio e muito mau, o papel que Portugal desempenhou
nestes tempos de chumbo .
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sábado, 15 de abril de 2017
O SERVIÇO MILITAR :
Ó 31, esta é a tua mão esquerda,
esta é a tua mão direita .
Então, diz lá tu agora :
Qual é a tua mão direita ?
Não sei, o meu sargento baralhou-as ...
.
Todo o sargento deve saber ler e escrever,
pode o oficial não saber .
No primeiro quartel do Sec.XX, Portugal era ainda um País muito
atrasado, que chocava os visitantes que por cá veraneavam, ou que
vinham a negócios .
Atente-se com um pouco de critério, nas aparições de Fátima, e na-
quele folclore todo relacionado com tão espantoso acontecimento .
Ainda hoje, um século depois, estamos à espera de um explicação
de tal embuste .
Mas isso, é um problema de Fé .
Mas nesse tempo, a escolaridade quase não existia, a taxa de morta-
lidade era enorme, e as pessoas iam à bruxa, em vez do médico, que
rareava, mesmo nas terras mais evoluídas .
Faziam-se filhos de empreitada, às dezenas, mas o aborto era um te-
ma tabú . Faziam-se desmanchos, em condições sanitárias deprimen-
tes, e no silêncio do pecado .
E como era o nosso Exército ?
Mancebos arrebanhados à pressa e à força .
Não sei quando foi criado o Serviço Militar Obrigatório, com carác-
ter universal .
Foi seguramente uma coisa positiva pois constituía um dos primeiros
sinais de contacto com a civilização, com o primeiro banho, com os
primeiros contactos com a normas sanitárias, com a vacinação genera-
lizada, com a aprendizagem da leitura e da escrita , transformando se-
res primitivos, em gente .
Mas mais importante, ajudou a formar indivíduos egoístas e isolados,
numa força disciplinada, solidária e aberta ao diálogo e à diferença .
Claro que o objectivo principal era treinas as pessoas para obedecerem
dispostas para os sacrifícios, que mais tarde teriam que ser postos à pro-
va .
Não há almoços grátis .
E era ainda, uma pequena retribuição pelos encargos que o País fazia
pelos cidadãos em geral, para remir, de algum modo, serviços prestados
à Comunidade .
Como é diferente a gratidão em Portugal .
.
esta é a tua mão direita .
Então, diz lá tu agora :
Qual é a tua mão direita ?
Não sei, o meu sargento baralhou-as ...
.
Todo o sargento deve saber ler e escrever,
pode o oficial não saber .
No primeiro quartel do Sec.XX, Portugal era ainda um País muito
atrasado, que chocava os visitantes que por cá veraneavam, ou que
vinham a negócios .
Atente-se com um pouco de critério, nas aparições de Fátima, e na-
quele folclore todo relacionado com tão espantoso acontecimento .
Ainda hoje, um século depois, estamos à espera de um explicação
de tal embuste .
Mas isso, é um problema de Fé .
Mas nesse tempo, a escolaridade quase não existia, a taxa de morta-
lidade era enorme, e as pessoas iam à bruxa, em vez do médico, que
rareava, mesmo nas terras mais evoluídas .
Faziam-se filhos de empreitada, às dezenas, mas o aborto era um te-
ma tabú . Faziam-se desmanchos, em condições sanitárias deprimen-
tes, e no silêncio do pecado .
E como era o nosso Exército ?
Mancebos arrebanhados à pressa e à força .
Não sei quando foi criado o Serviço Militar Obrigatório, com carác-
ter universal .
Foi seguramente uma coisa positiva pois constituía um dos primeiros
sinais de contacto com a civilização, com o primeiro banho, com os
primeiros contactos com a normas sanitárias, com a vacinação genera-
lizada, com a aprendizagem da leitura e da escrita , transformando se-
res primitivos, em gente .
Mas mais importante, ajudou a formar indivíduos egoístas e isolados,
numa força disciplinada, solidária e aberta ao diálogo e à diferença .
Claro que o objectivo principal era treinas as pessoas para obedecerem
dispostas para os sacrifícios, que mais tarde teriam que ser postos à pro-
va .
Não há almoços grátis .
E era ainda, uma pequena retribuição pelos encargos que o País fazia
pelos cidadãos em geral, para remir, de algum modo, serviços prestados
à Comunidade .
Como é diferente a gratidão em Portugal .
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sexta-feira, 14 de abril de 2017
RECEITA PARA FAZER UM HERÓI .
Tome-se um homem,
feito de nada, como nós,
e em tamanho natural.
Embeba-lhe a carne,
lentamente,
duma certeza aguda, irracional,
intensa como o ódio ou como a fome.
Depois , perto do fim,
agite-se um pendão
e toque-se um clarim .
Serve-se morto .
Reinaldo Ferreira
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feito de nada, como nós,
e em tamanho natural.
Embeba-lhe a carne,
lentamente,
duma certeza aguda, irracional,
intensa como o ódio ou como a fome.
Depois , perto do fim,
agite-se um pendão
e toque-se um clarim .
Serve-se morto .
Reinaldo Ferreira
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