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sábado, 12 de setembro de 2009

O Voto que lhes é Utilíssimo

Como não me deslumbro nem com os amanhãs que cantam, mas também não me embalo com passados gloriosos, observo o presente que efectivamente temos tido e vamos continuar a ter pelo andar da carruagem.

Assim talvez se perceba que se vota nesta lista:

JOSÉ SOCRATES
SILVA PEREIRA
VIEIRA DA SILVA (aka BAGÃO FÉLIX)
PINA MOURA
CAMPOS E CUNHA
JAIME SILVA
JORGE COELHO
ANTÓNIO VITORINO
VITALINO CANAS
JOSÉ LELLO
JOAQUIM RAPOSO
ARMANDO VARA
MIGUEL COELHO
VÍTOR CONSTÂNCIO
e outros quejandos

Como não voto nem em Braga, nem em Coimbra, nem em Faro (e 3 em 18 não é grande consolo), e tenho a certeza que o meu voto seria utilíssimo a estes cavalheiros para continuarem a obra maravilhosa que têm levado a cabo, em ocasional conúbio com os passarões do outro lado da rua (o PSD), vou procurar quem ainda seja Socialista, mesmo que seja noutra tenda da feira.

P.S.: Apesar de também gostar de comparações entre a política e o futebol (e às vezes são tão tristemente parecidos), há uma diferença que faz toda a diferença. O futebol opera muito no lado do irracional (é-se do Benfica ou do Sporting porque sim e não se muda mais), a política deve-se ater ao racional, e mudar quando necessário, até para que os que estão errados no nosso lado sejam afastados. Caso contrário Obama nunca seria Presidente.

O Voto (in)útil


Quando se deu o 25 de Abril de 74, era eu um fedelho de 2 anos e meio. Daí que as minhas lembranças do tempo da outra senhora sejam em 2ª mão.

Mas por aquilo que me contam as eleições naquela época eram piores do que os últimos 20 anos do Campeonato Nacional de futebol - sabia-se sempre de antemão que iam ganhar sempre os mesmos. Com as muitas e graves agravantes como a porrada, a censura, a perseguição e quando não a morte daqueles que levantavam a garimpa.
Os votos naquelas eleições eram tudo votos completamente inúteis face ao resultado (que não ao amedrontar do regime).
Conceitos como governabilidade, estabilidade atingiam o seu zénite.

Contudo sobreveio a Democracia. E com ela as eleições livres e justas. E o Parlamento livre.

Hoje, no entanto, tal como em quase todas as eleições desde o cavaquismo, fala-se do voto útil, do voto que realmente conta, etc. e tal.
Tirando os brancos, que contam para as estatísticas e não elegem ninguém, pergunto-me se haverá outros votos inúteis.
Será que se todos votarmos na Carmelinda Pereira ou no PNR, eles não ganharão? ou pelo menos não serão eleitos?
Desconfio que não... a menos que a asfixia democrática seja maior do que aquilo que penso.

Ora se todos os votos contam, porque será que uns são úteis e outros não?

Primeiro vem-me à ideia uma pergunta, talvez estúpida, mas eu sou assim, um pouco tosco - a quem é que os votos são úteis?

Penso que os votos no PS serão úteis à tropa do PS, os do PSD ao pessoal do PSD, os do BE à malta do BE, e por aí adiante. E no seu conjunto, e quantos mais, serão úteis à Democracia.

Contudo já ouvi dizer que a utilidade mede-se no contributo para a governabilidade. Quanto mais se votar num mesmo partido, maior o seu resultado e ops! tem maioria absoluta e faz o que quer. Versão em quadriénio e softcore do tempo do quero, posso e mando.
Então vamos todos votar no partido que as sondagens dão a vitoria e pronto. A democracia esgota-se nas sondagens de opinião e a governabilidade é plebiscitada nas eleições.
Acho esta ideia um pouco fraquinha...

O critério da estabilidade é um pouco como o anterior, mas ainda mais avesso à noção de Democracia. Basta eleger um governo e nunca mais se muda. Uma espécie de Monarquia.

Ora tenho cá para mim, e fora destas análises de sofá e chinelo, que o que é o voto útil em Democracia, é o voto consciente, livre, sem constrangimentos nem ameaças, de acordo com aquilo que mais desejamos e queremos.
E depois que se contem.
Se houver muitos como nós, ganhamos, se houver poucos perdemos, se formos uns tantos influenciamos, se formos quase nada, olha, há mais campeonatos...

Votos inúteis são os votos que nos são impostos ou condicionados pela vontade dos outros, e não pela nossa apenas.

Não chegaram 50 anos?


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Voto obrigatório: NÃO obrigado!

Devo já dizer que, desde que pude votar, NUNCA falhei um acto eleitoral.

Com a tendência para valores de abstenção mais elevados, particularmente nalgumas eleições, vem a lume a discussão da obrigatoriedade do voto.

Lá estamos novamente a usar todos os meios para atingir os fins.

Não é pela obrigatoriedade do voto que as decisões políticas se tornam mais consensuais ou legitimadas.

Isso só se consegue com mais transparência e mais participação.

Façam-se campanhas de sensibilização, especialmente através de publicitação do trabalho desenvolvido pelos eleitos e dêem condições para o mesmo ser livremente escrutinado. Chame-se à participação na vida política os cidadãos, mesmo que estes não queiram ser ser eleitos.

Espero que estas vontades não signifiquem vontade de aumentar o número de votos para ter a consequência de elevar a subvenção do Estado para o financiamento partidário.

O voto deverá ser uma obrigação CÍVICA, não legal !!!
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