sábado, 17 de janeiro de 2009

Exposição de colagens

Vai estar patente na sede da ART- Associação dos Residentes de Tellheiras, na Rua Prof. Mário Chicó, 5 ,1600-643, em Lisboa, uma exposição de colagens,da autoria de Mário Plácido, com o tema Figuras e Figurões.

Os trabalhos podem ser visitados aos sábados e domingos, entre as 15 e as 18 horas.

Obrigado pela vossa visita.
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Um novo Obama


Um dos mais célebres exemplares da pintura americana, intitula-se Gótigo Americano, e é da autoria de Grant Wood. Constitui um verdadeiro ícone da ideologia WASP ( White Anglo Saxon Protestant).
Após a eleição de Barak Obama, apareceu agora uma variação do quadro, em que o protagonista é o novo presidente americano.
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Palestina

.... "E as crianças Senhor,
Porque lhes dais tanta dôr,
Porque sofrem assim?" ...

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

It's the economy... Obama


Tão claro que qualquer pessoa sem conhecimentos de economia percebe. A simplicidade da escrita de Krugman tem, sem dúvida, que ser enaltecida.

Preparem-se pois o pior ainda está para vir.

Pensará Obama daqui a uns anos o que se sabe hoje que Roosevelt deveria ter feito, de que se o estímulo à economia tivesse sido superior a Grande Depressão não teria sido tão Grande ?
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Retornar a História

Decidimos publicar um texto escrito pelo Mário Garcia no blog Martinho da Arcada, em 1 de Julho, de 2007.
Esse texto aborda o problema da integração dos chamados retornados das antigas colónias portuguesas.
A coragem, a clarividência e o amor à verdade que são evidenciados pelo tema, justificam tal publicação, dado persistirem ainda, na nossa sociedade, certas ideias feitas, mitos e preconceitos, difíceis de apagar.

Retornar a História
Numa altura em que o Estado Alemão está a concluir o pagamento de indemnizações aos ex-presos políticos do regime comunista da antiga RDA, o Herald Tribune de 15 de Junho relata a história de um grupo de mulheres alemãs excluídas deste processo apenas por terem estado no sítio errado e na hora errada.
Aquando da ofensiva final do exército vermelho em direcção a Berlim, na Primavera de 1945, estas cerca 20.000 jovens adolescentes viviam no Reich Alemão a leste do rio Oder, que no pós-guerra passou a ser território polaco.
Ao terem sido feitas prisioneiras de guerra, iniciaram a sua epopeia de sofrimento sendo levadas para campos de trabalho na Sibéria. Cerca de 4 anos depois as sobreviventes, menos de um terço, foram realocadas na RDA, proibidas de comentar o seu passado, aliás negado oficialmente.
Depois da reunificação, e com a ascenção ao poder de Angela Merkel, ela própria oriunda da Alemanha de Leste, criaram-se as condições para a sociedade alemã curar estas ‘pequenas feridas’. Mas hoje, seis décadas depois, continua a não existir qualquer registo oficial destas prisioneiras de guerra."We are Germany's forgotten wartime prisoners". "The issue is not the money as such, (…) it is about respect and recognition. We suffered in the labor camps. We were prisoners. Yet the German government has never recognized that fact.
"Paralelamente, leio no Courrier Internacional (8 de Junho) um artigo publicado no El Periódico de Catalunha intitulado «Um Milhão de Espolidos Esquecidos - Os portugueses que deixaram África ‘com uma mão à frente e outra atrás’ ainda não foram indemnizados pela descolonização».
Os denominados ‘Retornados’ «há 32 anos que reclamam do Governo Português uma indemnização por tudo o que perderam após a independência das províncias do ultramar».
Reconhecem que ‘os culpados’ foram os interesses internacionais. «Em plena guerra fria, os Estados Unidos, a Rússia, Cuba e a China estavam interessados no petróleo de Angola e no controlo da África Austral.» Mas acusam o Governo português de nada ter feito na defesa dos seus interesses.
A descolonização ainda hoje não é um tema pacífico em Portugal, pois muitos dos directamente envolvidos em todo o processo continuam vivos.E julgo que não vale a pena esgrimir argumentos sobre o momento histórico em que, em consequência da queda do Estado Novo, Portugal promoveu o acolhimento e integração na ‘metrópole’ de cerca de 1 milhão de retornados (10% da população). É um assunto que continuará a incendeiar velhas memórias, paixões e ódios antigos.
Contudo, parece que existem mais de dois mil processos de indemnização contra o Estado Português.
Estas indemnizações, no momento presente, significa que os cidadãos não envolvidos nestes processos deverão indemnizar os seus concidadões .
Ora eu questiono: De quê e porquê?
O Estado Português, que se saiba, não é acusado de ter ficado com o património dos lesados (ao contrário das nacionalizações). Não deveriam processar os respectivos PALOPs?
E não defendeu o Estado Português os interesses dos colonos portugueses?
O que foram os 13 anos de Guerra Colonial?
Nunca terá ocorrido aos colonos portugueses que a guerra poderia ‘dar para o torto’?
E não criou o Estado Novo condições de excepção para os portugueses no Ultramar?
Não beneficiaram de actividades económicas protegidas?Não era até necessário uma ‘carta de chamada’ para iniciar uma aventura africana?

À semelhança do caso das cidadãs alemãs, sou obrigado a lembrar-me também aqui dos ‘esquecidos’ desta nossa história.
A começar por todos aqueles que foram obrigados a sair de Portugal, durante décadas, ‘com uma mão à frente e outra atrás’, por não terem o que comer. Na altura em que se dizia não haver racismo entre nós pois vivia tão mal o preto em Àfrica como o branco em Portugal.
Quantos não sairam do País, até clandestinamente, porque esse mesmo Estado Português não ter sido capaz de criar as condições básicas de sobrevivência por cá?
E os caso dos presos políticos do Antigo Regime, torturados, exilados, discriminados, assassinados?
E os soldados que foram parar à Guerra?
Deverão também, todos eles, processar o Estado Português?
Segundo se depreende do referido artigo, aparentemente não podem.
Isto porque, os processos em causa envolvem a avaliação de ‘bens que tiveram de deixar para trás’, ‘propriedades’, ‘peritagens’.

Como cidadão português, já em pleno século XXI, considero não ter nenhuma dívida monetária com os ‘retornados’, palavra do passado, pois todos aqueles que eu conheço que regressaram do Ultramar, na minha família, entre os meus amigos, ou na vida pública em geral, são tão portugueses como eu. Longe vão os tempos dos portugueses de 1ª e de 2ª.
Ou talvez não...

posted by Mario Garcia @ 02:25 0 comments link

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

In Memoriam de Mário Garcia

In Memoriam de Mário Garcia


ANJO DA GUARDA

PROCURO E NÃO TE ENCONTRO,
FALO-TE E NÃO ME RESPONDES.
SINTO-TE EM TODO O LADO,
EM TODOS OS MOMENTOS,
EM TODAS AS COISAS.
ESTÁS NO VENTO,
NA TERRA E NO ESPAÇO.
NO MAR, QUE TANTO ADORAVAS.
QUANDO ESTOU ACORDADO,
OU SE ADORMEÇO,
QUANDO O DIA COMEÇA, E NO OCASO.
ESTÁS NO SOL, QUE TE AQUECIA
E TE DESLUMBRAVA.
ESTÁS NOS MEUS SONHOS.
ADVINHAS OS MEUS PENSAMENTOS
ESCREVO AS TUAS PALAVRAS.
PASSEIO E CONVERSO CONTIGO.
DESENHO A PENSAR EM TI.

VOASTE TÃO ALTO
E PARA TÃO LONGE,
MAS VENS SEMPRE TER COMIGO.
QUANDO QUERO AGARRAR-TE,
É ENTÃO, QUE DE NOVO, ME FOGES.
E SE FECHO OS OLHOS À NOITE,
É QUE TE VEJO MAIS PERTO.

ESTÁS SEMPRE COMIGO,
DENTRO DO MEU CORAÇÃO.
ÉS O MEU ANJO DA GUARDA.

Os Pais
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sábado, 27 de dezembro de 2008

África, continente esventrado


Xé menino, não fala política

Velha Chica

Antigamente a velha Chica
vendia cola e gengibre
e lá pela tarde ela lavava
a roupa do patrão importante;
e nós os miúdos lá da escola
perguntávamos à vóvó Chica
qual era a razão daquela pobreza,
daquele nosso sofrimento.

Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.

Mas a velha Chica
embrulhada nos pensamentos,
ela sabia, mas não dizia a razão
daquele sofrimento.

Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.

E o tempo passou
e a velha Chica,
só mais velha ficou.
Ela somente fez uma kubata
com tecto de zinco, com tecto de zinco.

Xé menino, não fala política,
não fala política.

Mas quem vê agora
o rosto daquela senhora, daquela senhora,
só vê as rugas do sofrimento, do sofrimento, do sofrimento!

Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.

E ela agora só diz:“
- Xé menino, quando eu morrer, quero ver Angola viver em paz!

-Xé menino, quando morrer, quero ver Angola e o Mundo em paz!”

(Poema de Waldemar Bastos)
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BALADA DA NEVE

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

Poema de Augusto Gil
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Neve no Coração

Serra da Estrela, Cabeça da Velha, Seia.
Foto de António Correia

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