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terça-feira, 16 de setembro de 2008

... a 50 dias da decisão

Pondo de parte as questões que têm a ver com a forma com que cada sondagem ou estudo de opinião é realizado, dado que alguns deles são manifestamente insuficientes para aferir do resultado final, importa realçar algumas questões.

Importante em todas as eleições são sempre as votações paralelas em cada estado e mesmo condado, desde referendos sobre questões específicas às eleições para Governador, Senadores ou Representantes na Câmara dos deputados. A isso voltarei noutra altura.

Relevante para a vitória em cada estado é também a presença a sufrágio de outros candidatos, como o independente Ralph Nader ou o candidato do Libertarian Party, Bob Barr que poderão fazer alterar o vencedor em estados de diferenças mais reduzidas entre os candidatos democrata e republicano.

Dada a forma de eleição do Presidente dos Estado Unidos o resultado final global não é de todo significativo para a vitória.

Através de colégio eleitoral composto por "grandes eleitores" representativos dos vários estados, na quase totalidade dos estados representando o vencedor nesse mesmo estado seja com mais 1 voto ou mais um milhão, encontra-se o eleito.

Apesar de não ser relevante para a vitória no estado as sondagens globais poderão naturalmente influenciar a tendência de voto dos indecisos. Se olharmos a estas (nomeadamente para as que agrupam vários estudos), agora que o efeito convenções foi esbatido, verificamos a existência de um empate técnico com ligeira vantagem para McCain (45-45 CNN pool of pools 15/9 ou 46.3-44.7 NPR 5/9-14/9) após maior ascendente do candidato republicano na semana anterior.

No entanto olhando para cada estado a tendência pende para Obama, mesmo nos dias pós Saint Paul. Vendo os estados eleitos como campo de batalha por ambas as partes resulta que Indiana, Missouri,  Florida, Carolina do Norte, Montana, Georgia, Texas, Mississipi e  Louisiana pendem de forma mais ou menos clara para McCain enquanto que Iowa, Oregon, Wisconsin, New Jersey, Washington e California para Obama.

Quanto aos estados da decisão, os chamados Toss Up em que as diferenças são mínimas, McCain conquista Ohio e eventualmente o Nevada enquanto que Obama segura Michigan, Pennsylvania, New Mexico, New Hampshire e o Minnesota, embora em qualquer deles haja resultados favoráveis a ambos os candidatos.

Se, volto a referir, se nestes assim acontecesse bastaria a Obama ganhar o Colorado, onde tem liderado e foi aposta pela realização da convenção democrata em Denver, alcançando 273 dos 270 eleitores necessários, restando ainda a surpresa da campanha 2008, a Virginia.

Neste estado tradicionalmente republicano, onde Bush venceu em 2000 e 2004 por mais de 8 pontos existe neste momento um empate.

Qualquer decisão, discurso ou acção de campanha neste momento poderá ser crucial na conquista de votos ainda não definidos. Disso exemplo foi a escolha de McCain para seu Vice. Palin poderá não ter acrescentado muitos votos ao centro mas seguramente é inquestionável que agitou e mobilizou as hostes mais conservadoras dos republicanos e seguramente assim conquistou um "exército" imprescindível para alcançar a vitória.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

"I have a dream"

Chegou a hora da rentrée.

Mais do que pontais ou universidades de verão as atenções estão viradas nos próximos meses para o que realmente poderá alterar a médio prazo a vida dos portugueses.

Não, não é o Orçamento de Estado para o ano eleitoral...

Não, não é a "resposta" do governo ou supostas propostas da oposição (quais ??) aos problemas sentidos pelos portugueses...

A decisão será apenas em Novembro e estou naturalmente a falar das eleições americanas. Será aí que se decidirá o rumo a tomar pela economia americana, e por arrasto pelas outras, a posição americana nas questões ambientais (ou direi mesmo de sobrevivência), na política internacional e claro nas guerras, físicas ou psicológicas, pelo petróleo.

Pena tenho eu que tenha que estar a falar de que quem pode influenciar a vida de todos, na Europa e no mundo, esteja do outro lado do Atlântico. Talvez o difícil de aprovar Tratado de Lisboa seja um começo para que isso mude. A Europa necessita de mudança, esse sempre foi um dos valores da esquerda.

Agora que ficou resolvida a disputa no Partido Democrata, embora tenhamos que ver ainda o empenho posto pelo clã Clinton na eleição de quem continuam a considerar não ter capacidade para o cargo, vem a disputa com os Republicanos. Os Clinton não poderão, sob pena de serem culpabilizados pela não vitória, manterem-se muito à margem da disputa. Também Cunhal teve em tempos de engolir um Grande Sapo.

Mas em Novembro o que contará são outros votos. Se nas primárias contou essencialmente o voto positivo, o voto do candidato que se deseja agora contará, nomeadamente no que diz respeita a quem poderá decidir as eleições, o voto negativo.

E é aqui que podemos ficar surpreendidos com as sondagens que dão, de momento, empate técnico. McCain é naturalmente o candidato típico americano. Obama é naturalmente o favorito dos europeus. Obama arriscou e provocou.

Arriscou em contrariar o seu discurso de mudança ao escolher Joe Biden para vice, o que talvez o tenha colocado na primeira linha para a vitória. Conseguirá com isso muitos dos votantes de Hillary e alguns dos que já se perfilavam para votar em McCain. Conseguiu assim muitos votos dos "blue-collar", mantendo a espinha dorsal do voto democrata e do suporte dos sindicatos. Poderá ter ganho aqui impulso para a vitória em dois estados fundamentais nestas eleições, o Ohio e o Wisconsin.

Provocou pois o seu discurso na Convenção Democrata será feito no dia em que passam 45 anos do célebre discurso no Lincon Memorial feito por Martin Luther King Jr. Obama já nos habituou que poderá fazer discursos tão incisivos e inflamados como MLK. Resta saber se terá o descernimento para se concentrar em quem lhe dará a vitória em Novembro.

Dizia MLK "... We cannot walk alone.
And as we walk, we must make the pledge that we shall always march ahead.
We cannot turn back. ..."

Será que "I have a dream" passará a "Yes we can" ?...