Lê-se muitas vezes nos jornais, e até em documentos oficiais,
que o prejuízo dos incêdios é contabilizado em tanto.
É sempre mentira.
Uma árvore não tem preço.
Muito menos uma floresta.
Em regra, contabiliza-se a área ardida, ou o pau queimado, ou
o valor da madeira. Ou os resíduos resultantes da mata quei-
mada. Ou o preço da remoção do material ardido.
Nada corresponde à verdade.
Uma floresta é um habitat delicado e insubstituível, onde inter-
vêm imensos factores, todos interdependentes uns dos outros.
Mesmo que uma floresta semelhante pudesse ser implementada,
seriam necessárias gerações para o conseguir.
Por isso, o crime de fogo posto é tão grave.
E os incêndios florestais uma questão tão dramática, que pode
pôr em risco a sobrevivência nacional.
A prevenção, a monitorização, a mobilização e o ataque ao fogo
deveriam, pois, ser encarados, como uma guerra civil, que na rea-
lidade é, e não como uma campanha pseudo-folclórica e uma
tragédia barata, que merecia mais respeito e consideração pelos
actores que, directa ou indirectamente estão ligados à floresta,
nem que seja por laços afectivos ou sentimentais.
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