terça-feira, 22 de agosto de 2017

OS RADICALIZADOS .

Liberdade de Expressão .

Liberdade até para ficar calado .
De boca aberta para não dar em doido, com o que se passa
à nossa volta .

O que dizer ?
O que escrever ?
O que reter? 
O que esquecer ?
O que sonegar ?
O que confundir ?  

Talvez que seja mesmo esse o objectivo em mira, não se sabe de
quem, como e porquê .

Qual a razão do linchamento

com vinte tiros nos cornos,

de um emigrante português, pretensamente munido de uma faca,
que não obedeceu à ordem para abandonar a sua viatura, e que só
pretendia abrigar-se em casa da família, e acossado por várias via-
turas da polícia.

Ainda por cima, constava que o homem que sofria de doença mental .

Afinal, 

quem são, realmente, os verdadeiros 
radicalizados ...
.

domingo, 20 de agosto de 2017

Os Deuses do Fogo e da Loucura .

Os outros deuses desapareceram e a Terra arde sem parar,
para castigo dos humanos .

Sedento de sangue e de morte, o fogo arrasa tudo à sua pas-
sagem, e as árvores morrem de podres e esmagam os peregri-
nos inocentes .

A besta americana clama em apoio da KKK e dos nazis, se-
meando o ódio e o horror,  do outro lado do Atlântico .

Os amantes da guerra nuclear brincam ao Holocausto final,
como se estivessem a soprar pequenas bolas de  sabão, reben-
tando-as com um tlique .

Q fogo chegou à minha Terra, à minha Porta, à Covilhã e ao Tor-
tosendo, à Varanda dos Carcajais e ao Casal da Serra, bem per-
to da nossa Casa .

Tenho vontade de apagar o So,l nem que seja por algum tem-
po, para aliviar um pouco que seja, a sede de bem estar e de Paz,
por que tanto ambicionamos .
.

O Planeta Terra está agora muito zangado, e exige severos castigos
a uma sociedade agreste, corrupta, ferida, desregulada quase mo-
ribunda, farta de sofrer maus tratos sem fim .
.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

CRIATIVIDADE .

Curioso título vertido num artigo do DN, 
acerca das minas de sal, de Rio Maior :

SAL:

UMA INDÚSTRIA QUE CONSERVA

OS TRABALHADORES 

E DÁ TEMPERO AO PAÍS .
.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O BLITZKRIEG .

Os quatro cavaleiros do Apocalipse :

O Fogo, a Fome, a Peste 
e a Guerra .

É muito difícil entender o que se passa à nossa volta, no
que diz respeito à catástrofe dos fogos florestais, repetida 
todos os anos, pelas férias grandes dos burgueses, sentados 
à beira mar, molhando os pés e mijando na água, para ali-
viar a bexiga .

Comendo sorvetes e bolas de Berlim, e chavascando nos 
restaurantes mais in, chupando patas da lagosta ou lava-
gante .
Bebem uns copos para aliviar a tensão, bailam até ao nascer
o sol, embriagados pela sensação do dever cumprido .

Que importa o que vai lá fora .
Deixa arder, que o meu pai é bombeiro .

A cair de bêbados, nem sequer vêem os telejornais, que o mun-
do está cheio de desgraças, e quando vêem, pensam que é ape-
nas um filme de actualidades, lá no Norte ou, quem sabe, no es-
trangeiro .

As autoridades, que diabo, também têm direito a gozar as suas
férias .

Não é nada com eles .

Em Setembro, logo se verá ... 

De que servirá Portugal ser um País muito avançado em novas
tecnologias, com uma grande percentagem de cérebros, desco-
brindo cada vez mais as tecnologias da informação e outras ma-
ravilhas da técnica e da tecnologia, ofuscando o mundo com coi-
sas maravilhosas, se depois, 

o País arde, arde sem parar, reduzindo a 
cinzas 

o património humano, o edificado, a vida toda de uma já redu-
zida população, em vias de extinção, desiludida e sem futuro .

Afinal, para que servem os nossos doutores e engenheiros, a fina 
flôr nos nossos emigrantes da ciência, que gastaram o dinheiro
numa esmerada educação, e agora não querem dar uma mão
para ajudar a refazer de novo, o nosso triste e apagado Portugal .

Os portugueses agradecem ...
.





domingo, 13 de agosto de 2017

A (desCONFIANÇA)

A dúvida sistemática .

Um sujeito entrou a correr num café cumprimentou
os presentes com um 

OLÁ, BOM DIA ;

Traga-me uma, se faz favor .

O empregado, intrigado,  olhou de lado, e pensou lá
com os seus botões :

Olá, bom dia,
olá, bom dia,

Mas que será que o tipo quer dizer com aquela frase ...
.



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PORTUGAL AINDA ESTÁ A ARDER ?.

Pobre do meu País ...

Um País é o seu Território,
e o Povo que o habita .

É a Língua e a História por ela 
contada .

São os seus Recursos, a Terra 
e o Mar .

A sua Paisagem, o Mar e as 
Montanhas .

As suas Conquistas e os seus 
Descobrimentos .

Os seus Antepassados e a sua 
Cultura .

Portugal sempre foi uma terra madrasta, 
uma quinta tomada por estrangeiros, 
explorada até ao tutano, escravizada de sol a sol,
habituada a entregar, de mão beijada, os parcos 
proventos colhidos com tamanha voracidade, por 
uns quantos, em detrimento de todos os outros .

Sujeito à rapina e ao saque, terra devorada im-
punemente pelo fogo e pela ganância, entregue à 
escravidão de gente habituada ao lucro fácil e des-
truída pela maldade de uns quantos  loucos .

Portugal continua a arder,
ou já ardeu de vez .
.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

À BOLEIA DE CAMÕES .

...E no entanto.

tudo vale a pena, 
se a alma não é pequena .

Mas a alma tem vindo a minguar, a olhos vistos .
Vertiginosamente .

Os poucos sonhos que alimentava, vão-se esvaziando
em pó e em nada .
Já me falta o tónus umbilical que controlava a minha vida .
Cada vez mais, é o vazio a apoderar-me da minha carcaça .

Até o que penso é esmiuçado até ao osso, sem dó, nem pie-
dade .

Estou cada vez mais cercado,
 e o Agosto tão longo, foi abrasador e devastador .

Para resistir,
recomecei a fazer bonecos,
expondo o absurdo e o horror,
 do que já levo mais de um mês a encaixar-

Os incêndios florestais .
.



sábado, 5 de agosto de 2017

A CADEIA ALIMENTAR .

Cada um come o que quer,
os outros comem o que podem .

Há peixes finos, os mais apreciados, são descabeçados, 
tiram-lhe as tripas, bem lavados, sacam as espinhas, e
vão ao forno para assar, bem temperados e bem apala-
ladados .

São os peixes do alto, servidos em baixela de prata .

Há depois os peixes azúis, que ultimamente têm vindo a 
subir na escala hierárquica da peixeirada  - Sardinha, 
cavala, peixe espada, peixes classe média, servidos em tal
heres inox, e dizem que fazem bem à saúde .

Seguem o peixe miúdo, petingas, sardas, carapaus, enxar-
rocos, que matama fome à gente mais humilde, quando ain-
da há gente e peixe, que vão rareando cada vez mais .

Usam facas e garfos de plástico .

No fim da cadeia (cadeia, albergue onde são metidos aque-
les que roubam um papo seco ou uma maçã ), e esses pas-
sam o tempo a esgravatar no lixo, em busca de algum resto
de comida para saciar a fome .

E no topo da cadeia alimentar, há os poeixões, que se distrai-
em a devorar os outros peixes, sem qualquer restrição .

Esses são 

os TUMPARÕES

os TEMERÕES

os PUTINÕES

e os MERKELÕES .
.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A PEIXEIRADA .

Cada um vê o que quer,
ou o que o deixam ver .

Tão longe de Deus
e tão perto dos Estados Unidos .

Democracia à la Carte .

A vaca com óculos verdes .

Cada cor, seu paladar .

La vie en rose .

A lixeira nas traseiras da América .

A América Latrina .

Trump, o palhaço global .

Trump muda mais vezes de governantes,
do que muda de cuecas .

Temer, um bandido de temer .

A UE Já ardeu ?...

E a Síria ?...

.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ADIVINHA .

Se, por acaso, tivesses que pedir a alguém que te  
ajudasse a apanhar uma moeda de 10 euros, que 
tivesses deixado cair no chão, quem é que era ca-
paz de te ajudar a encontrá-la mais depressa e a 
devolvê--ta, sem hesitar :

A Trump,

a Temer

ou a Maduro ?.

Assim se avalia a Democracia ...
.




quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O ELOGIO DO ÓCIO .

Que bom é ter um dever,
e não o cumprir .

Fernando Pessoa

Quando eu tinha mais vagar, muito gostava de ver os 
outros a trabalhar, e eu sentado para ali, horas a fio, 
como se estivesse a ver um filme real .
Chegava a faltar às aulas para me deliciar com tão inu-
sitado espectáculo, e completamente de borla .

Muito gostava de ir para o areeiro, nas traseiras da 2ª.
Circular, em construção, ver o gigantesco buraco, uma 
coisa digna de ser vista, onde os homens, quais formigas,
iam deitando a areia para o fundo, sempre em risco de
serem eles a cair no abismo .

Era esse o filme que passava nessa cratera, junto ao Pote
de Água . O lugar deve ter sido completamente arrasado .

Depois, assisti àquilo que eu chamo as 

Obras do Século :

O rasgar da Av João XXI, dos dois lados .
De um dos lados, desmantelando a enorme Fábrica de Ce-
râmica, abrindo caminho para os lados do Campo Peque-
no . e depois, rasgando a montanha, do lado da Av. Gago
Coutinho .
Meses após meses, centenas de camiões faziam uma bicha 
contínua, durante todo o dia, carregando terra e entulho, 
não sei para onde .

Morava mesmo sítio, e já estava viciado nas obras .
Todos os meus ócios, acorria a deliciar-me com aquela
barafunda, e aquilo nunca mais tinha fim .

Lisboa tinha-se expandido para outro lado e criado novos 
Bairros - Chelas, Olaias, Bela Vista, Relógio, e por aí fora .
.



terça-feira, 1 de agosto de 2017

A APRENDIZAGEM .

Andando, faz-se o caminho .

Quando comecei a frequentar as fábricas com mais 
assiduidade, em especial as tecelagens, que faziam
um barulho infernal, ficava completamente surdo .

Para meu espanto, os operários falavam uns com os 
outros, nas calmas, como se estivessem na rua .
Com o andar do tempo, fui aprendendo que o ouvido
humano se vai habituando a certas frequências e as
pessoas ficam parcialmente surdas . Deixam de ouvir 
as pancadas dos teares .

Outra coisa que a princípio ma fazia muita confusão
era as pessoas conversarem umas com as outras, sobre
todas as matérias, mas nunca pronunciavam certas pa-
lavras . 
Era uma espécie de conversa cifrada .

Usavam-se nomes e frases sem sentido directo, mas toda 
a gente percebia o significado e a ideia que estavam sub-
jacentes .

Era uma espécie de medida cautelar, usada gerações
após gerações, com toda a naturalidade, não fosse alguma
palavra perigosa escorrer para ouvidos inadequados .

Levei algum tempo a entrar naquele jogo .

Ainda hoje tenho o hábito de falar nas entrelinhas, ou usar e
abusar dos trocadilhos .

Outro truque que se usava nestas terras proscritas, era ter sem-
pre a televisão ligada, mas sem som .
Só se ligava o som, se eventualmente aparecesse um programa 
de interesse .
Deste modo, poupava-se a conversa vazia dos noticiários e dos
comentários políticos .

A coisa era mais acentuada no Tortosendo, terra operária por
excelência, onde as mulheres só saíam à rua, para ir para o 
trabalho . 
E os homens tinham que se deitar cedinho, pois pela
manhã eram acordados por uma bateria de sirénes para os en-
caminhar para as fábricas .
.
.