sábado, 30 de setembro de 2017

A QUESTÃO CATALÃ .

De Espanha, 
nem bom vento,
nem bom casamento .


A História tem avançado quase sempre, através de roturas 
e alteração das fronteiras .

Porque seria diferente com o caso da Nação Catalã ? .

Numa Europa dilacerada, à mercê de novas hordas de bárba-
ros, sem rumo e sem leme, completamente à deriva, é doloroso
assistir à enorme hipocrisia, com que uns quantos enchem a bo-
ca com a unidades de um país, colado aos bocados e várias ve-
zes esquartejado ao longo da História, à custa do sangue e da 
barbárie, levada a cabo pelo insaciável predador que é, e sem-
pre foi, o Reino de Castela, sempre desprezando os povos con-
quistados .

Não posso prever o que irá passar-se 
amanhã,
mas o mapa da Europa, nunca mais será 
o mesmo 

.



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O RETRATO ..

A palavra é uma arma
de cidadania
tudo depende da força
e da pontaria 

Na minha família, era usual reinar o silêncio, com 4 irmãos
com idades próximas umas das outras, mas muito diferentes
no temperamento e no carácter, comia-se sem falar, sem ou-
sar emitir uma opinião ou uma crítica, a menos que alguém 
fosse directamente questionado .

Era quase sempre eu quem quebrava o gelo .
Conseguia dialogar com o meu Pai, embora fosse eu o mais 
atrevido e belicoso dos irmãos .

Era eu quem fazia uma boa parte das despesas da conversa à 
mesa . Os outros limitavam-se a ouvir .
Claro que isso me trazia problemas sem conta .

O meu Pai, que havia subido a pulso todos os degraus da corda
da Vida, e tivesse adquirido uma enorme cultura  prática,
muitas vezes se chocava com a natureza curricular de algumas 
matérias . 
Gostava muito de se exprimir e de se questionar .

Sempre me expus de peito aberto às balas .

Quando o erro imperava à minha volta, lá entrava eu na compita .
Era um dos meus mais fracos . Era golpeado vezes sem conta, ou
pelos incapazes, pelos mesquinhos, quando não pelos mais cobar-
des .

Fiquei sempre com o estigma de refilão e de gostar de uma bela
pelea, uma boa controvérsia e de uma acesa discussão .

Assim ganhei o hábito de questionar tudo e todos e rejeitar os açai-
mes que sempre quiseram impor-me .
Toda a minha vida foi sempre mosqueada , em todas as circunstân-
cias, com o que julgava ser o erro, a mentira, a prepotência, o calcu-
lismo e o silêncio .

Não gostam de mim porque sou leal, verdadeiro, directo e justo, e dar
a cara quando e sempre que for preciso, ainda que isso me curte a indi-
ferença, o medo e problemas de toda a ordem .

Habituei-me a viver com isso .

Não sou feliz, mas vivo em paz com a minha consciência . 

.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A BREJOEIRA .

A outra metade da história .

Antigamente contava-se às pobres criancinhas umas histórias
meio parvas, meio ingénuas, que em regra acabavam com a fe-
licidade do casamento e a chegada de uma rebanhada de filhos 
de olhos azul .

E iam fazer ó-ó, descansadinhos .

Numa versão mais realista dos modernos contos de fadas, a his-
tória, é contada de frente para a trás, ou melhor, só é contada da
frente para trás, e muitas vezes só é nearrada a parte mais gulosa 
do evento, como por exemplo :

Um senhor do norte de Portugal foi para o Brasil, e lá amealhou 
uma fortuna imensa .
Foi com ela que o tal senhor e seus descendentes, gente safa e de-
sensrascada construíram um palácio um palácio fabuloso, orna
mentado com todos os apetrechos e honrarias inimagináveis , e lá
vamos nós abrir a boca de espanto por toda aquela ostentação .

O Património nacional ficou bem assinalado, para nosso proveito
e dos vindouros .

É aqui que eu fico ignorante de todo, sobre a primeira parte do 
conto de fadas :

Porque foi o tal senhor para o Brasil ?

O que foi para lá fazer ?

Como amontoou tão enorme pecúlio ?

Quem e como é que trabalhavam para o min-
hoto, lá nos Brasis ?

Ainda havia o uso e costume da escravidão ?

Já em Portugal, quem se ocupava do amanho 
das terras, e de to-das as outras tarefas que 
mantinham o forrobodó de tão ilustre linha-
gem ?

Também perguntar não custa nada, e até nem ofende ninguém ...

.


A CONSAGRAÇÃO .

Estranha terra esta, 
que transformou uma velha igreja romana, 
apostólica, romana, numa adega que produz
vinho tinto .

Uma maneira subtil e subliminar,
de transformar o vinho, no sangue consagrado
do Corpo de Cristo .
.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Um sonho de criança .

Quando era miúdo, gostava de ter sido 
aviador .

Nunca soube explicar esta pancada, pois eu nunca brinquei
com tais brinquedos, só tarde saí da minha zona de conforto
(Lisboa era então uma miragem), não via cinema, muito me-
nos sonhava com a televisão .
O meu único elo de ligação só poderia ter surgido da imagi-
nação das aventuras do Cavaleiro Andante, a revista da pe-
quenada .
Ainda hoje estou sem saber o porquê .

Aos deis anos vivi algum tempo com os meus Pais, em Lisboa, na 
pensão do Gaia e da D. Isabel .
Talvez que alguém me tivesse levado a visitar o Aeroporto de Lis-
boa ( que hoje dá pelo nome de Humberto Delgado ), não sei, mas
é muito pouco provável .

Comecei então a tentar a construir os meus aviões, mas o proble-
ma maior eram  as asas, carros e barcos já eu construía bué, de 
todos os tamanhos e formatos, com madeira, corcódea, palmeira, 
cortiça, mas e o diacho  eram as asas...

Foi então que me ensinaram que havia aviões feitos com balsa, 
uma madeira leve e fininha, própria para o aeromodelismo, e  lo-
go desenvolvi démarches para mandar vir de Lisboa, tal material, 
através da Casa Havaneza, uma espécie de bazar onde se vendia 
de tudo .

 Parte do sonho estava realizado,

só muito mais tarde, quando comecei a trabalhar de Engenheiro, 
me foi permitido voar de verdade, a bordo de um SuperConstel-
lation da Tap, para Paris, num outro sonho que então viria a rea-
lizar vezes sem conta .
.


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

DEOLINDA .

Agora sim, que vamos dar volta a isto !
Agora sim, há pernas para andar !
Agora sim, eu sinto o optimismo !
Vamos em frente, ninguém nos vai parar !

-Agora não, que é hora do almoço ...
-Agora não, que é hora do jantar ..
-Agora não, que eu acho que não posso ...
- Amanhã vou trabalhar ...

Agora sim, que temos toda a força !
Agora sim, há fé neste querer !
Agora sim, só vejo gente boa !
Vamos em frente e havemos de vencer !

-Agora não, que me dói a barriga ...
- Agora não, dizem que vai chover ...
- Agora não, joga o Benfica ...
e eu tenho mais que fazer ...

Agora sim, cantamos com vontade !
Agora sim, eu sinto a união !
Agora sim, já ouço a liberdade "
Agora sim, e é esta a direcção !

-Agora não, que falta um impresso ...
- Agora não, que o meu pai não quer ...
- Agora não, que há engarrafamentos ...
- Vão sem mim, que eu vou lá ter ...

Composição de
Pedro da Silva Martins .
.


A Geringonça 2 .

Eu tinha uma Geringonça
que um dia me apareceu
Quando estava em baixo de forma
Girava-a  e ia pró Céu 

A Geringonça quebrou-se
E agora que faço eu
.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

E A GERINGONÇA ...

Afinal, a coisa funciona mesmo .

Até ver .

As experiências feitas em devido tempo com a Frente Popular,
com esse ou com outro nome, acabariam por fracassar, ou por 
divórcio das partes interessadas, ou esmagadas por golpes fas-
cistas, um pouco por todo o lado .

Os exemplos da Espanha, França,  Itália, 
Chile, tiveram a sua época .

Situadas à esquerda, sem glorificar o centralismo democrático,
de um lado, e nem se basear burguêsmente sobretudo nas clas-
sesmais do centro,  à direita, essas experiências frutificaram, não 
fora o assalto traiçoeiro levado a cabo pelas franjas mais reacció-
nárias do capitalismo selvagem .

Em Portugal, malgré  os disparates cometidos de ambos os lados 
da fronteira ideológica, e a guerrilha herdada da guerra fria, e 
dasdificuldades de assimetrias pessoais dos principais líderes so-
cialistas e socialistas, o modelo tinha tudo para dar certo, e havi-
am-se poupado  décadas de empobrecimento e embrutecimento 
do nosso
País .

Et pourtant

Siga a dança,
que os rapazes são de confiança ...
.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O que me importa .

Que me importa

que o Trump metralhe a Coreia
que invada a Venezuela
retome a lei do Far West
matando os índios que restam

Quero lá saber
O que tenho eu com isso

Em criança
sofria muito com as desgraças dos outros
com as guerras 
com os atentados
E eu 
que estava sempre do lado errado 
das contendas

Fartei-me de ser eternamente do contra
vivi a guerra do Vietname
o derrube do Sadam
a queda do Mundo de Berlin
o desastre do 11 de Setembro 
as guerra do Afeganistão, 
do Iraque e da Síria 
e tantas outras

Descobri então 
que tudo era mentira

passei a ver a vida com outros olhos
num miradouro gigantesco
vendo os conflitos como se estivesse brincando
aos soldadinhos de chumbo

Que me importa tudo isso

A Vida passou-me completamente ao lado
sem eu dar por isso

Quantas Paixões não correspondidas

Quantos Amores reprimidos

Quantos Afectos desperdiçados

Quantos Sonhos desfeitos

Quantos Desejos esmagados

Quantos Sentimentos perdidos

Afinal porquê ?

.






quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A PÓS VERDADE .

Rádio Moscovo não fala verdade,
não fala verdade .

Mataram a informação, só ficou o Circo .

Restou o Show Off .

Uma mentira repetida mil vezes, acaba por transformar-se 
em verdade .

Trás o desastre, trás o desastre, gritavam os ardinas do Bairro 
Alto, tentando enganar os parolos como eu .

Lisboa, Capital, República Popular,

eram a provocação feita por eles, glosando o nome dos 4 ves-
pertinos então publicados em Portugal .

Quando era mais novo, na minha fase mais militante, passava
longas horas sintonizando e ouvindo as rádios proíbidas, em 
onda curta, e o meu Pai acordava a meio da noite e dizia-me pa-
ra ir dormir, que amanhã tinha que ir para a Escola .

Recordo uma piada do Mestre Vilhena, um postal com dois rica-
ços no café, em que um dizia, então ó Compadre, já sabe as últi-
mas notícias do País .
Ao que o outro respondia, não sei Compadre, ainda não li os jor-
nais estrangeiros .

Durante o Serviço Militar Obrigatório, ( cinco anos, sessenta me-
ses perdidos, de que ainda ando `procura), sorvia de fio a pavio, 
o Diário de Lisboa, um jornal de referência para a Esquerda .

Mais tarde, durante o Prec. de 1974 e 75, lia o Página 1, até re-
bentarem com ele .

Depois a Direita, leia-se, o Poder Económico, tomou conta de 
quase todos os órgãos de comunicação social, num cerrado duelo 
entre prostitutas e proxenetas .

Com os acontecimentos da 2ª. Guerra do Iraque, o Sol da Liberda-
de amarelecia, e mais tarde apagou-se de vez .

Hoje ouvimos apenas notícias requentadas, embrulhadas em papel
do lixo, muitas delas sem fazer qualquer nexo .

O ressuscitado Diário da Manha, continua a fazer a propaganda dos 
desastres acontecidos pelo mundo fora , com uma sem vergonha im-
parável .

Mais abjecto, ainda é o uso e abuso das chamadas redes sociedades,
que conduzem à estupidificação e à massificação quase total dos nos-
sos Homo Sapiens . 
.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O BOTAS E O BOTAS DE ELÁSTICO .

O Botas de Santa Comba Dão

e o Botas de Boliqueime .

Ditosa Pátria que tais filhos pariu .

Salazar era um bronco, um rato de sacristia, que odiava o progresso,
e qualquer ideia de avanço da sociedade .
Chegava a despachar a despesa efectuada com o gasto de um bilhete
de eléctrico .

Uma cavalgadura .

Certa vez, na inauguração do Aeroporto na capital do Norte , quando
saíu do avião, disse :

Não gostei .

E nunca mais viajou naquele meio de transporte, razão porque nunca
teve oportunidade de visitar as suas amadas colónias .
Em meio século nunca mais pôs o cú num avião .

Uma besta .

Fez o possível para evitar a construção a Autoestrada de Cascais, consi-
derada luxo, e não fora o Engº. Duarte Pacheco ter ameaçado demitir-se de
Ministro das Obras Públicas, ainda hoje íamos de burro a Cascais .

Só a D. Maria tinha alguma rédea sobre o 

Energúmeno .

Tinha como lema a trindade

Deus, Pátria e Família .

Ora o homenzinho, que sempre viveu amigado com a governanta, nunca 
aceitou abertamente ter mulher e filhos, vivendo toda a vida uma relação 
de mancebia .  

Um Grunho .

.

Mas o Botas de Santa Comba fez escola e deixou-nos belos seguidores .

Noutro tempo e noutro contexto, não podemos deixar se referir 

Cavaco Silva

um pobre escriturário, um político coxo, um Ministro medíocre, um execrá-
vel Presidente da República, 

que com os milhões averbados em Bruxelas, à tripa forra, contibuíu para a
destruição do País, abatendo a nossa Indústria, a nossa Pesca, a nossa Agri-
cultura, betonizou o País inteiro, encheu de dinheiro os bolsos dos muitos ami-
gos, poisados alegremente na estrutura do Estado, e ajudou a criar uma enor-
me

Quadrilha,

O Banco Espírito Santo,

que acabou por fazer explodir toda a Banca Portuguesa .

Homem inculto, teimoso, deselegante, babando-se de quando em vez,de índo-
le autoritária e com laivos de propensão para o regime ditatorial .

.

Assim decorreu quase um século de grande negrume na vida e na política por-
guesa .

Cada povo,
tem os dirigentes que merece ...
.




terça-feira, 5 de setembro de 2017

A EXPLOSÃO DOS ANOS 60 .

Madrasta terra,
que tais filhos deu ao Mundo .

Fátima, fados,
touros e bola,
eis as diversões
de um povo que pede esmola.

Na década de 60,
deu-se uma explosão migratória, em direcção à Europa .

As populações tinham sido dizimadas pela Guerra, e eram 
precisos milhões de almas para reconstruir o Continente .
Vinham de todo o lado, de todos os cantos do Mundo, em 
busca de uma oportunidade .

Portugal, país neutral, mas que acabou sempre a apoiar as.
duas partes do grande conflito, só tinha um porém, a barrei-
ra física e política, para debandar a salto para a França e de-
pois para a Alemanha .

E os portugueses lá partiam mais uma vez, com a mala de car,
tão, a ajudar a enriquecer os outros países,

Construindo as casas para os 
outros,
muita força, por pouco dinheiro,
trabalhando o dia inteiro .

Milhões de portugueses partiram de novo .

Galiza fica mais pobre,
sem homens,
que venham colher o teu o teu pão .
.

E depois eclodiu a Guerra Colonial,

e nova remessa de desterrados foram espalhar a nossa cultura, 
as canções,os poemas, os romances, o nosso saber e a nossa ex-
periência, a nossa identidade, os nossos anseios, sempre adiados,
sempres espezinhados, os nossos sonhos, sempre esmagados, e 
partimps, partíamos sempre, desta terra madrasta, amaldiçoada,
para bem longe, deixando filhos e pais, mães e amantes, amigos,
para a terra de ninguém, como ciganos errantes .

Triste sina a nossa ...
.

domingo, 3 de setembro de 2017

A Emigração no Pós Guerra .

Para onde ir 
ganhar o pão que o Diabo amassou .

Trancado o continente o Continente Europeu, destruído por
uma guerra atroz, com a Espanha (que nunca foi um destino
migratório para os portugueses) em ruínas e de fronteiras bar-
radas por Salazar, só restava, uma vez mais o Mar Português -

Quanto do teu sal, 
são lágrimas de Portugal .

A Madeira e os Açôres, há muito que conheciam os caminhos
da África do sul e da Austrália .
A  distância e a língua eram obstáculos de pouca monta, quando 
se queria ir ganhar a vida, para dar de comer aos nossos compa-
triotas ..

Tinha-se entretanto aberto uma nova janela de oportunidade, da-
da a intransigência domentecapto Oliveira Salazar, em deixar 
transformar Angola, num novo Brasil .

Esse erro constitui um dos 
maiores da nossa História .

Ao tempo, ainda vigorava  

o Velho Código Colonial, com

Indígenas, Contratados, Brancos de Iª Clas-
se,  e de 2ª Classe .

E só avançava para as Colónias quem se tivesse portado bem, com
a chamada 

Carta de Chamada,

devidamente escrutinada pela PIDE e por outras organizações e in
teresses .

Estava em curso o processo de descolonização, um pouco por todo o
Mundo .

Partiram os franceses, muitos ingleses, quase todos os belgas, e mais
uma vez, os portugueses tiveram que arrumar a trouxa e zarpar .

Ficaram para o fim os portugueses . 

Os primeiros a chegar

 e os últimos a partir .







Cantiga de Amigo (a) .

Que raiva é essa, Amigo ;
que raiva é essa, Amigo,

Que te põe de bem com os outros
e de mal contigo .

Que raiva é essa, Amigo,
que raiva é essa, Amigo .

Sérgio Godinho .
.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A FÉ e o IMPÉRIO .

Portugal só foi uma Nação sustentável 
durante o período das Descobertas .

Parece impossível como um País com tão pouca população 
e tão poucos recursos foi, durante quase um século, o centro 
de gravidade do mundo então conhecido .

Durante o resto da História, e salvo o tempo da Conquista e 
da rapina do território, Portugal andou sempre à esmola do 
Papado, dos Ingleses e dos Castelhanos .

Como é que um País pobre, encostado ao Mar, cercado pela 
Espanha e ajudado (e lixado sempre) pela muleta Britânica,
conseguiu sobreviver a séculos de História, nem sempre mui-
toedificante .

Mas que tal aconteceu, aconteceu .

De D. João V para cá, aguentámos várias bancarrotas, muita 
miséria do povo, e muita pouca vergonha das classes ditas pre-
vilegiadas

Em vária épocas, nos últimos dois ou três séculos, portugal teve
que recorrer à Emigração, primeiro por razões religiosas, depois 
por razões políticas e depois por razões de natureza económica .

.

Lembro-me em criança de ouvir falar dos brasileiros e dos afri-
canistas, gente que regressava com grandes fortunas, de fazer
crescer o olho aos outros mortais, com grandes anéis nos dedos
inchados pelo reumático, que construíam grandes palacetes, di-
tos as casas dos brasileiros .

E depois já não eram só brasileiros, mas gente vinda para a Ar-
gentina, Venezuela, Canadá e outros .

Dos Estados Unidos, eu não ouvia falar, mas mais tarde aprendi
que a miséria estava bem distribuída pelo nosso País, e muitos ou-
tros partiam para os Estados Unidos, idos da Madeira e dos Açô-
res .

Terá sido possívelmente, no início do Séc.XX, o primeiro grande
surto emigratório em direcção à América .

Com os Portugueses, partiam em direcção ao Novo Mundo, gran-
des massas de desgraçados provenientes de vários países, como 
era o caso da Irlanda, Itália e Polónia, entre tantos outros .

Os Estados Unidos, ávidos de mão de obra barata e disposta a tudo,
agradeceram com entusiasmo .

Bolchevistas, é que não, obrigado .
.