sexta-feira, 23 de junho de 2017

O MENINO DE OIRO .

Eu tinha umas asas brancas
Asas que um anjo me deu
Quando estava cansado da Terra
Batias e voava ao Céu .

Toda a gente gabava os meus lindos  caracóis loiros .
Um dia levaram-me ao barbeiro, sentaram-me no banco suplente 
e cortaram-mos .

Lá se foi a minha meninice para o caixote do lixo, varrida para 
chão da barbearia .

Deve ter sido o primeiro acto de hostil com que fui mimoseado, e no
entanto, tratou-se  simplesmente de uma questão de higiene .  

Cresci entre avós e tios, sempre na vadiagem, no meio das brincadei-
ras inocentes, que inventava a todo o momento .

A minha Santa Mãe trazia mais um irmão para casa, de modo que
eu tive que me fazer à vida bastante cedo .
Rapidamente era considerado apto para todo o serviço .

Não pertencia a nenhum gang da malandragem, nem nenhum grupo
de malfeitores organizado . 

Era um um patife autodidata, autónomo, mas que ia a todas. 
Onde houvesse confusão, lá estava eu dando a minha colaboração 
desinteressada .

Como estava sempre a mudar de quartel, nunca tinha tempo para fa-
zer grandes amizades, e não conseguia subir na escala dos malandros .

Mas, como praticava em diversos teatros de operações,  rapidamente 
adquiria a prática para acamaradar  em qualquer grupo, e ia ganhando
experiência para o futuro .

Era uma espécie de capital de risco .
.

Agora, tantos anos depois,  com os cabelos brancos a rarear e a memó-
ria a falhar, já não tenho ninguém com quem brincar.
Brinco com a minha gata, A BRANQUINHA, faz-me companhia, vai
buscar os brinquedos que depôe ao pé de mim, à espera que a brincadei-
ra comece . Como acorda muito cedo, pode estar horas ao pé de mim e
só dá sinal quando eu dou sinal de vida .
Joga bem com as quatro patas e defende com as mãos .
Provoca-me quando páro, e só brinca quando estou a ver .
Joga à apanhada, e sempre que visto o casaco, ela põe-se à porta, para a
deixar um bocadinho .
Anda pelo patamar e desce até ao primeiro patamar .
Sempre que foi mais longe, assustou-se muito e tive que agarrá-la para a 
trazer para casa .
Se estã frio, dorme abraçada a mim, se está calor sabe instintivamente onde
encontrar a melhor corrente de ar .
Às vezes acordo mal disposto durante a noite  e ela segue-me lentamente, 
como a querer ajudar .
Arranjei uma pequena ajudante de enfermeira ...
.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O DESCRÉDITO .

Portugal tinha começado agora a sair muito lentamente
do abismo em que tinha caído,
tentava levantar a cabeça, até já os burocratas de Bruxelas
iam olhando para nós, espantados com os números que o 
Mário Centeno ia cozinhando, sabe-se lá como, e a gerin-
gonça mostrava alguns sinais de boa saúde, habituando-se 
à sua velocidade de cruzeiro .

Aproximava-se o período das férias, dando lugar à desbunda
geral de políticos e de neófitos e já se contavam as notas para 
a miríade de concertos e festivais, espalhados um pouco por 
todo o território nacional .

Álcool, sexo e rock and roll .

Até a nossa mísera oposição tinha baixado a sua fúria fixista,
baixando a crista ( onde é que já ouvi esta palavra ) .

Tudo corria no melhor dos mundos,
quando ocorreu o fenómeno da

trovoada seca .

Quem viveu no campo, mesmo que por pouco tempo, está 
habituado a ler os sinais da natureza .

Longe do bulício das cidades, sente-sa ao longe, a tempestade

a aproximar-se sorrateiramente.
Primeiro instala-se um silêncio de morte .
Nem bichos, nem pássaros bulem, o silêncio corta-se à faca,
parece que a terra para .
O céu vai escurecendo, gradualmente, até assumir o negro o
negro de breu, 
e começa o vento a uivar , primeiro ao de leve, depois como 
um trovão .

De repente, soa um imenso trovão, parece que tudo vai des-

moronar-se . O astro explode e incendeia-se instantaneamente,
como se o sol tivesse surgido naquela escuridão .
E o mar desaba em cima de nós .

Podia ter acontecido assim.


Mas não. 
Faltou a água na natureza .

Os néscios e os tecnocratas, por muito bons, que o sejam,
deveriam saber prever o imprevisível, mas não sabem, apesar de
a meteorologia ser considerada uma ciência (quase) exacta .

É conhecido o facto de uma borboleta, ao bater um pouco as asas
no Oceano Pacífico,
poder desencadear um ciclone, em pleno Oceano Pacífico .
.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Não se brinca com o fogo .

A culpa morre sempre solteira .

Não vem ao caso, nesta altura, andar à procura da culpa pelos
trágicos acontecimentos do centro do País .

Como diria o Marquês de Pombal,

agora é o tempo de enterrar os 
mortos
e cuidar dos feridos .

Depois, não poderemos deixar de fazer profundo exame 
de consciência, sobre as circunstâncias que tornaram este Desastre-
Tragédia, numa monstrosidade que nos envergonha a todos nós .

Há muitas décadas que andamos a brincar ao fogos florestais, como

quem brinca com soldadinhos de chumbo, experimentando (experi-
mentando é o termo adequado) tácticas, métodos de combate, orga-
nização da cadeia de comando, que se revelaram obsoletas, para 
não dizer criminosas,
face ao poder de destruição dos nossos recursos e, quantas vezes, ao
trágico destino de tantos e tantos, que deveriam ter direito a viver 
uma vida decente a que poderiam ter direito, e que foram ceifados,
pela simples razão de amarem a sua terra .

Para quando tentar curar as feridas, 
e as profundas cicatrizes deixadas todos os 
anos, 
e começar a tentar solucionar o cancro dos in-
cêndios florestais  no nosso País ?!...

Quando ouvires um sino a dobrar,
ele dobra por ti .
.

terça-feira, 20 de junho de 2017

TRAZ O DESASTRE ...

Desabamento da Gibalta (Linha do Estoril) .

Explosão da Fábrica de Braço de Prata .

Queda da Estação do Cais do Sodré .

Queda da Estação de Santa Apolónia .

Incêndio na Igreja de S. Domingos .

Incêndio do Teatro D. Maria .

Incêndio do Teatro Avenida .

Incêndio da Baixa- Chiado .

Inundações de 1967 .

Terramoto de 1968 .

Incêndio do Instituto Hidrográfico .

Morte de um pelotão na Serra de Sintra .

Incêndio da Faculdade de  Ciências de Lisboa .

Descarrilamento em Alcafache (Linha da Beira Alta ) .

Incêndio no Funchal .

Cheias na Madeira .

Vulcão dos Capelinhos, nos Açõres 

que me lembre ...
.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O PORQUÊ DAS COISAS .

Finalmente, começou a tratar-se de alguns problemas
importantes que têm a ver com as questões da posse e 
do uso das terras, especialmente quando a floresta está
presente no ambiente rural .

A floresta não deve, não pode, 
ser definida, apenas, pelo critério  da sua posse e utili-
zação, 
Acresce que a venda de madeira, é somente um dos be-
nefícios da actividade florestal, 
e nunca deveria ser o mais importante deles, malgré
as questões económicas envolvidas .

Parecendo uma questão supérflua, é a primeira razão
para providenciar um ambiente capaz de evitar a pro-
pagação das ignições provocadas nas florestas, que con-
duzirão então, à minimização de todos os outros facto-
da desgraça moral e material, que todos os anos, mais 
ou menos, por esta época do ano, revivemos .

Depois, ou ao mesmo tempo, urge tratar a floresta como 
um instrumento vital para o ordenamento físico dos ter-
renos e conseguir uma cuidada selecção de espécies, mais 
mais amigas do ambiente .

É da vida ...
.

A origem do CO2 .

Não quero falar das emissões aleatórias de CO2 
resultantes da actividade vulcânicas, 

mas não posso deixar de falar da maior fonte de
emissões de gases com efeito de estufa, a saber, 

as que se referem ao chamado uso da terra e as
quais não contam para a sua contabilização, nos
relatórios oficiais, 

as emissões de gases resultantes dos incêndios flo-
restais

as que englobam as imensas emissões de metano 
resultantes da plantações de arroz, 

e  também o metano proveniente da da acção 
da ruminação dos animais .

E esta, hem ?!...
.

AS ALTERAÇÕES IDEOLÓGICAS .

Dir-se-ia uma paisagem da Guerra do
Iraque , com os carros de combate todos 
queimados .

Mas não, era a estrada nº. 236,  entre Figueiró dos Vinhos e 
Castanheira de Pêra, com os carros completamente destruídos 
com os corpos calcinados, espalhados, dentro e fora das viatu-
ras .

Ainda os cadáveres não tinham arrefecido, e já os paineleiros
de serviço, estavam a fazer a autópsia detalhada do aconteci-
mento, comodamente instalados nas poltronas das salas dos te-
le jornais, vomitando bitaites, a torto e a direito sobre o incon-
tornável drama dos fogos florestais .

Uma vez, fui em missão, observar a floresta virgem de Fontaine-
bleau, tão virgem que não se podia andar com sapatos .
Há muito tempo que por ali não passavam seres humanos nesse
santuário da natureza .
Foi então que percebi que os mais criminosos, não são os que 
aproveitam a floresta como sustento, mas aqueles que, em nome 
de preconceitos ideológicos, deixam crescer as árvores a esmo .

As árvores encelhecem todas ao mesmo tempo, e a floresta mor-
re toda em uníssono, porque fica, anos e anos a fio, sem que al-
guém cuide dela . 

Os políticos e tecnocratas de todos os matizes, em vez de matar 
a cabeça com tolices, deveriam meter mãos à obra e começar a
legislar e a tratar de proporcionar os instrumentos para come-
çar a desenvolver um tratamento racional da floresta portugue-
sa, melhorando as condições de vida de uma população velha e 
rarefeira da população rural do nosso País ...

Alterações climáticas,
ou alterações ideológicas ?....
.

domingo, 18 de junho de 2017

Pobres de espírito .

Percorremos as profundezas dos mares, nas caravelas
em cascas de noz, fomos à lua em foguetões siderais, 
travámos centenas de batalhas, quase todas ganhas aos
adversários, guerreámos por todos os continentes, que 
havíamos conquistado, vertendo e espalhando o nosso
sangue por toda a terra conhecida, mantendo Portugal
livre e independente .

Ganhámos à bola em diversos tabuleiros, somos os mel-
hores do Mundo, em várias modalidades, nas artes e nas 
letras, semeámos gente ilustre e famosa em toda a parte,

mas falhámos redondamente,

mas desprezámos, em absoluto, as nossas maiores rique-
zas naturais, a TERRA e o MAR, aliás cantadas nas es-
trofes do nosso Hino Nacional .

E elas são, tão somente, a maior Zona Económica Exclu-
sica Marítima da Europa e uma das maiores do Mundo,
e a maior Mancha Florestal da Europa .

Dá Deus nozes, a quem não 
tem dentes .
.

O TERRORISMO DE ESTADO .

Problemas de emergência,
exigem soluções de emergência .

Os nossos terroristas estão cá dentro, dentro do País, 
e dentro de nós próprios .

E o maior terrorista é o terrível preconceito da pro-
priedade privada, como se fosse possível enquadrar o 
solo, a floresta e o fogo, numa esquadria bem delineada,
e tudo ficaria resolvido .

Cambada de ignorantes .

Terroristas somos nós todos, pelo desprezo, pela displi-
cência, pelo abandono, pela indiferença, que votamos a 
questões que vão muito para lá da bola e das novelas, e
das tricas de caca que tanto preocupam os nossos políti-
ticos júniores, seniores e da velha guarda .

Então os políticos, fazem contas e mais contas, dão cam-
balhotas com os números, piruetas com as taxas e tachin-
has, mas nada entendem da vida real .

E essa, tem a ver com a perda de vidas humanas, a dor 
dos que partiram, e a dos que ficaram .

Não entendem que cada vida ceifada, cada sofrimento 
vivido, cada árvore derrubada, é o PIB que encolhe em
prorssão geométrica, até o País se esvair em seiva humana .


O que contam são as pessoas .

Cínicos de todos os matizes,

perdoai-lhes,
que eles não sabem nada,
nem o que dizem, nem o que fazem,nem o que pensam .

De boas intenções,
está o Inferno cheio .
.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

FRÉMITO DE PAIXÃO .

Ai, quem nunca curtiu uma paixão,
Não sabe nada, não ...

Quem nunca mergulhou no abismo da volúptia
Quem nunca morreu por instantes
e regressou à vida,
e respirou de alívio,
saciado pela ternura do prazer .

Quem nunca se perdeu na ânsia
de alcançar o êxtase,
onde se mistura a doce violência
e a paz gratificante 
dos corpos entrelaçados .

Quem nunca experimentou um encontro cósmico,
à velocidade da luz,
e logo apagando tudo
dentro e fora do próprio corpo,
numa explosão,
como se um raio nos fulminasse .

Só então a paz interior nos consola
e podemos saborear lentamente
a felicidade que parece que não acabar .
Morremos e renascemos no instante,
que tanto desejamos e tememos .

Como se o mundo parasse de repente,
numa pulsão de desejo,
que esmorece pouco a pouco .
Sente-se a tempestade a chegar.
numa faíca prestes a iluminar os nossos seres .

Atordoados,
o tempo pára, sem nos apercebermos .
Somos tão iguais e tão diferentes,
com o mesmo objectivo comum -
a procura da felicidade .

Ai, quem nunca curtiu uma paixão, 
não sabe nada, não ...

Para Pablo Neruda,
que me ensinou a magia das Metáforas .

.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

A MORTE DE GAUDI .

Morreu na contra mão
Atrapalhando o tráfego

Morreu na avenida
No passeio estúpido

Morreu atropelado
Pelo carro eléctrico

Esperou na morgue
À espera do enterro público .

De Xico Buarque .

O que seria se António Gaudi tivesse vivido até aos cem 
anos .
Que mais maravilhas nos teria legado, se tivesse vivido
tão intensa e apaixonadamente, durante muitos mais mais 
anos .
Os génios não morrem jamais, perduram para sempre na
memória dos seus admiradores, nunca se extinguirá a luz
ofuscante que nos proporcionam .

Já passou mais de um século que o sonho de Gaudi se co-
meçou a concretizar .

A obra do grande visionário foi interrompida várias vezes, 
por razões trágicas, mas sempre persistiu a determinação 
dos seus seguidores, preservando, em condições extraordi-
nariamente adversas, guerras, revoluções, destruições bár-
baras, de tudo um pouco, mas Gaudi supervisionava lá de ~
cima .

Quem disse que as Catedrais não levam 
séculos a ser erigidas ?....
.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

A CATALUNHA e PORTUGAL .

Terras de passagem

Terras de Fronteira

Terras de revolta 

É espantosa a similitude entre a Catalunha e Portugal .
Romanos, Fenícios, Cartagineses, Romanos, Árabes, per-
correram os mesmos caminhos, quase na mesma altura .

Interessante como foi com a "ajuda" dos Catalães, que
mantiveram uma revolta contra os povos dominantes da
Península Ibérica, Castelhanos e Aragoneses, de 1640 até
1652, que permitiram a sublevação do Reino de Portugal,
naquela data, cem grandes dificuldades .

Já anteriormente foram os Reis Católicos que amordaça-
ram os povos da Catalunha .

Com o advir dos Fascismos, Português e Espanhol e no 
seguimento da tenebrosa Guerra Civil de Espanha, foi no-
vamente amordaçada a Catalunha, tendo sofrido imensas
baixas materiais e humanas . .

Ora, este País, tal como Portugal e a Galiza, tinha adquirido 
a categoria de Condado, designação que se manteve até aos 
nossos dias .

Aliás, o Conde de Barcelona, familiar do Rei de Espanha este-
ve (está ?. ainda), exilado em Portugal, no Estoril .

Foi a religião e a política de alianças, que traçou destinos dis-
tintos para Portugal e a Catalunha .

Portugal andou sempre a lamber as botas ao Papado, até uma
vez ofereceu um elefante a Roma .
Por outro lado, como ficámos do lado de fora do Oceano Atlân-
tico, a matreira raposa inglesa, obrigou-nos. umas vezes a bem, 
outras vezes, a mal , a ser o biombo das potências continentais,
a Espanha e a França .

Desgraçadamente, a Catalunha , país independente há dois mil 
anos, foi traída por Aragão, e sempre esmagada entre os Francos 
e Castela .

Para complicar as coisas, o Condado Catalão meteu-se numa 
guerra religiosa, da Igrja Católica contra os Cátaros, e a Ca-
talunha apanhou por tabela .

Mas, como ontem escrevi, estou convencido, 

que, desta vez, isto Vai mesmo .

.

terça-feira, 13 de junho de 2017

A HORA DA CATALUNHA .

É desta que isto vai .

Catalunha,

Terra e povo,
tantas vezes apunhalado pelas costas, um País diferente 
de todos os outros, situado na fronteira entre Castela e os
reinos dos Francos, tão sacrificado durante a Guerra Civil 
Espanhola, e a quem devemos a independência de Portugal, 
em 1640 .

Só por maldade ou ignorância, se pode defender a sua tão
longa permanência sob a garra de  uma Castela poderosa e 
concentracionária .

.

Viva BARCELONA .
.
.

ANIVERSÁRIO .

Parabéns

Ao Fernando Pessoa

à Maria Helena Vieira da Silva ´´

e à Elsa Casimiro .
.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Férias .

Estou uma semana fora.
Talvez consiga comunicar por lá .
Que sorte,
sem terem de me aturarem estes dias todos .

Mário Plácido .
,

Pérolas Cariocas .

"..., Felizmente que ainda há no Brasil
  a honra das mulheres, mas a honra das 
  mulheres não deve ser artigo de museu,
  antes deve ser posta ao serviço de todos
  os brasileiros ."

Carlos Lacerda
Ex- Governados do Estado da Guanabara
Anos 60 .
.

domingo, 4 de junho de 2017

A GRANDE FARRA .

No princípio era a CPE - Companhia 
Portuguesa de Electricidade,
em união de facto com a Sacor, 
que constituiam um um concubinato 
ilegítimo e sórdido, que mandava neste 
País .

Com o 25 de Abril tudo mudou para ficar tudo na mesma .
Ou melhor, ficou tudo pior, muito pior .

Juntaram-se os trapinhos, com a benção de sucessivos governos, em era
sempre um Ministro da Economia da EDP, com um-Secretário de Estado 
da Sacor , que alternavam de tempos a tempos, de modo a manter a mão
na massa, desde tempos do antigamente, até aos tempos de hoje .

Nacionalizaram todos os passivos, fizeram e desfizeram empresas fictícias, 
umas após as outras, sem qualquer intervenção de reguladores, venderam 
a REN- Rede Eléctrica Nacional (pertença de todos nós) aos chineses, por 
tuta e meia, combinavam entre si os preços, os dividendos, as cotas de mer-
cado, os ordenados dos bosses, e os prémios de ruína dos diferentes acto-
res desta nojenta farsa .

Até chegaram a propor uma renda para liquidar as rendas atrasadas a pagar
pelas sucessivas gerações de mortos .

Ora agora (?) aí temos a ladroagem 
com os cornos de fora, 
com o execrável António Mexia, 
à cabeça .

E, dizem os crentes, que Deus não dorme.
.

sábado, 3 de junho de 2017

UMA BOA ACÇÃO .

O Benfica é o campeão .

O Benfica é o campeão das obras de solidariedade social .

Como o Dia Mundial Contra a Fome, organizado pelo Banco 
Mundial contra a Fome, calhou no dia do penúltimo dia Cam-
peonato Nacional de Futebol, jogado na Catedral da Luz, com
a vitória do Glorioso, dando o Tetra ao Benfica, o Presidente
do Clube, sentindo que que aquela realização fora prejudicada
pela drástica redução na recolha de fundos, decidiu abrir o Es-
tádio do Benfica, para fazer recolha de géneros naquele lugar sa-
grado, abrindo as portas a todos aqueles que participassem na
aludida angariação de bens para o Banco Alimentar .

Havia ainda o aliciante de ser proporcionada a todos os presen-
tes, uma mostra dos principais troféus ganhos pelo Benfica, du-
rante a sua vida já secular .

Parabéns Benfica .
.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O HOMEM, ESSE DESCONHECIDO .

Cabelo branco é saudade 
Da mocidade perdida
Às vezes não é da idade
Mas dos desgostos da vida

As palavras podem ser mensageiras de alegria e de 
felicidade,
mas também podem ferir como punhais e levar a dor 
e o sofrimento aos outros .

Mas há palavras que por vezes têm que ser ditas, por
mais que nos custe e que custe a terceiros .

Há alturas em que a ferida tem que ser sangrada, para 
depois se conseguir curar, e depois logo sara e cicatriza .

As dores do corpo são ruins, mas a gente aguenta .
Deixam marcas e cicatrizes profundas .

Mas que dizer de golpes do coração, esses sim, acabam 
por ser tratados, mas a que custo e a que desgosto nos 
submetem . 

Só o tempo, e à vezes nem ele, se compadece de nós .
.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

OS HETERÓNIMOS .

Fernando Pessoa foi um grande escritor, disso 
não tenho qualquer dúvida, poeta grande, da 
cabeça aos pés .

Que tenha vestido a pele de quatro ou cinco 
personagens, como nas peças de teatro, ou a 
partir das características do momento, da dis-
posição,  por necessidade de caracterização
ou estudo das várias facetas da alma humana, 
poliforme e estranhamente indecifrável, vá que 
não vá, é o génio em acção. 

Mas encarnar dezenas e dezenas de heterónimos,
que foram saindo do baú, a velocidade da luz, é 
que já me parece loucura ou brincadeira de uns 
maduros que não têm mais nada em que usar o 
bestunto .

Pobre Pessoa ...
.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

AS REFORMAS .

REFORMAS, 
em francês RETRAITES .

Não há cão nem gato, nem bicho careta, que não encha a boca
a dissertar sobre a matéria, que está em todo o lado, nas man-
chettes, nas letras miudinhas, na boca alarviada  de toda a gen-
te, dos paineleiros de todos os matizes, e que já contaminou o 
pobre povo, que, no geral, não faz a mínima ideia sobre o que 
está dissertando .
E não são reformas banais, nem aquelas que dão para comprar
tremoços .

São as ingentes, indispensáveis,urgentes, 
necessárias, imprescindíveis e democráti-
cas reformas,

abordadas por todos, pelo mundo fora, desde Portugal , até
Coreia do Norte, desde a China, até à França, desde os USA,
até à Rússia .

Conversa da treta .

Paleio de bêbado .

Cantigas para embalar meninos .

Para se falar tão insistentemente desta turgia, é porque ninguém
faz qualquer intenção de cumprir seja o que fôr .

É para isso que servem os maus políticos .
.


BREJEIRICES .

Puxei o autoclismo
A m.... estremeceu
deu duas voltas à pista
disse-me adeus e desceu .

P...., disse a marquesa,
batendo com as tetas em cima da mesa
mas lembrando-se da esmerada educação
que tinha tido na Suiça
retirou o p... e disse chiça . 

Minha mãe casa-me cedo
que me morde a passarinha
ó filha coça-a com o dedo
que era o que eu fazia à minha .

Namoraram e casaram
mas nunca se deram bem
ele foi para casa do pai
ela ficou na da mãe .

Fui de Lisboa a Sintra 
a casa da Tia Jacinta
para me fazer uns calções
mas a pobre criatura
esqueceu-se da abertura
para as minhas precições .

Fui mijar lá no Rossio
à terceira mijadela
assoprei no assobio
pus a andar um barco à vela .

Era já noite cerrada
dizia o filho para a mãe
No vão daquela escada
passava-se a noite bem
mas a p... da caldeirada
não me caiu nada bem .

Pára raios nas igrejas
é para lembrar aos ateu
que os crentes por mais que o sejam
não têm confiança em Deus .

Fernandinho vai ao vinho
vai encher o pucarinho
cai de trombas no caminho
ai do copo ai do vinho
ai do cú do Fernandinho .
.








A ESCRITA DELIRANTE .

Uma simbiose entre o Surrealismo
e o Anarquismo .

Sempre gostei de dizer disparates e frases sem  nexo, quase
sempre retiradas do contexto, ou num outro contexto, que só
eu entendo .

Ainda não cheguei ao ponto de contar anedotas para dentro,
ou rir-me a despropósito, deixando de ouvir o que me estão
a dizer, para curtir o que me vai na alma .

É preciso prática e treino para lá chegar .

E os exemplos e as ocasiões estão sempre na linha da frente .
Tudo se passa cá dentro, numa caixa própria, a caixa dos piro-
litos .
Não é maluqueira, não senhor .
É outra maneira de estar .
É uma defesa sólida contra a parvoíce generalizada, mas tam-
bém contra os certinhos, os bem comportados, os utilizadores
das ideias politicamente correctas .
Os ajuizados .

Mas é também um grito de revolta, de rebeldia, que se manifes-
ta contra o pensamento único, a verdade absoluta, as boas man-
eiras .

Tenho uma necessidade visceral de , mesmo dizendo patranhas, 
se eu próprio, de corpo inteiro .

Estavas tão meditabunda,
tão meditabunda,
tão tétrica,
que eu medi-te a bunda
com uma fita métrica .

Adoro o Alexandre O/Neil .

Iam dois polícias com uma grande bebedeira, um deles chama-
do Cruz, saindo da taberna, e iam discutindo os problemas da
vida, teimando sempre, até cair :

- Eu sou o Chefe Cruz ;
- E eu sou é o Cruz Chefe ;
- Não, eu sou o Chefe Cruz ;
-Nada disso, eu sou o Cruz Chefe .

A discussão estava tão animada, até que veio a bófia e levou os 
dois na Ramona .
Foram curti-la na choça .
Que vão agora queixar-se ao sindicato
.





terça-feira, 30 de maio de 2017

O FILHO PRÓDIGO .

Há mais alegria no Céu pelo regresso de 
ovelha tresmalhada, do que pelo remanso 
do rebanho todo .

E mataram um cordeiro e o comeram
em acção de graças .

Ás vezes encontro alguém conhecido no meu bairro que me diz :

Ontem vi o seu blog, e gostei muito .
Fico todo satisfeito .

Há outros dias em que não aparece ninguém, só o próprio .
Outros dias, é uma barrigada .
É bem verdade , que lá diz o ditado :

Vale mais só, do que mal acompanhado .

Quando punha bonecos, tinha mais freguesia .
Mas eu sou tolo .
Deixei de ilustrar o Blog, apenas porque sim,e também por pre-
guiça .

Mas prometo que vou retomar as figuras, desenhos e fotografias,
pode ser que assim gostem um bocadinho mais de mim .

Vítima do orgulho, ou da auto estima ?.
.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A HISTÓRIA DA CAROCHINHA .

Quem quer casar com a Carochinha

que é muito feia e muito màzinha ?.

Quem quer casar com a Carochinha ?,

que tem um petisco a preparar

no caldeirão da cozinha ?.

A vida da Carochinha corria-lhe bem, até que foi obrigada 
a divorciar-se do marido, um sujeito invejoso e mal formado
costumado a viver à custa do alheio .

Já o casamento fora feito por interesse e com segundas inten-
ções . Enganava a Carocha a torto e a direito, sacava-lhe a 
massa, e nunca quis juntar os trapinhos .
Tinham contas separadas, e o malandro é que queria governar 
os proventos da casa .

Sempre foi assim, mas a matrona e os seus amigos iam sempre
adiando o desenlace, pois o malandreco tinha a escola toda, um 
refinado chulo .

Mesmo assim, foi ele que deixou o lar, e com a complicada ques-
tão das partilhas, pois tinham casado com comunhão de bens .

Afinal, havia outro,
que sempre andou com o olho em 
cima dela .

Um labrego, bem apessoado, com poupa à Tintim, um ricaço da 
América, que namorava por correspondência .
Tinham trocado fotografias, o namoro ia andando, até que o preten-
dente veio conhecer a matrona e apresentar-se à família .

Desconheço o que terá acontecido .
O que é certo e que as coisas, pelos vistos, azedaram, e noivo deu de 
frosques, já com os papéis para o casamento a correr .

Ou a Carochinha , afinal era um grande estafermo,  e quando se apre-
sentou a serviço, o ruivo fugiu, só de a ver, não sem ter dado uma enor-
me reprimenta à noiva, à vista de toda a gente .

Ficou tudo de cara  à banda, e o noivado foi desfeito .

E o Caldeirão, de onde vinha um cheirinho  mara-
vilhoso, nem sequer chegou a ser inaugurado .

É  a vida ...
.




domingo, 28 de maio de 2017

AS GUERRAS DE PAPEL .

Acabaram as guerras no Médio Oriente, na Síria, no Iraque,
no Afeganistão, e até na Turquia .
E as que se têm espalhado um pouco por todo o Mundo .

E a razão é muito simples, 
é que elas não vêm nos jornais, 
nem dão nos telejornais .

Também já não anunciam as notícias dos três possíveis impea-
chements, a aumentar de tom em diversos países da América .

Tudo isso passou para 2º. plano .
Perdeu importância,

porque anda todo o Reino Unido, à procura de terroristas por
todo o país e arredores, 
e o resto do mundo à procura de protagonismo das figuras gra-
das do nosso planeta, do cromo da bola e dos outros cromos ra-
ros, da caixa de rebuçados .

Grandes quantidades de papel são precisas também para com-
prar os cromos que jogam nos principais bancos do Hemisféri-
co Ocidental, onde se disputa o campeonato mundial do assalto
às riquezas  .

E isso é que é importante .

Eu bem sei que a maioria dos mortos carreados nos últimos tem-
pos, não falam francês, nem Inglês, nem tocam piano,
mas morrem na mesma, calados, esfomeados e afogados, 
tentando chegar aos países da in(civilização) .

Morrem, simplesmente ...
.



sábado, 27 de maio de 2017

A QUADRILHA DOS 7 .

A Europa num Voo de Pássara .

Um Elefante numa loja de porcelana 
chinesa .

Foi a primeira viagem de Trump ao Médio Oriente e à Europa .

Seria difícil estar a enumerar as broncas, as gaffes, a má educa-
ção, o ridículo que a figura mais poderosa do Mundo foi eviden-
ciando ao longo destes poucos dias  .

Desde o chega para lá, que deu à esposa, em várias ocasiões, dei-
xando-a, propositadamente para trás, e abandonando-a ostensi-
vame, longe dos outros protagonistas, 

até às questões mais sérias, sobretudo aqeulas que se relacionam-
com a Nato, fazendo um discurso vexatório ( que esperavam
os outros comparsas ?), litigando de uma maneira grosseira as dí-
vidas feitas aos outros países da Aliança, desprezando, de uma ma-
neira grosseira o Artº. 5, pilar onde se julgava ser o polo agrega-
dor dos países integrantes, em que se defendia religiosamente le-
ma do glorioso Benfica

Et Pluribus Unum

o Bruto, deixou implícita a possibilidade que tal Artigo, vir
a ser relegada para o caixote .

Toma lá, que é democrático . 

Um escândalo, para estes Europeus de caca, habituados a andar à
babugem das migalhas e do ferro velho ianque .
.



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Os Medicamentos . .

À maneira de Nanni Moretti .

Um destes dias, fui ao Centro de Saúde do meu Bairro,
solicitar uma receitas para a minhas medicinas .
Calhou marcar consulta para a médica de família .
A senhora do balcão, toda solícita disse-me que quando 
viesse à consulta, pediria as almejadas receitas .

Passados uns dias, dirigi-me à médica, que me informou 
que o sistema informático tinha caído e que não podia re-
ceitas os remédios .
Pediu-me ais alguns dias .

Por causa da falha informática, as consultas tinham-se acu-
mulado, e devia aguardar um pouco mais .
Assim fiz .

Quando fui pelas receitas, uma delas não caracterizava cor-
rectamente todos os detalhes do pedido .
Que viesse outra vez, com o formulário devidamente preen-
chido .

Tinham passado entretanto três semanas .

Desisti das receitas .

Mas para a próxima, o melhor é memorizar toda a bula de 
remédio e declamar, uma a uma, em frente da médica .

Talvez resulte ...
.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O OPTIMISTA .

Quando bateres mesmo no fundo,

pára, respira um pouco,

e segue sempre em frente .

Pichagem numa parede de Telheiras .
.

TEMER OU MADURO .

Dois Pesos e Duas medidas .
Ou Três pedidas .

Maduro é um grande malandro .
Temer é um homem de Estado .
Trump é uma Besta .

É engraçado como os nossos avatares da imprensa de referência 
se atrevem a classificar despudoradamente,  os ditadores e outros 
políticos, de acordo com os interesses das classes possidentes .

Se são se Esquerda, ai Jesus, as liberdades e os direitos humanos .
As reformas e a Democracia . O papão do comunismo .
A fome e a desgraça .

Se são de direita, ai malandros , selvagens, bandidos, a destruir o
património, chama-se já o Exército, para manter a Ordem e a se-
gurança . 

Chamem o Estado de Sítio 

Quanto à Besta, está sempre tudo bem, quartel geral Santarém,
está tudo como dantes, quartel geral em Abrantes .
.

terça-feira, 23 de maio de 2017

COMO O TEMPO PASSA .

Não sei se fui eu que passei pela História,

se foi a História que passou por mim .

Assisti a coisas espantosas no decurso da minha vida.
Algumas vividas em directo pela Televisão :

A ida do 1º. homem à lua,

A queda da torres gémeas, em Nova Iorque,

O derrube do Miro de Berlim,

O Tsumami na Indonésia,

O 25 de Abril, em Portugal .
Outras, em deferido, tais como :


O lançamento das primeiras Bombas Atómicas sobre o Japão,

O acidente de Tchernobyl,

A saída e Mandela, da prisão,

A Revolução Chinesa,

A criação do 3ª. Mundo,

A Independência da Índia ,

E, sobretudo as guerras, guerras que pontuaram todo o Sec. XX,
com uma referência ao Holocausto da morte de milhões de judeus
e gente de outra raças, consideradas inferiores .
Talvez seja esse o ponto mais horrível da História da Humanidade .

Mas depois, muitas outra guerras, a Iª. Guerra Mundial, uma gue-
rra completamente idiota, que não levou a lado nenhum,
A Guerra da Coreia, a Guerra do Vietname, a guerra da Indochina, 
a Guerra da Argélia, a Guerra Colonial Portuguesa, as Guerras dos
Balcãs, A Guerra Civil Espanhola, e tantas outras,

e os massacres do Katanga, do Biafra, da Etiópia, da Namíbia, do
Uganda, da Bósnia, da Argélia, do Benim, da Rep. Centro-Africana,
da África do Sul, do Sudão, e muitos outros .

A agora, em pleno Sec.XXI, surge outro pesadelo, o Terrorismo, 
história antiga e trágica, que veio do passado, e está a instalar-se,
sorrateiramente, nos nossos dias .

Os métodos de chacina, os meios tecnológicos usados, a variedade e
a dispersão camuflada, de um inimigo sem rosto, a natureza desta
guerra, e os erros cometidos ao longo de séculos,
mostram-nos que esta guerra veio para ficar, e que são necessários 
novos processos e novas estratégias para um combate mais eficiente .

Os povos ocidentais, continuam a caçar moscas com carabinas,
e elefantes com fisgas .
.







segunda-feira, 22 de maio de 2017

Lágrimas de sangue .

Ó mar salgado,
quanto do teu sal
são lágrimas de Portugal .

Já há muito que esgotei a minha contribuição de sal .

As agruras e os desgostos que fui padecendo, secaram-me por 
dentro e por fora .

Ás vezes ainda choro, choro de desgosto e de dor, mas nada sai
dos meus olhos já cansados .

Choro do peito e do coração, 
mas mas fico seco, como peixe a esturricar ao sol .

Choro em sonhos, que me mortificam e que me assustam .

Choro  do meu cérebro, maltratado, fustigado, porque tem ainda
imensas memórias das maldades por que passei .

Dizem que um homem não devem chorar, mas é porque tem  
inveja ou vergonha .  
.

A BATALHA DA SUCATA .

Ferro velho
Papéis velhos
Farrapos
Peles de coelho 

Naquela altura, ainda não tinha inventado a Troika, nem o FMI .
Os homens vasculhavam os sótãos das casas, cheias de teias de
aranha, e ratos, em busca de qualquer tralha velha, que pudesse 
ter algum proveito.

Nas casas com alguma lavoura, a busca era mais apurada, pesqui-
sando pedaços de alfaias arrumadas ao acaso, peças já gastas ou 
em desuso, pregos, parafusos, lâmpadas fundidas, bugigangas sem 
destino, tudo servia para engrossar o saco dos restos sem serventia .

Ferro velho
Papéis velhos
Farrapos
Peles de coelho   

Vinham de todo o lado, por vales e montanhas, com sacos de serapi-
lheira às costas, percorriam a vila, gritando bem alto, para depois
irem recolher o magro espólio arrebanhado .

Era o meu tio Alberto, de São Martinho, um parente meu, que comer-
ciava tudo, que recolhia e separava toda essa tralha, arrumando-a em
grandes caixotes, que tinha nos fundos da sua loja .

Ferro velho
Papéis velhos
Farrapos
Peles de coelho 

De tempos a tempos, vinham à Vila comerciantes, traziam camionetas 
que levavam todo esse material para longe, Porto ou Lisboa, para se-
parar os metais, o ferro, o cobre e o estanho, para serem fundidos e ten-
tar rentabilizar o que restava daquela amálgama, para outros fins .

Ferro velho
Papéis velhos
Farrapos
Peles de coelho .
.

domingo, 21 de maio de 2017

O PRECONCEITO IDEOLÓGICO .

OS MORTOS DE ESTALINE .

Qual a diferença dos milhões de mortos às mãos de Estaline,
sob a batuta dos Bolcheviques,

e os milhões de mortos às portas dos hospitais do paraíso ca-
pitalista que são os Estados Unidos, outros milhões grelhados 
no muro electrificado que o separa do México, ou abatidos a 
tiro, quando atravessam a fronteira entre os dois países . 

Para não falar dos 200 ou 300 mil que morreram instantane-
amente em Hiroshima e Nagasaki .

Todos morreram, de uma maneira ou outra .

A Morte é libertadora,
e liberta todos por baixo .
.

sábado, 20 de maio de 2017

O SALTO QUÂNTICO .

O CLIQUE .

Algo de muito estranho se passou, que não sei explicar.

Algum choque cosmológico ?
Uma guerra das estrelas ?
Uma mutação biológica ?

Talvez que um pequeno planeta se tenha afastado ligeiramente da sua 
órbita tradicional.
Uma passagem do quantitativo para o qualitativo .

O que é facto, é que ando pesquisando o Céu, na mira de te reencontrar,
mas tu tinhas-te vindo a afastar-cada vez mais, e o meu radar deixou de 
te apanhar .

Um erro de cálculo imperceptível, não detectado no GPS da vida, o sufi-
ciente para te perder de vez .

Era um pequeno planeta satélite, integrado no nosso Sistema Solar, mas 
muito importante na minha vida .

Agora vai desaparecer e perder-se no infinito .

Talvez que ele dê uma grande volta elíptica,,
e um dia, quem sabe, volte aproximar-se novamente da nossa galáxia ..

Talvez ...
.
.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Cartas de amor .

Cartas de amor,
quem as não tem .

Todas as cartas de amor são ridícula,
por isso é que são cartas de amor .

Fernando Pessoa .
.

A PORCA DA POLÍTICA .

Regressando à vaca fria,
sem ofensa .

A Porca de Murça .

Estes portugueses são gente engraçada .

Longe da vida dos salões e dos políticos de pacotilha, habituados
a uma vida rude vivida nos campos, a joeirar o pão nosso de cada ,
dia, tinham uma ideia picaresca da política e dos políticos .

Havia na terra de Murça, uma estátua edificada em tempos ances-
trais, símbolo venerado pelas gentes da povoação .

Como os Governos à época, estavam constantemente a mudar, sem
se dar conta dos programas oficiai dos partidos, tiveram a ideia de
ir pintando a porca, mudando de cor cada vez que o tal acontecia .

E o costume ficou para a História .

Hoje ainda temos a porca de pedra bem limpinha, o que quer dizer
que, apesar de tudo, melhorámos o nosso sentimento para com os 
nossos eleitos .

QUE VIVA SEGÓVIA .

Cá vai um abraço para a malta dos cem fugas .
Contem os arcos do Aqueduto, 
e avencem para as grandes comezainas .
Boas paisagens e miúdas giras, 
OLÉ .
Um cumprimento especial para o nosso Zé Luís .
Tchau .
Mário .

quinta-feira, 18 de maio de 2017

UM MUNDO ÀS AVESSAS .

Terrorismo Colorido .

Nos anos 80, no decurso de uma viagem de estudo 
organizada pela Universidade de Nova Yorque
(Oneonta), eu era o pendura de um grupo de estu-
dantes que preparavam o doutoramento, em que o 
responsável era o Professor Jack Kotz, rumávamos
ao Norte, a caminho da fronteira com o Canadá .

A meio do caminho, parámos numa venda de artigos
de folclore índio .
Quando estávamos a chegar, avisou o professor :

- Está a ver, ó Mário, aqui foi o sitio 
  do massacre .

- Fiz-de de parvo, e perguntei-lhe o que era um mas-
  sacre .

 - Kotz Informou que era o sítio onde os peles ver-
   melhas chacinavam os brancos .

 - Fiz um gesto vago, como se tivesse compreendido a ex-
   plicação, e calei-me . .

E, assim estamos nós hoje, com um terrível dilema exis-
tencial .

Será que um americano de ascendência porto riquenho,
branco, de 26 anos de idade, ex combatente do Exército
Americano, meio choné, alcoólico, que não sabe condu-
zir, acelera com grande velocidade um carro em sentido
contrário, para cima da multidão reunida no centro de
Nova Yorque, não configura um acto terrorista treslou-
cado ??? .

Ou quando há gente de outras raças, outras cores, outros 
credos,  que o cometem crimes horríveis, é que se consi-
deram tais actos como terror .

Ou será que nos Usa já não existem
essas coisas ?.
.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

A TEMPESTADE .

Santa Bárbara bendita
Que no céu está escrita
Livra-nos desta tormenta
Com um raminho de água benta .

A Tempestade cheira-se ao longe . 
Vê-se avançar , trazendo o céu de breu atrás de nós .
O Vento rosna bravio, as Nuvens correm mais depressa,
sente-se a electricidade no ar, 
e, de repente,
tudo desaba em cima de nós .
O Astro  estoira, e a Terra parece incendiar-se numa 
explosão medonha, que se repete vezes sem conta .

Tudo escurece ainda mais, e as pessoas ficam atordoadas
pelo ribombar dos trovões e pelo ziguezaguiar dos Raios,
caindo em cheio nos rochedos da Serra .

É a tormenta .

É o diabo em pessoa .

Depois, tão depressa como veio, logo se afasta para bem 
longe, levando o Inferno para outras paragens .

Mas, por vezes, o horroroso espectáculo pode prolongar-
-se por várias horas, noite dentro, e mal podemos dormis 
descansados .

O grande compositor Bethoven, transmite-nos uma ideia 
do que é a Tempestade, através da sua 6ª. Sinfonia, designa-
da A Pastoral, uma maravilha criada por um génio surdo .

Depois da Tempestade, vem a Bonança .

É então que regressam o Silêncio da Natureza, o brilho do
Sol, o palavreado e o chilrear dos Pássaros, e os sons nor-
mais de toda a Bicharada .

E tudo volta a ser como dantes .

É então que surge ao longe por trás da serra,

um lindo ARCO ÍRIS que, dizem os antigos, tem na ponta

um grande pote cheio de moedas de oiro .

.





terça-feira, 16 de maio de 2017

CRÓNICA DE UM DIA ASSIM .

Volto ao tempo dos silêncios prolongados, em que é preciso
treinar a imaginação, para o tempo passar mais depressa .
Frequento agora outros espaços cheios de gente, na aparência,
mas vazios de pessoas, quais peças de um mecanismo de reló-
gio, que marca os gestos automáticos, repetidos vezes sem con-
ta,como se se tratasse de uma máquina invisível, que labora sem
parar e sem destino certo .

Trabalha simplesmente .

Surge-me outra vez, a imagem do formigueiro (ou da colmeia),
funcionando na perfeição, sem qualquer desígnio especial .

Retomo os exercícios do Sudoku e das Palavras Cruzadas e ou-
tros jogos que tais, que ajudam no treino das mãos e da cabeça,
só com o prazer de encontrar soluções avulsas .
E logo surge um, após o outro .

Para os Quebra Cabeças da vida, é que é 
mais difícil achar soluções dentro de nós .

E não é nada fácil .

Estamos sempre muito ocupados com a nossa própria vida, com 
os nossos problemazinhos insolúveis, emperrados na nossa própria
narrativa, em que  os mais cegos, são sempre os que não querem 
ver, sempre na busca de soluções milagrosas .

As pessoas fogem da solidão, como o diabo da cruz, mas odeiam a
partilha, seja do que for . Ficam sempre a meio da ponte entre o me-
do e o desejo .

Deste modo, albergam-se no nada, no vazio, 
avidamente .

Enrolam-se dentro de si próprias, remoendo os mistérios da sua exis-
tência, e devorando sem parar, a sua própria solidão .

Nesse cenário, não correm riscos . 

Só o risco de viver .
.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A minha gata Branquinha, o Ouriço Cacheiro e o Pisco de peito ruivo .

Quanto mais me incompatibilizo 
com as pessoas, 
mais gosto dos animais . 

Não fazem fitas, não ofendem , não têm birras, são leais,
directos, verdadeiros, não simulam, não têm segundas in-
tenções, são bricalhões, espertos, inteligentes, sabem pedir,
sabem medir o perigo, são audazes, fazem excelente com-
panhia, são pacientes, sabem esperar, convivem à distân-
cia,
pedem apenas, em troca a comidinha do dia a dia .

.

A PALAVRA DO PAPA FRANCISCO .

"A QUAL MARIA PEREGRINA ?

À Bendita por ter acreditado,
ou à Santinha a quem se recorre para
obter favores a baixo preço?."

Da Peregrinação de Fátima
13 de Maio 2017

.

domingo, 14 de maio de 2017

A INVENÇÃO DA ESCRITA .

A importância das palavras .

Durante a minha vida profissional fartei-me de escrever
textos, mas sempre sem grande prazer, era uma das minhas 
obrigações .

Escrevia relativamente bem e depressa, mas sem tirar parti-
do de quaisquer efeitos que não fossem estruturar bem as -
ideias, esquematizar devidamente o pensamento, e não per-
der tempo com conversa fiada ou desviar-me  do eixo prin-
cipal da comunicação ,

Escrever preciso e conciso .

Seleccionar bem os aspectos positivos e negativos, salien-
tando devidamente os primeiros e tentando desvalorizar
os segundos  .
Adquiri  práctica e agililidade e fui refinando uma certa 
habilidade na escrita .

Só mais tarde, fui tomando gosto pelo maneio das palavras,
aprendendo a pesá-las, a gerir devidamente o significado 
mais apropriado, em cada caso ( o exercício das palavras cru-
zadas teve para mim, grande importância, não só pelo jogo
em si, mas também pela utilidade de que se revestia ) .

Saltei pois, dos bonecos, sempre muito importantes no decur-
so da minha vida, mas comecei a alterná-los com as palavras, .

Ganhei uma nova ferramenta - a escrita,

mas fui completamente posto em debandada geral, no que se
refere ao número de visitantes do BLOG .

Com o aparecimento do Face Book, 

e de outras plataformas de comunicação, restringido drasti-
camente o número de palavras, hoje em dia, ninguém pode 
conversar normalmente, mas apenas enviar sinais de fumo,
como nos tempos dos índios .

Sinais dos tempos .
.


O CAÇADOR DE SONHOS .

Quando era miúdo, 
o que eu inventava para me distrair, não 
quieto, diziam que eu tinha bichos carpin-
teiros (?...) .

Nunca tive qualquer brinquedo, brinquedos fabricava-os
eu, com uma faca de sapateiro, objecto perigoso e proibi-
do - fruto proibido, sempre foi o mais apetecido .

Quando caí doente, aos 6 anos, era obrigado a fazer repou-
so, deitado no andar de cima da casa do meu avô, com o
tecto envelhecido e manchado, pelos pingos da chuva que
se escapavam do telhado, nos longos Invernos da Serra da
Estrela .

Passava o tempo a inventar e a descobrir figuras no sobra-
do, umas quase reais, outras completamente fantasmagóri-
cas .
( Mas via mesmo, não eram visões, nem alucinações ).

Com essas imagens, construía lentamente o eu Mundo, real
ou imaginário .

A distracção era fácil e barata .

Mais tarde, experimentei as gotas da chuva, a escorrer pelas
vidraças, os riscos pelo bafo do produzido pelo frio das jane-
las, o movimento desenfreado das nuvens que percorriam o 
céu, com pressa de chegar ao mar .

Mais velho, usei como paleta, as paredes carcomidas de Lis-
boa, percorrendo os bairros velhos, maravilhado com as gra-
vuras que encontrava nas camadas de tinta e cal, marcadas
nos prédios sujos e escaqueirados .

(Que Whills viria a descobrir também, 
mais tarde ?) .

Mais recentemente, já na minha segunda juventude dos meus 
ralos cabelos brancos, andei a brincar às Paisagens da Serra
da Estrela, brincando com pequenos pauzinhos, cascas das ár-
vores, sementes, flores e bagas, que enxameiam os Jardina de 
Telheiras .
.

A VIDA REAL .

FÁTIMA,

FADOS

E BOLA,

são as ilusões de um povo
que pede esmola .
.

O BENFICA É TETRA-CAMPEÃO .

Portugal está em maré de milagres .

Salvador ganhou o Festival da Eurovisão
(por uma enorme vantagem) .

E o Benfica é tetra campeão de futebol, 
pela 1ª. vez na história .

Ultimamente, nem tenho visto os jogos do Campeonato Nacio-
nal, por falta de um interesse profundo que tinha noutros tem-
pos e também porque evitava emoções fortes .

Até desisti de assinar os canais de desporto .

Ia ver os logos mais importantes, aos bocados, nos cafés das Docas
Secas, sempre cheios e bem regados, quando jogava o Benfica e o 
Sporting .

Mas hoje, acordei com uma grande fèzada ( pois que de é de fé que 
se trata, quando se quer que o nosso clube ganhe mesmo e jogue 
bem) .

Quando cheguei ao café, a ver o jogo em pé, ainda vi o primeiro golo,
e logo a seguir o segundo .
Fui escolher outro café, e logo me ofereceram um bom lugar para 
ver o espectáculo .

Sempre fui muito severo para com o Benfica, o meu clube de toda a 
vida .
Fiquei extasiado, nunca tinha visto jogar desta maneira, foram 5, como
poderiam ter sido 10 ou 15 .

Assim, só o Barcelona, nos seus melhores tempos .

Pedro, se puderes, vê se consegues assistir  este 
jogo do Benfica, numa televisão perto de ti .

Beijinhos .
.

sábado, 13 de maio de 2017

O CARREIRO DE DEUS .

A formiga no carreiro
Vinha em sentido contrário
Caiu à rua caiu à rua
Em cima de um septuagenário

Lerpou trepou às tábuas
Que flutuavam nas águas
Virou-se para o formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro 

... e ao sétimo dia 
Deus criou o Homem
(e num gesto magnânimo,
acrescentou-lhe também a mulher ) . 

Será que as formigas também são criaturas de Deus ?.
Ou não .

Qual é o mistério, a punção biológica, que leva aqueles
insectos, a cumprir simplesmente o seu destino, sem pe-
cado, sem bulhas, perfeitamente organizados e discipli-
nados, sem greves, numa sociedade extraordinariamen-
te quase perfeita, em que todos os indivíduos se ajudam
e completam uns aos outros .

Será que há dedo de Deus neste negócio .

Claro que existe uma diferença abissal  :

Os homens, ao contrário das formigas, são livres de fazer
o bem ou o mal, isso é lá com eles, só que depois sofrem as
consequências dos seus impulsos .

Têm, por isso, uma enorme vantagem ...
.




sexta-feira, 12 de maio de 2017

O MILAGRE .

Como eu gostava de acreditar 
em milagres ...

Talvez o meu filho se tivesse safado do cancro assassino 
que o derrubou .

Talvez que se houvesse Deus, talvez Ele se tivesse apieda-
do do sofrimento inaudito  por que passou, e O tivesse pou-
pado dos horrores vividos durante o inferno da doença te-
naz, dando-Lhe algumas tréguas, por momentos .

Não seria preciso um grande milagre, talvez uma pequena
ajuda que O tivesse livrado, por mais algum tempo e Lhe
concedesse algum alívio a prazo, que Lhe minorasse o cor-
po e o espírito .

Ai, se houvesse milagres .

O Mário Pedro era uma daquelas pessoas que merecia um
pequeno adiantamento, de modo a poder acabar algumas 
das importantes tarefas que tinha entre mãos, uma pequena 
bolsa de tempo, não era preciso pedir muito, bastavam-lhe 
alguns créditos, para acabar a sua obra .

Como seria bom beneficiar de um Milagrezito, que pudesse 
alongar algum tempo de felicidade e de bem estar, cá na ter-
ra, mesmo que tivesse que pagar, e com juros elevados, para
saldar a sua dívida  no Além .

Ai, se houvesse milagres ...
.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O PAPA FRANCISCO .

Nada me move, nem nunca moveu , contra a religião, antes pelo 
contrário, mantenho um certo distancionamento respeitoso acerca
das questões religiosas, ao invés de outros temas ideológicos ou
programáticos, em que me posiciono com alguma rigidez militan-
te, como no caso da política, por exemplo .

Nunca tive directamente ou assisti, durante a minha vida a qual-
quer problema referente ao credo, que nunca professei .
Sempre achei tratar-se de um não tema que não pertence às minhas
preocupações ou áreas da minha intervenção ..

Sou pois um agnóstico puro e duro, que tenta 
viver de acordo com toda a gente, e respeitar 
as ideias de cada um .

Acho, isso sim, que por vezes me são impostas por terceiros, alguns 
constrangimentos, de uma maneira abrupta e atentatórios da minha 
liberdade de expressão . 

Mas até isso eu relevo .

Não costumo intervir em disputas que envolvam os usos e costumes 
tradicionais, credos ou ideia que acabam por ser da inteira respon-
sabilidade meramente individual .

A visita do Papa Francisco não me aquece, 
nem arrefece .

Contudo, não deixa de parecer um tanto abusiva, a histeria colectiva
manifestada em todo este importante acontecimento, como se não hou-
vesse mais nenhum tema de relevo, a realçar nos nossos media comple-
tamente dominados pelo pensamento único .
.

O RALLY PAPER .

Quantidade versus Qualidade .

Será que os putos estão, hoje em dia, mais bem preparados
para a vida, do que há umas décadas atrás .

Boa pergunta .

O salto tecnológico e e educacional foi tão fantástico, que 
vivemos hoje num outro paradigma completamente diferente .
Nem sei mesmo se devo formular tal preposição .

Mas, por vezes, questiono-me .

Não é da vida material que estou a falar .

Falo  daquilo que vai na cabeça das crianças, e, em especial, da
organização mental da rapaziada adolescente, habituada a ter 
tudo, a usar tudo, mas que não consegue realizar de onde vêm 
os ovos, muito menos, como estrelá-los .


Hoje em dia, já não chega tirar um curso superior, nem mesmo 
um bacharelato, quiçá um doutoramento, para acabarem agarra-
dos a uma caixa registadora de um qualquer supermercado, ou a
distribuir pizzas ao domicilio .

Convenhamos que é um desperdício imenso, mas a questão é sa-
ber se os nossos jovens vivem felizes com tal situação, e porque se
não revoltam .

Muitos emigram, é uma solução . 

A mais fácil e mais óbvia .

Algo está errado no nosso reino, á beira mar 
plantado .


Ontem, de manhã, fiquei a observar a movimentação das crianças 
e respectivos progenitores, à chegada para a escola, levando-as até
á boca do lobo, carregando as malas dos livros de estudo, e os em-
brulhos das refeições .

De tarde, tudo se repete, mas em sentido contrário .
Depois têm ainda resmas de trabalhos de casa, em regra participa-
dos pela família inteira .

Quando e onde é que os putos jogam à bola ?.

Se é que ainda sabem o que isso é ?.
.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

SOLITUDE .

Quando vieram prender os ciganos, nem liguei, 
eu não era cigano .

Quando prenderam os homossexuais, nem dei por isso,
não era gay .

Quando apanharam os comunistas, 
ouvi dizer, mas não fiquei assustado .

Levaram os católicos, 
nem sequer tive conhecimento .

Quando agarraram os sociais 
democratas, achei estranho,
mas como não era nada comigo, 
deixei andar .

Levaram à força os liberais, 
estranhei e fiquei preocupado .

Quando me vieram buscar, 
já não havia ninguém 
para pedir ajuda ...
.






A GRANDEZA DA FRANÇA .

Viver à grande e à francesa .

O Complexo de Napoleão .

Entalada entre a Inglaterra, a Alemanha, a Espanha, a Itália,
a Holanda, a Dinamarca e Portugal, 
a França viveu sempre o sonho de uma potência marítima, sem
nunca se poder afirmar como tal .

Permanece para mim um mistério , como foi possível que 
Luis XVI, monarca absoluto durante décadas, conseguir amea-
lhar tanta riqueza e poder, e fazer da França o reino das luzes,
tornando o país, o centro de gravidade do mundo moderno .

O mundo do conhecimento e das artes .


Não foi a trabalhar, certamente ...

Mas foi através do poderio dos exércitos, com grandes chefes à-
cabeça, que Napoleão se transformou  no expoente máximo da 
civilização, e atingiu o auge do seu poderio militar, económico, 
social e financeiro, tendo dominado quase toda a Europa (toda 
não, porque um pequeno país, junto ao Mar Atlântico, correu 
com os franceses à pedrada) .

Os franceses bem tentaram impor o seu Império, mas sem o con-
seguirem . Ficavam com os restos e as migalhas dos outros gran-
des, que jogavam na 1ª. Liga da roubalheira, do esbulho e do cri-
me organizado .

Mesmo assim, abocanhariam  Marrocos,  a Argélia, Marrocos, 
o Líbano, a Tunísia, Madagáscar, e imensos pedacinhos de terra, 
espalhados um pouco por todo o mundo, e estrategicamente plan-
tados nos 4 Continentes.

Mas, a França, sempre foi sol de pouca dura .
.





terça-feira, 9 de maio de 2017

O GALINHEIRO .

Nunca se devem pôr todos os ovos
no mesmo cesto do galinheiro .

Pode acontecer até que o cuco se tenha antecipado
e posto todos os seus ovos nesse mesmo cesto .

Que isto de ovos, percebo eu .
.