quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O PORTEIRO .

Magistratura de influência,
de interferêcia
ou de imprudência . 

Entre a fome 
e a vontade de comer .

Gostei do teu discurso, pá .
Lá falares, falas tu bem .
Num português escorreito, mas cheio de truques .

O que vale é que a memória não é Curta .

Andavam todos à procura do Diabo .
Afinal já chegou, em formato de porteiro .

Vieste abrir, mais uma vez, a porta ao PPD/PSD .
Mas estás muito mal na fotografia .

Entre o Rio e o Santana, 
venha o diabo que tire à sorte .

Longe vai o tempo em que compactuavas com os suicídios in-
ventados pelo Passos Coelho, com as falsas contagens dos mor-
tos e com a aparição do mafarrico .

Coisas da Constança .

Depois apareces a perorar, como se o Costa fosse o inimigo prin-
cipal, numa guerra muito antiga e alimentada pelos teus sócios
e correligionários (Recorde-se que Cavaco e o ministro Barreto 
foramos grandes paladinos da destruição da floresta e os grandes 
aliados na eucaliptização do País, e da desertificação do pinhal 
interior) .

Mais recentemente a ministra Cristas, essa excrescência do CDS, 
ladra agora, pedindo uma moção de censura, mas devia ter feito
essa parvoíce, durante o se reinado como ministra do Ambiente 
e das florestas .

HIPÓCRITA .

Afinal os incendiários de que lado estão ?.

Caríssimo Marcelino :

Já agora,
podias ter alinhavado meia dúzia de palavras sobre os pirómanos,
os profissionais dos fogos, o crime organizado, os lobies das celulo-
ses, a mafia dos madeireiros e os oportunistas das exportações de 
material lenhoso .

Já agora ...
.


.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O DIÁCONO REMÉDIOS .

Da fase Alfa (dos afectos),
à fase Delta ( das descompusturas) .

Marcelo nunca me convenceu .

Acabou o tempo dos sorrisos, das selfies, dos sorrisos e dos
abraços .
A direita rejubila, mas o PR vai pagar caro, por meter o bico
onde não é chamado .

Ou é inocente de todo, ou pior, é ignorante .
Afinal, os apelos à paz e à concórdia, cheiram a bolor .

Já o Affaire de Tancos, onde foi meter o nariz sem ser cha-
mado, e onde semeou ventos e tempestades num copo de água,
acabou por meter os burrinhos na água .

O caso dos fogos é de muito mais gravidade.

Aí vêm ao de cima a sua ignorância e a tão proclamada isenção
e imparcialidade .
Acho que foi mal aconselhado e agora meteu-se numa senda de
trapalhadas,  de que irá arrepender-se mais tarde .

Os negócios de Estado não são para tratar à mesa do café, nem
em conversas em família .

Ao enxovalhar de uma maneira tão grosseira e despropociona-
da,  António Costa e a MAI, Marcelo retoma o apoio descarado 
ao PPD/PSD, e vai destruíro estado de graça, que vinha gozando 
a seu crédito .

Os negócios de Estado devem ser abordados nas reuniões entre o
PR e o PM, e não para lançar o fogo entre os principais protago-
nistas políticos .
.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O ESTADO PÁRIA .

Bem sei que é muito mais empolgante jogar aos monopólios,
comprando e vendendo grandes propriedades, transferir e em-
pochar grandes somas de capitais e papel comercial,

do que esgravatar e arrotear a terra, cultivá-la, semeá-la, co-
lher-lhe os magros proveitos e distribuí-los por toda a gente, 
mesmo que essa terra fosse de quem a trabalha . 

Bonito slogan herdado do século passado .
Mas nem isso acontece .
As propriedades têm dono, mas ninguém parece vir reclamá-las .
Há quem por elas verta o seu suor e o seu sangue .

Falam estes doutores da mula russa, políticos, advogados, perio-
distas e financistas, mas eles de terras não percebem nada .
nunca virame empunharam uma enxada ou um sacho, nunca cons-
truíram um muro, nem regaram couves e alfaces, nem arrancaram
batatas .
É como se os bens agrícolas e florestais não tivessem, nem preço,
 nem custo .
Estão disponíveis para quem os agarrar por tuta e meia, 
e depois por os vender por bom preço nas grandes redes de super-
mercados ligados a grandes empresas internacionais .

Esses novos donos disto tudo deviam ser amarrados a um cabresto, 
presos à nora, e andar com eles a puxar água do poço,  durante uma 
semana . 

Toda esta problemática tem a ver com o abandono das zonas rurais,
o não tratamento das florestas, e com os fogos nas matas portugue-
sas . 

Estou revoltadíssimo .

Já fujo das televisões todas, só ao fim da tarde consigo ver um pouco
deste espectáculo degradante, ver o País a arder impunemente, sem po-
der acudir a tal desgraça colectiva .

Passar vezes sem conta, sem qualquer pudor, o horror espelhado no ros-
to da gente simples da minha Beira, habituada a sofrer quotidianamente
sem protestar .

É a vida .

É o destino .

É a morte disfarçada .

Há gerações e gerações que o Povo foge para bem longe, para as cida
des, para o estrangeiro, para o fim do mundo, para angariar o seu sus-
tento e o das suas famílias .

O seu sonho

era guardar algum provento que sonhava enviar para a Terra, 
e acabar os seus dias no lugar onde nasceu, junto ao pomar e à horta,
revisitando os netos, até um dia poder descansar em Paz .

E tudo o fogo levou

umas vezes porque o clima endoideceu, 
outras vezes porque mão assassina, traiçoeiramente, o desencadeou . 

Portugal evolui muito nas últimas décadas, mas continua sem poder 
resolver os problemas mais vulgares com que a gente simples da maior
parte do território se depara . 

É bonito .

É bué de bom .

Mas será este o progresso a que o meu País aspira .

Ajudar os países estrangeiros a fazerem o trabalho 
que deveria ser feito por nós, na nossa terra?

Tenho sérias dúvidas .
.

A esta dúvida existencial,
vêm somar-se muitas outras causas e razões, que todos, à uma, vêm repetindo
em bicos de pés, almejando cada um subir mais alto do que os outros, como os
galos a fazer cocoricó .

A seguir, começa a cair a chuva .
O Inverno a chegar .

E depois, mudam -se um pouco, 
e tudo fica na mesma .
.

Sou uma pessoa com fortes ligações á Terra, e em cada fogo ardo mais um pou-
co, ao assistir ao espectáculo do País a desaparecer de repente .

Assim que se falou que a chuva poderia fazer o seu aparecimento, logo se multi-
plicou o número de ignições, muitas delas provocada por mãos assassinas .

Já apanharam centenas de pessoas a lançar o fogo, são conduzidas à polícia, e 
são libertadas na hora, provavelmente depois de tomarem um chàzinho e leva-
rem para casa de brinde, um pauzinho ou mesmo uma caixa inteira de fósforos,
amorfos como se diz em linguagem mais técnica .
Vê-se que são pessoas experimentadas e com uma formação pirómana e amigos 
do ambiente .

E todos os anos é a mesma palhaçada ...

Será que não é crime destruir pessoas, cabeças de gado,casas, utensílios de lavou-
ra ?. 

Se são malucos, levem-nos para os hospitais .

Se têm um mínimo de sanidade, ponham-nos na 
cadeia .

.

Mais de cem mortos em 4 meses,
é uma guerra .

Se é um show de televisão, tudo bem  .

Um triste e macabro Reality Show .

Se é de guerra que estamos a tratar,
então temos que nos prepara e treinarmos para um combate, sem
tréguas, e de longa duração .

E, desta vez, não estou a brincar, nem a exagerar ,
.

CRIME E CASTIGO .

Qual o horrendo crime pelo qual fui condenado às galés ?

Crime de sangue ? .
Crime de Morte ? 

Que delito terrível ditou o degredo, e me conduziu às chamas 
do inferno ? 

Que grave ofensa conduziu às trevas, à desgraça, ao esque-
cimento, como se de um reincidente celerado, com penas
antigas e continuadas se tratasse ? .

Afinal é tudo assente em sentimentos falaciosos, uma mistu-
ra de falsas sensações mal assimiladas e até carregadas de 
inseguranças e receios infundados .

Os ferimentos físicos doem, mas tratam-
se no doutor .
Os ferimentos psíquicos e morais, esses sim,
deixam cicatrizes para sempre e magoam 
para toda a vida .

Como é ténue a confiança entre as pessoas,
como é frágil a bondade e o carinho como somos tratados .

Como é efémero este mundo onde nos agitamos,
basta um gesto mal calculado, uma palavra distorcida no con-
texto, e aí surge a tempestade, que irrompe violentamente ás
primeiras rajadas de vento agreste e ao ribombar dos trovões
que iluminam o astro .

Mas. como  na música de Bethoven, depressa tudo acalma e 
recomeça o doce cantar da passarada,

e o sol recomeça a brilhar .
.



sábado, 14 de outubro de 2017

A REFORMA .

Trata-se de uma das palavras mais traiçoeiras do dicionário .

Esta droga da reforma
é uma grandíssima treta
Eu reformo-me, tu reformas-te
e ninguém fica com cheta

Desde que me conheço que ouço falar desta coisa .
A malta fica com os olhos em alvo e debita paleio sobre paleio,
que nada significa, nada interessa e que só serve para enganar 
os incautos e os labregos .
Como se a reforma fosse alguma coisa com alguma substância .

Veja-se o significado do fonema em francês

RETRAITTE,

o que diz bem da importância que ela tem .

Contudo, não existe político que não passe a vida inteira do mila-
gre da Reforma, que jamais apareceu, ou vai aparecer .

Todos estes mixordeiros intelectuais deveriam levar o vocábulo 
mais a certo e após o terem utilizado uma dúzia de vezes, deveriam
ser enviados para o 

REFORMATÓRIO .
.

Da RELIGIÃO .

A religião é um dos temas que me faz muita confusão .
Desde o alvorecer das civilizações que o medo, o mistério
e a dúvida, que os homens, na sua ignorância e impotência,
que os homens se refugiaram no apelo a uma entidade sagra-
da, em quem confiavam piamente até à morte, para tentarem
perceber alguns dos enigmas com que eram atormentados .

Talvez que só mesmo a morte os salvasse definitivamente ou,
pelo menos, ajudasse a suavizar as agruras e os sofrimentos da
humanidade .

Se os homens se portassem devidamente, eram salvos depois 
morte, por uma espécie de amnistia colectiva .
Os maus viveriam para sempre, mergulhados no fogo eterno do
inferno .

Uma história bonita para adormecer as crianças .
.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O JUÍZ DE SÓCRATES .

Há muito tempo que Sócrates foi investigado, 
instruído e julgado, cumprindo pesada pena,
desde o dia em que foi encurralado, à saída do
avião que o trouxe de Paris,
quando Portugal se transformou num autênti-
co Farwest .

Já foi julgado por milhões de portugueses .

Preparam-lhe agora o cadafalso para o enfor-
car, não sem antes o terem exemplamente lapi-
dado .

Que interessa agora qual o senhor juíz que o vai 
julgar outra vez ...

Estado de direito,
ou de direita ?!...
.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

AO INTERVALO .

Os americanos mudam muitas vezes de campo ao intervalo,
quando não mudam várias vezes de equipa e até de árbitro .

Têm regras muito próprias, dão imensa sarrafada, insultam
o árbitro, e até, como acontecia com um colega meu da esco-
la, quando estava chateado ( ele até era o dono da bola e do rel-
vado), agarrava no esférico e fugia com ele para casa .

O puto travesso chama-se agora 
Donald Trump .

Um palhaço imitando um sósia de Charles Chaplin, a fazer de
Hitler, a bricar com o Mundo .

Chegou à Coreia do Norte, todo cagão, com a sua esquadra, por
lá se pavoneia e manda bocas, mas pouco mais  .
Não passa de um charlatão mentiroso, um palhaço de classe in-
ferior, que surge sempre co, a Venezuelam entradas de leão, e de-
saparece com saídas de sendeiro, e com o rabinho entre as pernas .

Ameaça tudo e todos, o México, Porto Rico, o Irão, a Venezuela,
a Nato, a União Europeia, tudo, um governante rasca, uma besta 
numa casa de porcelana chinesa .

E os imbecis deste planeta (a começar pelos idiotas que o escolhe-
ram para presidente), começar a rir menos e a levar este masto-
donte a sério .

É isto a AMÉRICA ...
.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A CHISPA CASTELHANA .

De Castela, 
nem bom vento, nem bom casamento .

A Catalunha continua a cozinhar em lume brando .

Puijmont pegou fogo a toda a Espanha .

Castela ganhou uma batalha, mas está condenada a 
perder a guerra .

Não foi o Reino de Portugal que se separou várias vezes, ao 
longo da sua história, do Reino de Castela .
E fê-lo sempre, contra todas as leis e Constituições emanadas
dos senhores do Império de Espanha .

Com a União Europeia em agonia, sofrendo grandes estocadas
de toda a natureza - uma autêntica auto flagelação, que aurori-
dade moral têm os esbirros de Bruxelas e de Berlim, para apoi-
ar ou rejeitar seja o que for, na pátria de Franco e seus sequa-
zes ?, face à vontade genuína e sempre reiterada de um Povo,
tantas e tantas vezes espoliado, vexado e traído, ao longo de to-
da a sua história .

É espantoso como as antigas (novas) potências imperiais abor-
dam o diferendo entre a Turquia e o Iraque, a propósito do re-
ferendo no Curdistão ...
.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

AS VIAGENS .

Tantas e tantas viagens, sempre o mesmo sentimento de 
insegurança, mas também de aventura . 

Desde a primeira vez que fui para França, fazer o meu grande 
estágio profissional .
Tinhas tu 10 meses de idade, e quando regressávamos, já não
te lembravas de nós . Ficaste com a Avó Rosa, que contava 
que tu quando ouvias passar um avião, levantavas o teu dedito
e dizias vião .

Fui agora numa excursão a Barcelona, revisitar a cidade e em
preito de romagem de saudade, alguns dos lugares que conhe-
cemos, quando os dois passámos duas semanas deambulando
por terras espanholas, nos arredores de Madrid e de Barcelo-
na .

Vimos coisas maravilhosas durante esses dias , o Prado, a Es
tação de Atocha, a Plazza del Sol, o Corte Inglês, a Catedral.
a Praça Maior, os grandes parques, o Palácio Real, Segóvia,
Toledo, o Vale dos Caídos,-o Escurial ..

Tínhas alugado um carro, e fomos até Barcelona, ver a Sagrada
Família, a Pedrera, o Parque Gueli, Monteserrat, os lugares dos
dois Jogos Olímpicos, o Museu Miró e o de Picasso, e o espectacu-
lar Estádio do Barça . ( Chovia que Deus a dava, tiveste que com-
prar um impermeável, mas Deus estava feito com o clube catalão,
pois assim que o jogo começou, acabou a chuva ) .

Voltaste a ver muita muita coisa com os meus olhos, que se vão
embaciando de vez em quando .

Que me importam agora as casas, os museus, os jardins, as Cate-
drais e tudo o resto .
Já nada me impressiona, se compararmos com os dias despreo-
cupados daquele tempo .
É tudo muito bonito, mas mais bonita é a recordação e a saudade
dos momentos felizes então vividos .
.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A CATALUNHA, SEMPRE .

Barcelona é um mundo à parte .

Não conhecia bem a história da cidade . Uma das guias da
viagem, fez gala em contar alguns episódios sofridos nesta
terra diferente de todas as outras , pelo seu passado e pela
sua convivência e modo de vida .

Há mais de um século, já Barcelona era uma metrópole cos-
mopolita, moderna, aberta ao mundo, que respirava arte e 
progresso por todos os poros, encostada desgraçadamente 
num país de jagunços e curas amantes dos ideais da Inqui-
sição, que sempre se julgaram os donos disto tudo .

Há mais de 20 anos, andávamos nós a 
curtir esta Cidade,

o Mário Pedro e eu, deambulando pelas Ramblas, abaixo
e para cima, petiscando e visitando o Mercado, a Catedral,
o Bairro Gótigo e descendo até à estátua de Cólon, desagu-
ando pelo porto, onde íamos tomar a bica e o capuccino, e 
e avistar ao longe, o pequeno teleférico que nos levava até
Montejuic ( o Monte dos Judeus, vim a saber mais tarde) .

Foi uma jornada de felicidade, onde hoje um regresso co-
movido. a um passado sempre presente na minha memória 
e no meuespírito, que agora trilho com grande saudade .
.

sábado, 7 de outubro de 2017

O 7 de OUTUBRO de 1971 .

Corremos de táxi, horas noites dentro, aos tropelões, 
em busca de uma clínica .

Estavas com pressa de chegar .

Tinha-me esquecido dos cigarros, ia cravando aos bombeiros,
quando iam fazer um serviço à Maternidade .

A Mãe ainda veio à recepção para ir buscar roupa, para que 
estivesse bonita, quando surgisses de dentro da barriga dela .
A Avó esperava aflita no banco de madeira do hospital .

O parto foi rápido .

Querias mesmo conhecer o mundo .

Ás 5 e 40, ( já tínhamos ouvido um choro), apareceu na portaria
uma enfermeira que nos informou :

É um menino
e parecido com o pai .
Até tem a covinha no queixo como ele .
.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

PROVÉRBIO .


Atrás de mim virá,
quem de mim, bom fará .
.

O HORROR AO SILÊNCIO .

Por vezes, o silêncio é tão ensurdecedor que até dói, e só o 
ruído o pode sarar .

Cheguei a estar ao pé de dezenas de teares, com as lançadeiras 
a chocar com toda a violência nos batentes, de um lado para o 
outro, e conseguíamos ouvir conversar entre nós, como se esti-
véssemos a contar segredos .

Não fiquei um pouco surto, por passava pouco tempo na fábrica .

Noutras ocasiões, recordo-me das muitas noites que passei pelos
hospitais, noites enormes, sofridas, cheias de insónias, em que me
doía até o tilintar de uma colher ou o arrastar  dos pés, perturban-
do o descanso a que tinha direito .

Se a esse silêncio se juntasse a escuridão da noite, consegue com-
preender-se o horror da estadia prolongada numa enfermaria de 
hospital .

É uma libertação, quando a luz do dia vem devagar penetrar na 
jane-la do quarto,e se começa a ouvir o barulho das conversas 
apressadas e o ronco do aspirador, marrando ao acaso nas pare-
des do quarto .

Só então engatamos no sono profundo, 
mas logo depois começa a distribuição dos comprimidos e começa
a sentir-se o cheiro da manteiga e do pão torrado .

Escapámos mais uma noite ao horror do silêncio .
.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

AS MARAVILHAS DA NATUREZA .

Juntei os cromos das Maravilhas da Natureza, mas nem sequer 
cheguei acabar a colecção .
Ainda hoje guardo numa caixinha uma boa parte deles .
Desconheço a razão porque nunca levei a colecção até ao fim .

Foi a minha primeira janela aberta para 
o mundo da Arte .

Isso, e os santinhos que a minha família me dava, na esperança
de eu ser um menino bem comportado e frequentasse a Igreja .

Mais tarde, com a leitura das obras de Ferreira de Castro, a Vol-
ao Mundo e as Maravilhas da Arte, conseguia imaginar coisas fan-
tásticas, que me enchiam o espírito e me faziam sonhar acordado .

Talvez que esse facto tivesse contribuído para construir um mun-
do diferente, construído sobre castelos de areia . 

Algumas dessas Maravilhas viria a vê-las ao vivo e em tamanho
natural, mas a maioria repousa somente na minha memória .

Na minha terra natal, havia algumas coisas que me fascinaram 
toda a vida, a Cabeça da Velha, os Cântaros do Planalto Central
E todo o Vale Geológico do rio Zêzere, que ainda hoje visito exta-
siado e com muita emoção .


Recentemente fui passear á Espanha, na região de Huelva,
e tive a oportunidade de visitar as grutas de Aracena .
Fiquei esmagado com a beleza contida nas inúmeras galerias que
as integram, umas em forma de Catedrais, de Lagos extraordiná-
rios, formas e volumes, côres e estruturas inimagínáveis, forma-
das ao longo de muitos séculos . 
A última gruta é sobre o corpo humano, uma coisa de estarrecer .

O meu grande espanto é ver que dois objectos formados há mil-
hões de anos, um esculpido por células vivas e que constitui uma 
parte muito importante do corpo humano e uma outra, réplica, 
em tudo semelhante, formada pelo escorrimento de águas cal-
cáreas .

Mistério insondável .
.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O NOVELO DA VIDA .

Quando era miúdo, uma das minhas tias cravava-me para
desenriçar e dobar as meadas de lã, com que fazia os seus
trabalhos de malha .

Por vezes era difícil encontrar a ponta certa para enrolar o
novelo . Ainda por cima apareciam sempre várias pontas, e
saber qual era a principal ...
O trabalho seguia devagar, pontuado por falsas pistas, e ia 
caminhando mais depressa, à medida que o novelo se apro-
ximava do fim .

Era então que tinha que passar para outra meada  .

Assim estou eu ...

Procuro desesperadamente o fio à meada, para encontrar o
sinuoso caminho da vida .
Esbarro constantemente com as portas fechadas, mas eu vou
chegar lá. Aos soluços, com paciência e determinação, eu vou
conseguir .

Hei-de encontrar o caminho certo .

Vou por aqui ?
Vou por além ?

Uma coisa é certa, 
como dizia o poeta :

Só sei que não irei por aí ...
.
.




segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O (RE)NASCIMENTO DA CATALUNHA .

Assisti ontem a um dos eventos políticos mais espantosos da
política (O 25 de Abril, de 1974, foi certamente o máximo ) .

Passou-se na Catalunha .

Estava programado o Referendo para este país, que faz par-
te da Espanha, e que iria decidir se se queria pedir a autono-
mia  da Catalunha, consumando a separação do do Império 
Espanhol,  sob a forma de República .

As autoridades de Castela fizeram tudo, o possível e o impos-
sível, o legal e o ilegal, o razoável e o absurdo, para evitar a 
todo o curso, a consulta às urnas .

Enviaram uma destacamento de 15000 guardas, estacionados 
no Porto de Barcelona .

Em contrapartida, foram inteligentes e comoventes muitas das 
acções promovidas pelos catalães, para evitar qualquer inciden-
te que pudesse toldar o clima pacífico  das manifestações e das 
acções tendentes a permitir o voto livre dos cidadãos .

Cito duas delas :

A população ocupou as escolas e os centros cívicos de Barcelo-
na, durante dois dias, incluindo crianças, para evitar o assalto 
das tropas espanholas às mesas e ao boletins de voto, o que foi,
em parte conseguido .

Os Mossos  de Esquadra, a polícia local, desobedeceu ao Co-
mando de Madrid, e pôs-se ao lado da população civil, contra 
a Guardia Civil .

.


A CERIMÓNIA FÚNEBRE .

Após doença prolongada,
faleceu ontem, o Partido PPD/PSD, depois de
dois anos de grandes complicações .

Esteve várias vezes para ser objecto de morte 
assistida, mas acabou por morrer em casa .

O enterro realiza-se amanhã, com o cortejo a 
sair de São Caetano à Lapa, e dirigir-se ao Ce-
mitério dos Prazeres .

A cerimónia está a cargo do Bispo da Silva, com a pre-
sença  do Diácono Coelho e o sacristão Mendes .

PAZ à sua Alma .
.

sábado, 30 de setembro de 2017

A QUESTÃO CATALÃ .

De Espanha, 
nem bom vento,
nem bom casamento .


A História tem avançado quase sempre, através de roturas 
e alteração das fronteiras .

Porque seria diferente com o caso da Nação Catalã ? .

Numa Europa dilacerada, à mercê de novas hordas de bárba-
ros, sem rumo e sem leme, completamente à deriva, é doloroso
assistir à enorme hipocrisia, com que uns quantos enchem a bo-
ca com a unidades de um país, colado aos bocados e várias ve-
zes esquartejado ao longo da História, à custa do sangue e da 
barbárie, levada a cabo pelo insaciável predador que é, e sem-
pre foi, o Reino de Castela, sempre desprezando os povos con-
quistados .

Não posso prever o que irá passar-se 
amanhã,
mas o mapa da Europa, nunca mais será 
o mesmo 

.



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O RETRATO ..

A palavra é uma arma
de cidadania
tudo depende da força
e da pontaria 

Na minha família, era usual reinar o silêncio, com 4 irmãos
com idades próximas umas das outras, mas muito diferentes
no temperamento e no carácter, comia-se sem falar, sem ou-
sar emitir uma opinião ou uma crítica, a menos que alguém 
fosse directamente questionado .

Era quase sempre eu quem quebrava o gelo .
Conseguia dialogar com o meu Pai, embora fosse eu o mais 
atrevido e belicoso dos irmãos .

Era eu quem fazia uma boa parte das despesas da conversa à 
mesa . Os outros limitavam-se a ouvir .
Claro que isso me trazia problemas sem conta .

O meu Pai, que havia subido a pulso todos os degraus da corda
da Vida, e tivesse adquirido uma enorme cultura  prática,
muitas vezes se chocava com a natureza curricular de algumas 
matérias . 
Gostava muito de se exprimir e de se questionar .

Sempre me expus de peito aberto às balas .

Quando o erro imperava à minha volta, lá entrava eu na compita .
Era um dos meus mais fracos . Era golpeado vezes sem conta, ou
pelos incapazes, pelos mesquinhos, quando não pelos mais cobar-
des .

Fiquei sempre com o estigma de refilão e de gostar de uma bela
pelea, uma boa controvérsia e de uma acesa discussão .

Assim ganhei o hábito de questionar tudo e todos e rejeitar os açai-
mes que sempre quiseram impor-me .
Toda a minha vida foi sempre mosqueada , em todas as circunstân-
cias, com o que julgava ser o erro, a mentira, a prepotência, o calcu-
lismo e o silêncio .

Não gostam de mim porque sou leal, verdadeiro, directo e justo, e dar
a cara quando e sempre que for preciso, ainda que isso me curte a indi-
ferença, o medo e problemas de toda a ordem .

Habituei-me a viver com isso .

Não sou feliz, mas vivo em paz com a minha consciência . 

.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A BREJOEIRA .

A outra metade da história .

Antigamente contava-se às pobres criancinhas umas histórias
meio parvas, meio ingénuas, que em regra acabavam com a fe-
licidade do casamento e a chegada de uma rebanhada de filhos 
de olhos azul .

E iam fazer ó-ó, descansadinhos .

Numa versão mais realista dos modernos contos de fadas, a his-
tória, é contada de frente para a trás, ou melhor, só é contada da
frente para trás, e muitas vezes só é nearrada a parte mais gulosa 
do evento, como por exemplo :

Um senhor do norte de Portugal foi para o Brasil, e lá amealhou 
uma fortuna imensa .
Foi com ela que o tal senhor e seus descendentes, gente safa e de-
sensrascada construíram um palácio um palácio fabuloso, orna
mentado com todos os apetrechos e honrarias inimagináveis , e lá
vamos nós abrir a boca de espanto por toda aquela ostentação .

O Património nacional ficou bem assinalado, para nosso proveito
e dos vindouros .

É aqui que eu fico ignorante de todo, sobre a primeira parte do 
conto de fadas :

Porque foi o tal senhor para o Brasil ?

O que foi para lá fazer ?

Como amontoou tão enorme pecúlio ?

Quem e como é que trabalhavam para o min-
hoto, lá nos Brasis ?

Ainda havia o uso e costume da escravidão ?

Já em Portugal, quem se ocupava do amanho 
das terras, e de to-das as outras tarefas que 
mantinham o forrobodó de tão ilustre linha-
gem ?

Também perguntar não custa nada, e até nem ofende ninguém ...

.


A CONSAGRAÇÃO .

Estranha terra esta, 
que transformou uma velha igreja romana, 
apostólica, romana, numa adega que produz
vinho tinto .

Uma maneira subtil e subliminar,
de transformar o vinho, no sangue consagrado
do Corpo de Cristo .
.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Um sonho de criança .

Quando era miúdo, gostava de ter sido 
aviador .

Nunca soube explicar esta pancada, pois eu nunca brinquei
com tais brinquedos, só tarde saí da minha zona de conforto
(Lisboa era então uma miragem), não via cinema, muito me-
nos sonhava com a televisão .
O meu único elo de ligação só poderia ter surgido da imagi-
nação das aventuras do Cavaleiro Andante, a revista da pe-
quenada .
Ainda hoje estou sem saber o porquê .

Aos deis anos vivi algum tempo com os meus Pais, em Lisboa, na 
pensão do Gaia e da D. Isabel .
Talvez que alguém me tivesse levado a visitar o Aeroporto de Lis-
boa ( que hoje dá pelo nome de Humberto Delgado ), não sei, mas
é muito pouco provável .

Comecei então a tentar a construir os meus aviões, mas o proble-
ma maior eram  as asas, carros e barcos já eu construía bué, de 
todos os tamanhos e formatos, com madeira, corcódea, palmeira, 
cortiça, mas e o diacho  eram as asas...

Foi então que me ensinaram que havia aviões feitos com balsa, 
uma madeira leve e fininha, própria para o aeromodelismo, e  lo-
go desenvolvi démarches para mandar vir de Lisboa, tal material, 
através da Casa Havaneza, uma espécie de bazar onde se vendia 
de tudo .

 Parte do sonho estava realizado,

só muito mais tarde, quando comecei a trabalhar de Engenheiro, 
me foi permitido voar de verdade, a bordo de um SuperConstel-
lation da Tap, para Paris, num outro sonho que então viria a rea-
lizar vezes sem conta .
.


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

DEOLINDA .

Agora sim, que vamos dar volta a isto !
Agora sim, há pernas para andar !
Agora sim, eu sinto o optimismo !
Vamos em frente, ninguém nos vai parar !

-Agora não, que é hora do almoço ...
-Agora não, que é hora do jantar ..
-Agora não, que eu acho que não posso ...
- Amanhã vou trabalhar ...

Agora sim, que temos toda a força !
Agora sim, há fé neste querer !
Agora sim, só vejo gente boa !
Vamos em frente e havemos de vencer !

-Agora não, que me dói a barriga ...
- Agora não, dizem que vai chover ...
- Agora não, joga o Benfica ...
e eu tenho mais que fazer ...

Agora sim, cantamos com vontade !
Agora sim, eu sinto a união !
Agora sim, já ouço a liberdade "
Agora sim, e é esta a direcção !

-Agora não, que falta um impresso ...
- Agora não, que o meu pai não quer ...
- Agora não, que há engarrafamentos ...
- Vão sem mim, que eu vou lá ter ...

Composição de
Pedro da Silva Martins .
.


A Geringonça 2 .

Eu tinha uma Geringonça
que um dia me apareceu
Quando estava em baixo de forma
Girava-a  e ia pró Céu 

A Geringonça quebrou-se
E agora que faço eu
.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

E A GERINGONÇA ...

Afinal, a coisa funciona mesmo .

Até ver .

As experiências feitas em devido tempo com a Frente Popular,
com esse ou com outro nome, acabariam por fracassar, ou por 
divórcio das partes interessadas, ou esmagadas por golpes fas-
cistas, um pouco por todo o lado .

Os exemplos da Espanha, França,  Itália, 
Chile, tiveram a sua época .

Situadas à esquerda, sem glorificar o centralismo democrático,
de um lado, e nem se basear burguêsmente sobretudo nas clas-
sesmais do centro,  à direita, essas experiências frutificaram, não 
fora o assalto traiçoeiro levado a cabo pelas franjas mais reacció-
nárias do capitalismo selvagem .

Em Portugal, malgré  os disparates cometidos de ambos os lados 
da fronteira ideológica, e a guerrilha herdada da guerra fria, e 
dasdificuldades de assimetrias pessoais dos principais líderes so-
cialistas e socialistas, o modelo tinha tudo para dar certo, e havi-
am-se poupado  décadas de empobrecimento e embrutecimento 
do nosso
País .

Et pourtant

Siga a dança,
que os rapazes são de confiança ...
.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O que me importa .

Que me importa

que o Trump metralhe a Coreia
que invada a Venezuela
retome a lei do Far West
matando os índios que restam

Quero lá saber
O que tenho eu com isso

Em criança
sofria muito com as desgraças dos outros
com as guerras 
com os atentados
E eu 
que estava sempre do lado errado 
das contendas

Fartei-me de ser eternamente do contra
vivi a guerra do Vietname
o derrube do Sadam
a queda do Mundo de Berlin
o desastre do 11 de Setembro 
as guerra do Afeganistão, 
do Iraque e da Síria 
e tantas outras

Descobri então 
que tudo era mentira

passei a ver a vida com outros olhos
num miradouro gigantesco
vendo os conflitos como se estivesse brincando
aos soldadinhos de chumbo

Que me importa tudo isso

A Vida passou-me completamente ao lado
sem eu dar por isso

Quantas Paixões não correspondidas

Quantos Amores reprimidos

Quantos Afectos desperdiçados

Quantos Sonhos desfeitos

Quantos Desejos esmagados

Quantos Sentimentos perdidos

Afinal porquê ?

.






quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A PÓS VERDADE .

Rádio Moscovo não fala verdade,
não fala verdade .

Mataram a informação, só ficou o Circo .

Restou o Show Off .

Uma mentira repetida mil vezes, acaba por transformar-se 
em verdade .

Trás o desastre, trás o desastre, gritavam os ardinas do Bairro 
Alto, tentando enganar os parolos como eu .

Lisboa, Capital, República Popular,

eram a provocação feita por eles, glosando o nome dos 4 ves-
pertinos então publicados em Portugal .

Quando era mais novo, na minha fase mais militante, passava
longas horas sintonizando e ouvindo as rádios proíbidas, em 
onda curta, e o meu Pai acordava a meio da noite e dizia-me pa-
ra ir dormir, que amanhã tinha que ir para a Escola .

Recordo uma piada do Mestre Vilhena, um postal com dois rica-
ços no café, em que um dizia, então ó Compadre, já sabe as últi-
mas notícias do País .
Ao que o outro respondia, não sei Compadre, ainda não li os jor-
nais estrangeiros .

Durante o Serviço Militar Obrigatório, ( cinco anos, sessenta me-
ses perdidos, de que ainda ando `procura), sorvia de fio a pavio, 
o Diário de Lisboa, um jornal de referência para a Esquerda .

Mais tarde, durante o Prec. de 1974 e 75, lia o Página 1, até re-
bentarem com ele .

Depois a Direita, leia-se, o Poder Económico, tomou conta de 
quase todos os órgãos de comunicação social, num cerrado duelo 
entre prostitutas e proxenetas .

Com os acontecimentos da 2ª. Guerra do Iraque, o Sol da Liberda-
de amarelecia, e mais tarde apagou-se de vez .

Hoje ouvimos apenas notícias requentadas, embrulhadas em papel
do lixo, muitas delas sem fazer qualquer nexo .

O ressuscitado Diário da Manha, continua a fazer a propaganda dos 
desastres acontecidos pelo mundo fora , com uma sem vergonha im-
parável .

Mais abjecto, ainda é o uso e abuso das chamadas redes sociedades,
que conduzem à estupidificação e à massificação quase total dos nos-
sos Homo Sapiens . 
.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O BOTAS E O BOTAS DE ELÁSTICO .

O Botas de Santa Comba Dão

e o Botas de Boliqueime .

Ditosa Pátria que tais filhos pariu .

Salazar era um bronco, um rato de sacristia, que odiava o progresso,
e qualquer ideia de avanço da sociedade .
Chegava a despachar a despesa efectuada com o gasto de um bilhete
de eléctrico .

Uma cavalgadura .

Certa vez, na inauguração do Aeroporto na capital do Norte , quando
saíu do avião, disse :

Não gostei .

E nunca mais viajou naquele meio de transporte, razão porque nunca
teve oportunidade de visitar as suas amadas colónias .
Em meio século nunca mais pôs o cú num avião .

Uma besta .

Fez o possível para evitar a construção a Autoestrada de Cascais, consi-
derada luxo, e não fora o Engº. Duarte Pacheco ter ameaçado demitir-se de
Ministro das Obras Públicas, ainda hoje íamos de burro a Cascais .

Só a D. Maria tinha alguma rédea sobre o 

Energúmeno .

Tinha como lema a trindade

Deus, Pátria e Família .

Ora o homenzinho, que sempre viveu amigado com a governanta, nunca 
aceitou abertamente ter mulher e filhos, vivendo toda a vida uma relação 
de mancebia .  

Um Grunho .

.

Mas o Botas de Santa Comba fez escola e deixou-nos belos seguidores .

Noutro tempo e noutro contexto, não podemos deixar se referir 

Cavaco Silva

um pobre escriturário, um político coxo, um Ministro medíocre, um execrá-
vel Presidente da República, 

que com os milhões averbados em Bruxelas, à tripa forra, contibuíu para a
destruição do País, abatendo a nossa Indústria, a nossa Pesca, a nossa Agri-
cultura, betonizou o País inteiro, encheu de dinheiro os bolsos dos muitos ami-
gos, poisados alegremente na estrutura do Estado, e ajudou a criar uma enor-
me

Quadrilha,

O Banco Espírito Santo,

que acabou por fazer explodir toda a Banca Portuguesa .

Homem inculto, teimoso, deselegante, babando-se de quando em vez,de índo-
le autoritária e com laivos de propensão para o regime ditatorial .

.

Assim decorreu quase um século de grande negrume na vida e na política por-
guesa .

Cada povo,
tem os dirigentes que merece ...
.




terça-feira, 5 de setembro de 2017

A EXPLOSÃO DOS ANOS 60 .

Madrasta terra,
que tais filhos deu ao Mundo .

Fátima, fados,
touros e bola,
eis as diversões
de um povo que pede esmola.

Na década de 60,
deu-se uma explosão migratória, em direcção à Europa .

As populações tinham sido dizimadas pela Guerra, e eram 
precisos milhões de almas para reconstruir o Continente .
Vinham de todo o lado, de todos os cantos do Mundo, em 
busca de uma oportunidade .

Portugal, país neutral, mas que acabou sempre a apoiar as.
duas partes do grande conflito, só tinha um porém, a barrei-
ra física e política, para debandar a salto para a França e de-
pois para a Alemanha .

E os portugueses lá partiam mais uma vez, com a mala de car,
tão, a ajudar a enriquecer os outros países,

Construindo as casas para os 
outros,
muita força, por pouco dinheiro,
trabalhando o dia inteiro .

Milhões de portugueses partiram de novo .

Galiza fica mais pobre,
sem homens,
que venham colher o teu o teu pão .
.

E depois eclodiu a Guerra Colonial,

e nova remessa de desterrados foram espalhar a nossa cultura, 
as canções,os poemas, os romances, o nosso saber e a nossa ex-
periência, a nossa identidade, os nossos anseios, sempre adiados,
sempres espezinhados, os nossos sonhos, sempre esmagados, e 
partimps, partíamos sempre, desta terra madrasta, amaldiçoada,
para bem longe, deixando filhos e pais, mães e amantes, amigos,
para a terra de ninguém, como ciganos errantes .

Triste sina a nossa ...
.

domingo, 3 de setembro de 2017

A Emigração no Pós Guerra .

Para onde ir 
ganhar o pão que o Diabo amassou .

Trancado o continente o Continente Europeu, destruído por
uma guerra atroz, com a Espanha (que nunca foi um destino
migratório para os portugueses) em ruínas e de fronteiras bar-
radas por Salazar, só restava, uma vez mais o Mar Português -

Quanto do teu sal, 
são lágrimas de Portugal .

A Madeira e os Açôres, há muito que conheciam os caminhos
da África do sul e da Austrália .
A  distância e a língua eram obstáculos de pouca monta, quando 
se queria ir ganhar a vida, para dar de comer aos nossos compa-
triotas ..

Tinha-se entretanto aberto uma nova janela de oportunidade, da-
da a intransigência domentecapto Oliveira Salazar, em deixar 
transformar Angola, num novo Brasil .

Esse erro constitui um dos 
maiores da nossa História .

Ao tempo, ainda vigorava  

o Velho Código Colonial, com

Indígenas, Contratados, Brancos de Iª Clas-
se,  e de 2ª Classe .

E só avançava para as Colónias quem se tivesse portado bem, com
a chamada 

Carta de Chamada,

devidamente escrutinada pela PIDE e por outras organizações e in
teresses .

Estava em curso o processo de descolonização, um pouco por todo o
Mundo .

Partiram os franceses, muitos ingleses, quase todos os belgas, e mais
uma vez, os portugueses tiveram que arrumar a trouxa e zarpar .

Ficaram para o fim os portugueses . 

Os primeiros a chegar

 e os últimos a partir .







Cantiga de Amigo (a) .

Que raiva é essa, Amigo ;
que raiva é essa, Amigo,

Que te põe de bem com os outros
e de mal contigo .

Que raiva é essa, Amigo,
que raiva é essa, Amigo .

Sérgio Godinho .
.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A FÉ e o IMPÉRIO .

Portugal só foi uma Nação sustentável 
durante o período das Descobertas .

Parece impossível como um País com tão pouca população 
e tão poucos recursos foi, durante quase um século, o centro 
de gravidade do mundo então conhecido .

Durante o resto da História, e salvo o tempo da Conquista e 
da rapina do território, Portugal andou sempre à esmola do 
Papado, dos Ingleses e dos Castelhanos .

Como é que um País pobre, encostado ao Mar, cercado pela 
Espanha e ajudado (e lixado sempre) pela muleta Britânica,
conseguiu sobreviver a séculos de História, nem sempre mui-
toedificante .

Mas que tal aconteceu, aconteceu .

De D. João V para cá, aguentámos várias bancarrotas, muita 
miséria do povo, e muita pouca vergonha das classes ditas pre-
vilegiadas

Em vária épocas, nos últimos dois ou três séculos, portugal teve
que recorrer à Emigração, primeiro por razões religiosas, depois 
por razões políticas e depois por razões de natureza económica .

.

Lembro-me em criança de ouvir falar dos brasileiros e dos afri-
canistas, gente que regressava com grandes fortunas, de fazer
crescer o olho aos outros mortais, com grandes anéis nos dedos
inchados pelo reumático, que construíam grandes palacetes, di-
tos as casas dos brasileiros .

E depois já não eram só brasileiros, mas gente vinda para a Ar-
gentina, Venezuela, Canadá e outros .

Dos Estados Unidos, eu não ouvia falar, mas mais tarde aprendi
que a miséria estava bem distribuída pelo nosso País, e muitos ou-
tros partiam para os Estados Unidos, idos da Madeira e dos Açô-
res .

Terá sido possívelmente, no início do Séc.XX, o primeiro grande
surto emigratório em direcção à América .

Com os Portugueses, partiam em direcção ao Novo Mundo, gran-
des massas de desgraçados provenientes de vários países, como 
era o caso da Irlanda, Itália e Polónia, entre tantos outros .

Os Estados Unidos, ávidos de mão de obra barata e disposta a tudo,
agradeceram com entusiasmo .

Bolchevistas, é que não, obrigado .
.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O CAVALEIRO DA TRISTE FIGURA .

O meu tio Zé Nini .

Sem querer, olhei para a Televisão, e dei com um fantasma
de muito má memória .

Era ele , o velhote de Boliqueime ...

Velho, ressequido, deitando espuma pela boca, vociferando
umas patacoadas sem jeito, vingativo, asqueroso, dizendo mal
de tudo e de todos .
Aí estava ele no seu melhor .

O que faz esta múmia descarnada no Carnaval de Castelo de Vide ?

Fugi criancinhas, que o homem do saco 
voltou .

Fechem portas e janelas, que anda por aí, outra vez, o leproso .

O cadáver ambulante .

Será que é com este paspalho, saído do baú da naftalina, o teaser
do PSD; para as autárquicas que se aproximam ...

Até  Sá Carneiro se vai levantar do cemitério .
.


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

NAZISMO à PORTUGUESA .

O que é que fará com que a natureza humana reaja de maneira 
tão canalha, em determinadas ocasiões .

Não há limites 
para a ruindade das pessoas .

Há quase 2 meses que os bombeiros fazem um esforço sobre hu-
mano , para salvar vidas, animais, bens, máquinas e outros uten-
sílios, sem horário, sem comer, sem beber, sem dormir, sem des-
cansar,

e há gente e instituições, que em vez e ajudar a minorar as dificul-
dades sentidas pelos Soldados da Paz, andam por aí, infiltrados, a
tramar a sua vida, chegando ao ponto de surripiar as parcas ra-
ções a que têm moral e legitimamente direito .

Ao que chegámos .

Cuidado, 
que andam por aí nazis à solta .
.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

OS FENÓMENOS EXTREMOS .

Deus é uma pessoa do contra .

No dia em que bolei o meu plano para acabar com o problema dos fogos,
eis que começa a chover cães e gatos, e lá se vai a minha teoria por água
abaixo .

Literalmente .

Já começava a ter grandiosas ideias para realizar o meu projecto, de deser-
tificar por completo Portugal, e construir tudo de novo, de modo a proteger
os velhos e velhas, os eremitas, as pessoas acamadas, os nostálgicos do che-
ro a resinosas e a eucaliptos, os amantes sinceros e devotados de um bom in-
cêndio a valer, um espectáculo digno de uns quantos Neros, espalhados pe-
las serras, bem escondidos para actuar de rompante, e sem qalquer prévio
aviso ou preparação .

E lá se vai  apagar aquela ideia tão brilhante, 

que a até o Sol quis destruir .

Mas eu não me fico .

Fica para outra vez, se as condições se mostrarem propícias .

Com o Planeta a aquecer desta maneira, em breve reencontrarei Calígula,
um sujeitinho também dado a estas coisas de fogos .

Aqui fica a minha promessa .

.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

UMA IDEIA ARDENTE .

Agora que parece que já acabou a época dos fogos (embora
ainda ontem ficassem feridos mais 3 bombeiros, no incêndio 
de Pinhel), 
está na hora de avançar com novas ideias e propostas para com-
bater a sério o drama dos fogos florestais, com novas políticas
e estratégias, tendentes a acabar radicalmente com este flagelo
que nos invade todos os meses de Verão . 

Têm aparecido nos media ideias mais de mil para solucionar a
questão, mas tudo não passa de meros paliativos, que só fazem 
é  prolongar indefinidamente, o rosário de morte e de dôr, de ca-
lamidade e de sofrimento, sentidos na carne por milhares de por-
tugueses, que teimam obstinadamente em viver no interior pro-
fundo, tantas vezes sem os mínimos cuidados e privilégios .

Está tudo errado .

Há décadas, ou séculos mesmo, que a floresta só dá rendimento 
para uns quantos crápulas, que vivem do pinheiro e do eucalipto, 
somente para os esfarelar para fazer papel, que se vai usando cada
vez menos .

Até os madeireiros estão em vias de extinção, pois que a popula-
ção vai minguando cada vez mais .

Só a chatice de fazer crianças, o trabalhão e as preocupações que
isso acarreta .

A trave mestra da nova política é

Fazer arder, de uma só vez, o país 
inteiro, 
de forma ordenada e coordenada,
poupando desta maneira , o dinheiro
gasto em bombeiros, em capitais in-
vestidos nas florestas, em seguros, em
protecção civil e tudo o mais,

e construindo aldeias modelo, bem si-
tuadas e equipadas, onde o fogo nunca,
em situação alguma, pudesse chegar .

Não viveríamos todos mais felizes .

Ou será apenas mais uma ideia obtusa ?!?...
.


domingo, 27 de agosto de 2017

Toma lá, que é democrático .

Parece que ainda estou a ver o olho do Jeff Bush,
a mirar os furinhos do boletim de voto, na eleição
presidencial no Estado da Flórida, que ainda usava 
uma maquina completamente obsoleta, que dava os
votos que se quisesse .

Recordo com saudade as primeiras eleições na 
Rússia, onde tudo foi usado para dar a vitória 
ao bêbado Yeltsin,
dinheiro a rodos, chapeladas e mais chapeladas, 
para que o Partido Comunista fosse arreado do 
poder .

Agora, em Angola, a imensa maioria dos observa-
dores nacionais e internacionais, veio considerar 
as eleições angolanas correctas, justas e democráti-
cas .

Quase todos não, os da UNITA e uma boa parte dos
media portuguesa, continua a protestar e a renegar 
a realidade .

A UE também não quis verificar o acto eleitoral em 
Angola,
mas aceita os resultados do Burkina Fasso e da 
Guiné Equatorial .
.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Notas sobre o País do Galo Negro .

Dos acontecimentos mais antigos, pouco ou nada se sabe
de concreto .

Pouco se conhece do que se passou em Angola, antes dos
quinhentos anos que aquele País foi pura e simplesmente
transformado numa colónia rentável para as os impérios,
europeus, incluindo Portugal .

O Congresso de Berlim redesenhou o mapa das colónias,
mas apenas acabou com algumas rivalidades, quanto à divi-
são das imensas riquezas do Continente Africano .

Só com o alvorecer da II ª Guerra Mundial, com a participa-
ção de soldados africanos e asiáticos, na batalha global contra
o 3ºReich, se abriram levemente, as portas ao incipiente naciona-
lismo africano (e asiático) .

Mas somente com a Conferência de Bandung, com o apareci-
mento dos países ditos do Terceiro Mundo, sob a égide de
Nerhu, Nasser e Tito, nasceu um novo bloco na cena interna-
cional, designadamente no seio da ONU, é que esses naciona-
lismos ganharam carta de alforria .

Muita  água no entanto iria correr nos rios angolanos até se po-
der falar de Democracia em Angola .

O desencadear da Guerra de Libertação dos Povos de Angola,
contra o o regime fascista de Lisboa, a Guerra Civil entre os dife-
rentes movimentos alinhados com os diferentes blocos que sus-
tentavam a Guerra Fria, e mais tarde, o envolvimento das pró-
prias potências em causa, numa mortífera guerra fraticida, que
Cuba e a URSS acabariam por ganhar .

Quanto custou, em vidas humanas, em riquezas, em ódio e raiva,
toda essa caminhada até se chegar a um ideia de Democracia An-
golana .
.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O MITO ANGOLANO .

Ninguém dá pontapés num cão morto .

Afinal, 
o Dos Santos, não era tão mau como o pintavam .

Mas a História deste imenso e rico País, ainda está toda por 
contar, porque o ódio ainda não sedimentou nas selvas afri-
canas .

Uma coisa me parece evidente, 
sem MPLA e o tal Dos Santos, Angola teria sido dividido,
inexoravelmente, em duas outra duas Coreias, com  os resul-
tados negativos e trágicos que daí adviriam .

Angola é nossa

gritava-se nos idos de 70, com uma ingenuidade e uma manha
imensas .

As voltas que o Mundo dá ...
.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

OS RADICALIZADOS .

Liberdade de Expressão .

Liberdade até para ficar calado .
De boca aberta para não dar em doido, com o que se passa
à nossa volta .

O que dizer ?
O que escrever ?
O que reter? 
O que esquecer ?
O que sonegar ?
O que confundir ?  

Talvez que seja mesmo esse o objectivo em mira, não se sabe de
quem, como e porquê .

Qual a razão do linchamento

com vinte tiros nos cornos,

de um emigrante português, pretensamente munido de uma faca,
que não obedeceu à ordem para abandonar a sua viatura, e que só
pretendia abrigar-se em casa da família, e acossado por várias via-
turas da polícia.

Ainda por cima, constava que o homem que sofria de doença mental .

Afinal, 

quem são, realmente, os verdadeiros 
radicalizados ...
.

domingo, 20 de agosto de 2017

Os Deuses do Fogo e da Loucura .

Os outros deuses desapareceram e a Terra arde sem parar,
para castigo dos humanos .

Sedento de sangue e de morte, o fogo arrasa tudo à sua pas-
sagem, e as árvores morrem de podres e esmagam os peregri-
nos inocentes .

A besta americana clama em apoio da KKK e dos nazis, se-
meando o ódio e o horror,  do outro lado do Atlântico .

Os amantes da guerra nuclear brincam ao Holocausto final,
como se estivessem a soprar pequenas bolas de  sabão, reben-
tando-as com um tlique .

Q fogo chegou à minha Terra, à minha Porta, à Covilhã e ao Tor-
tosendo, à Varanda dos Carcajais e ao Casal da Serra, bem per-
to da nossa Casa .

Tenho vontade de apagar o So,l nem que seja por algum tem-
po, para aliviar um pouco que seja, a sede de bem estar e de Paz,
por que tanto ambicionamos .
.

O Planeta Terra está agora muito zangado, e exige severos castigos
a uma sociedade agreste, corrupta, ferida, desregulada quase mo-
ribunda, farta de sofrer maus tratos sem fim .
.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

CRIATIVIDADE .

Curioso título vertido num artigo do DN, 
acerca das minas de sal, de Rio Maior :

SAL:

UMA INDÚSTRIA QUE CONSERVA

OS TRABALHADORES 

E DÁ TEMPERO AO PAÍS .
.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O BLITZKRIEG .

Os quatro cavaleiros do Apocalipse :

O Fogo, a Fome, a Peste 
e a Guerra .

É muito difícil entender o que se passa à nossa volta, no
que diz respeito à catástrofe dos fogos florestais, repetida 
todos os anos, pelas férias grandes dos burgueses, sentados 
à beira mar, molhando os pés e mijando na água, para ali-
viar a bexiga .

Comendo sorvetes e bolas de Berlim, e chavascando nos 
restaurantes mais in, chupando patas da lagosta ou lava-
gante .
Bebem uns copos para aliviar a tensão, bailam até ao nascer
o sol, embriagados pela sensação do dever cumprido .

Que importa o que vai lá fora .
Deixa arder, que o meu pai é bombeiro .

A cair de bêbados, nem sequer vêem os telejornais, que o mun-
do está cheio de desgraças, e quando vêem, pensam que é ape-
nas um filme de actualidades, lá no Norte ou, quem sabe, no es-
trangeiro .

As autoridades, que diabo, também têm direito a gozar as suas
férias .

Não é nada com eles .

Em Setembro, logo se verá ... 

De que servirá Portugal ser um País muito avançado em novas
tecnologias, com uma grande percentagem de cérebros, desco-
brindo cada vez mais as tecnologias da informação e outras ma-
ravilhas da técnica e da tecnologia, ofuscando o mundo com coi-
sas maravilhosas, se depois, 

o País arde, arde sem parar, reduzindo a 
cinzas 

o património humano, o edificado, a vida toda de uma já redu-
zida população, em vias de extinção, desiludida e sem futuro .

Afinal, para que servem os nossos doutores e engenheiros, a fina 
flôr nos nossos emigrantes da ciência, que gastaram o dinheiro
numa esmerada educação, e agora não querem dar uma mão
para ajudar a refazer de novo, o nosso triste e apagado Portugal .

Os portugueses agradecem ...
.





domingo, 13 de agosto de 2017

A (desCONFIANÇA)

A dúvida sistemática .

Um sujeito entrou a correr num café cumprimentou
os presentes com um 

OLÁ, BOM DIA ;

Traga-me uma, se faz favor .

O empregado, intrigado,  olhou de lado, e pensou lá
com os seus botões :

Olá, bom dia,
olá, bom dia,

Mas que será que o tipo quer dizer com aquela frase ...
.



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PORTUGAL AINDA ESTÁ A ARDER ?.

Pobre do meu País ...

Um País é o seu Território,
e o Povo que o habita .

É a Língua e a História por ela 
contada .

São os seus Recursos, a Terra 
e o Mar .

A sua Paisagem, o Mar e as 
Montanhas .

As suas Conquistas e os seus 
Descobrimentos .

Os seus Antepassados e a sua 
Cultura .

Portugal sempre foi uma terra madrasta, 
uma quinta tomada por estrangeiros, 
explorada até ao tutano, escravizada de sol a sol,
habituada a entregar, de mão beijada, os parcos 
proventos colhidos com tamanha voracidade, por 
uns quantos, em detrimento de todos os outros .

Sujeito à rapina e ao saque, terra devorada im-
punemente pelo fogo e pela ganância, entregue à 
escravidão de gente habituada ao lucro fácil e des-
truída pela maldade de uns quantos  loucos .

Portugal continua a arder,
ou já ardeu de vez .
.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

À BOLEIA DE CAMÕES .

...E no entanto.

tudo vale a pena, 
se a alma não é pequena .

Mas a alma tem vindo a minguar, a olhos vistos .
Vertiginosamente .

Os poucos sonhos que alimentava, vão-se esvaziando
em pó e em nada .
Já me falta o tónus umbilical que controlava a minha vida .
Cada vez mais, é o vazio a apoderar-me da minha carcaça .

Até o que penso é esmiuçado até ao osso, sem dó, nem pie-
dade .

Estou cada vez mais cercado,
 e o Agosto tão longo, foi abrasador e devastador .

Para resistir,
recomecei a fazer bonecos,
expondo o absurdo e o horror,
 do que já levo mais de um mês a encaixar-

Os incêndios florestais .
.



sábado, 5 de agosto de 2017

A CADEIA ALIMENTAR .

Cada um come o que quer,
os outros comem o que podem .

Há peixes finos, os mais apreciados, são descabeçados, 
tiram-lhe as tripas, bem lavados, sacam as espinhas, e
vão ao forno para assar, bem temperados e bem apala-
ladados .

São os peixes do alto, servidos em baixela de prata .

Há depois os peixes azúis, que ultimamente têm vindo a 
subir na escala hierárquica da peixeirada  - Sardinha, 
cavala, peixe espada, peixes classe média, servidos em tal
heres inox, e dizem que fazem bem à saúde .

Seguem o peixe miúdo, petingas, sardas, carapaus, enxar-
rocos, que matama fome à gente mais humilde, quando ain-
da há gente e peixe, que vão rareando cada vez mais .

Usam facas e garfos de plástico .

No fim da cadeia (cadeia, albergue onde são metidos aque-
les que roubam um papo seco ou uma maçã ), e esses pas-
sam o tempo a esgravatar no lixo, em busca de algum resto
de comida para saciar a fome .

E no topo da cadeia alimentar, há os poeixões, que se distrai-
em a devorar os outros peixes, sem qualquer restrição .

Esses são 

os TUMPARÕES

os TEMERÕES

os PUTINÕES

e os MERKELÕES .
.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A PEIXEIRADA .

Cada um vê o que quer,
ou o que o deixam ver .

Tão longe de Deus
e tão perto dos Estados Unidos .

Democracia à la Carte .

A vaca com óculos verdes .

Cada cor, seu paladar .

La vie en rose .

A lixeira nas traseiras da América .

A América Latrina .

Trump, o palhaço global .

Trump muda mais vezes de governantes,
do que muda de cuecas .

Temer, um bandido de temer .

A UE Já ardeu ?...

E a Síria ?...

.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ADIVINHA .

Se, por acaso, tivesses que pedir a alguém que te  
ajudasse a apanhar uma moeda de 10 euros, que 
tivesses deixado cair no chão, quem é que era ca-
paz de te ajudar a encontrá-la mais depressa e a 
devolvê--ta, sem hesitar :

A Trump,

a Temer

ou a Maduro ?.

Assim se avalia a Democracia ...
.




quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O ELOGIO DO ÓCIO .

Que bom é ter um dever,
e não o cumprir .

Fernando Pessoa

Quando eu tinha mais vagar, muito gostava de ver os 
outros a trabalhar, e eu sentado para ali, horas a fio, 
como se estivesse a ver um filme real .
Chegava a faltar às aulas para me deliciar com tão inu-
sitado espectáculo, e completamente de borla .

Muito gostava de ir para o areeiro, nas traseiras da 2ª.
Circular, em construção, ver o gigantesco buraco, uma 
coisa digna de ser vista, onde os homens, quais formigas,
iam deitando a areia para o fundo, sempre em risco de
serem eles a cair no abismo .

Era esse o filme que passava nessa cratera, junto ao Pote
de Água . O lugar deve ter sido completamente arrasado .

Depois, assisti àquilo que eu chamo as 

Obras do Século :

O rasgar da Av João XXI, dos dois lados .
De um dos lados, desmantelando a enorme Fábrica de Ce-
râmica, abrindo caminho para os lados do Campo Peque-
no . e depois, rasgando a montanha, do lado da Av. Gago
Coutinho .
Meses após meses, centenas de camiões faziam uma bicha 
contínua, durante todo o dia, carregando terra e entulho, 
não sei para onde .

Morava mesmo sítio, e já estava viciado nas obras .
Todos os meus ócios, acorria a deliciar-me com aquela
barafunda, e aquilo nunca mais tinha fim .

Lisboa tinha-se expandido para outro lado e criado novos 
Bairros - Chelas, Olaias, Bela Vista, Relógio, e por aí fora .
.