A Democracia portuguesa, tirando o soberssalto orgástico
dos anos 1974 e 1975, foi-se esvaziando aos solavancos,
sempre mirrando lentamente, até aos nossos dias .
Sempre a cortar a fatia do bolo mais à esquerda .
Democraticamente .
A liberdade, libertada da mordaça de quase cinquenta anos
de idiota ditadura, foi sendo capturada pelas forças e os
ideais mais retrógados, em nome de uma falsa ordem, corro-
endo, como uma carraça pestífera, o crédulo país, à babugem
de novos D.Sebastiões, de novos mitos, de novas maneiras de
servidão.
É assim que se manifesta o nosso génio.Embebedados pelos bónus da CEE, verdadeiros presentes enve-
nenados, criminosamente propagandeados e distribuídos pelos
mais gananciosos, enriqueceram uma falsa elite, e arruinaram
o País .
Destruiram a agricultura, a pesca, a indústria, tudo, na tor
pe miragem de um enriquecimento fácil e rápido.
Quem viesse a seguir, logo fecharia a porta.
A tão badalada mundialização, foi a 2ª grande machadada zur-
zida nas costas de uma civilização em vias de desagregação,
na mira das negociatas fraudulentas, à custa do trabalho es-
cravo de milhões de trabalhadores, esgadanhando-se por uma cô-
dea de pão, sem quaisquer regalias, arrastando-se de sol a sol,
até serem sustituidos por outros mais mal pagos .
E OS DIREITOS HUMANOS???...
Essa é a cantilena para sossegar os mais preocupados e adormecer
todos os outros.
Em Portugal, à medida que a direita cantava de galo, ia montando
mais e mais a besta do poder.
A maior parte dos políticos, foram-se transmutando, ora mascarados,
ora abertamente, em agentes do capital financeiro especulativo.
Toda a gente, minimamente informada, sabia o que estava a acon-
tecer cá dentro e lá fora.
Todos menos Cavaco Silva, o cavaleiro andante da boa moeda, que
esse continuava ao leme, sem pestanejar...
Portugal, a Europa e o Mundo estavam a um passo do abismo.
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Alguém deu um empurrãozito,
e o Mundo ficou de pantanas.
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