Os mosquitos da política, movem-se agora às cegas, chocando
erràticamente uns contra os outros, dentro de uma lâmpada de in-
candescência .
Estão prisioneiros nesse espaço exíguo e fatal .
Como se estivessem cativos no inferno da nossa existência .
O vidro queima-os e projecta-os com violência contra o filamento,
que os esturrica e rebenta com grande estrondo, uns a seguir aos
outros .
Assistimos quotidianamente a este estranho espectáculo, como se
estivéssemos numa feira dos horrores, e já nem conseguimos reagir .
Sentimos que a lâmpada vai estoirar a qualquer momento .
Temos receio do que possa acontecer, mas que importa .
Para o pesadelo se eternizar descontroladamente,
é preferível que tudo expluda de vez .
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