Vagueio por aí, sòzinho,
carregando as minhas mágoas,
e o que resta dos meus sonhos e das minhas ilusões .
Desisti de partilhar os afectos com os outros.
Aliás, com a idade, as pessoas vão-se isolando,
e fechando na sua concha, como o caracol .
Quase que hibernam .
Nunca se sabe qual é o ponto de viragem,
a curva da estrada da nossa vida,
jornada longa e difícil, carregada de obstáculos,
a caminho da solidão .
Às vezes , ouvimos dizer
que quase todas as grandes amizades surgem cedo,
na primavera da vida .
Será verdade ?
Talvez ...
Com o tempo,
sempre que vamos imprimindo a nossa pègada vital,
se torna cada vez mais difícil caminhar lado a lado
e olhar na mesma direcção .
À medida que crescemos,
temos uma grande sede de aprender,
aprender sempre, mais e mais,
pois não é verdade que o saber ocupe espaço.
Aprender aumenta o nosso conhecimento
e enriquece a nossa alma .
Mais tarde,
embora sempre a aprender,
começamos então a ensinar os outros .
Faz parte do nosso trajecto humano .
É bom aprender,
talvez melhor, ensinar .
Mas já ninguém nos ensina
já ninguém quer aprender .
Já percorri várias vezes
a montanha russa do tempo,
já me cansa esta lonjura .
Vai deixando cada vez mais,
profundas marcas de cansaço
e enormes desencantos.
Vai-me faltando a força e a coragem para continuar .
Aqui fica o meu lamento .
.