quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O MEU MAR .

A primeira vez que vi o mar,
foi numa das viagens em que o meu pai nos levou
de Seia para o Tortosendo, pela noite dentro .
A seguir à Srª do Espinheiro, virando à esquerda,
antes das Penhas Douradas, fizémos um pequeno 
desvio, e chegámos ao Cabeço de Santo Estêvão .

De repente, ao subir uma pequena elevação, avistá-
mos o Mar , um mar de luz, centenas, milhares de
luzes, e ficámos extasiados, maravilhados com o es-
pectáculo imponente que se nos deparou .

Passados  alguns momentos, quedámos em silêncio, 
comovidos com a grandiosidade e a beleza daquela 
visão .

Muitas vezes mais repeti  a aventura, sempre que a 
ocasião se proporcionava .
Mais tarde, era ponto obrigatório, nos passeios
com que brindava os familiares e amigos .


Seia foi uma das primeiras terras do país a viver
a saga da electricidade, introduzida nos anos 20,
do Séc. XX, no altiplano da Serra da Estrela , por
um visionário,  chamado Alfredo Marques da 
Silva, nascido em Gouveia .
Concessionou todas as águas da Serra da Estrela,
pelo espaço de um século.
Em troca, fornecia electricidade quase de borla,
a todo o Concelho de Seia .

Todo o vale do Mondego (e vale do Dão), De Celo-
rico da Beira, até às proximidades de Coimbra,
todos os anos a rede eléctrica ia levando o progres-
so, a dezenas e dezenas de terras, cidades e peque-
nas povoações .

Foi assim, que Seia viria a tornar-se uma terra
importante desde muito cedo .

E, eu, tive a dita de aí nascer e crescer,
e viver bastaste tempo .
.