terça-feira, 8 de setembro de 2009

Retomando o Passado-CONSIDERAÇÕES SOBRE O BLOCO.

Nota
Estes dois textos, foram publicados no blog Descrédito,
em 29 de janeiro de 2005, por Mário Garcia.
No essencial mantêm a sua actualidade e coerência.
O que mudou, foi a postura e a agressividade dos bloquis-
tas, que deixaram, agora, cair a máscara.
Afirmam-se, sem qualquer ambiguidade, uma força de poder.
A sua ambição irá fazê-los engolir o seu próprio veneno.

Sábado, Janeiro 29, 2005

Afinal Quem São Estes Senhores do "Bloco"?



Mais uma vez, não pode passar sem referência a crónica de Vasco Pulido Valente no Público (sexta-feira). Desta vez dedicada ao Bloco de Esquerda, ainda a propósito do famoso incidente final no debate Louçã-Portas.
«A técnica conhecida por "desqualificação do adversário" não nasceu ontem e não admira que persistisse no "Bloco", herdeiro do que havia de pior tradição revolucionária clássica.
Mas, dado o "contexto", talvez fosse de esperar do "Bloco" mais cuidado.
Porque afinal quem são estes senhores do "Bloco"?
São uma centena de intelectuais de Lisboa e do Porto, com um eleitorado de classe média urbana, que subiram às custas de imaginárias "rupturas" com a moral tradicionalista, de um radicalismo inteiramente retórico e de um certo talento para a televisão.
Nada disto é de esquerda e nada disto lhes permite falar em nome dos trabalhadores ou, de resto, de quem quer que seja.
Não representam mais do que uma difusa repugnância pelo regime e as banalidades da moda ideológica do tempo.
Se aplicassem a si próprios a regra que pretendem aplicar a Paulo Portas, também eles precisavam de mudar de vida.
Repudiar a gravata, a favor de um arzinho "estudantil", não é identificação bastante para o povo explorado e oprimido.»

O Bloco de Esquerda já não é mais apenas aquele partido de Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas, com um discurso arejado e mediático, a tentar ter voz na Assembleia da República.
A avaliar pelas últimas sondagens, arrisca-se a ser a terceira força política portuguesa.
O Bloco de Esquerda está hoje em pleno no sistema político português. Já não é um partido marginal, já não é um voto de protesto contra a política.
Contribuiu para a vitória de Santana Lopes em Lisboa.
Louçã já tem o seu lugar garantido na Assembleia da República.
Para quê então votar Bloco de Esquerda?

publicada por Mario Garcia @ 2:15 PM 0 Comentários

Sábado, Janeiro 29, 2005
O Voto Fácil
No seguimento do texto anterior, constato que o Editorial da revista Sábado intitula-se "Pense Bem Antes de Votar no Bloco". Passo a citar:
«Chegou a altura de levar o Bloco de Esquerda a sério. Até agora, este partido tem sido uma agremiação de castiços, a quem toda a gente diz que sim, façam eles o que fizerem, como era hábito antigamente com os bobos da corte, que divertiam mas não incomodavam.
No entanto, o Bloco de Esquerda ameaça ter um resultado surpreendente nas eleições de 20 de Fevereiro e, como se viu no debate entre Francisco Louçã e Paulo Portas, começa a ter pretensões de ditar, com olho rútilo e dedo em riste, a forma como devemos conduzir a nossa vida. Por isso, é bom que comecemos a dar o devido peso às palavras, actos e omissões do partido que mostra Joana Amaral Dias e esconde o major Mário Tomé.»(...)

«Aqueles que admitem votar no Bloco a 20 de Fevereiro devem, portanto, pensar bem. Querem uma "ruptura com o capitalismo"? Querem "alterar o modelo de sociedade"?
Querem juntar-se à diplomacia do Terceiro Mundo?
Querem ser compreensivos com a ETA?
Se querem, estejam à vontade;
Se não querem, e simplesmente acham graça à "irreverência" dos bloquistas, então talvez seja melhor acabarem com o sorriso fácil e levarem o seu voto a sério

O Bloco de Esquerda já fez questão de esclarecer que não quer ir para o Governo.
Óbvio!
O tipo de postura bloquista, de crítica permanente, é incompatível com qualquer exercício de poder, que o atiraria directamente para o campo oposto.
Seria o princípio do fim.
Um bom resultado do Bloco de Esquerda que resulte directamente do enfraquecimento do Partido Socialista, terá como resultado uma maioria parlamentar de esquerda inútil.
Aliás, o Bloco já o demonstrou anteriormente, ao negar o seu voto ao governo de António Guterres nas questões fundamentais.
Se Louçã já se recusou a ser "cúmplice" de Guterres, porque o seria agora de Sócrates?
Nunca um voto foi tão útil...

publicada por Mario Garcia @ 1:02 AM 0 Comentários
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