sábado, 16 de janeiro de 2010

Retomando o Passado 22 - OS «INDEPENDENTES»

Nota

Os três textos, SOCIEDADE CIVIL, REDENÇÃO e INDEPENDENTES,
foram publicados no Blog DESCRÉDITO, em Dezembro de 2005, pelo
MÁRIO GARCIA.
Juntos, constituem um libelo contra aqueles oportunistas, que se servem
dos PARTIDOS para ascender na escala política, social e económica, e de-
pois piram-se, e passam a morder a mão do dono, e a excomungar tudo
e todos que cheire a estruturas partidárias.
Em regra, esses democratas de meia tigela, quando não aceitam democrá-
ticamente as decisões maioritárias, abandonam o Partido, vão criar o
seu próprio infernozinho, e arranjam um novo partido, e assim, sucessiva-
mente.
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Na sequência da discussão à volta da «sociedade civil», seria inevitável falar dos «independentes».
Isto porque, se a democracia é constituída por cidadãos, a «sociedade civil» é constituída por «independentes».
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Mas quem são estes «independentes»?
Todos aqueles que defendem a nossa independência de Espanha?
Os defensores de Olivença?
Os que exigem a nossa saída da União Europeia?
Os leitores do semário dirigido por Inês Serra Lopes?
Estarem excluídos os trabalhadores dependentes?
Ou os toxicodependentes?
Os adeptos do Belenenses?
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Nada disso.
Os «independentes» são, supostamente, aqueles que não exercem actividade política como militantes de um partido.
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No mesmo espírito da falácia da «sociedade civil», estes «independentes» têm, desde logo, uma superioridade moral em relação aos outros: 'eles', os «dependentes».
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Os «dependentes» são os marginais da «sociedade civil».
Aqueles que abdicaram da sua opinião e do seu pensamento em nome de um partido político, onde os seus princípios individuais não são levados me conta.
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Por exemplo, aqui no Descrédito, tudo o que escrevemos tem um desfazamento de cerca de um mês.
Primeiro, averiguamos se o tema sobre o qual nos queremos manifestar está na lista de temas autorizados pelo partido.
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Depois, enviamos o texto para o Largo do Rato, para aprovação prévia.
Com a burocracia partidária, esta é a fase que leva mais tempo.Só quando recebemos de volta o texto, devidamente aprovado, com as sugestões de alteração que devemos respeitar, é que podemos fazer o post definitivo.
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Mas mais complicado é quando estamos a conversar com um «independente» e nos esquecemos das orientações oficiais do partido. Felizmente, há uma linha telefónica que funciona 24 horas por dia a que podemos recorrer (o nº vem no verso do cartão de militante - uma espécie de assistência técnica).
"Para defender o aeroporto da Ota, prima 1; para justificar as Scut's, prima 2; se quer indicações sobre o TGV, prima 3; sobre o Orçamento de Estado, prima 9; para um outro assunto, prima #, que um elemento da Comissão Permanente falará consigo".
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Um «independente» não tem de sujeitar-se a estas coisas.
Vejamos o caso do Luís Delgado.
A sua não-filiação partidária permite-lhe escrever e dizer tudo aquilo que pensa, na hora.
E assim tem tempo para exercer todos os cargos para que foi nomeado.
(Tal como tantos «independentes» nomeados para as mais diversas entidades, apenas pela sua competência).
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Há ainda o caso dos «dependentes» que se regeneram.
Como Cavaco Silva, que é hoje um não-político.
Uma espécie de ex-fumador, alcoólico anónimo, ou ex-toxicodependente.
Passou por lá numa altura má da sua vida, mas agora está curado.Está de volta à «sociedade civil».
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(Há também os «bidependentes», como Manuel Alegre, mas esta parte do texto não veio.)
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publicada por Mario Garcia @ 2:25 AM 2 Comentários

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