Andava para escrever qualquer coisa acerca das nossas pequenas
tragédias nacionais, quando se abateu uma enorme catrástofe, sobre
um dos países mais pobres do mundo.
Fiquei esmagado com tal desgraça.
Um horror a somar a tantos outros, que têm devastado este país,
que tem sido o quintal mais confrangedor, das traseiras da América.
Governado por ditadores durante décadas, apoiados pelos america-
nos e esquecido pelo resto do mundo.
A grande maioria da população foi-se ajuntando num imenso bairro
da lata, o maior do mundo, onde as pessoas vivem abaixo do mínimo
degrau da decência.
Foi certamente uma praga de Deus.
O Haiti foi o único país que não sofreu duas escravaturas consecuti-
vas. Fugiram da Europa e do outros países que roubavam os escravos,
e fugiam para a ilha amaldiçoada. Pensavam que aí seriam livres.
Talvez que a falha tectónica tenha aparecido depois dessa epopeia,
ou talvez não. Quem sabe...
O que é facto é que o Haiti é devastado regularmente por cataclismos
naturais, Talvez seja essa a razão de tamanho envolvimento na fei-
tiçaria e na magia negra. É nessas práticas ancestrais que procura
refúgio para as suas tormentas.
Agora chegará todo o carnaval da ajuda humanitária.
Como dizia o Marquês de Pombal, é preciso enterrar os mortos e cui-
dar dos feridos.
Ajudar a promover sustentavelmente o progresso do país virá depois,
se entretando, não acontecer uma nova tragédia.
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