quarta-feira, 7 de julho de 2010

A ÚLTIMA CORRIDA em SÃO BENTO .

É um pouco a história do animal selvagem.

Quando o bicho andava a pastar desenfreado pela campina,
após vários anos de liberdade, foi ganfado e aprisionado no
curro.
Havia corrido e saltado por toda a parte, marrado a torto e
direito, em tudo que mexesse .
Apesar de ser tido como bravo, o animal, lá bem no fundo
tinha linhagem e bons princípios.
Teimoso até dizer basta, nada o demovia.
Enfrentava tudo e todos, com raça e valentia.
Agarraram-no à má fila, quando já todos julgavam que ele
se safava.


Tinha que ser sacrificado, para gáudio da populaça .
Foi levado para a arena.
De hà muito que vinha sendo ameaçado de morte.
Armaram lhe várias armadilhas, a todas sobreviveu .
Agora tinha chegado a sua vez.

Já na arena, começou a ser torturado e sangrado.
Era um animal altivo e garboso .
É a sina dos bravos.
Iria ser imolado, para pacificar os deuses e os espíritos.


A lide, minuciosamente preparada hà muito tempo,
ia começar.

Começaram por baralhá-lo com preliminares.
O bicho começou a ficar tonto.
Entraram os bandarilheiros, deram voltas e mais voltas
e passaram aos ferros curtos.
Uns após outros, iam-lhe retalhando a carne,
num massacre que só agora se tinha iniciado.
O animal urra e vai sangrando cada vez mais.
Vai-se esvaindo em sangue.


Por quê e para quê , este ritual de morte? .
Qual o significado deste espectaculo macabro ?.
Uma imensa sequência de actos de cobardia.


Continua a sangrar; cada vez está mais fraco.
Marra ao calhas, já nada atinge.
Perde o conhecimento.
Desvaria por completo.
A populaça vibra de entusiasmo.
Está em êxtase.
Silêncio na arena.
Espetam-no fundo.
O animal estrebucha.

Mataram o toiro.
Foi a última corrida em S. Bento .
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