Retomamos os textos do Mário Garcia abordando temas políticos,
publicados em vários Blogs, designadamente no DESCRÉDITO,
porque julgamos que tais escritos mantêm uma actualidade enorme.
Para os que depreciavam a política e previam a morte das ideologias,
aí está o resultado :
ficou-se sòmente na fase do Neo- Liberalismo .
Interessante é também verificar que a pedra de toque da política, no
último século e meio, é a importância dada ao défice, descendo quase
sempre até níveis insuportáveis ,
até que soluções autoritárias o consigam moderar .
A DEMOCRACIA PINDÉRICA
Talvez para suavizar o impacto do pacote de medidas para o combate ao défice do
Orçamento do Estado (o aumento do IVA, da taxa sobre o tabaco e os combustíveis,
da idade da reforma, o congelamento das ´promoções automáticas` da Função Pública, etc.),
alguém teve a ideia de acrescentar o fim das ´reformas vitalícias dos políticos`.
Apesar de não existirem ´promoções automáticas` na Função Pública, mas sim mudanças de escalão de três em três anos, exactamente nos casos em que não tenha ainda aberto um concurso para a promoção na carreira (é sempre necessário Concurso), ainda nenhum sindicato veio explicar este conveniente equívoco, como se houvesse algum problema de consciência ou complexo.
O mesmo se passa com a classe política.
Quem analizar os vencimentos dos titulares de cargos políticos, a começar pelo do
Presidente da República, chegará à conclusão que são incrivelmente baixos
atendendo à responsabilidade que neles é delegada.
Porém quando se fala que a classe política ganha demasiado, que não são necessários tantos Deputados, nem tantos Ministros, Secretários de Estado, membros de
Gabinete, todos se escondem por detrás da mesma árvore numa imensa floresta chamada República, Democracia, ou simplesmente o sistema político que tem a obrigação
de nos´ bem governar.`
Como se houvessem problemas de consciência ou complexos.
A subvenção vitalícia a que têm direito os deputados, segundo o legislador, destina-se
a compensar o regresso destes cidadãos à Sociedade Civil, de volta às suas carreiras
profissionais, por vezes irremediavelmente adiadas.
O Governo escolheu, demagogicamente, qual aprendiz de feiticeiro, acabar com a ´vergonha` destas subvenções (de impacto financeiro praticamebte nulo).
Para que a classe política ´desse o exemplo` ao País.
Mas o exemplo que dá é o de uma classe política complexada e pindérica, cada dia que passa, mais à mercê das pressões económicas e da bondade do Espírito Santo.
Qualquer dia restar-nos-á um Parlamento recheado de Nunos Melo, a vociferar para as televisões, impropérios contra os malnadros dos políticos.
Mário Garcia
Blog O DESCRÉDITO .
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