
É A HORA
Nem rei nem lei,
Nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer,
Brilho sem luz e sem arder,
Como o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia perto chora?).
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é dirperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
é a hora!
Poema de Fernando Pessoa, publicado no
Blog Martinho dÀrcada, em 22 de fev. de 2006,
pelo Mário Garcia.
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