terça-feira, 15 de março de 2011

O LINGUADO .

Como eu gosto do meu país.
Quer chova ou faça sol.
Haja levante ou nortada.
Gosto do mar e da serra e das planuras sem fim.
Gosto da gente do sul e do norte, e do meio;
Dos que falam a cantar, dos que trocam os BBs pelos VVs,
dos que não dizem os RRs e dos que pôem os IIs no meio
das vogais.
E também daqueles que não dizem nada .

Mas dos que eu mais gosto são os que tudo sabem, tudo
opinam, tudo criticam, tudo deitam abaixo, tudo arrasam,
sem nada oferecer em troca.
Tudo baralham, enxovalham, ofendem, desprezam e odeiam.
Tudo emporcalham com a sua língua nojenta.
Gosto dos analfabetos e dos prolixos.
Dos experimentados e dos que nada fazem, nem jamais fize-
ram.
Gosto em especial, dos que estão sempre a tentar destruir
os outros.
Os gajos, os tipos, aquela corja, os parasitas, os malan-
dro
s, sobretudo se andarem pela política.
É um festim.
Porrada neles.

Com aquela malta desembolada, sempre a cuspir postas de pescada,
vamos longe.
Com tanta basófia e parvoíce, a dar à língua desenfreadamente,
e a roçar o rabo pelas paredes, talvez que o país saia da enrascada
em que está mergulhado até ao pescoço,
em lodo peganhento.

Basta um pouco mais de linguado,
e Portugal estará salvo
.
.