terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Ano Explosivo? Ou o Ano da Explosão?


O Professor Kavaco, qual Professor Karamba veio prevenir que este 2010 pode-se transformar num ano explosivo.

Não é grande a arte adivinhatória deste Mago que não é Rei, tão somente Presidente, pois dois dígitos de desemprego, um índice de desigualdade sem igual, um défice orçamental e externo estruturalmente galopantes, uma desindustrialização continuada e um salve-se quem puder, que faz da pequena e grande corrupção, não só um modus operandi, como um modus vivendi de parte da sociedade, são bons ingredientes para um cocktail, que não sendo Molotov mas Sócrates, não deixa de ter potencial explosivo.

Mas é esta explosividade nova e/ou preocupante?
Paradoxalmente, sim e não.

Sim, porque quanto mais se enche um copo, mais perto está ele de transbordar, independentemente de desconhecermos o quanto pode ele encher. E sem dúvida que temos metido água quanto baste ao longo dos últimos 20 anos.

Mas se sabemos que a coisa é explosiva saberemos que vai haver explosão? Não.

Para passarmos do potencial ao cinético, é preciso algo mais, o detonador.

Albert Camus, na sua obra O Homem Libertado fala da diferença entre Revolta e Revolução. A primeira seria um sentimento individual, de repudio para com a sociedade, com a situação, com os agentes sociais e as suas relações de estruturação, dominação e poder. Os Portugueses genericamente estão revoltados. Com tudo, com todos e até consigo próprios. Mas a revolta, sendo individual, é em si mesmo a histórica, dado que não produz movimento social. Só quando estruturada socialmente e concitada ideologicamente pode materializar-se em Revolução.

Portanto pode Sócrates dormir descansado, tem 10 milhões de cocktails Socratov espalhados, prontos a rebentar, mas não tem ninguém que lhes chegue o lume.

Por enquanto...

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