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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Um artigo a reter

Por Daniel Oliveira

Para a União Nacional dos comentadores e economistas do bloco central são estes os responsáveis pelo estado em que estamos: os funcionários públicos; os trabalhadores supostamente protegidos pelas nossas leis laborais; os cidadãos em geral, que vivem endividados e acima das suas possibilidades; o excesso de peso do Estado; e o excesso de impostos para a classe média-alta.
Repare o leitor que entre os responsáveis nunca está a banca, que além de nos ter enfiado nesta crise e ter sido salva pelos nossos impostos ainda paga menos ao fisco que todas as restantes empresas. Nunca está a elite económica constituída por meia dúzia de famílias que têm o Estado como refém dos seus negócios e os partidos como reféns da sua vontade. Nunca estão dos gestores mais bem pagos da Europa no País com o salário médio mais baixos da Europa.
Repare o leitor que por uma qualquer coincidência nunca estão, entre os responsáveis pelo estado em que estamos, quem realmente tem poder neste País. Não espanta. É muito radical ser “politicamente incorrecto”. Mas é preciso olhar bem para o chão que se pisa. Não consta que com a simpatia de funcionários públicos, professores, sindicalistas, desempregados, beneficiários do Rendimento Social de Inserção ou trabalhadores menos abonados se arranjem e se mantenham bons empregos. Há que dizer e escrever coisas chocantes, mas sem chocar as pessoas erradas.
E é esta União Nacional que pede sangue mas convenientemente se esquece de quem conta, que ataca todos os “interesses instalados” menos os interesses que fazem e desfazem boas carreiras, que repete frases feitas até que a “arraia-miúda” se convença que a culpa desta crise é sua.
Por esse Mundo fora discute-se o papel das instituições financeiras na crise que vivemos. A cegueira de uma Europa medíocre e paralisada. Os perigos para as democracias de um capitalismo financeiro omnipresente e omnipotente. A disparidade de exigências de rigor orçamental aos países da periferia e aos que estão no centro de decisão da Europa. O suicídio económico a que os países europeus mais pobres estão a ser obrigados.
No debate doméstico tudo isto está praticamente fora da agenda. Faz-se, quase sem vozes dissonantes, a pedagogia do sacrifício. No país mais desigual da Europa há que convencer os que têm pouco a pagar esta crise. Para que o resto possa ficar na mesma. E não faltam “corajosos” a oferecerem-se para o serviço e para dizerem “o que tem de ser dito”. Com o máximo de violência possível. Sem maneiras nem rodriguinhos, que isto agora só lá vai com a afronta mais descarada a qualquer noção de justiça social.
É fundamental, para sairmos desta crise sem que os verdadeiros privilegiados deste País sejam beliscados, convencer os portugueses a aceitar tudo sem tossir nem mugir. Como explicou o ministro das Finanças à Bloomberg, não temos a tradição de criar problemas. Podem descansar os mercados, comemos e calamos sem grande alarido.
E, como bónus, os opinadores do resgime ainda vão conseguir virar os principais beneficiários do Estado Social contra a escola pública e gratuita, o Serviço Nacional de Saúde universal e para todos, as reformas e as prestações sociais. Fazê-los acreditar que, apesar de serem os mais pobres da Europa, vivem acima das suas possibilidades. Para que alguns possam continuar a viver em cima das nossas possibilidades.
É um trabalho sujo, mas alguém tem de o fazer. E está a resultar.
Se acha que exagero, faça um zaping pelos canais de notícias. Depois folheie os jornais e leia os espaços de opinião. Leia os jornais económicos. Passeie pelas edições online dos principais órgãos de comunicação social. Esqueça o PS, o PSD, Sócrates e Passos Coelho. Esqueça os pequenos episódios com gestores públicos, empresários ou políticos de segunda. É espuma dos dias. Olhe para os poderes que antes deles já cá estavam e depois deles cá continuarão. Aquela meia dúzia de pessoas que manda neste País e o mantém no seu atraso. Veja quantos põem em causa os seus interesses.
Se encontrar, na análise desta crise, na denúncia dos seus responsáveis e nas receitas para sair dela, algum equilíbrio de opiniões, ficam aqui as minhas desculpas. Se, pelo contrário, confirmar o que aqui escrevo, perceba que o poder do privilégio faz sempre por manter o privilégio. Sobretudo quando a crise aperta. E que a opinião é, na “mediocracia” em que vivemos, uma arma que ele não dispensa.

Publicado no Expresso Online.

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

É preciso ter lata...

Vem o Tribunal de Contas todo solicito, abanando a cauda, a ladrar que o Metropolitano de Lisboa deixou de facturar 1,5 M€ porque, ó vis, deu borlas aos seus trabalhadores, filhos em idade escolar e reformados. Tendo em conta os salários astronómicos desses malandros trabalhadores, não só isto é inadmissivel, como ainda deviam pagar para trabalhar.


Já o sr. Mexia, cujo prémio de 3.6 M€ só isso dava para dois anos da medida acima repudiada, é o ai Jesus, que é gente de bem...

Quando os filhos da puta lá em cima perdem toda a vergonha, é tempo da malta cá de baixo lhes perder o respeito.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Ano Explosivo? Ou o Ano da Explosão?


O Professor Kavaco, qual Professor Karamba veio prevenir que este 2010 pode-se transformar num ano explosivo.

Não é grande a arte adivinhatória deste Mago que não é Rei, tão somente Presidente, pois dois dígitos de desemprego, um índice de desigualdade sem igual, um défice orçamental e externo estruturalmente galopantes, uma desindustrialização continuada e um salve-se quem puder, que faz da pequena e grande corrupção, não só um modus operandi, como um modus vivendi de parte da sociedade, são bons ingredientes para um cocktail, que não sendo Molotov mas Sócrates, não deixa de ter potencial explosivo.

Mas é esta explosividade nova e/ou preocupante?
Paradoxalmente, sim e não.

Sim, porque quanto mais se enche um copo, mais perto está ele de transbordar, independentemente de desconhecermos o quanto pode ele encher. E sem dúvida que temos metido água quanto baste ao longo dos últimos 20 anos.

Mas se sabemos que a coisa é explosiva saberemos que vai haver explosão? Não.

Para passarmos do potencial ao cinético, é preciso algo mais, o detonador.

Albert Camus, na sua obra O Homem Libertado fala da diferença entre Revolta e Revolução. A primeira seria um sentimento individual, de repudio para com a sociedade, com a situação, com os agentes sociais e as suas relações de estruturação, dominação e poder. Os Portugueses genericamente estão revoltados. Com tudo, com todos e até consigo próprios. Mas a revolta, sendo individual, é em si mesmo a histórica, dado que não produz movimento social. Só quando estruturada socialmente e concitada ideologicamente pode materializar-se em Revolução.

Portanto pode Sócrates dormir descansado, tem 10 milhões de cocktails Socratov espalhados, prontos a rebentar, mas não tem ninguém que lhes chegue o lume.

Por enquanto...

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Quando começam a distribuir as G3 ? Dão mais jeito que as vacinas.

É só mais um que veio à rede... como os robalos...

Ricardo
Manuel de Amaral Rodrigues, jurista de profissão, ocupa actualmente o cargo de vice-presidente da bancada parlamentar do PS na Assembleia da República. É membro do Conselho Superior do Ministério Público eleito pela AR e membro da Comissão Parlamentar Permanente. Pertence à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, integrando a Comissão de Inquérito sobre a situação que levou à nacionalização do BPN e sobre a Supervisão Bancária Inerente. É ainda presidente da Subcomissão de Justiça e Assuntos Prisionais. Coordena vários grupos de trabalho, entre os quais se destacam o da protecção de vítimas de violência doméstica, o do regime jurídico de inventário, o dos dados do sistema judicial, o do código de execução de penas e o da lei do cibercrime
Em Novembro de 2003, era Ricardo Rodrigues secretário regional da Agricultura e Pescas do governo de Carlos César, rebenta o escândalo de pedofilia nos Açores, conhecido também por «caso garagem do Farfalha». Várias figuras conhecidas de Ponta Delgada vêem o seu nome enredado no escândalo, entre elas um conhecido médico e um procurador-adjunto, (convenientemente transferido para o Tribunal de Contas do Funchal)
Ricardo Rodrigues vê, também, o seu nome implicado e, antes que a coisa atinja outras proporções, demite-se do Governo Regional. Porém, apesar do falatório, o agora deputado nunca foi constituído arguido no processo.
No início de Janeiro de 2004, são conhecidas ligações de Ricardo Rodrigues a um outro escândalo, neste caso financeiro, que envolvia uma burla tendo por alvo a agência da Caixa Geral de Depósitos de Vila Franca do Campo, S. Miguel, a poucos quilómetros de Ponta Delgada.
A comunicação social passou a denunciar o que se segredava à boca pequena e, «indignado», o responsável socialista resolveu processar um jornalista que, não só referiu este caso, como também o malfadado escândalo de pedofilia. Cinco anos depois, o Tribunal da Relação de Lisboa não lhe deu razão e, espanta-se, no acórdão, por o deputado não ter sido investigado nem ter ido a julgamento, no processo de Vila Franca do Campo.
Ligações perigosas
Ricardo Rodrigues apareceu ao lado de uma loira espampanante que se apresentou nos Açores como uma milionária que estava disposta a fazer avultados investimentos na Região.
Emigrante no Canadá, dizia-se possuidora de uma considerável fortuna e teve direito a imensas atenções da comunicação social local. A seu lado lá estava Ricardo Rodrigues, como advogado e procurador da senhora. À conta disso, passeou pelo mundo. As coisas correram mal e a agência da Caixa Geral de Depósitos de Vila Franca do Campo meteu um processo à senhora por uma burla de muitos milhões de euros.
O inquérito policial que investigou Ricardo Rodrigues por crimes de «viciação de cartas de crédito e branqueamento de capitais» remonta a 1997 (nº 433/97.8JAPDL), sendo que relatórios da PJ enfatizam a sua estreita ligação à principal arguida, Débora Maria Cabral Raposo, entretanto detida e em cumprimento de pena, depois de vários anos com mandados de captura internacionais, e classificada pela polícia como «burlona e traficante de estupefacientes».
Rodrigues foi sócio e advogado de Débora, sendo que com ela frequentou os melhores hotéis e utilizou os serviços das mais conceituadas agências de viagens, tendo deixado um considerável rasto de «calotes»...
(...)O estratagema encontrado para lesar a Caixa Geral de Depósitos foi arquitectado por Débora, ex-bancária e apontada como «cérebro da operação». Esta e o gerente da CGD, Duarte Borges, (primo de Carlos César e irmão de um conhecido magistrado judicial) engendraram um esquema de acesso a empréstimos fraudulentos servindo-se de um singular expediente. Como Borges usufruía de capacidade para conceder empréstimos até 2.500 contos, apenas com a finalidade de «adquirir novilhas para recria», angariavam supostos agricultores para acederem ao crédito, a troco de algumas dezenas de contos.
Denunciado em acareação
As declarações nos autos do ex-gerente da CGD são esclarecedores: «Foi referido pelo arguido, Duarte Borges, na acareação (…), que tem consciência que enviou vários milhares de contos (da CGD, provenientes de empréstimos agrícolas) à Débora Raposo / colaboradores, tendo indicado, entre outros, o arguido Ricardo Rodrigues. Mais, referiu que a Débora e os colaboradores, onde se encontra o arguido Ricardo Rodrigues, negociavam Cartas de Crédito, com dinheiros dos empréstimos fraudulentos em vários países».
Este expediente, permitiu à «associação criminosa» prejudicar o banco do Estado num valor aproximado de 1 milhão e meio de contos, utilizados em operações de «engenharia financeira» muito duvidosas e, segundo a PJ, com ligações a redes internacionais de tráfico de droga, com quem Débora Raposo teria estreitas relações. Um dos tentáculos destas operações era o Colégio Internacional, no Funchal, cujos sócios eram Débora , Ricardo Rodrigues e a sociedade offshore Hartland Holdings Limited, uma obscura empresa com sede num apartado da Ilha de Man, no Reino Unido.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Possível, o Necessário, o Realizado

Instituiu-se agora o uso do termo "possível" para caracterizar programas políticos.
Infelizmente é um recurso a um conceito muito pobre e empobrecedor em política.
Pelo menos por três ordens de razões.

- primeira, porque instala um paradoxo que se auto-esvazia no conceito em que se pretende alicerçar. O seu oposto, o Impossível, é por natureza alheio à política, que gere o concreto e o real. Mesmo que se possam confrontar várias opções, elas são TODAS possíveis. São os seus resultados que devem ser avaliados, e não a sua "possibilidade" apriorística.

- segunda, porque confundir o possível e impossível com o que queremos assumir ou o que não queremos assumir, é das duas uma, ou criar um logro linguístico que disfarce uma escolha assumida à partida, ou a redução ao absurdo da possibilidade da escolha, por meios que não a discussão racional das propostas aprioristicamente classificadas como impossíveis. Estaríamos, neste caso, no campo delirante da certeza (esperança!?) de que a negação do outro o faça pura e simplesmente, por artes mágicas, desaparecer para o campo do não-possível.

- terceira, porque ignora toda a História das sociedades Humanas, na qual o que hoje parece impossível para quase toda a sociedade, se torna não só possível, como desejável e impensável que assim não seja. Os dogmas sobre "possibilidade", a não serem justamente quebrados, ainda nos trariam acorrentados à escravidão, ao estatuto de "Untermensch" de acordo com raças ou religiões, à desigualdade entre sexos e por aí adiante.

O problema não está pois no que é possível, mas sim ao nível do que é Necessário e do que é Realizado.

E é exactamente aqui, que a porca vai torcer o rabo.

Porque agora que os ventos mais fortes que assolavam as praças financeiras já amainaram, mesmo que a tempestade continue a desabar sobre grande parte da população com o aumento do desemprego, precariedade e instabilidade na vida comum, já não se vislumbram "possíveis" as mudanças profundas que no conjunto do sistema económico-social continuam a ser necessárias realizar.
Porquê? Porque os "buracos" financeiros do poder financeiro foram tapados, e o resto lá pode continuar destapado como de costume.

Assim parece que vai ser "possível" que a cor rosa se junte na paleta com o azul-amarelo. Como tantas vezes no passado, e com certeza no futuro.

Pelo menos enquanto andarmos presos aos seus "possíveis", desligados do necessário a realizar.

P.S.:Lembro-me agora de um adágio popular antigo
"nunca peçam a um burro para cantar, que ele não consegue"


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sábado, 12 de setembro de 2009

A agenda escondida de Manuela

Manuela nada diz, nada promete, só diz o que manda parar - tudo.

Nada diz por declarar não poder prometer o que não sabe se pode fazer ou não.

O que quer é um cheque em branco.

Para poder fazer o que bem lhe aprouver.

O Sócrates ao pé dela é um santo (mesmo que com pés de barro).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Grelha de Partida

Claro que em relação a estas não especificou se a sua ideia de privatizar a Caixa Geral de Depósitos fazem parte das que considera "muito adequadas aos tempos que estamos a passar"! Mas também ninguém lhe perguntou.
Já agora: Fazem? É que nos outros países (e cá também) parece que está a acontecer o contrário...
P.S. - Publicado no Loja de Ideias