sexta-feira, 30 de setembro de 2016

MATAR O TEMPO .

Matar o tempo 
ou fazer viver o tempo .

Durante uma viagem que fiz ao norte da Alemanha,
com os dois mares congelados, o Báltico e o do Norte,
com temperaturas entre 10 e 20 negativos, sem sair à rua,
apenas vendo a neve cair,

inventei um processo de pintar a aguarelas, fazendo uma 
espécie de pincel, enrolando um papel e dobrando a pon-
ta, e usando a tinta de uma esferográfica azul, dilu-
ida em água .

O que eu conseguia fazer com tal 
geringonça ...

Quando era miúdo, puna-me à janela com um dos meus
irmãos e passa´vamos horas a tentar adivinhar o próximo 
carro a aparecer na nossa rua .

 Bricávamos também a agarrar moscas à mão ,
e a outros jogos, para matar o tempo .

Ouvi contar que nas prisões, nas celas se faziam corridas 
de piolhos, e nos pátios, corridas de caracóis e lagartixas, 
trajados a preceito, com apostas altíssimas .

E hoje, como matar  (reviver) o tempo. escrevendo patra-
nhas e parvoíces .

Mas cada um faz o que pode ...
.